Uma revisitação dos conceitos saussureanos, através dos sincretismos da Física
Ao tornar, através do seu léxico e transformações próprios, a Teoria das Catástrofes numa hermenêutica operativa muito particular do fenómeno linguístico, René Thom580
concomitantemente faz apelo à hipótese de densidades semânticas específicas, conquanto estejamos em presença dos clássicos elementos sintagmáticos, o verbo, o substantivo, ou o qualificativo -- na forma da flexão de adjetivo -- o que lhe permite, enquanto hierarquização qualitativa, associada a cada um destes elementos, declinar e tornar pertinente a própria noção de potencial581.
Tal hipótese, híbrida dos campos físicos, matemáticos e dos mecanismos próprios do psiquismo, com toda a sua implícita vastidão de inexplorabilidade, frui, todavia, de um rigor específico, que poderá sustentar a nossa própria linha de reflexão. Desde logo, pela possibilidade de estabelecer uma qualidade de estabilidade semântica diferenciada, perante aquilo que, gramaticalmente, não seria, até então, mais do que a volatilidade da palavra X; por outro lado, e ainda dentro do campo da Semântica, e suposto o clássico Signo tripartido, na forma saussureana integral -- Significante,
Significado, (Referente) -- a possibilidade de estabelecimento de um isomorfismo entre esses
mecanismos psíquicos, em nós582, asseguradores da estabilidade do conceito583 e das condições
físicas e materiais, que, por sua vez, facultam a existência do objeto real, aqui encarado, numa analogia forçosamente muito abrangente, como simplificada evocação do referente584. A
hipótese é, em si mesma, suficientemente audaciosa, embora Thom ainda se permita conduzi- la mais além, ao abrir a porta para que, uma vez aceite, ela inerentemente permita que assim se possa postular uma transformação universal, entre uma categoria gramatical e uma qualquer outra, por mera alteração do seu valor potencial585.
Este pressuposto é, evidentemente, central, na linha orientadora do nosso texto, quer pela
possibilidade operativa, deste modo permeável à associação de uma grelha hermenêutica
inteligível a fenómenos geralmente apenas entendidos como transgressivos, quer de uma
contaminação, cuja essência, na verdade, consiste no próprio âmago da riqueza da expressão
580 Na sequência de um excelente comentário a um artigo de J. H. Greenberg (Some Universals of
Grammar, M.I.T., Press, 1966), o qual originou o memorável Sur la Typologie des Langues Naturelles: essai d’interprétation psycho-linguistique, THOM, R., Modèles mathématiques de la morphogénèse, p. 243
581 Geralmente, mais presente nos campos de análise da Física. 582 Embora, em grande parte, desconhecidos.
583 Aqui tomado, latamente, como sinónimo de significado.
584 No caso dos Signos desprovidos de referente, a que Thom confere a designação de “abstrait”, a
densidade semântica volatiliza-se drasticamente: «Plus le substantif devient abstrait, moins dense il est sémantiquement; un substantif tel que: fin, bord… n’a d’autre densité sémantique que celle définie par l’inégalité
0 sur son contenu spatio-temporel», THOM, R., Op., Cit,, p. 249poética, com todo o seu painel de miragens, conotações, ambiguidades de campo, e, mais do que tudo, no caráter idiossincrático da sua permanente deriva sinestética. É Michaux quem igualmente reconhece esta diferente densidade da palavra, a qual, em muito, ultrapassa as fronteiras do seu lugar de signo: “ […] mot devenant dense, trop dense pour être désormais prononcé, mot plein en lui-même, mot dans un nid,586” Ou, desta feita, no ecoar das palavras de
Sartre, se poder mesmo reafirmar que “ [pour le poète] les mots […} sont choses [à trois dimensions] plus que signes.587”
Sequente a esta linha de ideias, quanto mais complexo for, no sistema thomsiano, o significado, mais a sua estabilidade necessitará de mecanismos reguladores, e maior será a sua densidade
semântica588. Como consequência, o lugar de maior permanência e estabilidade, em termos
linguísticos, é o próprio nome das coisas, ou as coisas existentes, às quais atribuímos nomes. Na taxinomia clássica, nós estamos, de facto, a falar do substantivo.
