5. W ILFRID S ELLARS EPISTEMOLOGI : EN SKISSE
5.3 E PISTEMISKE EVALUASJONER OG EPISTEMISKE BETINGELSER
A investigação proposta se direciona especificamente à análise cultural, pois almeja compreender as perspectivas dos acadêmicos de música da Unimontes, dentro do contexto cultural da instituição. Envolve, portanto, além da instituição, as influências que este contexto recebe da sociedade, dos meios de comunicação, das experiências dos acadêmicos e da proposta curricular da universidade. Desse modo, é necessário entender o que é a análise cultural e como ela pode auxiliar na elucidação do problema de pesquisa apresentado.
Para Williams (1998) existem três pensamentos sobre a definição de cultura e os processos de análise cultural. A primeira é a cultura relacionada ao conceito de “ideal”, que diz respeito a um processo de perfeição humana que pensa em termos de certeza absoluta e valores universais. Assim, a análise cultural seria descoberta nas obras artísticas desses valores e em sua referência para condição humana universal. A segunda é a concepção de “documentário”, que relaciona a cultura com a gravação e registro do pensamento e a experiência humana em um trabalho intelectual e imaginativo. Nessa perspectiva, a análise cultural seria o diagnóstico crítico desses pensamentos e das experiências deixadas como obra artística. Por isso, uma tentativa de análise das obras particulares é relacioná-las às tradições na quais elas aparecem. No terceiro pensamento, há uma relação da cultura com o social, no qual os significados e os valores não estão relacionados apenas à arte, mas também às instituições e comportamentos comuns. Assim, a análise cultural incluirá além da relação das obras com as tradições e as sociedades particulares também a organização da produção e as instituições familiares, educacionais, políticas, pelas quais os sujeitos se comunicam (WILLIAMS, 1998). Então, é importante compreender que essas três definições principais devem ser abordadas para uma análise cultural mais substancial, próxima da realidade. Ademais,
Existe uma referência significativa nos três tipos principais de definição, e, se for assim, a relação entre elas devem reivindicar nossa atenção. Parece-me que qualquer teoria da cultura adequada deve incluir as três áreas as quais as definições apontam e, inversamente que qualquer definição específica, em qualquer uma das categorias, que
exclua a referências as outras, é inadequada16. (WILLIAMS, 1998, p. 49-50, tradução
nossa).
Nessa mesma perspectiva, é preciso estar ciente de que em qualquer análise real não é possível isolar um elemento dos outros. De fato, a arte não pode ser analisada fora do seu contexto social sendo, da mesma forma, um erro supor que a explicação social é determinante e que, desse modo, a arte seja um mero subproduto. Na verdade, a arte aparece como uma produção entre as outras dentro da estrutura social que não pode ser estudada isoladamente.
Se a arte faz parte da sociedade, não há um todo sólido fora dela, ao qual poderíamos conceder prioridade. A arte está lá, como uma atividade que se relaciona com a produção, o comércio, a política e a criação de famílias. Para estudarmos adequadamente as relações, devemos estudá-las ativamente, vendo todas as atividades como formas particulares e contemporâneas de energia humana17. (WILLIAMS,
1998, p.51, tradução nossa).
Apesar da centralidade na cultura, a análise cultural recorre à ação humana ao invés da ideologia e das forças determinantes. Desse modo, o foco é pensar efetivamente naquilo que é vivido pelos sujeitos, suas ações e seu pensamentos e, por consequência, nos sentidos que expressam, ou seja, as práticas culturais são enfatizadas não apenas como reprodutoras, mas como produtora de significados e valores em formações sociais específicas.
É preciso, ainda, levar em considerações as formulações de Moraes (2015) que caracterizam a “análise cultural como um instrumento de análise cujos vínculos com o materialismo cultural se dão na relação do método analítico com o método de abordagem” (MORAES, 2015, p.5). Assim, Moraes (2015) propõe que a análise cultural leve em conta a política, a conjuntura, as estruturas de sentimento e a articulação entre produção e consumo. A abordagem política é necessária devido à sua ligação com o pensamento marxista, que propõe uma reflexão sobre a situação humana dentro de um modo de produção capitalista. Ao ponderar a conjuntura, a análise cultural leva em consideração um projeto dos Estudos Culturais como uma prática contextual, antiuniversalizadora, comprometida com a complexidade e contra todo o reducionismo. Partindo dessa concepção, a análise cultural leva em consideração as estruturas de sentimento que pode ser considerado o sentimento real, vivido, ligado a experiência coletiva
16 There is a significant reference in each of the three main kinds of definition, and, if this is so, it is the relations
between the that should claim our attention. It seems to me that any adequate theory of culture must include the three areas of fact to which the definitions point, and conversely that any particular definition, within any of the categories, which would exclude reference to the others, is inadequate. (WILLIAMS, 1998, p.49-50)
17 If the art is part of the society, there is no solid whole, outside it, to which, by the form of our question, we
concede priority. The art is there, as an activity, with the production, the trading, the politics, the raising of families. To study the relations adequately we must study them actively, seeing all the activities as particular and contemporary forms of human energy (WILLIAMS, 1998, p.51).
e histórica dos sujeitos, e ainda, como as experiências vividas se dão justamente em uma sociedade capitalista. Portanto deve-se levar em consideração que os produtos culturais interagem numa relação de produção e consumo, ou seja, sua relação com a esfera produtiva e seu consumo por meio dos meios de comunicação e, por conseguinte, como os sujeitos interpretam essas mensagens.
Assim, ao analisarmos aqui as produções de sentido dos acadêmicos do curso de música da Unimontes, espera-se imergir nas experiências culturais que são vividas nesse contexto educacional, partindo da concepção de que a análise da experiência será pensada sobre estes quatro pontos sugeridos por Moraes (2015): sua relação com a organização política da sociedade que não dá a todos os sujeitos oportunidades de acesso; sua natureza conjuntural que mostra que os sujeitos abordados, são únicos em um determinado tempo e espaço; que as experiências vividas podem ser entendidas como estruturas de sentimento ligadas a experiência coletiva e histórica dos sujeitos que culminam na escolha do curso superior de música; e por fim, os resultados das produções, seja como professores de música ou como músicos, que estão dentro de uma lógica de consumo capitalista.