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DEL 4- Analysen

4.2 Dronning Blancas vei/Bygdøy

Diante do nosso estudo e dos resultados da pesquisa, podemos afirmar que a escola infantil é o espaço em que a criança passa bastante tempo, por conseguinte, é necessário que, aos olhos da própria criança, seja um espaço acolhedor, agradável, e ao mesmo tempo desafiador e instigante.

Cohn (2005) enfoca a importância de perceber a escola a partir de uma abordagem que entende a criança como um ator social relevante, que participa, que não apenas sofre influência, mas que atua sobre este espaço, cria, recria e transforma.

(...) as crianças não apenas se submetem ao ensino, mesmo em suas faces mais disciplinadoras e normatizadoras, como criam constantemente sentidos e atuam sobre o que vivenciam. Desse modo, análises do que as crianças fazem e pensam que estão fazendo, do sentido que elaboram sobre a escola, das atividades que nela desenvolvem, das relações que estabelecem com colegas, professores e outros profissionais do ensino, e da aprendizagem podem ser muito enriquecedoras para melhor compreender as escolas e as pedagogias. (COHN, 2005, p. 41)

Deste modo, seguindo os estudos de Cohn (2005), entendemos a contribuição da antropologia ao estudo sobre a criança pelo seu caráter revelador, na medida em que destaca o que a autora chama de nó nas relações entre as políticas e o atendimento à criança; a incapacidade de se comunicar com as crianças e de vê-las como sujeitos sociais.

94 Gonçalves (1990) enfoca que a criança vai construindo a sua visão de mundo e do ambiente escolar que a cerca através de uma relação que supõe participação ativa com os professores, com as outras crianças, de modo que os significados que ela já vem elaborando ao longo do seu desenvolvimento, são confrontados com outros significados que permeiam a escola.

Diante disso, é importante compreender o modo como a criança pensa esta escola, e as expectativas que lança sobre este espaço tão significativo para ela. Destacamos a necessidade de ouvir a criança, a expressão do seu pensamento sobre as elaborações que faz a respeito do que está a sua volta. Porém, é necessário respeitar a sua linguagem, o modo de pensar, de entender e de perceber as coisas significativas para ela.

Para Oliveira (1997), é por volta de dois anos de idade que o pensamento encontra-se com a linguagem, estabelecendo uma forma de comunicação mais clara e expressiva na relação com os outros. Segundo Vygostky (1998, p. 43):

Pelas palavras, as crianças isolam elementos individuais, superando, assim, a estrutura natural do campo sensorial e formando novos (introduzidos artificialmente e dinâmicos) centros estruturais. A criança começa a perceber o mundo não somente através dos olhos, mas também através da fala. Como resultado, o imediatismo da percepção “natural” é suplantado por um complexo de mediação; a fala como tal torna-se parte essencial do desenvolvimento cognitivo da criança.

Os estudos de Vygotsky enfatizam a necessidade de relacionar as experiências culturais com o desenvolvimento cognitivo da criança, na medida em que entendemos a cultura como parte da natureza de cada pessoa. Sendo assim, é necessário compreender a origem social da linguagem e do pensamento, de modo que o individual e o coletivo sejam elementos constitutivos de um todo. (FARIAS, 1994)

A autora alerta para o fato de que a escola não pode se fechar em um monólogo, o do professor que pretende passar à criança algum conhecimento. É importante destacar a importância do diálogo, de dar voz à criança, permitindo-lhe que faça parte do processo de construção do conhecimento e reconhecimento do seu espaço como construtora de cultura. A escola precisa ter significado para a criança.

95 Diante disso, os dados encontrados na nossa pesquisa ratificam a idéia de que, para a criança, a escola precisa ser colorida, precisa ser instigante, ter várias formas que chamem a sua atenção, precisa de espaços, onde possa brincar, correr, e se expressar.

Podemos observar que o turno da tarde é bem movimentado. As crianças chegam eufóricas, correndo em direção as suas salas, segurando ou carregando bolsas pesadas, cheias de cadernos, lápis coloridos e sem cores, e os brinquedos preferidos. É perceptível que as crianças trazem com elas também uma gama de sentimentos, de ideias, de vivências que perpassam as suas vidas, as suas famílias, experiências e sensações que fazem parte dela, e que interferem no seu desenvolvimento, na sua forma de pensar, de perceber as situações e de interpretá-las.