Portanto, como a coisa substantiva igualmente pode ser irisada de qualidades, de imediato tal possibilidade lhe pode conferir diferentes polarizações, conduzindo-a à afetação de
instabilidades, as quais, retomando o léxico das categoriais gramaticais tradicionais, também
forçarão a que589 o adjetivo seja semanticamente menos estável do que o substantivo. Desta
feita, ao passar desta singular cinemática da volatilidade da qualidade do conceito, chega a vez de o verbo introduzir um nível de instabilidade substancialmente mais elevado, ou seja, formalizando a possibilidade de processos de interação entre sujeitos, ou, afirmando as linhas de força da função retórica da Língua, onde consequentemente perde a estabilidade do lugar,
por contraposição à prevalência da função da ação590.
Na verdade, esta tentativa de organização taxinómica, ao contrário de Wildgen591, meramente
ditada pelos potenciais semânticos, não pode estar isenta de contradições, ou de contraexemplos, os quais, do ponto de vista da tentativa de estruturação de um sistema alternativo, conseguiriam chegar a ser lidos como obstáculos, conquanto, uma vez integrados na Poética, e nas derivas conducentes às fronteiras de ocorrência de singularidades, se possam, pelo contrário, revestir do caráter de imprevistos aliados. Para tanto, basta ter Thom assumido atribuir às coisas, localizadas pelo seu referente, um nível de estabilidade máxima, para se ser consequentemente forçado a recordar, entre outras restrições, as contingências físicas nas quais, enquanto entidades materiais, nós igualmente estamos imersos. De facto, esse é também
586 MICHAUX, H., Œuvres Complètes, Tome II, p. 622
587 «Dans un de ses premiers livres, Michaux semble donner raison à Sartre, quand il dit que les mots pour
le poète sont choses plus que signes. Œuf c’est un œuf pour tout le monde; une corde c’est une corde. Un bateau, une mare d’eau pour personne ne sont des mots; ce sont pour tout le monde des «CHOSES». Des choses touchées, des choses à trois dimensions. J’ai essayé de dire quelques choses», BELLOUR, R., Op.
cit., p.175
588 THOM, R., Idem, ibidem 589 Na grelha de Thom. 590 THOM, R., Op. cit., p. 248
591 “The valence patterns found in verbs (basic sentences) and nouns/adjectives (basic noun phrases) could
be the results of a fourth bifurcation which has split the holophrases of a protolanguage into different functional subparts”, WILDGEN, W., “Language evolution as a cascade of behavioral bifurcations”, p. 375
um problema recorrente da Estética, o da existência de uma Gravidade, que leva a que certos verbos, como “lancer, vibrer, tomber, rouler”, entre outros, e que aqui designamos por verbos
topológicos, já estejam, ab initio, afetos a uma muito mais forte densidade semântica, e estabilidade local, pela própria presença do seu inerente elemento gravítico, o qual já nos
deixaria supor consequentes níveis de gradação, e competição, quer dentro de cada uma das categorias sintagmáticas analisadas, quer entre outras possíveis categorias hierarquizantes592.
Na sequência desta reorganização topológica, também os topoi semânticos, mais frágeis, como os advérbios, restringidos à sua função de ligação, de ampliação, diminuição, ou reforço, da ação do verbo ou da qualidade predicativa do advérbio, desempenham, na leitura thomsiana, uma
isomórfica qualidade algébrica de devir diferencial, por introdução de um maior afastamento da estabilidade do lugar próprio, quase imutável, e independente do tempo, de que substantivo e verbo se revestiram. Na linguagem do matemático, o seu papel de estabilidade potencial, é,
portanto, inevitavelmente menor593. Na verdade, como na fase final da sua obra Michaux
descobrirá, ao chegar ao verdadeiro empíreo dos ideogramas, como forma absoluta da
expressão simultaneamente visual, conceptual e comunicativa, toda esta hierarquização, por
mero reposicionamento cultural, poderia ser subvertido, quer pela presença do que Wildgen classifica como elementos “fóssil”594 da Língua, quer por aquilo que Fenollosa, um dos primeiros
tradutores de Li-Bai, já deixara entrever: “En Chinois, la préposition est un verbe utilisé dans un sens large […] et dont les systèmes de dérivation restent indéfiniment ouverts. […] En chinois, l’adjectif contient toujours un substrat de signification verbale”595.
