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Drawing production (Drawing Wizard)

Chapter 6 Case study

6.2 Drawing production (Drawing Wizard)

Alguns processos do desenvolvimento humano são acelerados na adolescência, dentre eles destacamos o aprendizado da sexualidade, no qual experiências pessoais são impregnadas pela cultura sexual do grupo a que o indivíduo pertence. Esta fase do ciclo vital é acompanhada da maturação de órgãos e sistemas fisiológicos, e o desenvolvimento de

habilidades cognitivas, que associado às experiências vividas pelo adolescente, lhe atribui capacidade de julgamento, inclusive sobre risco e segurança (CAMPOS, 2013; SOUSA, 2013).

A trajetória afetivo-sexual do indivíduo perpassa pelos relacionamentos afetivo- sexuais que levam a autonomia quanto às escolhas futuras da sexualidade, com influências da percepção e decisões quanto ao gênero, identidade social, escolaridade e experiências em grupo ou individuais, experimentadas ou vivenciadas como expectador (SOARES, 2007).

Logo, o contexto deve ser considerado em prol de fatores individuais, quando pautamos comportamentos sexuais adotadas na adolescência. Deve-se buscar compreender as interferências da subjetividade do adolescente que, como os demais indivíduos, vivencia um processo de apropriação da realidade, de tal forma, que ao viver em sociedade apropria-se do social e o mundo exterior, tornando-se interno (HEILBORN et al., 2006; SALLES, 2005). Esta subjetividade intrínseca é construída nas circunstâncias em que o indivíduo é inserido com aspectos históricos e sociais próprios, além da vivencia cultural e da individualidade (SALLES, 2005).

Heilborn et al. (2006) afirma que as mudanças envolvidas na adolescência, principalmente relacionadas ao parceiro sexual, repercutem de maneira primordial na vida do adolescente e no seu aprendizado, que não está limitado apenas a genitalidade ou perda da virgindade. A sexualidade, enquanto dimensão fundamental de todas as etapas da vida humana, envolve um emaranhado de sensações, desejos, práticas e condutas voltados ao prazer, à satisfação e elaboração dos sentimentos, assim como, ao exercício da liberdade sexual, autonomia em decisões diversas e sobre sua saúde (BRASIL, 2005).

As vivências da sexualidade na adolescência são influenciadas pelas diferenças contextuais, já que a sexualidade representa também uma construção histórica e social, mutáveis, a depender dos espaços e tempos vivenciados (MORAES; VITALLE, 2012). De modo geral, além de todos os aspectos mencionados, a sexualidade está permeada por tabus, mitos, preconceitos, interdições e relações de poder, que dificultam o acesso aos cuidados de saúde por parte dos adolescentes (BRASIL, 2005).

A Convenção Internacional dos Direitos da Criança realizada pela ONU em 1989, trata de maneira incisiva, o direito do adolescente como sujeito e não como objeto passivo de intervenção da família, sociedade e Estado. Esse marco legal impulsionou diversas mudanças ao longo dos anos nas políticas públicas sobre adolescência, principalmente sobre seus diretos sexuais e reprodutivos (BRASIL, 2010a; BRASIL, 2005).

No ano de 1994 aconteceu no Cairo, a Conferência Mundial de População em Desenvolvimento, em que foram colocados os direitos reprodutivos na normativa internacional. Especificamente em seu Capítulo VII, reconheceu os adolescentes como sujeitos desses direitos. Posterior à conferência, em 1999, a ONU realizou uma revisão e avaliação da implementação de seu plano, conhecido como Cairo+5, da qual emergiu a garantia do direito dos adolescentes como “o direito à privacidade, ao sigilo, ao consentimento informado, à educação sexual no currículo escolar, à informação e à assistência à saúde sexual e reprodutiva” (TAQUETTE, 2013; p.73).

A afirmação dos direitos sexuais/reprodutivos dos adolescentes e, consequentemente, a possibilidade de uma vivência saudável, segura e autônoma da sexualidade nesta fase, perpassa necessariamente por uma mudança de atitude dos principais atores envolvidos nesse processo. Dentre eles, destaca-se a família, que é o primeiro grupo de interação com a criança e quem responderá as primeiras inquietações da adolescência, realizando importante papel nas orientações sobre sexualidade e podendo abrir ou não brechas para meios não confiáveis de informações sobre o assunto. Por conseguinte, a escola também possui papel fundamental na autonomia da sexualidade do adolescente, já que esta é um espaço privilegiado à disseminação de conhecimento e empoderamento para responsabilização na tomada de decisões. Acrescenta-se ainda, os serviços e profissionais de saúde que têm o dever reconhecido por lei de acolher as demandas de indivíduos nessa fase da vida, quanto às questões inerentes aos seus comportamentos e atitudes perante o sexo (BRASIL, 2013c).

