6 Avslutning
6.1 Doping – et samfunnsproblem?
As duas práticas apresentadas no Quadro 12, a seguir, têm como tema, aquele que tem sido o central do I3 – a violência, visando, nos dois casos, a construção de conversações, de diferentes formas, que permitissem a
transformação dos contextos de violência. O diferencial de uma abordagem sistêmica revelou-se aqui justamente por compreender os comportamentos violentos como construídos em contexto. Em comum, destaca-se ainda o comprometimento revelado em seus propósitos, de dialogar com diferentes setores da sociedade, com vistas a favorecer a construção de programas e políticas públicas na prevenção e atenção à violência intrafamiliar e de gênero.
Categorias Elementos
Prática 1 Prática 2
Nome Grupo Reflexivo de Gênero Da Palmada ao Diálogo
Local Na sede do Instituto Na sede da instituição parceira
Participantes - Homens de diferentes idades – encaminhados ou não pela rede
judiciária Pais, mães e responsáveis
Equipe Facilitadores, estagiários e Equipe
Reflexiva Facilitadores – técnicos e estagiários
Formato∕ ações
- Grupo de recepção; entrevistas preliminares; grupos reflexivos; grupos de acompanhamento; grupo focal
- Trabalho com equipe da Casa da Arte – participação nas rodas de conversas - Ações com crianças e suas famílias – oficinas de sensibilização
- Participação em encontros de redes que atuam nas duas comunidades
-Redes de TCI – “espaço oferecido” -Monitoramento das redes – mapeamento
Parcerias - Casa da Arte de Educar - Childhood Brasil
Designação da prática
- Prática de prevenção e atenção à violência intrafamiliar e de gênero - Prática sistêmica
- Sistema grupal de convivência e reflexão
- Práticas sociais que buscam a construção de conversações que geram transformações sociais
- Criação de contextos colaborativos que possibilitam a reconstrução de significados - Trabalho com rede e na rede
- Profissional como cofacilitador junto ao professor
Adesão teórica
- Proposta reflexiva de Tom Andersen
- Pedagogia da pergunta e do diálogo de Paulo Freire - Redes como metáfora
- Abordagem somatopsicodinâmica de Federico Navarro
Categorias Elementos
Prática 1 Prática 2
Propósitos
- Efetiva transformação das relações de poder entre homens e mulheres
- Reconstrução de significados sobre os padrões de
masculinidades e relações de gênero
- Ampliar recursos para a resolução de crises e conflitos
- Que autores da violência
reconheçam e se responsabilizem por seus atos
- Contribuir para a construção de relações mais equitativas entre gêneros e gerações - Colaborar na transformação das formas de educar as crianças
- Ampliação de recursos para novas formas de convivência
- Contribuir com setores da sociedade que questionam práticas violentas de educação
Estratégias
- “ênfase nos aspectos relacionais da perspectiva de gênero”
- Olhar o fenômeno da violência intrafamiliar pelos aspectos que possibilitam sua transformação - A democracia do cotidiano como forma de poder alternativo à violência
- Organização de Redes Sociais
- Criação de contextos colaborativos - Construção de conversações que geram transformações sociais
- Ação coordenada frente a tensão do diálogo
Ferramentas∕ recursos
- Desenvolver conversações alimentadas pelas construções sociais
- Perguntas geradoras de diálogo para a transformação
- Interação reflexiva entre equipe e participantes
- Reflexão coletiva sobre os conflitos - Grupos reflexivos com pais, mães e responsáveis
- Escuta qualificada à distância - Envolvimento em campanhas - Trabalhando com a rede e em rede
Relações com a Psicologia
Clínica
- Não é uma ação psicoterápica, mas possui efeitos terapêuticos - A violência não vista como problema psicológico ou psiquiátrico
- Um trabalho com relações – não deixar o fenômeno no campo intrapsíquico
- Referência ao uso de terapia familiar, quando necessário
Relações com o social
- Escuta das demandas da sociedade
- Conversas com diferentes setores da sociedade
- Contribuir para construção da Rede de atenção
- Favorecer a implantação de programas e políticas públicas - Contribuir para a elaboração de leis
- Participação política como escolha ética - Responsabilidade relacional
- Promoção e defesa dos direitos das crianças e adolescentes
- Conversações que gerem transformações sociais
Atitudes∕ postura
- Abertura para demandas da sociedade; para ações em redes; para novas conversas
- Sensibilização e busca de alternativas concretas - Cuidados estratégicos
- Crenças nas alternativas à violência nas relações
Categorias Elementos
Prática 1 Prática 2
NOTAS
*Produção Prática 1: ACOSTA, F.; ANDRADE FILHO, A.; BRONZ, A. Conversas homem a homem: grupo reflexivo de gênero. Instituto Noos, Rio de Janeiro, 2004. Disponível em:
www.noos.org.br/userfiles/file/metodologia_port.pdf Acesso em: (inserir a data de acesso)
*Produção Prática 2: RAPIZO, R.; ZUMA, C.E. Transformando práticas educativas, da palmada ao diálogo: relato de uma experiência em duas comunidades do Rio de Janeiro. In: GUANAES- LORENZI, C; MOSCHETA, M.S.; CORRADI-WEBSTER, C.M.; SOUZA, L.V. (org.). Construcionismo
Social: discurso, prática e produção de conhecimento. Rio de Janeiro, Instituto Noos, 2014. Quadro12: Perfil de práticas apresentadas em produções* referentes ao I3.