Quanto aos restantes atores gramaticais, “pronoms, afixe, désinences, etc.”, Thom é menos assertivo, na atribuição de uma densidade semântica específica, de certo modo os volatilizando, e lhes conferindo, apenas, o lugar de estruturas algébricas, independentes do conteúdo em
causa596. Todavia, de ressalvar que, no patamar da Hermenêutica, e, sobretudo, no do substrato
poético explícito, a sua função possa, de facto, vir a ser primordial. Chega que refiramos diversos
processos de valorização estilística, onde a inocência semântica de uma negação, por repetição, ou reiteração, possa acabar por se constituir na própria coluna vertebral de um poema. Basta que o comecemos sistematicamente por “Não”, ou, contrariamente, por “Sim”, e o efeito estruturante imediatamente se imporá, neste caso, através de uma densidade formal, suficiente
592 “Un potentiel simple, linéaire, comme l’est celui de la pesanteur, […] peut s’interpréter comme
l’intentionnalité d’un psychisme: la tendance vers le lieu naturel d’Aristote”, THOM, R., Modèles
mathématiques de la morphogénèse, p. 305
593 THOM, R., Op., Cit,, p. 248
594 “Another source-domain of human language is linked to spatial cognition, which may be considered as a
kind of “fossil” of protolanguage in modern languages”, WILDGEN, W., “Language evolution as a cascade
of behavioral bifurcations”, p. 369
595 In ROGER, J., Henri Michaux, Poésie pour savoir, p. 316
596 «Il s’agit là d’une couche encore plus superficielle [….] Au plus superficiel du langage, on trouve -- paradis
du logicien – ces copules telles que ou, et, ne… pas, etc., dont l’usage peut presque être formalisé: elles correspondent à des structures algébriques explicites qui agissent sur le matériel verbal de manière «presque» indépendante du contenu signifié», THOM, R., Op., Cit,, p. 249
suporte para toda a obra597. Exemplo clássico, é o da estrutura dos Cantos de Pound598, onde o
iniciar dos sucessivos versos, com a copulativa “E”, deixa pressupor uma ação infinitamente anterior, e uma possibilidade, por extensão e elasticidade, de todas as propriedades e expectativas da narrativa implícita, que se pudessem, posteriormente, intuir.
Através de uma taxinomia das pregnâncias
É esta possibilidade de instabilidade, associada a imprevistas inversões de potencial dos elementos morfológicos, a real condutora a Esquisse d’une Sémiophysique599, onde Thom
retoma um omnipresente conceito de pregnância. Desta vez, abordado na ótica da sua natureza
fluída, ele é puro invasor e envolvente do Sentido, e contaminantemente passível de organização
numa taxinomia própria. Assim sendo, se a própria densidade semântica pode, cartesianamente, ser disposta num sistema axial, cujos sentidos se estruturam entre o extremo objetivo e o extremo
subjetivo, outras consequências igualmente podem, na ótica subliminar da oscilação do Sentido,
ser inferidas. No extremo objetivo (também cartesianamente associado a um sinal negativo, (x <0), o autor situa os substantivos, por inerência, associados às coisas basilares, onde o espaço
semântico se confunde com o espaço euclidiano. A seu modo, eles são os objetos universais,
cujo referente, numa leitura platónica, tem uma margem muito limitada para oscilações do
arquétipo associado, caso de Sol, ou Terra. No extremo subjetivo (x> 0), situam-se os estados
biológicos de mais difícil explicitação, ou aceitação, como Vida ou Morte, ou a típica axiologia
Bem/Mal. Sucede-se-lhes o lugar das coisas visíveis e mostráveis, deíticas, cuja densidade
semântica é, espaciotemporalmente, ou, mesmo de modo ontológico, assegurada pela estabilidade do Eu, do Tu, do Aqui, do Ali, do Agora, do Já. Entre ambos, Thom situa os campos semânticos dotados de alguma fluidez sensorial, quer pela sua flexão puramente associada às flutuações dos sentidos e do caráter físico de cor, luz ou som, ou às contingências dos campos em que nos encontramos imersos -- como o referido gravítico600 -- as quais nos permitem declinar
conceitos como o de pesado, leve, volátil e fluído, entre outros.
