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Drøfting av ansvars- og kostnadsfordeling - meteorologiske data

Segundo os dados apresentados pelo Banco Mundial no seu site oficial em 2013, a população urbana neste preciso momento já suplantou a população não residente em cidades a nível internacional. No caso das áreas que aglomeram mais de 1 milhão de residentes, o Banco Mundial estimava que em 2013 mais de um quinto da população mundial residisse nesse tipo de aglomerações. Se no caso Europeu, cerca de três quartos da população vive em cidades, maioritariamente de tamanho médio (Branco, 2009), em Portugal essa população representa 62% do total (Banco Mundial, 2013).

Este fenómeno urbano é geralmente marcado pela integração de estruturas urbanas como as pontes, estradas, centros comerciais, estações de caminho-de-ferro e de metropolitano. Estas formas visíveis constituem elementos determinantes na estruturação destas formas urbanas, mas também na compreensão da localização destas populações e das suas relações sociais.

Este processo de aglomeração populacional, dinamização económica e simbólica em redor do território, obriga-nos a olhar particularmente para as aglomerações urbanas.

Nestas concentra-se a maioria da população mundial (Banco Mundial, 2013), criando

uma inevitabilidade sociológica em redor do fenómeno urbano, um dos campos de investigação mais frutuosos não só na Sociologia, mas também noutras áreas que estudam comportamentos humanos, podendo deste modo constituir uma pista fundamental para compreender estes fenómenos.

Estaremos assim perante uma inevitabilidade urbana (Branco, 2009), marcada por uma dinâmica “essencialmente” económica (Branco: 2009, 18) que promove as cidades como lugar de produção, mas também de consumo (Lefebvre, 1974 [1968]).

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Estamos assim perante um conjunto de lógicas que associamos ao contexto urbano, materializado em conurbações de natureza centralizada, polinuclear ou mesmo metropolitana. Daqui vem a ideia, cada vez mais recorrente no nosso ponto de vista, de alargamento progressivo do espaço urbano, imprimindo uma alteração funcional de antigos territórios rurais que se tornam cada vez mais diversificados, congregando um passado ligado aos campos com um conjunto de utilizações de natureza progressivamente urbana (Leite, 2008).

O conceito de metrópole apresenta a ideia de uma área urbana competitiva, respondendo a uma variedade de necessidades, onde os moradores e usuários devem ser enquadrados num design urbano. Ascher (1995) introduz o conceito de metapolis, como uma nova forma de compreensão dos fenómenos urbanos e metropolitanos, profundamente heterogéneos e que produzem um novo desenho urbano, mas também uma nova mentalidade urbana, marcada por uma heterogeneidade.

A isto acrescenta-se a integração, no sistema de funcionamento quotidiano das metrópoles e das cidades, de aglomerados e de aldeias periféricas, às vezes, de novas urbanizações (habitações e empregos) bastante afastadas, aumentando a descontinuidade dos espaços metropolitanos. As metrópoles estão assim e ao mesmo tempo, mais diluídas e compactas, mais integradas e mais descontínuas (Ascher: 1995, 8 e 9)

A constituição destas novas áreas urbanas implica a constituição de polaridades urbanas associadas a determinadas atividades produtivas e sociais, dispersas pelo território, ligadas de forma rodoviária, num desenho urbano alargado a diferentes municipalidades e territórios numa lógica de aglomeração urbana. Esta análise implica uma metodologia com várias escalas, desde do espaço da cidade tradicional à sua periferia, da urbanização extensiva à metropolização (Pearce, 2001).

É assim necessário repensar o papel das downtown (ou dos centros históricos no caso europeu e português), das edge cities como áreas que se aproximam progressivamente das dinâmicas de centralidade urbana e das outer-cities ou exburbs enquanto subúrbio clássico, unidades territoriais marcadas pela ocupação exclusivamente residencial de forma permanente, implicando a fixação de populações.

Novas polaridades urbanas reféns do acesso rodoviário são criadas, implicando claramente uma nova relação entre os tradicionais centros urbanos e a periferia que antes era ocupada pelos campos, pelo espaço de identidade rural. Agora ambos os

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espaços são integrados em formas progressivas de urbanização, criando um território compartilhado, onde diferentes formas de dinamização urbana estão presentes; da reconfiguração dos antigos centros históricos urbanos à constituição de novos centros de dinamização residencial, económica e cultural na antiga periferia.

Nasce assim um espaço “rurbain" (Bassand: 2000,35), onde são estabelecidas novas relações pendulares, novas relações centro-periferia, expressando formas económicas particulares (a promoção do lazer como negócio urbano) e de modernidade, um novo modelo de organização social em que o entretenimento, o tempo livre e o contacto com outros referentes culturais tornam-se centrais para os agentes residentes e em viagem.

