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Com relação ao trabalho dos professores entrevistados, podemos, de início, verificar a ocorrência do processo de inserção comunitária, empreeendido ativa e intencionalmente por eles. Embora tal processo não surja de forma organizada e sistematizada em seus discursos, como uma estratégia a priori de atuação comunitária – como caracterizamos mais acima –, evidenciam-se vários aspectos que definiriam uma inserção comunitária, segundo a delineamos.

A intencionalidade da inserção comunitária é um importante aspecto a se destacar nas práticas dos entrevistados, haja vista que confere elementos estratégicos e metodológicos a seu que-fazer diante da comunidade, afastando a possibilidade da inserção comunitária ora abordada ocorrer de forma fortuita, fruto de mera empiria ou algum “espontaneísmo”, isto é, apenas brotando “naturalmente” da prática irrefletida do agente externo.

Notamos que houve um investimento no desenvolvimento da inserção comunitária desses profissionais pelo menos por dois motivos, apontados pelas entrevistas: a) para poder entrar e transitar pela comunidade, o que traz implicações inclusive sobre questões de segurança pessoal do professor; b) para construir relação de confiança com os moradores e grupos, desdobrando-se em credibilidade e posterior reconhecimento do trabalho realizado pelo professor. Estes dois aspectos se encontram perpassados basicamente pela necessidade de implantação e de sustentabilidade do trabalho, que tensionam os professores a adotarem conscientemente, assim, estratégias de entrada na comunidade, ainda que de modo aleatório, sem sistemática teórico-metodológica definida previamente.

É o que fica evidenciado na fala de Allan, sobre a relevância de sua inserção na comunidade para a realização de seu trabalho como professor no núcleo de esporte e lazer:

E os eventos que têm na comunidade que eu posso participar, que não me dizem respeito, mas que eu posso, como o Dia das Crianças, que foi feito pela comunidade, não foi feito, não foi apoiado pela Secretaria de Esportes, mas eu estava lá... Ajudando, ajudando a distribuir a pipoca... É uma bobagem? É, mas eu tava naquele instante fazendo parte da vida da comunidade, entendeu. Na

inauguração da cooperativa, não precisava estar lá, mas eu estava... (Allan, Trecho 11)

É... Todas as atividades que têm, a nível cultural, mesmo sendo coisas simples, eu tou participando... Aí você pode me perguntar “mas Allan, não é o teu trabalho não, esse”. Mas, se eu não fizer isso, eu não consigo fazer um trabalho lá dentro... Eu entendi que se eu não me envolver com a comunidade, o meu tempo de vida ali dentro, em termos de profissional, seria muito pouco... Eu teria que me envolver com a comunidade, entendeu... (Allan, Trecho 55) Percebemos que Allan tem em mente a importância que possui a construção de relação e vínculos de cooperação com a comunidade, ainda que não possuam ligação direta com seu trabalho na área de esporte e lazer. Tais atividades, seriam, ao que parece, identificadas pelo professor como significativas na dinâmica comunitária, mediante cuja participação avançaria na constituição de vínculos afetivo-sociais, especialmente de confiança, bem como desenvolvendo seu movimento de ambientação junto ao contexto comunitário. Diante de tais elementos, destacamos a relevância de sua participação e interação, através dos eventos e atividades, para o desenvolvimento de sua atuação no núcleo.

Ainda sobre esse aspecto, o professor Carlos nos traz um interessante elemento em seu discurso, que seria o da convivência comunitária pautada na vivência do lazer junto com a comunidade.

Inclusive, tem uma mãe de uma aluna... De duas alunas da capoeira, que ela vende comida na praça. E eu até combinei “ó, vou marcar um dia pra mim poder vir aqui, trazer minha família... E provar da sua comida.” Então, é uma interação... Passa de uma interação, né. E isso até pra quebrar com essa questão “ah, o cara veio de fora, veio pra cá, e aqui quer mandar.” Não, tudo lá é conversa. (Carlos, Trecho 96)

Neste momento, o agente externo simplesmente expressa o desejo de compartilhar, de maneira informal e espontânea, inclusive com seus familiares, de um espaço de lazer da comunidade, fora de seu horário de expediente. Podemos perceber que o foco desta interação é tão somente a aproximação e vinculação do professor com a comunidade. Todavia, o professor evidencia também possíveis desdobramentos que tal iniciativa de vinculação teria para seu trabalho, pois aponta que afetaria direta e positivamente na construção de sua imagem por parte da comunidade, pois poderia deixar de ser o “cara de fora”, uma vez que ampliaria seus laços com as famílias, simbolicamente representadas nesse caso por uma mãe de duas de suas alunas.

