5 DISCUSSION
5.1 Dry matter content
O início da década de 80 marcou o final de uma tendência de diversificação das empresas que se iniciou no final dos anos 50 e intensificou-se na década seguinte. Nesta nova etapa da estratégia de crescimento das empresas, os executivos começaram a se preocupar em reduzir a diversidade das empresas concentrando-se no core
business. A nova estratégia foi a de especialização através de
desinvestimentos e reestruturações.
A estratégia de crescimento através da diversificação era suportada por vários trabalhos acadêmicos que identificam, entre outras vantagens, as
economias de escala na área administrativa, economias de escopo em produção e marketing e sinergia financeira alcançada pelo desenvolvimento do mercado financeiro interno.
As economias de escala variam substancialmente entre as empresas dos diferentes setores de atividade econômicas. Outros fatores permanecendo constantes, quanto mais substanciais forem as economias de escala, provavelmente maiores serão as empresas de um determinado setor. Tipicamente, as empresas do setor de transformação têm maior probabilidade de apresentarem rendimentos crescentes de escala do que as empresas do setor de serviços, pois a atividade de transformação exige substanciais investimentos em equipamentos de capital para que tais empresas possam operar da forma mais eficaz (PINDYCK e RUBINFELD, 1994). Porém, no caso das diversificações de empresas, os argumentos se baseavam em economias de escala na área administrativa, o que invalida a comparação entre economia de escala e tamanho da empresa pois as empresas podem atingir praticamente o mesmo nível de economia.
Muitas empresas produzem mais que um produto que podem ou não ser fisicamente relacionados. Em ambas as circunstâncias, porém, as empresas provavelmente terão vantagens de produção ou de custo quando produz dois ou mais produtos, em vez de apenas um. Tais vantagens poderiam advir do uso de insumos ou de instalações de produção, de programas conjuntos de marketing, ou possivelmente da economia nos custos de uma mesma administração. Em alguns casos, a produção de um produto resulta em um subproduto inevitável que tem valor para a empresa como é o caso do fabricante de chapas de aço que gera sucata de metal e rebarbas que podem ser vendidas. As vantagens econômicas da produção conjunta são chamada de economias de escopo. Segundo PYNDICK e RUBINFELD (1994):
"as economias de escopo encontram-se geralmente presentes quando a produção conjunta de uma única empresa é maior do que as produções obtidas por duas empresas diferentes, cada uma produzindo um único produto (com equivalentes insumos de produção alocados entre as duas empresas separadas)
Caso uma empresa apresente uma produção conjunta que seja menor do que a obtida por empresas separadas, então tal processo de produção envolve deseconomias de escopo.
Não existe relacionamento direto entre economias de escala e economias de escopo. Uma empresa fabricante de dois produtos poderia ter vantagens decorrentes de economias de escopo, mesmo que seu processo produtivo envolvesse deseconomia de escala.
A ênfase na especialização é consistente com JENSEN (1988) que argumenta que os programas de diversificação das empresas exemplificam a teoria de que os executivos de empresas com possibilidade de aumentar seu endividamento e grandes quantias de fluxo de caixa livres são mais susceptíveis a investimentos com destruição de valor. Similarmente, MEYER, MILGORM e ROBERTS (1992) sustentam que empresas que apresentam resultados ruins tiveram anteriormente acesso aos recursos disponíveis da empresa controladora.
De acordo com o estudo de COMMENT e JARRELL (1995), há uma pequena tendência em direção à busca da especialização pelas empresas norte-americanas durante a década de 80. Em 1988, 55.7% das empresas estudadas tinham apenas uma unidade de negócio comparado com 38,1% em 1979. Além da tendência em direção a especialização, o estudo revela que houve uma relação positiva entre retorno das ações e aumento do foco e uma falha das empresas diversificadas em explorar economias financeiras de escopo.
A combinação de negócios que tenham correlação imperfeita de ganhos reduz a variabilidade dos mesmos. Riscos menores não são provavelmente interessantes per se para os acionistas, que podem diversificar através de portfolios próprios de ações. A habilidade do investidor em diversificar através de investimentos pessoais tem crescido nos últimos anos devido a redução dos custos de transação e do crescimento da indústria de fundos mútuos, o que pode ter levado a reduzir o motivo ou desejo de diversificação das empresas. LEVY (1991) argumenta que a habilidade dos acionistas e intermediários financeiros em montar portfolios pode ter diminuído o movimento de diversificações nas empresas.
Uma possível motivação para o desinvestimento é aumentar o foco na operação da empresa vendedora de forma a melhorar o desempenho dos ativos restantes. Esta melhora pode ser devido a várias razões tais como a eliminação de sinergias negativas com o ativo vendido ou aumento na eficiência através de uma melhor alocação dos recursos de gerenciamento.
Num mercado de capitais eficiente onde os executivos procuram maximizar o valor da empresa, as empresas vendem seus ativos para outros por duas razões principais. Primeiramente, o ativo tem uma melhor utilização e é de maior valor na empresa que o comprou do que na empresa que o vendeu. Segundo, o ativo vendido interfere em outras operações da empresa vendedora. Um importante caso é quando o ativo vendido não está relacionado com a operação principal da empresa. A venda deste ativo conduz a um aumento no foco da empresa e a uma operação mais eficiente naquilo que a empresa sabe fazer de melhor. JOHN e OFEK (1995) realizaram estudo enfatizando o foco da empresa como um motivo importante para o desinvestimento. A hipótese do foco da empresa implica que a eliminação das sinergias
negativas entre o ativo a ser vendido e os ativos restantes poderiam conduzir a uma melhor performance a estes últimos após o desinvestimento. Eles constataram que o ganho de valor originou-se de uma melhor administração dos ativos remanescentes após o desinvestimento. Através de uma série de testes para determinar se o foco da empresa é uma importante explicação ou não para os ganhos do vendedor, encontraram-se várias evidências consistentes com a hipótese do foco: a operação da empresa vendedora tornou-se mais especializada no ano do desinvestimento; houve um aumento no índice de Herfindahl; uma diminuição no número de linhas de negócios reportado; e finalmente, em 75% dos casos, a divisão onde ocorreu o desinvestimento não era relacionada com a operação principal da empresa. Utilizando-se de diversos medidores contábeis de desempenho tais como margem operacional e retorno sobre ativos, verificou-se que os ativos remanescentes eram mais rentáveis após o desinvestimento concluindo-se que a melhora no desempenho está positivamente relacionada com o aumento do foco da empresa.