597 “[…] the Platonic theory of predication has been shown to underlie this idea. It seems that there exists an
intuitive (silent) knowledge accessible to reflection about the evolutionary bifurcation and the force field it created in basic sentences. The bifurcation goes, however, in the opposite sense compared to the bifurcations mentioned before. It does not eliminate or reduce a former opposition but creates new oppositions and these are the germs for further structural bifurcations responsible for the dynamic complexity of human languages. The splitting of holophrastic units has two effects. On one hand the dynamic tension between the two different parts remains active and drives the dynamics of sentence formation/understanding; on the other hand new levels of complexity replace the holophrastic gestalt; these are conversational turns, islands of monologue in the conversational dynamics, such as narratives, descriptions or argument sequences”, WILDGEN, W., “Language evolution as a cascade of behavioral
bifurcations”, p. 376
598 “Trouver pour commencer quelque chose d’aussi opportune que pour Les Cantos d’Ezra Pound, ce
simple avertissement de Denis Roche: “Les Cantos n’ont rien d’une suite de collages”. Henri Michaux, parler de la cadence du texte, du rythme des émissions. Ce ne sont pas des NOTES, plutôt un COMBAT», VV,
Henri Michaux, p. 265
599 THOM, R, Esquisse d’une Sémiophysique, Paris, InterEditions, 1991 600 THOM, R, Op. cit., p. 133
Os patamares de catástrofe, e a possibilidade de identificação de uma dupla tipologia
Numa analogia com os eixos sintagmático e paradigmático601, Thom desenvolve então aquilo
que considera ser uma fulcral oposição entre rigidez e fluidez, ou conceptualizada do ponto de vista cinemático, qual o maior ou menor grau de liberdade de propagação da pregnância associada aos objetos semânticos, com os extremos evidentes ocupados, no lado da
volatilidade, pelo calor, e, no da rigidez, pelas formas geométricas?
Fig. (2.3) Diagrama de organização das pregnâncias semânticas602
Considerada a vastidão de estudos, investigações e bibliografia associada aos processos de estimulação cerebral, e às próprias propostas de identificação das regiões especializadas, do complexo neuroencefálico, a parametrização externa -- que particularmente nos interessa, por implicitamente responsável por colisões ou contaminações, quer do sentido, no seu entendimento racional, quer do sentido, na sua potencialidade sinestética -- pode, assim, oscilar entre estes dois extremos. Dado um tal cenário, Petitot, radicalmente, afirma: “en neurogéométrie, tout ce qui n’est pas neuralement implémenté n’existe pas.603» Posto assentar
a sua obra especificamente sobre os mecanismos do Visual, os pressupostos serão assim, por
601 “As de Saussure observed, diachronic information is rather irrelevant for the majority of speakers.
Nevertheless, it may be relevant for people with higher levels of linguistic consciousness, e.g. people who write”, WILDGEN, W., “Time, motion, force, and the semantics of natural languages”, p.243
602 THOM, R., Esquisse d’une Sémiophysique, p. 42/43
hipótese, igualmente extensíveis às diferentes áreas de estimulação cerebral, envolvidas nos conflitos racionais e sensoriais da ambiguidade do sentido, ou da impregnação das miragens criadas no nosso aparato sensível. Ou seja, toda esta inquietação é incontornavelmente associada a uma tentativa de identificação dos algoritmos próprios associados a estes processos: “comprendre comment les structures perceptives “macro” et leur morphodynamique peuvent émerger du niveau “micro” neuronal sous-jacent604”. O mecanismo inverso, com todas
as suas colisões, e afetado pelo princípio de entorpecimento e contaminações afins, voltaria a implicar aquilo para que Thom já alertara: “un ordre malheureux [des éléments] peut donner naissance à des significations partilles incompatibles avec la signification globale”605, O que, do
ponto de vista da comunicação canónica seria um claro obstáculo, mas, na liberdade da Poética, constituirá, por oposição, o próprio tabuleiro do jogo, como, ironicamente, Michaux ironiza: “apeller une mouche par son nom, ne lui rappelle pas une miette606.”
