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Dokumentasjon av kompetanse

Del I Dokumentasjon av kompetanse – avgrensning og fokus

Kapittel 1 Begrepsdiskusjoner

1.2 Dokumentasjon av kompetanse

Segundo Hola & Pischedda (1993) liderar é algo culturalmente destinado aos homens, às mulheres são consideradas como não apropriadas para o exercício do poder e da política. A cultura patriarcal aloca as mulheres e as situações da vida cotidiana no âmbito privado e onde a política não pode e nem deve interferir, esquecendo que qualquer experiência humana é um fato político.

A fim de conhecer como as mulheres se reconhecem como lideranças, perguntamos as mulheres entrevistadas: Qual seu estilo de liderança? Defina suas características. E o que vimos nos depoimentos foi que as lideranças femininas mostraram um estilo de liderar muito peculiar que vai ao encontro do que podemos chamar de um estilo democrático e participativo.

Nas palavras das lideranças apareceram características muito próximas daquilo que Carreira et al. (2001), chamam de liderança transformadora. As mulheres se identificam como:

• “Mediadora. É trazer o máximo de pessoas possíveis para discutir e abrir

para o grupo. Quanto mais para discutir melhor, então eu me acho mais democrática”. (Ana);

• “Sou muito otimista, um pouco autoritária quando as coisas começam a

demorar muito a acontecer. De qualquer forma sinto que já aprendi bastante a ter uma postura mais democrática e participativa”. (Bárbara);

• “Democrática, eu tento pelo menos exercer a democracia apesar de tudo.

Escutar. É óbvio que eu sou muito teimosa, acho que qualquer liderança vai te dizer, quando eu tenho a minha opinião eu defendo, mas eu escuto sempre”. (Carla);

• Participativa, comprometida, no sentido de dar conta e de fazer aquilo que eu

assumo. Eu já amadureci muito, já cresci muito, nessa questão dessa coisa mais centralizadora, mais autoritária, lá na Comissão Pastoral da Terra a gente tem muita informação nesse sentido, de trabalhar essa questão, a gente trabalha muito essa questão da metodologia do trabalho popular, então eu tenho aprendido e crescido muito. Eu procuro melhorar muito os meus limites, trabalhar bastante. E agora como coordenadora estadual, responsável por todo um processo, eu tenho aprendido muito, e tenho percebido o processo de desenvolvimento que eu ainda passo, mas também tenho muita capacidade de pedir desculpa, de pedir perdão, não tenho dificuldade nem problema assim. Mas assim, eu sou atenciosa, acho importante a pessoa ser assim. (Camila);

• Procuro respeitar e ouvir as opiniões, acalmar as situações de conflito nas

divergências, procuro delegar (quando tem para quem) e proporcionar confraternização da comunidade e participar das reuniões do município. (Marcela).

As respostas mais comuns foram ao encontro do que Carreira et al. (2001) chama de liderança transformadora, ou seja, aquela liderança que incentiva a participação; reconhece e valoriza aqueles que têm conhecimento e domínio sobre questões específicas; motiva; delega poder e responsabilidades; é acolhedora, pessoal e direta; colabora - “pega junto” ao invés de mandar etc. E tudo isto sem deixar de ser firme e agressiva quando se faz necessário. Por outro lado é carismática porque sua autoridade é reconhecida e legitimada pelo seu carisma.

Outra pergunta feita às mulheres foi sobre as diferenças entre a liderança feminina e a masculina. A intenção era saber se elas viam distinção no modo de liderar de homens e mulheres, e quais eram estas elas.

A exceção de uma liderança, que ficou em dúvida e disse não saber se tinha diferença e que acreditava que o que diferia era a personalidade de cada pessoa, independente do sexo (Anelise), todas as outras entrevistadas disseram haver sim diferenças, e apontaram:

[...] os homens que eu convivo são mais centralistas, de “eu faço”, e não é “nós vamos fazer”, eles centralizam muito as questões para eles resolverem, e eu vejo que as mulheres ampliam mais, elas distribuem as responsabilidades. (Ana)

As mulheres são mais organizadas e persistentes. (Bárbara)

Eu acho que a mulher é mais humilde, e fazem muito mais, mais na prática do que na falação, nosso ex-presidente enchia o peito para dizer que era presidente, e daí você observa no [entidade], que quando a liderança é homem eles se acham, “eu sou presidente”, eles são muito grande, e na prática as mulheres fazem bem mais (Cátia).

Eu acho que o feminino é mais prática, os homens complicam um pouco, eu acho que tudo para eles é mais complicado, e a gente vai mais na praticidade. Uma é que ele já fica na posição de que ele manda, então se tu tem um presidente do conselho comunitário e uma diretoria ele vai ficar mandando nos outros, enquanto a mulher não, a mulher vai pegar junto, são poucos os homens que pegam juntos, não vou dizer que não existe, mas são poucos (Carla).

Liderança feminina procura mais agregar, "cuidar da casa", ouvir, marcar reunião para propor solução. A masculina já quer mais brigar, manifestar, discutir, fazer alarde, manifesto, faixas, jornal (Marcela).

E ainda, segundo elas, a afetividade comumente atribuída às mulheres interfere de modo positivo no exercício da liderança, nas palavras de Ana: “Eu acho que contribui,

porque a gente vê muitas vezes as coisas por um outro lado, tem mais jogo de cintura para discutir algumas questões que os homens são mais turrão, eu acho que ela contribui”. E

ainda segundo Camila: “Não sei. Afetar!? Afeta, mas não negativamente. Afeta no sentido de

que eu te falei, no aspecto positivo no sentido de ter um processo diferente, de ter mais essa sensibilidade, de ser mais conciliadora, mais mediadora. Então, às vezes, se ela se emociona, chora, eu não acho que isso seja uma coisa negativa, porque tem gente que fala ‘ah! Porque é emotiva e tal’, mas eu acho que esse é o nosso diferencial”.

Os relatos das mulheres vão ao encontro do que diz Carreira et al. (2001) sobre a nova maneira de ser, pensar e agir no mundo, denominada de novo paradigma. Segundo as autoras, as mulheres têm contribuído significativamente para este novo paradigma. “Características como flexibilidade, sensibilidade, intuição, capacidade para trabalhar em equipe e administrar a diversidade, além de dizer mais vezes ‘nós’, do que ‘eu’, estão em voga e assinalam,

segundo alguns estudiosos, um emergente estilo feminino de liderança” (CARREIRA et al., 2001, p. 43).

Ao que tudo indica, por meio dos depoimentos colhidos, as lideranças entrevistadas já se deram conta das vantagens de seu estilo de liderar e, portanto, vêem características como a afetividade de maneira positiva, capazes de contribuir e agregar, inaugurando um novo modo de liderar, mais adequado ao mundo atual. São características que fazem sim a diferença e confirmam que se trata de uma liderança transformadora!