9 Fremtidsprognose
9.1 Driftsinntekter
A discussão em torno do desenvolvimento da consciência, na perspectiva do materialismo histórico-dialético, requer o entendimento de que a atividade humana tem caráter social, tanto a coletiva como a individual. Apoiando-se nos aportes teóricos de Marx os quais se encontram expressos, dentre outras obras, em A ideologia alemã (2005) a qual discute as relações entre a atividade material e a atividade da consciência, bem como a alienação dos seres humanos a partir da divisão social do trabalho, Leontiev (1983, 2004) mostra que o estudo histórico da consciência parte dos fenômenos da vida, da relação entre o sujeito real e o mundo que o cerca.
Para o autor em pauta (1983, p. 104, tradução nossa), a questão consiste em compreender a consciência “[...] como um produto subjetivo, como a forma transformada da manifestação das relações, por sua natureza social, geradas pela atividade do homem dentro do mundo dos objetos.” A consciência se realiza no social, num processo de trabalho e de comunicação, gerando um grau superior de desenvolvimento mental nos sujeitos que a constrói.
Leontiev (2004) evidencia as particularidades psicológicas da estrutura da consciência dos homens quando o trabalho coletivo tinha sentido de bem comum e quando passou a deixa de ter esse caráter, na sociedade de classes.
Nos primeiros estágios de desenvolvimento da sociedade, quando não existia a divisão social do trabalho, a propriedade privada e a exploração do homem pelo homem, havia, como ressalta esse autor (2004), uma coincidência dos sentidos e das significações constituindo a principal característica da consciência primitiva. O homem não tinha
consciência de que vivia em sociedade, de modo que as significações criadas na atividade coletiva de trabalho refletiam apenas as relações dele com a natureza.
O desenvolvimento dos meios e das relações de produção e o surgimento da propriedade privada produziram, historicamente, um alargamento do domínio do consciente, uma determinada forma de estruturação da consciência caracterizada pela dissociação entre os sentidos e as significações. As transformações operadas na consciência são duas, conforme o autor (2004) em realce. Primeira, a separação entre a atividade intelectual e a atividade prática. Separação essa que dificulta ao homem o entendimento de que a atividade teórica possui a mesma estrutura da atividade prática.
A segunda transformação é a da mudança de estrutura interna da consciência humana. Com a separação da grande massa de produtores dos meios de produção as relações entre os homens transformaram-se em relações entre as coisas – que se separam do próprio homem. A significação social do trabalho (responder às necessidades da sociedade) para ele passou a ser estranho ao sentido que atribui ao trabalho – que é determinado pelo que ele ganhar e não pelo que produz. Essas relações penetram na sua consciência aparecendo uma relação de alienação entre sentido e significação.
Em nossa sociedade a educação, como um fenômeno social, encontra-se inserida no conjunto das relações sociais capitalistas e a escola, como todos os demais segmentos da sociedade, está articulada a essas relações. Se, numa atividade como a docente, o sentido pessoal do trabalho do professor for, unicamente, uma forma de obtenção de remuneração, esse sentido não corresponde à significação dada pelo conteúdo dessa atividade prevista na sociedade. Isso gera o que Leontiev (2004) chama de contradições da consciência, as quais podem acarretar ao professor tanto sofrimentos psíquicos, como uma tomada de consciência das relações de opressão, de alienação.
Sabemos que numa sociedade de classes, as relações sociais existentes são reforçadas pela classe dominante. A vida humana, porém, como nos diz o autor citado (2004, p. 139):
[...] não se encarna totalmente nessas relações, assim os sentidos engendrados pela atividade humana não se encarnam totalmente nem de maneira autêntica nas significações que refletem estas relações estranhas à vida. É esta a causa da imperfeição e da inadequação da consciência e da conscientização.
Entendemos que, aqui, reside uma contradição que abre ao ser humano possibilidades de, apreendendo o sistema das significações, desvelar a natureza das relações reais do homem com o mundo e gerar uma nova estrutura psicológica da consciência, simultaneamente, à transformação das condições de vida.
