Utfordringer i relasjon til
Utfordring 4. Dokumentasjon og informasjon
A análise de nossos dados será mais voltada para o quantitativo das ocorrências das CPB e suas predominâncias sintático-semântico-discursivas no interior dos quadros macro e microestruturais.
Em PB, as sequências colocacionais agrupadas na macroestrutura sintática simples constituem a parcela mais robusta do total de ocorrências em relação às duas outras, superposta e complexa. O fato pode ser atribuído a, pelo menos, dois fatores: a efetiva predominância desse tipo de sequência em PB e/ou a focalização que lançamos sobre elas durante parte considerável do processo de coleta de dados; era, de início, o único tipo de combinação que atendia por colocação. As realizações
superpostas e complexas foram implicadas no trabalho de constituição da BD de CPB, cujos dados nos enviaram a sequências de constituição heterogênea, mas essencialmente duais, convencionais, idiossincráticas e de coocorrências restritas: colocações, portanto.
Em seguida, mas guardando considerável distância entre as primeiras, as colocações de macroestrutura complexa e superposta se constituem como partes menos expressiva sob visada quantitativa, mas inquestionavelmente interessantes do ponto de vista do comportamento geral da classe.
O Quadro 15, que sintetiza o quantitativo das ocorrências distribuídas entre as macroestruturas simples, superposta e complexa, e seu respectivo percentual ilustrado pelo Gráfico
5 apresentam esses dados de modo mais eloquente:
CATEGORIA MACROESTRUTURAL
SIMPLES 5252
COMPLEXA 147
SUPERPOSIÇÃO 135
TOTAL 5.534
Gráfico 5 - Percentual das categorias sintáticas macroestruturais de CPB sobre o total de ocorrências
Os tipos de colocado acompanham a tendência quantitativa geral dos tipos sintáticos macroestruturais, pois mantêm relação de dependência direta com eles. Assim, não causará espécie que o colocado simples encabece a lista apresentando maior número de ocorrência; o composto, embora pertença à macroestrutura simples, recua consideravelmente em termos quantitativos e se apresenta bastante timidamente. Os colocados de matriz comparativa seguem em segundo lugar, assim como o fizeram as colocações de macroestrutura complexa; o colocado locucional, seu companheiro de atuação macroestrutural, possui realização menos expressiva. O combinado
apresenta exatamente o mesmo número de realizações do tipo macroestrutural em que ocorre, já que se constitui como única possibilidade.
O Quadro 16, que sintetiza o quantitativo dos tipos de colocado das CPB, e o Gráfico 6 apresentam objetivamente os dados acima comentados:
Quadro 16 - Quadro-síntese quantitativo geral dos tipos de colocado das CPB COLOCADO TIPO QUANTITATIVO SIMPLES 5051 COMPOSTO 36 COMBINADO 135 MATRIZ COMPARATIVA 115 LOCUCIONAL 32 TOTAL 5.369
Gráfico 6 - Percentual dos tipos de colocado sobre o total de ocorrências de CPB
A padronagem sintática geral acompanha uma tendência já notada por Tagnin (1998, p. 43),
para quem as colocações adjetivas e nominais, juntas, são responsáveis pela “vasta maioria das colocações, uma vez que servem para dar nome às coisas”, ajuntando que “são muito frequentes nas
línguas de especialidade, que necessitam constantemente de termos novos para nomear novos
produtos, processos, tecnologias etc.”. Em nosso elenco geral, esses foram também os dois padrões
sintáticos que mais sobressaíram, seguidos de verbal, adverbial, pronominal e contextual, conforme resumimos no Quadro 17, seguido do percentual demonstrado no Gráfico 7:
PADRÃO SINTÁTICO DAS CPB