Com base nas características do movimento de inserção comunitária, juntamente com o que depreendemos das entrevistas realizadas, podemos identificar três momentos mais expressivos da inserção comunitária comuns à atuação dos entrevistados, quais sejam: a) contatos iniciais, ambientação, vinculação e estabelecimento de relações; b) consolidação da atuação, aprofundamento dos vínculos afetivo-sociais e do conhecimento sobre a comunidade; e c) reconhecimento da relevância da atuação, intensificação dos vínculos afetivo-sociais, apropriação da atuação pela comunidade.

O momento de aproximação e ambientação na comunidade, para ambos os entrevistados, aparece como etapa desafiante que fora superada. Os dois professores foram para os núcleos em que se encontram para substituir professores que já trabalhavam na comunidade. Abaixo, podemos observar como os professores retratam suas dificuldades nos momentos iniciais de ambientação na comunidade.

Então, eu já fui numa situação meio delicada, né... E quando eu cheguei, eu cheguei com... As pessoas me olhavam com um certo desprezo... Assim, eu era um corpo estranho dentro da comunidade... (Allan, Trecho 02)

Lhe confesso que no começo realmente eu tinha um certo receio... Até porque existe um preconceito de que a comunidade da Santa Fé é uma comunidade muito violenta, muito perigosa... (Allan, Trecho 03)

E eu tinha um certo receio, andava de cabeça baixa, ia de chinela de dedo, porque diziam “não, você vai ser roubado, porque lá ninguém anda assim, num sei o quê...” (Allan, Trecho 04)

[Os professores substituídos] Continuam em outros núcleos, e na comunidade teve aquele... Aquele primeiro impacto de “ah, antes o professor era melhor, o professor era assim.” E isso, logicamente, que a gente tá entrando tem esse... Essa... Esses questionamentos da comunidade, né. (Carlos, Trecho 09)

Evidenciando ainda a intencionalidade presente no processo de inserção de ambos entrevistados, verificamos a compreensão, expressa na fala de Allan e Carlos, de que o agente externo à comunidade tem papel destacado como sujeito do processo de inserção comunitária, apostando inclusive nessa postura crítica e ativa para a superação dos desafios de entrada na comunidade, supramencionados, como fica claro em suas falas.

E... foi complicado o começo por causa disso, mas eu via que dependia de mim, e não deles... Como eu vinha de fora pra dentro da história deles, da vida deles, dependia de mim quebrar determinadas coisas, determinados paradigmas, né... (Allan, Trecho 04)

E aí eu fui, fui conversando, conquistando, mostrando meu entusiasmo em tá ali, minha preocupação em fazer um trabalho bem feito, de que não era uma coisa passageira, e que eu tava ali mesmo firme e forte, entendeu? (Allan, Trecho 05) Aí, passa a ter uma recon... Uma conquista, no meu caso, tive que conquistar os alunos que estavam lá e... E isso aí dessa forma fez com que muito alunos desistissem e outros entrassem, né, na atividade, né. (Carlos, Trecho 09)

A menção que ambos professores fazem à ação de “conquistar” a comunidade, os alunos, por si só já expressa de forma significativa o papel ativo que desempenharam nesse processo. Aqui, ressalta-se a mediação realizada pelos professores como elemento integrante do processo de inserção comunitária, precisamente diante de situações em que se verificam posturas hostis ou que evidenciam conflitos.

Destacamos ainda no discurso de Carlos uma iniciativa que deve ter favorecido sobremaneira o processo de vinculação do professor junto à turma de participantes, consolidando as bases sócio-afetivas de desenvolvimento de suas atividades de esporte e lazer. É o que podemos ver no trecho abaixo, em que Carlos destaca a significância que tem o fato de ele, no papel de professor, também se submeter às regras que são criadas e implementadas coletivamente pela turma.

