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Na entrevista com os pais a estagiária não esteve presente uma vez que se encontrava a dar uma sessão. No entanto, segundo os registos, os pais mostravam-se satisfeitos pelas evoluções da criança durante o Verão e, de uma forma mais geral, com os progressos desde que começou a ser acompanhado na UPI. Não obstante, a mãe referiu que a criança ainda tinha muitas dificuldades e mostrou-se preocupada com a sua autonomia, principalmente em relação à higiene. Acrescentou ainda que a criança não obedecia, continuava com um atraso no desenvolvimento relativamente aos seus pares e que na escola ainda batia nos outros meninos.

Em sessão, com o intuito de aplicação da GOC, a estagiária tentou interagir diversas vezes com o menino e observar a sua reação em diferentes situações. De referir que a GOC foi

aplicada em contexto de sessão individual. A sua aplicação permitiu perceber um aspeto cuidado, mas uma hipertonicidade, inconstância e ansiedade na forma de apresentação. Foram notórias dificuldades na adesão, atenção à instrução, planeamento e persistência relativamente ao comportamento e desempenho na tarefa. Genericamente não aderia aos jogos propostos pela terapeuta e a sua atitude era de indiferença face ao outro. Demonstrou muitas dificuldades na comunicação verbal, dizendo apenas palavras soltas e utilizando muito os gritos, e ao nível da comunicação não-verbal apresentou um olhar evitante, apesar de estabelecer algum contacto visual. Chorava também frequentemente e a sua expressão gráfica era feita através de garatujas.

Devido ao nível de comunicação do Pedro foi difícil avaliar a componente da memória, mas foi possível perceber que não utilizava o jogo simbólico, que explorava pouco e com muito receio o espaço e que se interessava de uma maneira particular pelas bolas e pela piscina de bolas. Relativamente ao aspeto relacional, o menino mostrava um comportamento ambíguo quanto ao contacto físico, uma vez que por vezes aceitava dar a mão e procurava o toque e outras vezes o evitava e mostrava-se irritado. Uma vez que foi avaliado em sessão individual, não foi possível perceber a sua relação com os pares através da aplicação desta grelha. Já quanto à relação com a família, o Pedro apresentava alguma hesitação ao separar-se dos pais para vir com a terapeuta para o ginásio, no entanto mostrava-se indiferente ou perturbado quando estava como eles. A GOC (avaliação inicial e final) está integralmente preenchida em anexo no CD.

O DAP inicial do Pedro encontra-se no Anexo B1 – DAP inicial. Como é possível observar pelo anexo, o Pedro fez algumas garatujas, mas não é percetível a figura da mãe, que era o que lhe tinha sido pedido. Por esta razão, o DAP não pôde ser cotado e foi apenas utilizado para uma apreciação qualitativa do desenho. Enquanto desenhava o Pedro não demonstrou motivação pela tarefa e, mesmo quando a estagiária ia dizendo diferentes partes do corpo, a criança não procurava representá-las. Por vezes verbalizava “óculo” ou “chapéu” enquanto desenhava. A partir da análise não só do desenho, mas também do próprio comportamento da criança, foi notório um fraco investimento na representação da figura materna, bem como uma representação fragmentada de algumas partes corpo. Segundo Boutinaud (2007), é comum as crianças com diagnósticos situados no espectro do autismo e nas psicoses infantis demonstrarem alterações do desenvolvimento simbólico. O autor ilustra estas alterações com o exemplo do desenho do corpo, frequentemente alterado nestas situações, e esclarece que estas modificações são uma tentativa da criança de decifrar as questões do seu eu corporal. Neste caso esta informação

faz sentido já que, apesar do diagnóstico da criança não se situar no espectro do autismo, o seu médico pedopsiquiatra salientou várias vezes esta organização psicótica da criança, tendo por base um diagnóstico psicodinâmico.

Relativamente à BASC, foi aplicada a banda dos 4 a 5 anos aos pais e à educadora, e o instrumento encontra-se no Anexo B2 – BASC inicial. Os gráficos com os resultados da BASC inicial podem ser consultados no Anexo B3 - Tabelas de resultados da BASC inicial, nas Ilustrações 9, 10, 11 e 12.

Tendo em conta os resultados do instrumento preenchido pelos pais, o Pedro apresenta maiores dificuldades na Hiperatividade e Agressão (que fazem parte da escala dos problemas exteriorizados) e também nos Problemas de Atenção. Estas são as escalas que apresentam valores de risco, todas as outras categorias avaliadas pelo perfil clínico da BASC dos pais apresentam valores normais dentro do esperado para a idade. Não obstante, não deve ser descurado o facto de estarem a ser utilizadas as normas clínicas. Na área do perfil adaptativo, segundo os pais, o Pedro parece ter maiores dificuldades ao nível das Competências Sociais. Apesar de esta ser a categoria com a cotação mais baixa, todos os parâmetros adaptativos avaliados parecem estar pouco desenvolvidos, embora ainda se encontrem dentro da média esperada para a idade.

A BASC preenchida pela professora reflete dificuldades ao nível da Hiperatividade e Agressão, tal como é referido pelos pais. A professora aponta ainda níveis elevados na escala de Depressão, contudo as restantes categorias do perfil clínico parecem apresentar valores esperados para a idade. Inversamente ao descrito pelos pais, a educadora refere que as principais dificuldades do menino no perfil adaptativo são na Competência de Adaptabilidade e, segundo a mesma, as Competências Sociais da criança encontram-se dentro dos valores normais.

Os resultados obtidos através da BASC dos pais e professora parecem ir ao encontro do referido por Cummings e Davies (1994), abordado acima no subcapítulo das Hipóteses Explicativas, acerca da relação entre os conflitos matrimoniais e os problemas exteriorizados. Para além disso, parecem também relacionar-se intimamente com o descrito no capítulo da Depressão Materna acerca da relação entra a mesma e os sintomas na criança.