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8.4 Explanation of results from the case analysis

8.4.3 Drilling performance evaluation

Atualmente os objetos digitais produzidos nos projetos de digitalização na FIMS são armazenados segundo a arquitetura apresentada na imagem 12 e disponibilizados na plataforma ATOM. Mas será que o AtoM pode ser considerado uma solução de preservação ou será apenas um gestor de meta-informação que visa a gestão de meta-informação para posterior disponibilização, não possuindo funcionalidades necessárias para a preservação da informação? A descrição apresentada de seguida ajuda a responder a esta questão.

AtoM é o acrónimo de Access To Memory e trata-se de uma aplicação concebida pela Artefactual (empresa de desenvolvimento de software de gestão documental) e desenvolvida em total conformidade com as normas do ICA (International Council on Archives) e que funciona em Ambiente Web (António, 2014). Caracteriza-se como software open source de gestão e desenvolvimento contínuos, permitindo sucessivas modificações. As ferramentas de desenvolvimento de código aberto são o Apache, o MySQL, o PHP e o Symfonye. O código subjacente é o Qubit Toolkit, desenvolvido pelo projeto ICA-AtoM, e é caracterizado também como um software de código aberto, cujo código fonte está disponível gratuitamente para uso ou modificação por parte de utilizadores ou outros desenvolvedores, sendo que a documentação distribuída através de uma licença Creative Commons. Desta forma o AtoM não acarreta custos no download de todos os programas necessários para a sua utilização.

O AtoM tem como uma das principais características o suporte a normas como o EAD, o EAC, o METS, o MODS e o Dublim Core. Em termos de aplicabilidade é concebida inteiramente para ambiente web, possui interfaces multilíngues, possibilita a utilização multi- institucional, compreendendo ainda, segundo Pavezi (2013), páginas HTML servidas por um navegador de internet a partir de um servidor de internet:

 o servidor web Apache, usado para o desenvolvimento, no entanto, é, também, compatível com o IIS;

 uma base de dados num servidor de base de dados. O servidor de base de dados MySQL é usado no desenvolvimento, porém o AtoM utiliza uma camada de abstração de dados e, desta forma, também é compatível com PostgreSQL, SQLite, SQLServer, Oracle, etc;

 o código de software PHP5 que gere os pedidos e respostas entre os clientes de internet, a aplicação lógica e a aplicação de conteúdos armazenados na base de dados symfony, estrutura que organiza as partes componentes usando uma orientação a objetos e as melhores práticas em web design;

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 o Qubit, Open Information Management Toolkit, desenvolvido pelo projeto ICA- AtoM e personalizado para desenvolver a aplicação AtoM.

 Toda a interação dos utilizadores com o sistema (criar, visualizar, pesquisar, atualizar e excluir ações) é realizada no navegador de internet do utilizador. Os utilizadores ao acederem a páginas HTML que estão no servidor; clicando num botão ou num link que adiciona um script PHP e envia um comando para a base de dados, retornando em formato HTML para o navegador Internet do utilizador;  importação e exportação de dados através das linguagens EAD, EAC-CPF, CSV e

SKOS.

A figura abaixo exemplifica melhor o funcionamento da arquitetura do AtoM.

Imagem 14 – Arquitetura da Plataforma AtoM (Pavezi, 2013)

O AtoM foi criado e desenvolvido com o apoio do ICA, designando-se, inicialmente, como ICA-AtoM. Encontra-se, atualmente na versão 2.2.1. O apoio inicial do ICA teve como objetivo impulsionar a adoção de normas internacionais de gestão arquivística e, desta forma, foi desenvolvido em torno das normas de descrição do ICA, contemplando no seu núcleo padrões que vão ao encontro das mesmas, possuindo flexibilidade para a adoção de outras normas (António, 2014):

 General International Standard Archival Description (ISAD(G)) – 2nd edition, 1999;

 International Standard Archival Authority Record (Corporate bodies, Persons, Families) (ISAAR(CPF)) – 2nd edition, 2003;

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(ISDIAH) – 1st edition, March 2008;

 International Standard For Describing Functions (ISDF) – 1st edition, May 2007. A norma ISDIAH, é utilizada para a descrição das entidades que detêm a custódia da informação a ser incorporada, a ISAAR (CPF) é utilizada para descrever a entidade produtora da informação, a ISDF, as funções complementam-se com a ISAD(G) que é utilizada para a descrição arquivística.

Imagem 15 – Relação do AtoM com as Normas Internacionais de Gestão Arquivística (António, 2014)

Dada a flexibilidade do AtoM é possível a utilização de outras normas para produzir resultados que são compatíveis com outros padrões, sendo que o AtoM fornece uma interface que permite ao administrador de sistema selecionar as que quer utilizar. Desta forma, o utilizador pode entrar com dados em campos que representem todos os elementos requeridos pela outra norma; interagir com dados em formas estruturadas e rotuladas, de acordo com os termos da outra norma (visualizar, editar, pesquisar); e a saída de dados será em formatos compatíveis com outra norma (imprimir, exportar).

As outras normas suportadas pelo AtoM são:

 Rules for Archival Description (RAD) – mantido pelo Conselho Canadiano de Arquivos;

 Dublin Core Metadata Element Set, versão 1.12;

 Metadata Object Description Schema (MODS) – o AtoM suporta a Digital Library Federation, adotando o segundo nível para MODS3.

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Tendo em conta esta caracterização e de acordo com a definição de Repositório Digitais - plataformas em meio digital cujo principal objetivo é a preservação da informação – percebemos que o AtoM é um software que permite a criação e gestão de meta-informação descritiva e a sua disseminação não podendo, desta forma, ser considerado um repositório digital.

Analisando a arquitetura da plataforma (imagem 14) é percetível a inexistência de um componente repositório que possa ser futuramente certificado e que assegure a preservação da informação tanto criada em meio digital, como a digitalizada, deixando em aberto a resposta à necessidade de uma plataforma tecnológica (software e hardware) que garanta a gestão, o armazenamento, a preservação e a disponibilização dos objetos digitais criados.

Segundo a Digipress Commons Community o AtoM é um software de gestão de meta- informação e de disseminação que pode vir a complementar um sistema de preservação de informação. Ao analisarmos o modelo OAIS (imagem 5) podemos perceber que software pode ser utilizado pela entidade externa “Acesso”, na qual a informação é disseminada sob a forma de um DIP (Pacote de Informação de Disseminação), sendo, por isso, viável a sua utilização num sistema de gestão de preservação que garanta a interoperabilidade com outros sistemas.

Concluímos, assim, que, na FIMS, a utilização do AtoM proporciona: o acesso à documentação via Internet, no momento e lugar que o utilizador desejar; o acesso à informação devidamente representada por um Quadro Orgânico-Funcional; o acesso às descrições dos documentos; o aumento no índice de recuperação da informação pelos utilizadores; o impulso

à pesquisa; a difusão dos acervos geridos pela FIMS (Ramos, 2015)e o auxílio à preservação

dos documentos originais em formato papel dado que as cópias dos documentos procedentes da digitalização passam a ser utilizadas para pesquisa evitando o manuseamentoo dos documentos originais.No entanto, percebemos que este software é insuficiente para a preservação da informação digital sendo necessária a implementação de uma plataforma tecnológica (hardware e software) que poderá ter entre os seus componentes uma ferramenta como AtoM.