6 Analyser og resultat
6.4 Drøfting av resultat
nas pesquisas em Ciências Sociais e Humanas, desde que Serge Moscovici formulou a Grande Teoria, a qual contrariava os ditames positivistas de Émile Durkheim, seu ancestral ambíguo (MOSCOVICI, 2007). A ambiguidade estaria em separar, o que era defendido por Durkheim, do que seria objeto das Ciências Sociais, as Representações Coletivas e, da Psicologia, as Representações Individuais.
Na sociologia de Durkheim, as Representações Coletivas seriam formas de compreensão coletiva, com o poder de integrar a sociedade como um todo, e manteriam as sociedades coesas. Duveen (2007) estabeleceu uma importante diferença entre Durkheim e Moscovici quanto à qualidade das representações, “[...] Moscovici está mais interessado, em explorar a variação e a diversidade das ideias coletivas nas sociedades modernas”. Em Durkheim, a representação teria um caráter fixo e estático, e em Moscovici seria enfatizada a qualidade dinâmica das representações que privilegiaria os processos sociais geradores de mudanças, inovações e diversidade.
Moscovici (2007) argumentou a impossibilidade desta separação linear entre o individual e o coletivo. Tais representações não podem ser separadas, pois integrariam um vasto conjunto de padrões, crenças, atitudes e valores do ser humano e que formaria um dos mais importantes objetos da Psicologia Social contemporânea. Além da influência de Durkheim, na elaboração de sua teoria, Moscovici analisou: os estudos antropológicos de Lévy-Bruhl, a teoria da linguagem de Saussure, as teoria sobre representações infantis de Piaget e a histórico-cultural de Vigostski (MOSCOVICI, 1994).
O conceito de representação social trabalhado por Moscovici (1978) agregaria a maioria dos estudos desenvolvidos nas últimas três décadas, no
campo das Representações Sociais, e corroboraria para a análise da singularidade dos fenômenos das sociedades contemporâneas:
Por Representações Sociais queremos indicar o conjunto de conceitos, explicações e afirmações que se originam na vida diária no curso de comunicações interindividuais. São o equivalente, em nossa sociedade, aos mitos e sistemas de crenças das sociedades tradicionais: poder-se-ia dizer que são a versão contemporânea do senso comum (MOSCOVICI, 1978, p.181).
Até a década de 70, em Moscovici (1978), o conceito de TRS seria elaborado como referência de inovação frente às tradições da Psicologia Social, o qual examinava as percepções e os pensamentos isoladamente do que era aprendido ou percebido no âmbito sócio-cultural. As Representações Sociais não seriam apenas a reprodução mental da realidade exterior do sujeito ou do grupo, mas passariam a inserir-se na realidade ao adquirir formas próprias que orientassem os processos cognitivos e o comportamento das pessoas.
Para tratar em que sentido uma representação seria social e então pudesse distingui-la dos sistemas cognitivos usuais, Moscovici (1978) arguiu que as proposições e reações desencadeadas em uma pesquisa de opinião ou uma conversação, [...] pelo “coro” coletivo que cada um faz parte, queira ou não [...], estariam organizadas de maneira muito diversa, segundo as classes, as culturas ou os grupos e constituiriam inúmeros universos de opiniões.
Em razão disso, formulou hipóteses que para cada universo existiriam três dimensões: informação, campo de representação ou imagem e atitude. A
informação referir-se-ia à organização dos conhecimentos que um grupo tem
sobre alguma coisa ou um objeto; verificaria, por exemplo, no que se refere à Psicologia do Trabalho, apesar da existência de informações coerentes a respeito do tema. Diferentemente da Psicanálise estudada por Moscovici (1978), a dimensão desta área da Psicologia estaria relacionada às mudanças sociais do mundo do trabalho, o que afetaria o universo reificado em que o constructo é formado. Nos depoimentos dos participantes da pesquisa observou-se que, mesmo com a mesma informação sobre o tema, os estudantes formaram, por vezes, opiniões distintas.
A segunda dimensão proposta por Moscovici seria o campo de
representação ou imagem, o qual o remeteu à ideia de imagem ou modelo
social associada a um conteúdo especifico e preciso do objeto da representação, deu-lhe uma forma concreta. Entretanto, Moscovici pondera que não necessariamente se teria uma visão abrangente, explicou que nas pesquisas de opinião, por exemplo, as questões padronizadas não revelariam todo o conteúdo da representação. Por essa razão, na imagem se faria a constatação da existência da representação.
Na atitude, configurou-se “a orientação global em relação ao objeto da
representação social” (MOSCOVICI, 1978, p.70). Foram as tomadas de
posição em relação ao objeto representado, segundo o autor “uma pessoa se
informa e se representa alguma coisa unicamente depois de ter adotado uma posição, e em função da posição tomada” (ibid,p.74).