Como um grupo reflexivo, a Prática 1, revelou, em seu formato, cuidados tanto na construção dos grupos, realizando grupos de recepção e entrevistas preliminares, como no seguimento e avaliação posterior, por intermédio da realização de grupos de acompanhamento e grupos focais. Cuidados que podem ser compreendidos como inerentes à construção de estratégias e ferramentas quando se trabalha com pressupostos baseados em Tom Andersen e Paulo Freire, não só pelo legítimo respeito pelo outro que daí emana, como pela crença no poder transformador dos processos reflexivos e do diálogo.
Os cuidados com o acompanhamento posterior pode ser associado ao fato de estarem, nesta prática, de forma inusitada e polêmica, para os padrões de abordagem às questões de violência, incluindo o agressor, o homem que de alguma forma agrediu uma mulher, tornando-se muito importantes os encontros posteriores de modo que possam ajudá-lo no fortalecimento de uma nova posição na resolução de conflitos. O foco, como próprio de uma proposta sistêmica, foi descrito como “nas relações de gênero”, dando voz para os padrões de masculinidade construídos e vividos até então, estando na chance de ressignificá-los, neste contexto de conversação, seu poder de transformação.
Vale destacar, como resposta a quem entende que ao agressor só cabem medidas punitivas, que revelaram em seus propósitos também o reconhecimento e responsabilização pelos atos agressivos, por parte dos homens que compunham os grupos. E que, para a vida lá fora, o que buscavam é que saíssem dali com mais recursos para resolver situações de crises e conflitos, o que certamente as medidas punitivas teriam menores chances de alcançar.
Os elementos selecionados para compor a categoria Relações com a
buscando não deixar a compreensão do fenômeno da violência no campo intrapsíquico, acabaram por marcar este fenômeno como não sendo “um problema psicológico ou psiquiátrico”. Fica aqui evidente uma diferenciação que se baseia na concepção da clínica psicológica como ainda atrelada ao modelo médico, conforme se vê na reconstrução de sua história, pois ao se conceber a interconstituição individual/social, esta diferenciação não mais caberia.
As Relações com o social ficaram marcadas, neste relato, por um grande comprometimento com as demandas da sociedade, desde sua escuta, na conversa com diferentes setores da sociedade, até a busca ativa de construção de recursos e metodologias que possam ser úteis para a implantação de programas e Política Pública, inclusive colaborando para a elaboração de Leis. Vê-se aqui um grande salto no ampliar das ações das práticas psicológicas, indo de fato muito além das ações típicas desta profissão. Vejo esse comprometimento como sendo a atitude que marca a identidade deste instituto, ou seja, a de não apenas se sensibilizar com as questões sociais, como partir para a busca efetiva de alternativas concretas.
A Prática 2 – Da Palmada ao Diálogo –, também apresentada no Quadro 12, abordou um universo típico das reflexões e intervenções da Psicologia, as chamadas Práticas de Educação dentro de uma família, indo agora além das orientações dos consultórios ou das palestras nas escolas, desenvolvendo o que qualificaram como “práticas sociais”, estando o social a elas atrelado provavelmente por se configurarem como ações que buscam “transformações sociais” ou ainda por atuarem “com a rede e na rede”. Como uma prática com “aportes construcionistas”, fez uso de várias ferramentas e recursos que favorecessem a construção de conversações em um contexto colaborativo, incluindo os Grupos Reflexivos com pais, mães e responsáveis. Como parceria com outras duas instituições, a equipe do I3 também se inclui no que já existia como ação, as rodas de conversa, contribuindo com sua postura colaborativa e reflexiva.
O foco para derivações concretas no dia a dia ficou na busca por ampliar os recursos para que pudessem desenvolver novas formas de convivência familiar que deveriam ser, de acordo com seus propósitos, derivadas de “relações mais equitativas entre gênero e gerações”. Vê-se aqui um posicionamento político desta ação do I3, declarada neste texto como uma “escolha ética”, deixando clara sua ação em prol da promoção e defesa dos direitos das crianças e adolescentes. Uma
forma de a Psicologia deixar claro seu compromisso social com a sociedade, no encontro com outras disciplinas e outros contextos, que não os seus habituais.