Tem que aplicar, né. Isso mostra que o professor não tá isento. Que faz parte realmente... Daquele cotidiano... O professor não está em cima das regras e nem está acima deles... Convive com eles... Isso pra mim, no meu caso, isso é bom porque eu não estou isento, né, das regras que são construídas no grupo. (Carlos, Trecho 90)

É bem expressiva do processo de inserção comunitária de Carlos a associação entre a construção coletiva e participativa de regras com os moradores da comunidade e o compartilhamento do cotidiano. Ou seja, o professor vincula a noção de partilhar um conjunto de regras e normas construído e usado por um grupo comunitário com o fato de adentrar esse grupo, e, mediante a entrada na realidade própria à dinâmica desse grupo, inserir-se em seu cotidiano, que, por sua vez, é também o cotidiano da comunidade, posto que tal grupo é formado por seus moradores, em quem se reflete psiquicamente o modo de vida da comunidade (GÓIS, 2005).

O professor Carlos enfatiza a mesma postura quando nos fala sobre sua interação com os participantes do núcleo, em que busca a horizontalidade e a proximidade

interpessoal, redesenhando a relação entre os papéis de professor e de aluno, como temos no trecho a seguir.

A interação é... Ela... Ela... Ela tem essa questão de quebrar o professor. Quebrar... De tá com eles, brincar com eles, respeitosamente... Né... De rir com eles... De entender o cotidiano deles e dar exemplo do cotidiano do professor semelhante, mostrar que o professor não é um super-homem, que tem falhas né. E construir um relacionamento de... Respeito, né. (Carlos, Trecho 94)

Aqui, encontramos mais uma vez a noção de proximidade e vinculação afetivo-social entre professor e alunos (participantes do núcleo) associada à noção de compreensão de seu cotidiano, propiciada justamente por tal processo de vinculação. Tal associação nos sugere, assim, ainda que de forma relativamente superficial, dada a ausência de sistematização teórico-metodológica, uma integração entre a análise e a vivência do cotidiano comunitário na atuação do professor.

O aprofundamento do processo de vinculação afetivo-social, que se dá com o desenrolar da inserção comunitária, podemos verificar também nas falas das crianças alunas do professor Carlos, registradas por ocasião do grupo focal. Trazemos os trechos que seguem abaixo para refletir um conjunto de falas nesse sentido.

Tiago: Tem sido um pai pra gente. Quando tem uma coisa assim ele vai atrás pra gente ir, um passeio assim que tenha ele vai atrás, consegue levar a gente... Ele brinca com nós, mano. Nós também brinca com ele, nós respeita ele, ele respeita nós. (Grupo Focal, Trecho 180)

Jailson: Sou muito apegado com o professor, o professor me respeita, eu respeito o professor também assim... (Grupo Focal, Trecho 185)

Milton: Ele é como amigo da gente. Quando tem as coisas ele avisa, leva a gente pro passeio, ele explica que quem for fazer besteira... Ele falou: quarta-feira ele falou que quem bagunçasse ia ficar no meio do caminho, ia voltar a pé. Aí na ida ninguém bagunçou, só na volta. Aí o professor não mandou ninguém pra casa, o professor disse que no próximo passeio quase ninguém vai. (Grupo Focal, Trecho 189)

As imagens que as crianças trazem para refletir o nível de vinculação com o professor nos são bastante expressivas: o “pai” e o “amigo”. Praticamente todas as falas, em que as crianças falam sobre sua relação e suas interações com o professor, são atravessadas pela atitude de respeito de Carlos para com elas, bem como pela promoção ou garantia da prática do respeito entre elas. Nesse sentido, figura como “amigo”, que respeita; tem intimidade e compreensão; troca brincadeiras; compartilha da realidade comunitária vivida; é solidário e afetivo. Bem como evoca a imagem de “pai”, figura que

inspira geralmente proteção; regulação das interações; provimento e organização de condições infra-estruturais para que algo se realize.

É interessante notar que associada à imagem de pai e também de amigo surgem conteúdos relativos ao provimento de oportunidades interessantes e praticamente impossíveis sem a presença do professor, como é caso dos passeios e atividades externas ao núcleo, em que toda a turma (e muitas vezes familiares e demais moradores da comunidade) são convidados, propiciando-lhes acesso a práticas e situações específicas de esporte e lazer.