Este é um processo de metamorfose territorial, decorrente de uma urbanização ruralizada, implicando a recriação de espaços aparentemente não urbanos, contrariando de forma intencional alguns dos elementos tradicionais da cidade (ruído, poluição, stress); mas em que os equipamentos instalados (estradas e parques de estacionamento, os passadiços de acesso ao mar, redes de acesso à internet sem fios, estruturas de saneamento básico), mas também os valores e representações associadas ao estio veraneante de Sol e Mar advêm de uma sociedade profundamente urbanizada e com acesso facilitado à informação.

São elementos originais que extravasam as classificações clássicas urbanas, propondo novos usos do espaço como elemento de contemplação e descanso, associado às dinâmicas de distinção social. Uma mutação territorial que não levou à constituição de espaços marcados pela relação centro-periferia, da criação de um ponto central e das suas coroas de distribuição periférica, o modelo clássico de urbanização trazido até nós pela escola ecológica de Chicago.

Apesar da crise que as grandes cidades ocidentais sentiram durante as décadas de 1970 e 1980, (Mullins, 1991, Gladstone, 1998; Soja, 2000; Harvey, 1989; Cohen, 2008) decorrentes de processos de reconfiguração industrial e do surgimento de outras cidades competitivas; deu-se um renascer de algumas destas cidades como gateway cities (Branco, 2009), articuladas num sistema que combina dois modelos: o reticular com a ideia de rede e o hierárquico, em que as cidades apresentam claramente condições diferenciadas no que podem produzir e oferecer, na sua capacidade económica e produtiva.

30 Gateway cities ou cidades-portas é um termo que referencia as cidades que funcionam como pontos de acesso privilegiados a mercados nacionais ou regionais e que por isso constituem locais onde as empresas que pretendam ter uma escala de actuação global aspiram estar presentes; a sua importância decorre da diferenciação dos mercados; caracterizam-se pela sua elevada conectividade e/ou pela função de plataforma de acesso a mercados emergentes. Alguns exemplos são: Helsínquia (relativamente aos países nórdicos), Madrid (Península Ibérica), Vancouver (costa Oeste do Canadá), Singapura (Sudeste asiático). (Branco, 2009, 32).

A aglomeração progressivamente distribuída pelo território de parcelas de natureza urbana, marcadas por processos de forte dinamização económica é comummente designada de Metropolização (Bassand, 1972; Bourdin 2008; Brenner, 2006). Este é um espaço alargado em que uma variedade de necessidades ao nível produtivo, cultural e político têm resposta no espaço construído, enquadrados numa determinada forma urbana que congrega de forma variável todos estes fenómenos de vida social numa unidade territorial, a área metropolitana. O poder de cada área metropolitana está constantemente em jogo, decorrente das flutuações da economia global que valoriza e desvaloriza continuamente as áreas de maior dinamismo económico, mas também das transformações na escala local, da sua centralidade regional ou nacional.

A especialização funcional (industrial, comercial, de lazer) de cada um destes territórios apresenta-se como um elemento fundamental no sucesso de uma área metropolitana. A constituição de centros de partilha e divulgação da informação, de núcleos de dinamização lúdica, a constituição de plataformas de distribuição de comércio grossista, a concentração de populações migrantes, são elementos fundamentais para compreender a natureza financeira e urbana destas áreas metropolitanas. Se a este fenómeno migratório juntarmos o contacto com viajantes em lazer, acreditamos que teremos o contexto perfeito para analisar o cruzamento de experiências culturais em contexto de mobilidade global.

No que toca a estas últimas formas urbanas, as Cidades Globais, a socióloga americana Saskia Sassen (2001) identifica-as como áreas com uma orientação local determinante, com uma certa particularidade, mas ao mesmo tempo integradas em circuitos de natureza global. Apresentam um conjunto de características marcantes como a integração em mercados mais alargados; a existência de uma estrutura

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morfológica que permita a receção e envio de pessoas, bens e informação; a constituição de um contexto cultural, económico e político que promova o conhecimento e a produtividade económica e por fim a criação de novas formas de subjetividade política e novos atores sociais que passam a ser determinantes nos processos de transformação urbana.

Todas essas características são usadas como capitais económicos, políticos e sociais no sentido de criar uma cidade mais forte e competitiva, integradas num sistema mundial metropolitano, em rankings particulares (Brenner, 2006), desde a posição semiperiférica global da metrópole Lisboa à periferia algarvia.