As crianças correm para as suas salas, sentam em suas carteiras, sempre as mesmas e com os nomes colados na parte da frente. As carteiras são arrumadas em círculo, de modo que a professora pode vê-los bem. Alguns chegam atrasados, porque os pais saem mais tarde para o trabalho, e quando chegam à sala, são recebidos com um sonoro “boa tarde!”.

A sala da turma do jardim II fica um pouco isolada. É a última sala na frente do pátio de areia. O ambiente é muito quente, causando certa irritabilidade e impaciência nas crianças. As meninas sempre de cabelos presos, e a professora também. Em um dos dias em que eu estava presente, a professora disse: “não agüento mais, vou mandar esses meninos todos para o pátio lá da frente.”, deixando uma atividade pela metade. Acompanhei as crianças até o pátio e, passado 30 minutos equivalente ao recreio, voltamos para a sala e continuamos a atividade de colagem que estava sendo feita.

Através dos resultados obtidos, observamos que as crianças necessitam de um espaço rico em estímulos, cores, formas, materiais didáticos diversos, e brinquedos variados. Através das suas falas e dos seus desenhos, percebemos as queixas referentes ao fato de não haver um parque na escola, de não gostarem do pátio azul onde só existem brinquedos para as crianças menores, e o fascínio exercido pelo ambiente lúdico da piscina.

Vale salientar que o espaço físico da escola é grande, as salas tem um tamanho razoável, são bem decoradas com motivos infantis, e as carteiras são de acordo com o tamanho das crianças. Os três pátios são grandes, porém não

96 apresentam muitos atrativos para as crianças; o primeiro tem a miniatura de uma casa que eles são proibidos de brincar, o chão é de cimento e desnivelado onde as crianças brincam de correr de lá pra cá.

O segundo pátio é chamado por elas de pátio azul, por ter o chão pintado de um azul forte. Neste espaço tem alguns cavalinhos de plástico. São grandes e balançam. Estes brinquedos são utilizados pelas crianças até três anos de idade. Praticamente todas as crianças da pesquisa se referiram a este espaço como sendo um lugar do qual não gostam na escola. É um espaço “proibido” para elas, porque as crianças menores sempre estão utilizando, sendo assim não podem correr, e nem brincar como querem, para não correr o risco de machucar alguém. Os brinquedos neste pátio também são restritos, apenas os cavalinhos que balançam, e que não parecem mais interessantes para as crianças de 5 anos de idade.

O terceiro pátio é o de areia, um espaço grande, porém mal aproveitado, não contendo nada lúdico para as crianças brincarem. A escola poderia aproveitar melhor este espaço, construindo um parque, ou disponibilizando mais brinquedos que as crianças pudessem utilizar na brincadeira com a areia. O espaço onde foi construída a piscina é bastante atrativo para as crianças. Elas adoram as aulas de natação com um professor diferente. Os dias que tem aulas de natação ou balé são animados, as crianças ficam eufóricas e perguntam o tempo todo: “tia já está na hora?”.

Carvalho e Rubiano (2007) enfatizam que os estudos contemporâneos apontam para a influência que o ambiente físico exerce no desenvolvimento da criança. Porém, alertam que apesar desse reconhecimento vir ganhando espaço nas discussões sobre educação infantil, ainda nos deparamos com escolas e creches que negligenciam este conhecimento ao preparem o planejamento dos ambientes infantis, destacando apenas que devem ser ambientes ricos e estimuladores. Informações que não revelam, de fato, a importância dos componentes físicos do ambiente no desenvolvimento da criança. As autoras reforçam este pensamento:

A menos que a sala de aula se torne muito quente ou muito fria, muito populosa ou barulhenta, geralmente é tida simplesmente como um cenário, ou pano de fundo, para interação. Contudo, a organização da sala de aula tem influência sobre os usuários

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determinando em parte o modo como os professores e alunos sentem, pensam e se comportam. Desta forma, um planejamento cuidadoso do ambiente físico é parte integrante de um bom manejo do ensino em sala de aula. (CARVALHO e RUBIANO, 2007, p. 107)

Seguindo estes estudos, entendemos que qualquer ambiente físico construído exerce impacto sobre os indivíduos. Em se tratando de crianças, levamos em consideração, ainda, o fato de que estes fatores podem influenciar o comportamento de forma positiva ou negativa, facilitando certas atividades e podendo obstruir outras.