Destacamos ainda a ocorrência de um conteúdo em particular, associado à imagem do amigo, que mescla assertividade, compreensão e autoridade na condução de problemas disciplinares com a turma. O professor é tido como amigo, mesmo que inflija restrições aos comportamentos e hábitos dos participantes, ou mesmo os repreendendo, como no caso de evitar que participem de determinadas atividades externas, devido às condutas que assumiram em dados momentos. Nesse caso, aproxima-se novamente da imagem de pai, como sendo a figura que pode aplicar penalidades, restrições, permitir e proibir, tomar medidas inclusive desagradáveis, e que ainda assim conserva seu viés afetivo e próximo.

O que tais impressões nos sinalizam é a consistência do vínculo afetivo-social entre o professor e os alunos participantes, construído e desenvolvido progressivamente, com especial atenção por parte do professor, que, segundo nos parece, revela alguma intencionalidade pedagógica na busca e promoção de tal modo de interação com seus alunos na comunidade, como vimos mais acima.

Passado o primeiro momento da inserção, o contato inicial e a ambientação na comunidade, os professores passam a gozar de mais trânsito e credibilidade por parte da comunidade, o que repercute favoravelmente sobre a realização de suas atividades nos núcleos de esporte e lazer, o que fica refletido nas falas abaixo.

Mas até agora a gente conseguiu... Hoje a gente conseguiu o equilíbrio, né. Novos alunos com antigos alunos né. Alunos que... E teve alunos também que deixaram atividade porque preferiam o professor anterior, né. Isso é real, né. (Carlos, Trecho 09)

E aí, o que eu achei que era difícil, hoje eu acho fácil demais... Hoje eu consigo caminhar dentro da Santa Fé com uma facilidade incrível (Allan, Trecho 09)

Até mesmo os receios iniciais, relativos à segurança pessoal, são significativamente superados, como podemos perceber pelas palavras dos professores, que demonstram conviver diariamente com situações de violência urbana em seus núcleos e arredores, como nos relatou Allan: “às vezes eu tou no Campo do Biscoito, que é um campo em que eu trabalho, fica um bando de jovem ali, e eu escuto eles combinando onde vão roubar... (Allan, Trecho 78)”. Os trechos seguintes nos oferecem mais elementos sobre essa questão.

É claro que você sabe que existe ali, é, os empregos, é... que estão posicionados no câmbio negro, né, o, no câmbio negro do emprego... pessoas que trabalham, que trabalham na questão da droga, né, as pessoas que trabalham com roubo... (Allan, Trecho 17)

Então... E a questão da violência que influencia muito também, porque tem tiroteios, tem brigas. Infelizmente na quadra maior, que é a quadra onde a gente faz o futsal, tem uma... Tem membros da comunidade, adolescentes, jovens que se utilizam de drogas. Que repa... Que repartem roubo, que combinam roubo, que estão armados é... Enfim que fazem aquele local também um ponto de encontro, pra a partir dali fazer coisas que não são... Ações que não são normais a nível de comunidade, né. São infelizmente atitudes marginais né. Estão fora da margem da lei. (Carlos, Trecho 14)

Aqui, já percebemos elementos que apontam para o êxito do processo de inserção, do contrário não seria permitido aos professores conviverem com questões que constituem o cotidiano da comunidade, e que ajudam a evidenciar o que Góis (2005, p. 63 e 64) denomina de “modo de vida da comunidade”. O acesso a determinadas informações e particularidades, pertinentes à intimidade da comunidade, também se viabiliza, com o consentimento de agentes internos (moradores), mediante a relação de identificação e confiança que se criou e se consolidou progressivamente com os professores.

Verificamos também uma interação sistemática com grupos e pessoas de referência na comunidade (lideranças comunitárias), o que aponta para um nível significativo de inserção dos professores, como podemos perceber no trecho abaixo da entrevista de Carlos.