Metamorfoses dos elementos sintáticos, e mimeses do potencial
Uma vez aceite a estratificação da poética da Língua, a deformabilidade topológica dos seus elementos sintagmáticos e esta diferenciabilização de densidades, é igualmente possível tornar operacionais as morfologias presentes, posto que, por transformações locais, ou contextuais, os elementos de menor densidade semântica passam, através desses cenários plurais, a gozar da hipotética possibilidade de adquirir patamares mais elevados de potencial: “ainsi, le verbe peut être canoniquement transformé, soit en adjectif (participe), soit en substantif (forme infinitive du verbe)607”. De ressalvar, contudo, a imprecisão, ou dificuldade, das conversões inversas, embora,
na matéria poética, onde os neologismos têm a plena liberdade de se estruturar, esta inversão possa ser da maior pertinência e fortemente marcada, se não, mesmo, determinante para a intencionalidade criativa, ao ganhar novas formas, antropomorfizando-se, ou zoomorfizando nomes estáticos, em livres flexões da imaginação608.
Várias reflexões se poderiam concentrar, ou, mesmo derivar, desta proposta do autor, nomeadamente a consequente de uma inversão nos papéis de estabilização morfológica das estruturas poéticas: o poema mais estável seria, então, em teoria, aquele onde predominassem
os entes com lugar, e o mais instável aquele onde os verbos, sem qualquer outra necessidade de explicação, se sucedessem numa vertiginosa sequência609. Contudo, como seria expectável,
604 PETITOT, J., Op. cit., p. 22 605 THOM, R., Op., cit,, p. 245
606 MICHAUX, H., Œuvres Complètes, Tome II, p. 606 607 THOM, R., Op., cit,, p. 249
608 Nalguns exemplos, geralmente, humorísticos, mas formalmente possíveis, como “schrödingou o
assunto…”, ou “michaux-se poeticamente…”
609 Seria possível referenciá-los, e possível exemplificá-los, tal como poderia ser possível entender que a
vetorialidade e o próprio caráter diferencial, no sentido de devir, associado aos sintagmas verbais, lidos como sistema fechado e interior, pudessem colapsar em fronteiras catastróficas, enquanto morfologias
e é inevitável consequência destes esboços de universalização hermenêutica, a diferenciação estrutural das características próprias de cada língua pode sempre introduzir exemplos contraditórios, antinomias, ou mesmo contraprovas. Como Thom refere, num ligeiro afloramento das especificidades de línguas de raiz mais afastada do tronco indoeuropeu610, alguns dos
postulados da Teoria das Catástrofes, como o Princípio do Entorpecimento611, podem, pelos
próprios processos de atraso, neurofisiológico612, associados à comunicação, introduzir
extensões aparentes, quando o colapso da frase já se deveria ter dado, no nível sintático; o signo, no nível semântico, estilhaçado, ou, inclusivamente, a ocorrência de um atraso, na
identificação de fronteiras de catástrofe, porventura em estratos inferiores do espaço sémico. Como curiosidade, na língua basca, a excessiva densidade do adjetivo pode chegar a ser tal que ele entre em competição de potencial com o verbo da ação, gerando, no próprio ato basilar da comunicação, um claro e insanável conflito de apreensão, por parte do recetor613.
identificadas do exterior. De modo inverso, um sistema altamente estável, de substantivos agregados numa forma viavelmente poética, por crescente influência e parametrização de verbos, poderia ser conduzido a um limiar de catástrofe, com emergência de uma inexpectada morfologia.
610 Como o Basco, o Finês, ou até, o Alemão.
611 Assegurador da estabilidade morfológica, até ao último momento em que ela já não é sustentável. 612 Reiteradamente invocados por Wildgen.