TIPO QUANTITATIVO ADJETIVA 2996 NOMINAL 1463 VERBAL 861 ADVERBIAL 202 PRONOMINAL 08 CONTEXTUAL 04 TOTAL 5.534
Gráfico 7 - Percentual do padrão sintático das CPB sobre o total de ocorrências
As propriedades peculiares das CPB estão distribuídas, no interior da categoria microestrutural geral, entre 19 tipos, os quais apresentamos abaixo no Quadro 18, seguido do demonstrativo percentual dessas particularidades em relação à realização geral, já apresentado no
Gráfico 1, o qual é agora retomado:
CATEGORIA MICROESTRUTURAL
PARTICULARIDADES SINTÁTICO-SEMÂNTICO-DISCURSIVAS DAS CPB
TIPO QUANTITATIVO BINÔMIO 160 APAGAMENTO SINTÁTICO 136 PLEONÁSTICA 65 ESTRANGEIRISMO 55 NEOLOGISMO 42 HÍBRIDA 37 COLETIVO 34 ANTONOMÁSIA 32 ADJETIVAÇÃO 16 ARCAÍSMO 13 TRINÔMIO 13 HIPERONÍMICA 11 ABERTA 09 METONÍMICA 09 NÃO PADRÃO 09 GERALREVERSÍVEL 07 OXÍMORO 05 GERALETONEMA 02 GERALNORMATIVA 02 TOTAL 657
Gráfico 1 - Quantitativo percentual das propriedades microestruturais sintático-semântico-discursivas das colocações PB
Entre as propriedades microestruturais da CPB, os fenômenos de apagamento sintático e
binômio, ambos de natureza notadamente sintática, dividem quantitativamente o destaque do grupo, seguido de pleonasmo; os mais inexpressivos (percentual inferior a 1%) são os fenômenos de
oximoro, superposiçãodupla, geralreversível, não padrão e base aberta, conforme pode-se visualizar no Gráfico 8 que se segue:
5 CONCLUSÃO
A chuva abrandou, só́ quase acabada. Juntam-se no alto da escada os viajantes, hesitando, como se duvidassem de ter sido autorizado O desembarque, se haverá́ quarentena, ou temessem os degraus escorregadios, mas é a cidade silenciosa que os assusta, porventura morreu a gente nela e a chuva só́ está caindo para diluir em lama o que ainda ficou de pé́.
(Saramago, O ano da morte de Ricardo Reis)
Os dados aqui reunidos não foram explorados ad nauseam mesmo porque abraçar o fenômeno colocacional em sua totalidade seria tarefa inglória, com parcas possibilidades de sucesso. Foi palmilhando as coocorrências léxico-sintáticas restritas que chegamos ao que, para nós, constitui-se como mais fundamental acerca das colocações do PB no que se refere a uma panorâmica da classe: estruturas sintáticas macroestruturais e propriedades microestruturais peculiares e geral. Grupos colocacionais que abrigam constituintes cuja fisiologia escapa à formulação clássica das colocações, especialmente no que tange aos colocados, foram os insumos de nossa taxonomia sintática macroestrutural. Quanto a isso, é verdade que outros autores já mencionaram tais possibilidades estruturais, mas somente à guisa de observação ou menção, de tal feita que casos que incluem colocados “maiores”, por exemplo, estão longe de ser tratados sistematicamente no campo dos estudos colocacionais. Para nós, entretanto, a relevância da percepção, retenção e descrição dessas estruturas sintaticamente heterogêneas que atuam nas colocações se impuseram como fortemente necessárias para estudos que, direta ou indiretamente, lidem com a classe. O comportamento microestrutural sintático-semântico-discursivo das colocações durante o processo descritivo das ocorrências não pode ser negligenciado, de modo que fundamos sua taxonomia específica. Mesmo o comportamento considerado geral apresentou traços de ordem sintática (GERALREVERSÍVEL),
discursiva (GERALNORMATIVA) e fonológica (GERALETONEMA) merecedores de destaque, os quais nos
limitamos a registrar; a reflexão acerca desses traços pode suscitar outras questões, e sua posterior descrição pode provocar modificações na jovem tipologia aqui proposta, que vê na instabilidade seu adubo.