Conforme o autor evidenciado (2004), essa “reintegração” da consciência é algo complexo porque não constitui uma passagem à simples fusão, na consciência, do sistema das significações.
O trabalho interior de conscientização e de objetivação das relações subjetivas pessoais com a realidade, que subsiste no sistema das significações elaboradas socialmente, [...] verifica-se [...] como um deslocamento deste trabalho interior para uma esfera de relações mais variadas, mais profundas e mais sutis que o homem deve tomar consciência para si, para “se encontrar” de certa maneira nelas. (LEONTIEV, 2004, p. 148).
A conscientização se opera nesse processo em que o indivíduo se apropria dos resultados da história social e se objetiva no interior dessa história. Ela surge e se desenvolve na atividade dos homens. Como a formação de um indivíduo é sempre um processo educativo, que se realiza no interior de uma determinada prática social (DUARTE, 1993), o valor da atividade docente mediando, de forma eficaz, o acesso do aluno à ciência, à arte, à cultura é de uma importância inestimável, pois a formação de uma postura crítica, por parte do educando, depende da sua apropriação ativa, o que compete ao docente favorecê-la conforme as necessidades e interesses dos seus alunos e as exigências formativas da sociedade.
No interior de relações concretas, na atividade mediadora do docente efetuada na interação entre o aluno e o conteúdo, cabe ao professor possibilitar que o aluno se aproprie desses bens culturais desenvolvendo sua consciência.
A escola, como uma instituição encarregada de possibilitar o contato sistemático e intenso do aluno com o conhecimento científico é, portanto, imprescindível. Para isso, o discente traz de sua vivência cotidiana experiências, representações e modos de pensar. E são esses os saberes considerados necessários para a apreensão do conhecimento escolar.
O caráter educativo que ocorre nessa instituição pode se revestir de uma perspectiva transformadora do sujeito e do conhecimento, caracterizando-se como um processo de conscientização do indivíduo. Para isso é requerido, todavia, uma organização substancial da prática docente. Sendo esta entendida como “[...] expressão do saber
pedagógico que idealiza uma prática e nela se constrói.” (AZZI, 2007 p. 47). Fonte de aprendizagem e desenvolvimento em que o professor constrói saberes não apenas dos conhecimentos sobre a disciplina que lhe cabe lecionar.
O objeto de estudo da profissão docente é o trabalho profissional. Na perspectiva do seu desenvolvimento é importante considerar, dentre outros aspectos, como nos diz Ramalho, Nuñez e Gauthier (2004), estratégias metacognitivas5 para o aprendizado e o desenvolvimento de competências6 profissionais. Como estratégias que podem contribuir para isso e para o desenvolvimento da consciência do professor a respeito dos mecanismos que lhe possibilite desenvolver competências, Carbó (2000 apud RAMALHO, NUÑEZ E GAUTHIER, 2004) destaca: saber analisar, refletir na ação, justificar pelas razões profissionais e tomar consciência dos hábitos construídos na profissão.
Referente aos conteúdos dessa formação, eles devem abranger os pertinentes às várias áreas de saber e do ensino, especialidades e instrumentos científicos, tecnológicos e culturais, saberes pedagógicos, à compreensão do significado da própria existência real das pessoas, no que diz respeito a sua individualidade, e a sua inserção socioantropológica e às competências didático-pedagógicas e às específicas, entre outros. (SEVERINO, 2004).
O docente, na sua atividade teórica e prática, com o outro, numa relação dialética, realiza uma atividade transformadora em várias dimensões como cognoscitiva, afetiva, histórica, de valores entre outras e vai, concomitante, desenvolvendo a sua consciência. Essa, em processo de construção constante, no contexto real da prática, lhe permite construir métodos, procedimentos, estratégias de ensino dentre outros elementos que possam viabilizar o aprendizado do aluno de forma exitosa.