No entanto, a ineficiência das ações de cuidado integral à saúde dos adolescentes tem ocasionado sérios agravos à saúde desse grupo. Geralmente, as mulheres iniciam a vida sexual mais tardiamente que os homens e a média da primeira relação sexual dos brasileiros é de 14,9 anos, refletindo a atenção especial e necessária que deve ser dada a esse segmento pelas esferas familiares, de educação, dos serviços de saúde e do Estado (GONÇALVES et al., 2015; BARBOSA; KOYAMA, 2008).

Heilborn et al. (2006) caracteriza o início da vida sexual como precoce, intermediária e tardia, com idades variando entre meninos e meninas. Para os homens, ocorre iniciação sexual denominada precoce quando este tem 14 anos ou menos de idade, já a intermediária abrange idades dos 15 aos 16 anos, e a tardia 17 anos ou mais. Para as mulheres considera-se precoce a iniciação sexual com 15 anos ou menos, intermediária com 16 a 17 anos e tardia com 18 anos ou mais (BOZON; HEILBORN, 2006).

Dentre os principais comportamentos sexuais de risco percebidos entre os adolescentes brasileiros, estão a idade precoce da primeira relação sexual, as relações sexuais

desprotegidas, a gravidez/parentalidade não planejada, as altas taxas de internamento por complicações do parto e aborto, a alta prevalência de IST e aumento da incidência de HIV/Aids nesse grupo (ASSIS et al., 2014; OLIVEIRA-CAMPOS et al., 2014; BERQUÓ et al., 2012; MALTA et al., 2011).

A não utilização ou o uso inadequado do preservativo tem sido apontado como discussões importantes em vários estudos referentes à iniciação sexual precoce (OLIVEIRA- CAMPOS 2014, ANJOS et al., 2012; PENSE, 2012; PENSE 2009). Sabe-se, que há uma associação entre os comportamentos de risco, como uso de álcool e outras drogas, às relações sexuais na adolescência, expondo o adolescente há um maior risco de adoecimento por IST (ASSIS et al., 2014; CAMPOS, 2013; OLIVEIRA-CAMPOS et al., 2013).

Ressalta-se que, em muitos casos, as relações sexuais na adolescência acontecem de modo ocasional e não planejado. Os comportamentos sexuais de riscos na adolescência podem comprometer a vida futura, com consequências relacionadas às IST sem cura e a gravidez não planejada (CAMPOS, 2013; ASSIS et al.,2014). Nas últimas décadas, houve aumento expressivo das taxas de prevalência de infecção pelo HIV entre os jovens e observa- se também uma mudança no perfil etário dos casos de AIDS. No ano de 2012, por exemplo, foram notificados mais de 4 mil novos casos em jovens de 15 a 24 anos de idade, principalmente no sexo masculino (BRASIL, 2013d).

Além do não uso ou uso inadequado do preservativo, na adolescência é comum a utilização de métodos contraceptivos e de barreiras de forma não planejada. Os resultados da Pesquisa Nacional de Demografia em Saúde (PNDS) do ano 2006 evidenciaram que a fecundidade das mulheres de 15 a 19 anos de idade, que em 1996 representava 17,0% da taxa total, passou para 23,0% neste mesmo ano. Além disso, as mulheres acima de 35 anos contribuíam apenas com 11% da taxa de fecundidade geral, sinalizando um rejuvenescimento do processo reprodutivo no Brasil (BRASIL, 2009b).

No sentido mais amplo deste problema, destaca-se as internações de adolescentes nos hospitais da rede do SUS, por complicações na gravidez, parto e puerpério. Segundo dados do Sistema de Informação Hospitalar (SIH), as maiorias das internações registradas corresponderam a estas causas, sobretudo entre as adolescentes de faixa etária entre 15 e 19 anos (BRASIL, 2009b).

De modo geral, compreende-se que a forma como a experimentação da vida sexual acontece pode trazer consequências diversas, boas ou ruins, de exposição a vulnerabilidade, com comportamentos de riscos e até traumas para o futuro dessa adolescente.