A padronagem sintática clássica (HAUSMANN, 2007) foi significativamente ampliada em função das ocorrências colocacionais do PB: passamos das 7 clássicas a 25 esqueletos estruturais, reunidos em seis padrões sintáticos, dois dos quais estreantes na nomenclatura da literatura especializada: o contextual e o pronominal. Objetivamente, além de construir a base de dados das
CPB, finalizamos este trabalho tendo cumprido as tarefas de estabelecer a definição da padronagem sintática das CPB – 25 padrões sintáticos descritos e 18 instituídos; a (re)definição conceitual de colocações a tipologia sintática macroestrutural das CPB– 3 categorias descritas e instituídas; a tipologia dos colocados das CPB – 6 tipos descritos e instituídos; a tipologia microestrutural das CPB: peculiaridades sintático-semântico-discursivas – 19 tipos descritos e instituídos.
Algumas informações específicas foram lançadas ao mar para que conseguíssemos realizar essa travessia menos por sua relevância que pela necessidade de delimitação de nosso objeto. A frustração de não tê-las explorado aqui é alentada pela possibilidade de trabalhos futuros, nossos ou de outrem. Entre elas, destacamos informações de caráter estatístico relacionadas à frequência de uso dessas estruturas – fator que, embora não constitua critério definitório, contribui para a caracterização geral do fenômeno. O problema que mais fortemente se impôs à pretensão de aferir a frequência de ocorrência das CPB a partir de tratamento estatístico foi de caráter metodológico: como e a partir de que parâmetros estabelecer um limiar de frequência que conceda “cidadania” às estruturas colocacionais, validando/contestando as já aceitas e acrescentando as até então não reconhecidas como tal, visto que “a frequência é condicionada por diversos fatores, como o meio social, a situação,
as preferências pessoais etc.” (MESSELAAR, 1988 apud XATARA, s/d.)?. A aferição da frequência
sobraçada à tipologia semântica proposta por Tutin e Grossmann (2002) podem, ainda, instrumentalizar a marcação de graus de aderência no interior de um continuum cujas pontas seriam ocupadas por graus máximos de opacidade e transparência, no sentido de estabelecer o mínimo colocacional do PB - trabalho a ser desenvolvido juntamente com a linguística de corpus.
O estudo do fenômeno colocacional impõe muitos desafios de ordem interdisciplinar e não deve ser negligenciado fora dos estudos estritamente fraseológicos. A fraseodidática na perspectiva do PLE pode bem se servir de informações colocacionais para promover a inserção sistemática de colocações no material didático e em outros materiais utilizados para este fim. A lexicografia/lexicologia pode se valer de informações constantes do conjunto colocacional aqui reunido para lançar as bases teóricas para inserção de colocações em dicionários de língua geral; a elaboração de um dicionário especializado é também produto que pode ser extraído daqui, reorganizando-se as informações especificamente para este fim, podendo-se também atuar na frente do Tratamento Automático da Linguagem (TAL); o exercício contrastivo é também viabilizado com apoio do resultado de nosso trabalho e tem, no campo da tradução, sua utilidade mais cintilante, já que possibilita traduções mais fidedignas da língua de saída para a língua de chegada. Outra informação relevante a ser incorporada à descrição de nossos dados é a atribuição de âncora semântica a cada uma das ocorrências, estabelecendo-se campos semânticos entre os quais as colocações se
distribuem, momento em que as colocações especializadas seriam organizadas e, juntamente com Terminologia, modelizadas e direcionadas para suas áreas de atuação específica.
A construção de uma base de dados das colocações do português brasileiro não é trabalho que se encerra com a finalização desta tese. Ao contrário, constitui-se como um trabalho inaugural que inicia uma empresa cuja sustentação dar-se-á por meio do constante processo de (re)construção. Desde a validação das ocorrências candidatas até as taxinomias macro e microestruturais, bem como a reformulação do conceito do fenômeno colocacional, tudo é passível de constante revisão.
O horizonte colocacional está posto; o caminho é longo e sinuoso; o clima é nem sempre ameno; o sentimento é de andarilho. Por onde for quero ser seu par....
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