O RCNEI (1998) aborda a questão sobre o espaço físico e os recursos materiais, ressaltando que estes são elementos essenciais em um projeto educativo, vistos como auxiliares de grande relevância no processo de aprendizagem.

Espaço físico, materiais, brinquedos, instrumentos sonoros e mobiliários não devem ser vistos como elementos passivos, mas como componentes ativos do processo educacional que refletem a concepção de educação assumida pela instituição. (p. 68)

É importante ressaltar que este é apenas um dos indicadores importantes para a garantia da qualidade em instituições de educação infantil. Ao professor cabe a responsabilidade de preparar um ambiente adequado para que a criança possa interagir de forma ativa com as outras crianças e com os adultos. (RCNEI, 1998)

No dia em que fizemos a atividade do desenho, faltava uma aluna, mas como já havia combinado com eles que faríamos uma atividade, não achei prudente adiar para o dia seguinte. No outro dia fiz a atividade com a aluna que faltou. Através do desenho, as crianças apresentaram como viam a escola. Algumas desenharam o que mais gostavam na escola, outras foram um pouco além, colocando o máximo de detalhes possíveis que iam lembrando no momento da atividade proposta.

Os desenhos elaborados pelas crianças apresentaram a sua forma de expressão da escola. A maioria delas focalizou algum espaço da escola, o que julgaram como predileto, certamente aquele que assume algum valor simbólico para elas.

98 Vale a pena ressaltar que todas as crianças citaram a piscina como sendo o espaço de que mais gostavam na escola. Para as crianças, a piscina assume uma representação da escola por ser tratar de um momento onde o aprendizado se dá de forma lúdica, além do fato delas gostarem de fazer atividades fora da sala.

Quando pedimos à criança para desenhar a sua escola, entendemos que a representação expressada através do desenho foi construída a partir da sua experiência vivenciada neste ambiente. De acordo com o RCNEI (1998): “O conceito que uma criança faz do que seja um cachorro, por exemplo, depende das experiências que ela tem que envolvem seu contato com cachorros.” (p. 50)

Sendo assim, observamos algumas características apresentadas nos desenhos e nas falas das crianças:

“Eu desenhei o banco, a porta da frente, o sol, aquele sol bem bonito, a sala azul...” (José, 5 anos)

A criança precisa de ambientes estimulantes ao seu desenvolvimento, precisa de ambientes que sejam coloridos e desafiadores. Carvalho e Rubiano (2007) destacam que a maioria dos ambientes infantis tem sido preparado sem o devido planejamento que vise ao atendimento às necessidades e expectativas da criança.

Em geral, os ambientes infantis têm sido pobremente planejados, pois geralmente são orientados para atender as necessidades do adulto e/ou do grupo como um todo, desconsiderando as necessidades próprias das crianças, principalmente em instituições onde se restringe muito o desenvolvimento da identidade pessoal. Seja qual for o tipo de instituição-escola, pré- escola, creche, hospital – ela geralmente é caracterizada por um alto grau de controle e organização externa, de rotina de comportamento e de limitações de oportunidades para escolha pessoal. (CARVALHO e RUBIANO, 2007, p. 109)

Ressaltamos como é importante perceber as necessidades da criança neste ambiente infantil, para que, desta forma, o seu desenvolvimento aconteça de forma plena, estimulando a sua criatividade, o contato social com as outras crianças e com os adultos, promovendo o aprendizado de novos

99 conhecimentos, assim como, estabelecendo um ambiente em que a criança se sinta confiante e segura.

“Já aprendi a ler muita coisa, a escrever as coisas, você viu tia? Eu escrevi sozinho. Tem muita coisa que eu já sei sozinho, e tem outras que eu preciso de ajuda.” (Carlos, 5 anos)

Oliveira (1997) ressalta a fundamental importância das interações sociais no processo de desenvolvimento das funções psicológicas humanas. O desenvolvimento individual se dá a partir das relações construídas em um ambiente social na interação com o outro.

