Para avaliar o efeito da temperatura (média, mínima, máxima) e da precipitação total, na riqueza e abundância de espécies macrofúngicas, foram recolhidos os respectivos dados climáticos da estação meteorológica mais próxima das parcelas
Amanita muscaria Amanita rubescens Entoloma lividum
Xerocomus subtomentosus
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inventariadas (Estação meteorológica da Quinta de Santa Apolónia, do Instituto Politécnico de Bragança, situada a 6 Km do souto estudado), desde Setembro de 2002 até Dezembro de 2005. Os resultados referentes aos valores de temperatura média mensal e da precipitação total mensal foram comparados com o número de espécies macrofúngicas e de carpóforos registados em cada mês, para os quatro anos de estudo (Figura 3.15). A precipitação total mensal registada foi variável ao longo dos meses, em especial nos meses correspondentes à época do Outono. Em 2002 e 2003, o seu valor foi mais ou menos constante para 2 ou 3 meses da época do Outono, enquanto que em 2004 e 2005 registou-se precipitação praticamente num único mês (Outubro), sendo a precipitação total dos restantes meses do Outono muito inferior. De uma maneira geral, nos meses onde se regista o maior número de espécies e de carpóforos corresponde aos meses onde ocorreu maior precipitação total. Este aspecto foi evidente em Outubro de 2002; Junho, Outubro e Novembro de 2003; Maio, Outubro e Novembro de 2005. No que respeita à temperatura, verificou-se que os valores médios mensais eram muito similares para os diferentes meses do Outono e da Primavera (Figura 3.15).
Tal como referido em 3.2.5 e 3.2.6, o maior número de espécies e de carpóforos foi registado durante os meses do Outono, correspondendo ao período onde os valores de precipitação total foram superiores em relação aos restantes meses do ano e as temperaturas médias mensais eram amenas (Figura 3.15). Nos meses correspondentes ao período da Primavera o número de espécies e de carpóforos foi inferior (com excepção de 2004), altura onde a precipitação total mensal foi mais baixa e as temperaturas médias mensais ligeiramente superiores em relação ao Outono.
A influência dos factores climáticos (temperatura média, mínima, máxima, e precipitação total) no número de carpóforos e de espécies macrofúngicas (total, micorrízica e não micorrízica) colhidas de 2002 a 2005 foi avaliada mediante o cálculo do coeficiente de correlação de Spearman. A determinação deste valor foi efectuada utilizando os valores médios de temperatura média, mínima, máxima, e precipitação total referentes a 3, 5, 10, 15, 20 e 30 dias previamente à data de colheita (Tabela 3.6). Os resultados obtidos indicam que o número de espécies macrofúngicas e de carpóforos se encontra significativamente correlacionado com a precipitação total que ocorreu desde os 3 dias até aos 30 dias previamente à data de colheita dos macrofungos. A temperatura (média, máxima e mínima) também influência significativamente o número de espécies e de carpóforos, mas apenas nos 3 dias prévios à data de colheita.
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Figura 3.15 Número de espécies macrofúngicas (A) e número de carpóforos colhidos (B) em relação aos
valores de temperatura média (Tmédia, ºC) e precipitação total (Ptotal, mm) registados no período de colheita, desde Setembro de 2002 até Dezembro de 2005.
Enquanto que no caso da precipitação total se verificou que a correlação com o número de espécies e de carpóforos era directa e forte (valores de coeficientes de correlação de Spearman a variar entre 0,34 e 0,11; Tabela 3.6), no caso da temperatura (média, máxima e mínima) a correlação era inversamente proporcional e fraca (valores de coeficientes de correlação de Spearman a variar entre 0,16 e 0,13; Tabela 3.6). De salientar que não foi encontrada qualquer relação entre a temperatura mínima e o número de espécies e de carpóforos não micorrízicos.
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Tabela 3.6 Coeficientes de correlação de Spearman entre o número de carpóforos e de espécies
macrofúngicas (total, micorrízica e não micorrízica) colhidos de 2002 a 2005 e os factores climáticos (temperatura média, máxima, mínima e precipitação acumulada até 3-, 5-, 10-, 15-, 20- e 30- dias antes da data de colheita).
Dias antes da colheita
3 5 10 15 20 30 Temperatura média Total -0,15** ns ns ns ns ns Micorrízicos -0,14* ns ns ns ns ns Nº es pé cies Não Micorrízicos -0,13* ns ns ns ns ns Total -0,15** ns ns ns ns ns Micorrízicos -0,14* ns ns ns ns ns Nº carpóforo s Não Micorrízicos -0,13* ns ns ns ns ns Temperatura máxima Total -0,16** ns ns ns ns ns Micorrízicos -0,13* ns ns ns ns ns Nº es pé cies Não Micorrízicos -0,13* ns ns ns ns ns Total -0,15** ns ns ns ns ns Micorrízicos -0,13* ns ns ns ns ns Nº carpóforo s Não Micorrízicos -0,13* ns ns ns ns ns Temperatura mínima Total -0,11* ns ns ns ns ns Micorrízicos -0,16** ns ns ns ns ns Nº es pé cies Não Micorrízicos ns ns ns ns ns ns Total -0,14* ns ns ns ns ns Micorrízicos -0,16** ns ns ns ns ns Nº carpóforo s Não Micorrízicos ns ns ns ns ns ns Precipitação acumulada Total 0,31*** 0,18** 0,20*** 0,18*** 0,25*** 0,25*** Micorrízicos 0,17** ns 0,12* 0,11* 0,19*** 0,21***
Nº espécies Não Micorrízicos 0,33*** 0,31*** 0,27*** 0,26*** 0,28*** 0,26***
Total 0,27*** 0,20*** 0,21*** 0,18*** 0,24*** 0,25***
Micorrízicos 0,17** ns 0,12* 0,11* 0,18** 0,20***
Nº carpóforo
s
Não Micorrízicos 0,34*** 0,31*** 0,27*** 0,26*** 0,29*** 0,26***
ns - não significativo; * significativo ao nível de 0,05; ** significativo ao nível de 0,01; *** significativo ao nível 0,001.
Diferenças apreciáveis foram evidenciadas entre os grupos tróficos, micorrízicos e não micorrízicos (Tabela 3.6). Os macrofungos não micorrízicos apresentaram sempre
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valores de correlação de Spearman superiores em relação aos dos macrofungos micorrízicos. No caso dos macrofungos micorrízicos o valor de Spearman mais elevado foi detectado nas correlações estabelecidas com dados de precipitação total de 30 dias previamente à data de colheita (0,21 para o número de espécies e 0,20 para o número de carpóforos). Pelo contrário, nos macrofungos não micorrízicos, o valor de correlação de
Spearman foi superior com a precipitação total que ocorreu em 3 dias antes da colheita
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