Ulf Hannerz (1980), antropólogo urbano que abordou a constituição de cidades mundiais, declarou que estas não são apenas materializações imediatas de uma cultura nacional, mas sim transnacionais, uma vez que os seus habitantes têm ligações não só com essas cidades, mas também com outros locais do mundo, constituindo um contexto em constante transformação. São marcadas, tal como as cidades globais de Saskia Sassen (1991) por uma enorme heterogeneidade ao nível económico, cultural e social, influenciadas por uma diversidade de classes sociais, atividades económicas e educação de nível superior. Para além dos especialistas (em moda, arte ou economia), estas cidades mundiais concentram uma elite fortemente escolarizada e economicamente solvente, as classes criativas (Florida, 2003). Mas ao mesmo tempo são um foco de concentração de populações pobres locais, mas também de imigrantes de países do Terceiro Mundo, que trazem consigo formas culturais que inicialmente eram de diáspora, mas que progressivamente passam a fazer parte do corpo cultural destas cidades mundiais.

Esta imagem da cidade competitiva e das suas margens (Baptista e Nunes, 2004), a área metropolitana, faz muitas vezes esquecer aqueles que ai residem, reproduzem a lógica dos mercados livres. Não foram criadas para corresponder a toda variedade de necessidades e de ações, não respondendo de forma igual a todas as solicitações, desde os moradores aos utilizadores. Usualmente associada ao conflito social, a metrópole contemporânea é um espaço de forte desigualdade social.

No que se refere aos utilizadores metropolitanos Guido Martinotti apresentou

uma classificação particular, a sua “Morfologia social das cidades” (Martinotti, 1996).

Estas formas urbanas estão dependentes do tipo de público ao qual se destinam: (i) Os

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deslocação pendular casa/trabalho que implicam a criação de uma estrutura de suporte (comboios, metropolitanos, autoestradas, túneis), (iii) os city users, que usam a cidade com um objetivo lúdico e de ocupação de tempos livres e por fim, marcado pelo contexto de globalização e os (iv) os businessmen que visitam estas cidades para contactar com clientes, apoiar o trabalho dos seus colaboradores em empresas multinacionais.

Outro dos instrumentos de análise de áreas urbanas marcadas por formas de efeitos de aglomeração urbana em configurações metropolitanas não formais está ligado ao conceito de policentrismo (Carmo, 2008). Este conceito tornou-se um paradigma nas atuais políticas de ordenamento do território europeias, baseando-se na perceção das cidades como nós, pontos integrados numa “rede interurbana” (Carmo: 2008, 777), sendo aqui importante relevar que pontos dessa rede são os mais fortes e que constituem os limites destes sistemas urbanos.

Os objetos de planeamento decorrentes escolhem a gestão da distância e não da proximidade, não a ligação clássica centro-periferia, mas sim entre polos distanciados geograficamente, mas ligados de forma rodoviária. De facto a promoção de instrumentos de planeamento à escala europeia institucionalizou-se em 1999 através do, ESPON 1.1.1, “Potencials for polycentric development in Europe” (ESPON 2006), cujos resultados apontavam para a promoção por parte da União Europeia de um modelo de cidades médias pela Europa, de modo a contrariar os efeitos nefastos da constituição de megacidades, nomeadamente em relação ao pentágono “Londres, Paris, Hamburgo, Milão e Munique.” (Carmo: 2008, 779), que não representava condignamente a Europa, sendo a sua estrutura urbana de média e baixa dimensão:

A questão agora é que o desígnio do policentrismo se banalizou a todas as escalas territoriais, ao mesmo tempo que se diversifica o conceito e a fenomenologia da «condição central». Houve sempre «centro» quando num lugar coincidia o máximo de acessibilidade, a aglomeração de funções direcionais, e as marcas identitárias e referenciadoras (edifícios e espaços públicos) como as que derivam da monumentalidade e dos bens patrimoniais. Hoje, essas coincidências raramente se encontram num único lugar (Carmo, 2008,.22).

Ao contrário do desejado, não foram criadas sinergias e ligações entre fortes áreas interconectadas entre si, como regiões dinâmicas ao nível económico no contexto

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global, uma marca das áreas policêntricas. Na verdade este é um objetivo de natureza político-institucional, torna-se mais uma “bandeira” (Marreiros: 2010, 80) do que uma realidade. A representação pictórica do policentrismo é uma das suas maiores forças (Carmo: 2008), que na verdade pode ser enganadora, uma vez que poderá responder à nossa vontade de ter um território articulado com base num conjunto de lógicas, quando na verdade ele poderá ter outra natureza. Este é um conceito que se apresenta com uma dinâmica mais normativa do que operativa.