3. METHODOLOGY AND EXPERIMENTAL DESIGN
3.5 E CONOMETRIC A NALYSIS
A diversidade de temáticas e objetivos dos blogs traz junto a complexidade de categorização dos mesmos. Vários autores têm buscado definir e classificar os gêneros pelo seu conteúdo, proposta, utilidade, apropriação ou autoria; no entanto, não existem tipologias precisas ou ideais que contemplem todo universo da blogosfera já que muitos se cruzam nas características e não apresentam limites exatos nesses traços. A quebra dessas barreiras pelos blogueiros talvez seja o maior desafio para sistematizar o fenômeno como um todo. Primeiro, porque ao mesmo tempo em que possuem heterogeneidades, pertencem a um gênero flexível; segundo, porque o potencial para sua utilização é infinito e, finalmente, porque a representação de uma categoria pode pressupor a combinação de uma série de variáveis empíricas (BARBOSA, 2003, p. 04).
De qualquer forma, mesmo com a variedade de facetas e as fronteiras tênues, numa primeira categorização, Recuero (2003) especifica cinco tipos, a partir das informações que veiculam: blogs diários (relatos e experiências da vida pessoal do autor), blogs publicações (os quais se destinam principalmente à informação geral ou temática/específica, de caráter opinativo); blogs literários (histórias ficcionais, contos, crônicas ou poesias); blogs clippings (grupo de links cuja fonte são outras publicações) e blogs mistos (aqueles que misturam posts pessoais e informativos). Herring et al. (2004), numa perspectiva semelhante à Recuero, tipifica as seguintes categorias: diário pessoal; filtro (com comentários sobre atualidades); k-log49 (com registro e observações sobre um domínio do conhecimento); e misto (mixed).
Amaral, Recuero e Montardo (2009) atualizam a classificação ao considerar a utilização que tem sido feita dos blogs pelas organizações. Há o tipo que se realiza com fins institucionais, em que uma variedade de práticas pode ser relacionada com o que se convencionou chamar de
blogs corporativos. A proposta “é possibilitar o diálogo mais informal entre a organização e seus
públicos, conferindo transparência a essa relação” (AMARAL; RECUERO; MONTARDO, 2009, p. 08). E um segundo tipo, chamados blogs promocionais, cujo nome designa um dos
49 Klogs são blogs (educativos ou corporativos, por exemplo) utilizados para o compartilhamento de conhecimentos
40 objetivos, a promoção ou divulgação publicitária de determinados produtos e serviços de uma marca ou empresa, mas que inclui também a realização de pesquisas mercadológicas junto ao público, por exemplo.
Outro direcionamento comum é propor uma categorização por temáticas predominantes, como no caso dos blogs sobre moda, street-style, educação, viagem, culinária, tecnologia e os
blogs sobre política, por exemplo. Os blogs sobre guerra, bastante populares durante a Guerra
do Iraque, em 2003, foram denominados de warblogs (RECUERO, 2003a); e os blogs que tratam de assuntos relativos à legislação são conhecidos como blawgs (ZAGO, 2008). Chamam- se celeblogs (McFEDRIES, 2007) os blogs sobre celebridades e Spam blogs ou splogs aqueles criados com a finalidade de utilizar-se de conteúdo alheio produzido em outros blogs para adicionar anúncios publicitários e lucrar com a produção alheia (PHOEBE, 2007; ZAGO, 2008).
Segundo Primo (2008, p. 02), “ainda que seja importante observar a tematização principal de um blog, tal procedimento não é suficiente para analisar-se o fenômeno do blogar em sua profundidade”. Justamente por isso o autor propõe uma tipificação para blogs, com 16 gêneros, feita a partir de uma pesquisa em endereços brasileiros, na qual delimita quatro grandes categorias baseadas na autoria, quais sejam: blogs profissionais, pessoais, grupais organizacionais e, em cada uma delas, deriva os seguintes tipos: autorreflexivo, informativo- interno, informativo e reflexivo. Trata-se de uma sistematização mais complexa, válida do ponto de vista da abordagem, dos autores e das dinâmicas contextuais desses veículos.