Para a diminuição das práticas violentas de educação, avalia-se como de grande impacto o trabalho em “contextos colaborativos”, recorrendo a Maturana (2014, p. 222), que ao dissertar sobre o amor, defende a ideia de que ao nos constituirmos como humanos pela colaboração, na linguagem, não nos beneficiaríamos da competição para o viver juntos. Pelo contrário, esta é vista por ele como negando o outro, reduzindo a criatividade e “as circunstâncias de coexistência”. O cuidado em uma interação construída de forma colaborativa diminui, a meu ver, a chance de emergirem práticas de educação que se favoreçam de abusos de poder, sejam por diferenças de geração ou gênero.
Para complementar dados sobre I3, foi ainda selecionada uma produção, realizada em forma de entrevista com dois de seus fundadores, ainda em atuação, por oferecerem elementos a respeito da construção do Instituto. O texto revelou principalmente a forte influência do Pensamento Sistêmico, desde um “deslumbramento inicial” que os motivou até a postura atual nomeada de “Construcionista Sistêmica”, como se vê no Quadro 13, abaixo.
Categorias Subcategorias Elementos
Marcos / motivações
Teóricos
- Levar a teoria sistêmica para fora do consultório - Necessidade de disseminação da visão sistêmica - Críticas à Psicanálise
- Convivência com Tom Andersen e Marcelo Pakman: implicações contundentes em nossa prática
Sociais ∕ políticas - Desejo de participação social – vivências políticas; valores religiosos - Busca de mudanças políticas e sociais
Estruturais
- Convênios, financiamentos, e prêmios – viabilizando ações - Aquisição da sede – “estar juntos”
- Iniciar trabalho com questões de gênero com homens – como um diferencial
- Produção da revista Nova Perspectiva Sistêmica – “precipitou a formalização do instituto”
Construção
do perfil Ações / estratégias
- Construção de metodologias – práticas sociais usadas para resolver conflitos relacionais na família e na comunidade de forma pacífica
- Transformação em realidade transmissível - Inserção das metodologias nas políticas públicas: “tornarem-se acessíveis à população”
Atitudes
- Exercício constante de associar rigor conceitual e coerência em nossa prática clínica
- Abertura para reflexão crítica sobre sua prática – ênfase na
avaliação
- Com relação ao Construcionismo – não aficionados
Adesões teóricas
Como motivação
inicial - Teoria Sistêmica – deslumbramento - Cibernética de segunda ordem; Construtivismo Atual - Postura Construcionista Sistêmica – “nomeia nossa prática”; “nos fundamenta” NOTAS
*Produção Prática 3: RASERA, E. F. Cuidando das relações familiares e comunitárias: notas sobre a história do Instituto Noos. Nova Perspectiva Sistêmica, Rio de Janeiro, n. 50, p. 124-133.
Quadro 13: Categorias temáticas de produção* referente ao I3 que historia sua prática.
Como marco teórico em suas motivações iniciais, destaco o movimento, associado à teoria sistêmica, de levá-la “para fora do consultório”, uma necessidade que se construiu, a meu ver, como implicação inevitável de quem assumiu os pressupostos desta teoria, que ao promover a passagem do intrapsíquico para o relacional nas ações psicológicas, deixou portas abertas para as comunidades, em seus sistemas mais amplos. A caminhada do I3 nesta direção avançou ainda mais em sua história de práticas, culminado com a construção de metodologias que visam agora à inserção nas Políticas Públicas, para que possam ficar “acessíveis à população”.
Da convivência com Tom Andersen e Marcelo Pakman, citada como tendo sido de “implicações contundentes” em suas práticas, é provável que tenha emergido a ênfase na “reflexão crítica” sobre suas ações, abrindo para processos de avaliação. De Andersen (2002) a adoção de ferramentas reflexivas que legitimam a todos os envolvidos; e de Pakman (1999), a adoção dos cuidados, especialmente nas ações em contextos de vulnerabilidade, perante o uso de “pseudosoluções” que atuariam a favor de “perpetuar a estrutura total que mantém o problema”.
As declarações para esta entrevista deixaram claras as motivações e intenções de “busca de mudanças políticas e sociais”, abrindo espaço para o protagonismo do Instituto junto à sociedade. Surgiram também as motivações ligadas aos valores religiosos e vivências políticas dos profissionais entrevistados, referindo-se provavelmente a uma sensibilidade às mazelas inerentes às questões sociais, como próprias dos profissionais que vêm compondo os quadros de institutos como o I3.