-independent methods in a water sample from the River Woluve
3.2. Material and methods
3.3.5. Diversity indices
Os dados analisados foram extraídos prioritariamente das socializações feitas por todos os grupos participantes durante os dois seminários realizados no Curso de Férias, em Castanhal (Pa), em fevereiro de 2011. São falas e discursos que reproduzem raciocínios e argumentos construídos pelos cursistas.
A partir de ampla revisão bibliográfica, Parente (2012) destaca que a análise do discurso tem sido cada vez mais valorizada em pesquisas relacionadas ao ensino de ciências, em especial às práticas investigativas. Isso porque há o entendimento de que o engajamento dos estudantes em processos dialógicos e argumentativos favorece a produção do conhecimento científico.
Buscando responder à questão se/como os alunos do curso desenvolvem o padrão de raciocínio de Lawson, organizei a análise do material em duas etapas.
Na primeira, avalio a dinâmica das atividades desenvolvidas ao longo do curso, visando compreender o seu contexto geral e como este influencia na construção de raciocínios e na argumentação dos cursistas. Nesta etapa, faço uso de recortes (trechos) das duas socializações de todos os grupos (do G1 ao G12). Para isso, uso um quadro simples, indicando na primeira linha o grupo e a socialização de onde o recorte foi extraído (considerando que as socializações representam momentos diferentes vivenciados pelos participantes). Abaixo desse cabeçalho, registro o orador e o discurso. Há casos em que os recortes incluem diálogos (turnos de conversação), mas como a análise é do trecho inteiro e não de subtrechos, não vi necessidade de numerar esses turnos.
Na segunda etapa, analiso finalmente a questão do padrão de raciocínio. Para esse estudo, utilizei somente o material referente às socializações dos dois grupos que acompanhei, um de professores (G1) e um de alunos (G5). É aqui que recorro também ao material adicional gravado durante as atividades destes grupos.
O G1 fez três experimentos completos. O G5 fez quatro. Me debrucei sobre os dois primeiros problemas trabalhados por cada um desses grupos e o estudo se mostrou suficiente para me permitir tirar conclusões referentes à pergunta levantada. Considerei que analisar os demais problemas/experimentos redundaria em saturação dos dados, não acrescentando novas informações relevantes aos objetivos propostos.
Como o padrão de raciocínio descrito por Lawson só existe em função dos passos percorridos ao longo da pesquisa científica, primeiramente faço a identificação de quais desses passos os participantes seguem. Na sequência, considero se os cursistas, ao desenvolverem essas atividades, o fazem em conformidade com o padrão se / e / então / e ou mas / portanto.
Na figura 16 a seguir, apresento o esquema adotado nesta etapa de análise.
Figura 16 – Esquema de análise para o padrão de raciocínio dos grupos
Fonte: produzido com base em Lawson (2002, 2004)
Represento os passos do método hipotético-dedutivo que os participantes do Curso de Férias seguem a partir da identificação de falas denotando ações indicativas dessas etapas. Mas, como nem sempre os grupos relatam explicitamente a realização de determinado passo, lanço mão também de outros discursos ou da interpretação do contexto em que o experimento foi desenvolvido.
Este é um recurso válido, porque, como menciona Orlandi (2009), existe um discurso não-dito possível de ser “ouvido” naquilo que o sujeito torna manifesto no centexto geral da comunicação: no que ele já falou de outro modo, em outro momento ou lugar, e que constitui igualmente o sentido de suas palavras. A autora destaca que discurso é muito mais do que a fala, do que o verbalizado – “a incompletude é a condição da linguagem: nem os sujeitos nem os sentidos, logo, nem o discurso, já estão prontos e acabados” (ORLANDI, idem, p. 37).
Assim fundamentado, identifico esses discursos não-ditos também a partir das observações que fiz na condição de observador participante. Quando isso ocorre, o discurso subentendido é registrado no quadro de análise e devidamente justificado no comentário.
Para verificar a ocorrência do padrão de raciocínio se / e / então / e ou mas /
portanto, utilizo o recurso de construção de paráfrases, a exemplo do que Lawson
fez a partir dos relatos de Galileu e Alvarez (LAWSON, 2002, 2004).
De acordo com Hilgert (1995), a paráfrase é uma atividade linguística de reformulação textual, um enunciado que reconstroi outro anterior, mantendo com este uma relação de equivalência. Pode ser feita pelo próprio orador ou por um interlocutor. Quase sempre o objetivo é esclarecer, ampliar, ajustar ou ressignificar o que foi dito.
Também nesta abordagem sobre o padrão de raciocínio, vez por outra, será necessário usar o recurso da indicação de um discurso não-dito, mas que foi expresso de outra maneira ou em outro momento.
Antecedendo as análises referentes à produção de cada grupo, apresento o perfil dos membros, caracterizando a sua composição.
Para organizar os discursos analisados, uso quadros com os seguintes cabeçalhos.
Nº do
Recorte Discursos seguidos Passos
Nº do
Recorte Discursos padrão de raciocínio Paráfrase do A numeração à esquerda se mostrou necessária porque a análise se dá ponto a ponto, a partir de recortes do discurso. Não se trata, necessariamente, da ordem em que as falas aconteceram durante a socialização.
Na coluna à direita, está a correspondência dos discursos numerados com os passos seguidos ou padrão de raciocínio. E, na coluna central, apresento os trechos selecionados dos discursos.
Os recortes foram extraídos das duas socializações. Por isso, sempre ao final de cada quadro, indico que discursos são da primeira ou segunda socialização.
Priorizei usar só um recorte de fala para cada passo da pesquisa e para cada elemento do padrão de raciocínio, separando-os por linhas. Às vezes, precisei, porém, recorrer a recortes de socializações diferentes para uma mesma etapa. Neste caso, mantive-os em linhas separadas para poder informar a origem da fala.
Há recortes que são constituídos de diálogos e preferi não separá-los por turnos para manter a informação de que é um trecho de uma mesma socialização. A numeração, inclusive, ajuda a identificar que os discursos correspondem ao mesmo recorte, compondo uma unidade.
Os oradores foram assim identificados: professores e alunos cursistas são nominados com letras do alfabeto; professor-coordenador, monitores e observador- participante. Este último refere-se às minhas intervenções, quando apresento alguma informação necessária pra preencher uma lacuna dos discursos não verbalizados.
Além das falas, registro ainda gestos ou ações relevantes para o entendimento dos discursos, usando os seguintes sinais.
(...) - Indica a supressão de um trecho da fala do orador.
[ xxx ] - Texto entre colchetes corresponde à interpolação para indicar palavras ou frases usadas pelos sujeitos momentos antes do trecho em questão, ou ainda complementos necessários ao entendimento do discurso. ( xxx ) - Texto entre parênteses é usado para indicar o significado de certas
expressões usadas pelos participantes. Exemplo: fiozinho branco (nervo). E ainda para indicação de gestos e ações, neste caso com o texto em itálico.
Apresentada a metodologia, passo, no capítulo seguinte, à análise dos dados constituídos durante a fase empírica desta pesquisa.