Vale ressaltar que o desenho na infância assume um importante instrumento que pode ajudar a desvendar o que a criança pensa e sente a respeito das coisas ao seu redor. Segundo Campos (1998), o desenho é visto como uma técnica basicamente não verbal, mas de grande valor investigativo, quando aliado a outras técnicas, sobretudo por ser bastante apropriada a sua utilização com crianças pequenas. Seguindo os estudos da autora, podemos afirmar que, através do desenho, a criança expressa o que sente, e não apenas o que vê.

A partir da fala das crianças, observamos também que a brincadeira assume papel de grande relevância na escola infantil, e que as crianças se referem ao brincar como aquilo que mais gostam de fazer.

“Eu gosto de bincar, eu gosto dos binquedos, gosto de fazer a talefa, ai eu gosto de ir pra piscina, ai eu gosto também quando minha mãe trás os binquedos que eu gosto de bincar.” (José, 5 anos)

Segundo Oliveira (1997), as atividades que envolvem a criança em brincadeiras, promovendo a criação de situações imaginárias, assumem, automaticamente, uma função pedagógica. Sendo assim, a escola deveria utilizar de forma mais abrangente atividades lúdicas, com o intuito de auxiliar no processo de desenvolvimento pleno das crianças.

Vygotsky (1998) afirma que o brinquedo é uma fonte essencial de promoção do desenvolvimento infantil, na medida em que a criança assume

100 papéis, jogos de “faz-de-conta”, representando simbolicamente alguma situação ou sentimento. Nas palavras do autor:

No brinquedo, o pensamento está separado dos objetos e a ação surge das idéias e não das coisas. Um pedaço de madeira torna- se um boneco e um cabo de vassoura torna-se um cavalo. A ação regida por regras começa a ser determinada pelas idéias e não pelos objetos. Isso representa uma tamanha inversão da relação da criança com a situação concreta, real e imediata, que é difícil subestimar seu pleno significado. (VYGOTSKY, 1998, p. 128)

Desta forma, ressaltamos a importância do brincar como instrumento relevante nas atividades pedagógicas, de forma que leva a criança a desenvolver a sua criatividade, o seu pensamento, e a sua percepção acerca do mundo e das situações a sua volta.

Friedmann (2005) afirma que o brincar pode ser considerado como uma linguagem que as crianças utilizam para se comunicarem entre si e com os adultos. Com esta linguagem as crianças representam de forma inconsciente o real e faz-se necessário, portanto, aprendermos a ouvir, decifrar e compreender essa linguagem.

No ato de brincar, o ser humano se mostra na sua essência, sem sabê-lo, de forma inconsciente. O brincante troca, socializa, coopera e compete, ganha e perde. Emociona-se, grita, chora, ri, perde a paciência, fica ansioso, aliviado. Erra, acerta. Põe em jogo seu corpo inteiro: suas habilidades motoras e de movimento vêem-se desafiadas. (FRIEDMANN, 2005, p. 88)

De acordo com o RCNEI (1998), é através da brincadeira que a criança cria, recria, repensa, constrói e reconstrói a sua percepção do mundo que a cerca. A brincadeira contribui para a construção da auto-estima e do auto- conceito da criança, de forma a auxiliar na superação de certas situações, e na construção de novos conhecimentos.

As ideias do RCNEI apontam para a necessidade da escola infantil ressaltar, em seu planejamento, a utilização da brincadeira como eixo fundamental na atividade pedagógica. O professor deve compreender que à medida que brinca, a criança cria um espaço onde poderá experimentar o mundo e construir uma compreensão única sobre as pessoas, os sentimentos e os infinitos conhecimentos.

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É preciso que o professor tenha consciência que na brincadeira as crianças recriam e estabilizam aquilo que sabem sobre as mais diversas esferas do conhecimento, em uma atividade espontânea e imaginativa. (RCNEI, 1998, p. 29)

Outro aspecto exposto, por meio dos resultados obtidos, são os vínculos construídos pelas crianças. A pesquisa aponta para a predominância da criança interagir mais comumente com outra criança, a medida que elas brincam, trocam experiências, constroem e reconstroem o seu ambiente.

