O isomorfismo e o princípio da similaridade são dois fatores que foram utilizados pelo trabalho e pela educação, principalmente em Caldas Novas, a ideia de aproveitar o pronto e feito como modelo de estruturação, seja para as questões relacionadas à nova matriz produtiva que estava em andamento, seja como relação a uma nova política educacional a ser implantada.
A necessidade de dominar certos conhecimentos era fundamental para que a cidade pudesse fazer o seu comércio funcionar, e principalmente, dar condições para desenvolver o balneário. Com a experiência advinda de outros povos e outras plagas se fazia necessário a docilização dos jovens e adultos. Como era pouco provável que os mais antigos se submetessem a ir à escola, a escola deveria começar criando condições para educar de maneira cívica e principalmente focando o mercado se se despontava. Civilismo, preparação para o mercado de trabalho, ideais de civilidade eram os paradigmas que a educação prega e pregava no início dos anos de 1930. O período foi marcado por valorizar os aspectos cívicos: o ufanismo era um dos pontos a ser trabalhado.
Não se pode analisar o período sem incluir os problemas de ordem
econômicas: a quebra das bolsas no mundo todo, as fortes alterações na política, incluindo a propagação do nazismo e do fascismo, acabam por nortear as alterações no espaço político brasileiro. O mote: “instrução, educação e saneamento” era o que se difundia no período e consequentemente as três grandes mudanças realizadas por Francisco Campos na seara da educação: a educação secundária, a educação comercial e a educação superior. A maior diferença era que no período em questão a segregação das categorias sociais menos favorecidas era ainda maior do que nos dias atuais.
As mudanças, efetivamente, focavam na formação visando a criação de um enorme contingente de mão de obra. Era fundamental que se pudesse atender as novas necessidades da industrialização que se implementava no país, ao passo que se mantinha uma escola focada nas elites – a educação superior - para manutenção da classes que deveriam continuar controlando a nação. Os “modernos’ cuidavam da educação, da necessidade de formação somente parcial para os trabalhadores e uma formação acadêmica para os governantes, dessa forma, ficava ainda mais demarcado as diferenças sociais, a escola foi é ainda é utilizada como segregador social, basta ver a diferença de conteúdos e currículos utilizados nas escolas públicas e nas escolas particulares. Necessário se faz uma anotação, essa relação trabalho e escola na realidade transcende a questão de emprego, mas se ancora nas questões das relações produtivas que podem ser oportunizadas bem como as relações de educação passam também pelo conceito de cultura e a noção de gestão de conhecimentos.
No que diz respeito ao espaço geográfico, a cidade de Caldas Novas, não tinha nenhum projeto urbano: suas casas não obedeciam um alinhamento ou simetria, o centro da cidade não tinham traçado algum, era mais um campo, com trilhas aberta em seu seio-cidade.
Para sair deste arraigado ruralismo, foi idealizado por Juca de Godoy, a pedido de seu parente o capitalista cel. Bento de Godoy, um projeto urbanizador, com ele veio, leis para obrigar ou conseguir o apoio da população. Ainda que vendessem uma imagem de futuro e crescimento, isso não foi suficiente para que a pequena população comprasse a ideia, continuavam a pendurar roupas para secar nas cercas em frente as suas casas, utilizavam águas termais para lavar calçadas e ainda utilizavam as fontes das praças inclusive para lavar louças.
Os animais continuavam sendo amarrados nas cercas domésticas; dessa maneira, a cidade não conseguia alterar os antigos hábitos, esse necessitavam ser utilizados, o sanitaríssimo exigia essa mudanças, a civilidade deveria fazer parte da estrutura arquitetônica e do espaço urbano. O plano urbanístico caminhava a passos lentos, a sua efetividade era falha, faltavam fiscais, faltava treino e principalmente faltava a cultura urbana para seus moradores14.
14 Todo o esforço realizado por Bento de Godoy, Theophilo de Godoy, Antônio Inocêncio, não foram
suficientes para a modificação substancial da cidade. Pontes, estradas, praças, foram iniciadas mas o tempo 133
A aprendizagem para as novas modalidades de trabalho necessário para as novas mudança, ainda ficam na base da transmissão oral e na participação direta das ações práticas. Colocar a escola como responsável pelo domínio e destreza para as novas profissões que se apresentava, uma sociedade urbanizada necessitava de um ambiente que promovesse o conhecimento, e esse espaço era sem dúvidas a Escola, a sociedade sozinha já não conseguia oportunizar as novas formas de aprendizagem para o trabalho, o próprio local de trabalho também não conseguia mais dar a formação necessária, como se fazia na época dos mestres artesões, o momento exigia um conjunto operacional de maior vulto, um envolvimento entre família, a cidade e a escola.
Com um plano diretor que aplicava pesadas multas e obrigava a população a uma nova maneira de se organizar, a população e a cidade viram-se obrigadas a mudar suas rotinas e seus ares. Logo abaixo, vemos uma fotografia do centro da cidade durante o período dos primeiros coronéis, exatamente no ano de1911, quando da emancipação política da cidade.
Como se percebe, a cidade carecia de uma melhor infraestrutura, as casas começam a buscar um alinhamento urbano, as trilhas ou “picadas” como se dizia, precisavam se tornar caminhos, ruas, a praça necessitava de detalhamento e um desenho clássico, como os de outras cidades, além disso a energia elétrica e a água encanada eram itens de vital importância para o projeto civilizador de transformar o campo e uma urbe moderna.15
e acultura local foram os maiores inimigos dos primeiros coronéis. A segunda geração a quem podemos chamar de pequenos coronéis, filhos dos primeiros, embora tivessem uma cultura letrada maior que seus antecessores, os mesmos recursos financeiros e a mesma determinação, preferiam a via política, solicitando apoio financeiro do estado.
15 A foto representa um duro retrato da realidade vivida por Caldas Novas, mesmo com todo esforço da
primeira geração de coronéis das águas, faltou apoio do governo do Estado, aliás, analisando os jornais de Ipameri cidade vizinha e por onde a estrada de ferro chega no interior Goiano, notamos que todos comentavam sobre a possibilidade que Caldas Novas possuía com suas águas termais. Um bom exemplo 134