Como as demais classificações supracitadas, ainda não atendem de forma completa o assunto, pois dão conta dos blogs apenas desde um ou dois critérios, sem distinguir as particularidades e segmentações previstas entre uma mesma linha editorial. A complexidade observada no que tange aos blogs street-style, por exemplo, que conforme a literatura50 existente
podem ser enquadrados em mais de uma categoria além de temático – profissional, corporativo e promocional –, indica a necessidade de diferenciação e sistematização dos mesmos desde sua variedade de abordagens, objetivos, autores, títulos e área de abrangência no mesmo assunto, a moda de rua. Tal exercício de sistematização, até agora inexistente, é apresentado nesta Tese, no Capítulo 3.
50 Segundo Primo (2008), os exclusivos de street-style podem ser considerados profissionais reflexivos, já que a
moda de rua estaria sendo analisada a partir do ponto de vista de um especialista – fotógrafos, jornalistas ou fashionistas, por exemplo.
41 Vale enfatizar que os blogs street-style emergiram em 2005, a partir dos blogs de moda51 (estes de 2003), um gênero digital particular que mistura escrita, som e imagens (fixas e móveis), sendo estas a linguagem principal. Há blogs de moda que produzem conteúdo exclusivo de moda e, entre esses, há distinções temáticas entre aqueles voltados para segmentos do mercado – masculino, beleza, esportivo, noivas, lingerie, infantil – e ainda os mistos, que abordam assuntos afins, como beleza, comportamento, música, arte. Existem também os blogs institucionais, feitos apenas para uma marca; além dos blogs das diversas revistas de moda, programas de TV (e também sites) que criaram seus próprios na tentativa de aproximar-se dos clientes/leitores, ora hospedando os mais populares blogueiros em seus sites ou, ainda, os trazendo para trabalhar nos seus sites. Vislumbramos que entre esses tipos e, para além dos mesmos, existe uma diversidade de abordagens e segmentações, seja por temas ou exploração comercial, etc., não contemplados nas sistematizações.
Apesar das possíveis segmentações temáticas entre os blogs de moda e das fronteiras porosas entre eles, Rocamora e Bartlett (2009) distinguem dois tipos principais: os que publicam notícias e fotos de moda ou de seus autores (mais próximos à proposta original dos blogs); e os
blogs street-style, em que predominam as fotografias.
Hanssen (2010, p. 05-07) divide os blogs de moda de acordo com seu conteúdo: notícias da área, street-style, diário de estilo pessoal, noite e masculinos, a partir das seguintes categorias: a) news &views; b) seen on the street; c) personal style diary; d) creatures of the
night; e também d) what about the boys? A partir desses tipos, a autora lista aqueles que
considera os principais do mundo, muitos dos quais podem ser considerados blogs de moda de rua. Importante que as tipologias de ambos estudos diferenciam o street-style como uma categoria principal.
51 Os blogs de moda são publicações temáticas independentes (pessoais ou coletivas) disponíveis gratuitamente na web sobre questões que circunscrevem a moda, tais como: comportamento, tendências, consumo, semanas de moda ou coleções, estilo, design, beleza, música, celebridades, etc. Possuem o ponto de vista dos autores (profissionais, consultores, jornalistas ou somente interessados pelo assunto), seja no que concerne ao modo de escrever (quase sempre simples e acessível), seja na abordagem das questões – o que significa dizer que eles privilegiam um tom espontâneo e pessoal (e até a irreverência). Eles não têm a obrigação de dar a versão de uma empresa (ou a oficial); e há liberdade de criticar ou elogiar determinada coleção, por exemplo. Nogoodforme.com e Myfashionlife.com, lançados, respectivamente, em maio de 2003 e setembro de 2004 estão entre os primeiros blogs de moda a terem aparecido na web, segundo Rocamora e Bartlett (2009). No Brasil, os primeiros blogs de moda são o Moda Pra Ler o Oficina de Estilo, ambos de 2006, embora já houvesse experiências em 2004. Ler mais em Hanssen (2010) e Hinerasky (2010).
42 Nessa perspectiva, os blogs street-style são uma versão dos blogs de moda, com fotografias de pessoas nas cidades, cuja publicação e edição de imagens é o que os distingue dos demais: olhares particulares sobre cotidianos urbanos também particulares. Logo, são um gênero digital que atualizam “micro-histórias” sobre a moda e a cultura urbana. De qualquer forma, como os demais tipos, operam segundo processualidades, lógicas e dinâmicas comuns, estudadas a seguir.
1.3 AS DINÂMICAS DA BLOGAGEM: AUDIÊNCIA, ANUNCIANTES E ASSÉDIO