As crianças apontaram os outros colegas da sala como sendo as pessoas que mais gostavam ou que não gostavam na escola, levando-nos a compreender que a representação que a criança faz do seu mundo está relacionada diretamente com a percepção acerca do seu imaginário infantil.

Segundo os estudos de Arribas (2004), a interação entre iguais favorece o desenvolvimento cognitivo, influenciando na valorização positiva das diferenças individuais, no interesse de uma criança ajudar a outra que apresenta alguma dificuldade, e na organização geral das atividades pedagógicas.

Para Berger (2003), “quando crianças em idade escolar brincam juntas, elas desenvolvem padrões de interação diferentes dos existentes na sociedade e na cultura dos adultos.” (p. 229)

Outro aspecto percebido por meio dos resultados obtidos refere-se à importância da formação do professor da educação infantil. Na nossa pesquisa, pudemos observar a professora que, em alguns momentos apresentou práticas educativas equivocadas.

A professora não fez nenhuma intervenção pedagógica no sentido de promover a interação de Pedro com as outras crianças. Não trabalhou a importância das diferenças individuais, do respeito ao outro, e não utilizou nenhuma estratégia lúdica para tentar fazer com que Pedro fizesse realmente parte daquele grupo.

É importante destacar que a história da educação infantil também é marcada pela desvalorização dos profissionais que trabalham nesta área, como se não precisasse de qualificação ou de conhecimentos específicos, para trabalhar com crianças pequenas.

102 Kramer (2005) ressalta a necessidade de implementar políticas públicas de formação dos profissionais da educação infantil que não visem transformar os professores em escravos de métodos, de documentos legais ou de receituários pedagógicos.

Apesar de, com ou sem projetos do MEC ou de secretarias, os profissionais designados para essa tarefa, os que atuam com crianças precisam assumir a reflexão sobre a prática, o estudo crítico das teorias que ajudam a compreender as práticas, criando estratégias de ação, rechaçando receitas ou manuais. (KRAMER, 2005, p. 129)

A autora ressalta a urgência em oferecer às crianças pequenas um atendimento que integre aspectos físicos, cognitivos, lingüísticos, afetivos e sociais da criança. Destaca a importância dos fóruns de educação infantil realizados em alguns estados, com o propósito de reunir instâncias e instituições que trabalham nesta área, para que, unindo esforços, possam discutir a educação infantil a partir da sua realidade, propondo estratégias que visem ao atendimento de melhor qualidade às crianças de 0 a 5 anos. Estratégias que devem incluir, também, o papel da formação do professor, com o objetivo de refletir sobre o que pedagogicamente deve nortear o atendimento às crianças.

Sendo assim, entendemos que o professor da educação infantil precisa antes de tudo, compreender a sua importância no processo de desenvolvimento da criança, assim como a influência que exerce na construção do seu auto- conceito.

Podemos ressaltar que, de acordo com as observações realizadas na escola, os desenhos das crianças e as suas falas sobre a escola infantil, assim como os questionários aplicados com as mães ou responsáveis, entendemos o quanto é necessário continuar a luta por uma escola de qualidade, que venha atender às necessidades da criança pequena.

Estas necessidades estão expressas na nossa pesquisa através do que pensa a criança sobre a escola infantil: um espaço de aprendizado lúdico, um espaço onde o brincar seja valorizado e permitido; um espaço onde as relações se constroem através dos vínculos estabelecidos com as outras crianças e com os adultos; um espaço de crescimento.

103 Concluímos esse estudo destacando a necessidade de pensarmos esta escola infantil a partir das necessidades das crianças, aliada ao planejamento pedagógico, e à constante discussão sobre as políticas públicas que visam atender às necessidades da criança, promovendo desta forma o seu desenvolvimento pleno e, consequentemte, uma educação infantil de qualidade.

Ratificamos a importância do estudo sobre a criança pequena, entendendo esta criança como um ser social, atuante, construtora de cultura, possuidora de características próprias, reconhecendo-a como sujeito ativo no processo de desenvolvimento e na construção das relações sociais que estabelece com os outros, e na percepção do mundo que a cerca.