É... E a capoeira por já ser dezoito horas, a gente levou pra creche com consentimento da comunidade, e também da associação comunitária que lá... Lá... É, existe, né. A comunidade lá tem uma associação que é participativa, que tem a sua influência dentro da comunidade, que mobiliza para determinados

interesses da associação e da comunidade, né. Como é... Na questão de festa junina, de pré-carnaval, de busca pra melhores condições da comunidade, a nível de habitação, né, e do posto de saúde e de reuniões de segurança... Tudo isso a gente presencia dentro da comunidade, a mobilização da associação, nesse sentido. (Entrevista 01, Trecho 15)

Carlos nos oferece no trecho uma medida que tomou relativa ao funcionamento da atividade da capoeira no núcleo de esporte e lazer da Comunidade do Sol, já com base em sua leitura sobre peculiaridades da dinâmica comunitária – de modo específico, a ocorrência de episódios de violência durante a noite, o que levara famílias a retirar participantes da atividade da capoeira, que acontecia nesse turno. Chama a atenção que o professor menciona que tomou tal medida em comum acordo com a comunidade (participantes e famílias) e com uma entidade representativa da comunidade (associação de moradores), o que aponta para a integração e envolvimento da comunidade em questões referentes ao funcionamento do núcleo, sugerindo proximidade entre esse agente externo e seu trabalho com os participantes e a comunidade.

A partir de uma articulação com uma entidade comunitária, a associação de moradores, que se localiza vizinho ao local onde funciona o núcleo, o professor garante a continuidade da atividade de capoeira em local mais seguro, fechado, mas ainda pertencente à comunidade, que é a própria sede da associação, cedida para o referido trabalho. O professor ainda demonstra acompanhar e ter ciência do papel e da atuação da associação de moradores junto à comunidade, sugerindo em suas palavras sua significância para o contexto comunitário. Percebemos, assim, mais um indício de inserção comunitária na atuação desse professor.

Nessa perspectiva, cabe ressaltarmos a inter-relação entre a inserção comunitária e a categoria “integração reflexão-ação”, especialmente no que tange à concretização do compromisso ético-social dos professores frente à realidade comunitária, no sentido de favorecer processos de luta, resistência e superação das relações de opressão e marginalização, fartamente verificadas nas comunidades onde trabalham.

O momento da inserção comunitária mais diretamente relacionado à expressão do eixo “teoria-prática-compromisso social” (GÓIS, 2005, p. 65) seria a construção de

uma relação inicial de cooperação com a comunidade, na qual os professores demonstram acompanhar e participar de várias formas (conforme trataremos na categoria “integração reflexão-ação) de uma gama diversa de atividades comunitárias, como eventos político- participativos, eventos festivos, eventos de integração comunitária e de lazer, ações governamentais e não-governamentais na comunidade, por exemplo. Segundo Góis (ibidem), podemos identificar tal participação em atividades comunitárias e ações na comunidade como pertencendo a um outro momento da atuação junto à comunidade, mais aprofundado, decorrente do desenvolvimento do processo de entrada e inserção na comunidade.

Ajuntamos a outros indícios de uma inserção exitosa o reconhecimento da relevância do trabalho e os sinais de apropriação por parte dos moradores da comunidade frente à atuação desenvolvida, que se refletem, por exemplo, no gesto de defender e respaldar o professor e seu trabalho diante de terceiros, como vemos nos trechos abaixo.

Teve essa semana de recesso que foi mencionada anteriormente, teve uma... Uma visita da supervisão que eles entraram em contato com alguns alunos e pessoas que estavam nos ambientes de aula, principalmente nas quadras, e pessoas da comunidade. Com o meu retorno, essas pessoas que nunca tinha falado comigo... Chegaram até mim né, até a minha pessoa e falaram “ó, teve lá, vieram um pessoal aqui perguntaram sobre você, que o senhor dava aula bem aí, tal, né.” Aí eu “vixi, foi mesmo? Nem me avisaram, né, tudo bem, tem problema não.” “Então, e aí? Não, o senhor ta aqui todo dia...” E eu não percebia que eles percebia isso, né? Aí é que foi interessante. (Carlos, Trecho 112)

“O senhor tá aqui todo dia, que o Projeto é bom, que tem menino demais e a gente nem sabe como é que o senhor tem tanta paciência pra agüentar esses meninos todo dia.” (Carlos, Trecho 113)

Mas aí tem o outro lado... Que talvez não deixe que eles me tirem do núcleo: a força que se tem de união junto com a comunidade, entendeu... Sem querer, você passa a ser amado pela comunidade, querido, entendido que estão fazendo parte da comunidade, e não alguém que veio de fora pra aviltar a comunidade,