As três dimensões citadas demonstram como a TRS aborda o pensamento social na sua diversidade e nas especificidades dos grupos pesquisados. As dimensões fornecem uma visão panorâmica da representação, quanto ao seu conteúdo e seu sentido, e procuram entendimentos da existência de formas diversas de conhecer o mundo; com objetivos diferenciados, dinâmicos e movimentos característicos da sociedade em que o indivíduo estaria inserido. São universos distintos, que foram desde os entendimentos consensuais da sociedade, que se verificaram principalmente no cotidiano das informações do dia a dia, e caracterizam o Universo Consensual; até o outro que seria o universo do conhecimento científico, com linguagens e nomenclaturas próprias, construção de novas especialidades, de discursos e de competências. O universo do saber discriminado para os que têm mais habilidades, qual seja, seria o Universo Reificado.
O estudo da RS, portanto, baseou-se no entendimento de como um grupo humano constrói saberes que expressam a sua identidade. Para Moscovici (2007, p.40 e 41) “as representações aparecem para nós, quase como objetos materiais, pois eles são produto de nossas ações e comunicações” e “[...] uma vez criadas elas adquirem vida própria, circulam, se encontram, se atraem e se repelem e dão oportunidade para o nascimento de novas representações [...]”. Reiteração à parte, um dos fundamentos no estudo
de Representações Sociais seria o entendimento de como elas seriam geradas pelos indivíduos e se instituiriam nos processos coletivos.
Denise Jodelet (2001) identificou a representação como um processo cognitivo que carrega um sentido simbólico e significante. A representação tem um poder ativo e transformador, pois seria uma imagem que poderia alterar a sensação e as ideias, a percepção e o conceito.
M. Gilly (2001) entendeu que as Representações Sociais oferecem um novo caminho para a explicação dos fatores sociais atuantes no processo educativo em articulação com a Psicologia, a Educação e a Sociologia. Os estudos desse pesquisador foram para além de aspectos macroscópicos. Eles se referiram às relações de pertença de um determinado grupo social, às atitudes e comportamentos frente a instituições de ensino e ao modo como o professor conceberia seu papel.
A partir das afirmações de Moscovici (1978; 2007), Jodelet (2001) e Gilly (2001) verificou-se que houve vários elementos na noção das Representações Sociais, os quais mencionariam os aspectos dinâmicos e explicativos da realidade social e cultural, de uma dimensão histórica. Para tal entendimento, afirmou-se que nos elementos constitutivos das RS encontrar- se-iam os aspectos valorativos, cognitivos e ideológicos que constituiriam os sujeitos.
Existiria no Universo Reificado um comportamento adequado para cada circunstância, uma informação apropriada a determinado contexto. Ficou- se atrelado a um tipo de acordo geral e a uma sequência de prescrições e não à compreensão recíproca e à sequência de acordos. Moscovici (2007) comparou este universo, a um fio lógico que processaria informação por meio de canais adequados que teria como resultado a racionalidade.
As ciências seriam os meios pelos quais se compreenderiam o Universo Reificado que teriam como finalidade o estabelecimento de forças, objetos e acontecimentos que seriam independentes da vontade ou desejo dos indivíduos. A RS trataria com o Universo Consensual, aquilo que fosse construído no e pelo senso comum que restauraria a consciência coletiva e explicaria os objetos e acontecimentos de forma a que os tornassem acessíveis a qualquer sujeito.
Para Moscovici (2007, p.208), a ideia de Universo Consensual sustentaria que as representações “são formadas através de influências recíprocas e negociações implícitas no curso das conversações, onde as pessoas se orientam para modelos simbólicos, imagens e valores compartilhados específicos”. Logo, entendeu-se que as representações construídas pelas influências mútuas facilitariam a comunicação dentro de um grupo, criariam certo grau de consenso entre os membros. É o processo pelo qual, as pessoas designariam modelos comuns de procedimentos e interpretações, as quais sseriam vivenciadas no cotidiano.
Avesso a reducionismos, Moscovici nos diz:
Insisto nas especificidades das representações [...] não gostaria de vê-las reduzidas como no passado, a simples simulacros ou resíduos intelectuais sem relação alguma com o comportamento humano criador. [...] elas possuem uma função constitutiva da realidade, da única realidade que conhecíamos por experiência e na qual a maioria das pessoas se movimenta. [...] uma representação é sempre de alguém, tanto quanto de alguma coisa (1978, p.26 e 27).
Todos os pressupostos abordados envolveram a importância da TRS, que se estabeleceu na psicologia social nas últimas três décadas, como um conhecimento que foi além da simples análise de mecanismos cognitivos de apreensão da realidade. Ela indicou um caminho para uma compreensão do homem moderno, em suas experiências cotidianas, que equivaleu a uma interface entre o mundo psíquico e o mundo social por meio da linguagem, o que foi de grande relevância para a compreensão do fenômeno aqui investigado.