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Neste estudo, buscou-se apreender as Representações Sociais que os egressos do Curso de Pedagogia da UFV têm sobre seus espaços de atuação, considerando o campo da educação formal e não formal. Levantar essa discussão foi necessário, tendo em vista as mudanças curriculares e formativas pelas quais os Cursos de Pedagogia estão passando, assim como novas demandas e nova configuração do perfil do pedagogo.

Através deste trabalho, pode-se compreender e esclarecer a trajetória pela qual passou o Curso de Pedagogia, identificando a relação entre as propostas da formação do pedagogo e as demandas da sociedade. Nesse contexto, observou-se que o espaço da educação não formal tem-se constituído em um novo campo de ação desse profissional. Entretanto, para o efetivo desempenho do pedagogo no mercado de trabalho é necessária uma formação inicial e continuada adequada às novas realidades que emergem.

Por meio da análise da trajetória histórica do Curso de Pedagogia, foi possível compreender que este, desde a sua criação, teve como foco a preparação de seus profissionais para atuarem na educação formal – escola, atendendo às necessidades e exigências de cada contexto social. A preocupação em preparar o pedagogo para atuar na educação não formal foi elucidada a partir da homologação das Diretrizes Curriculares para o Curso de Pedagogia (2006). Contudo, a mesma legislação normatiza, enfaticamente, a formação e atuação do pedagogo para a docência da

Educação Infantil e séries iniciais do Ensino Fundamental. O pedagogo imerso nesse contexto sente-se questionado quanto à sua profissão e identidade.

Nesse sentido, esta pesquisa buscou compreender as expectativas construídas pelos licenciados em relação ao Curso de Pedagogia; a atuação dos seus egressos nos espaços formais e não formais; a dinâmica do trabalho pedagógico que é desenvolvido; os saberes que são mobilizados e os desafios enfrentados.

O estudo empreendido apontou para algumas considerações finais, evidenciando vários aspectos envolvidos na formação e atuação do pedagogo no campo profissional. No tocante às expectativas construídas pelas licenciadas em relação ao Curso de Pedagogia, constatou-se que a escolha por essa área profissional não se deu inicialmente pelo interesse pela educação e, sim, por outros fatores, como ponto de corte baixo, fácil acesso à UFV, influência da família e oportunidade de emprego no mercado profissional. Identificou-se, no entanto, que ao longo de sua formação inicial as pedagogas foram construindo vínculos identitários com o curso, o que gerou maior interesse e consequente permanência na Pedagogia.

Um aspecto importante na constituição das representações das entrevistadas sobre a Pedagogia é a consensualidade, ao ancorarem suas construções na exemplificação de atividades pedagógicas e nas experiências consolidadas nos espaços diferenciados de atuação. Assim, seus saberes sobre esse campo epistemológico e disciplinar não se fundamentam em pressupostos teóricos e, sim, em experiências concretas que são desenvolvidas nos espaços pedagógicos.

Verificou-se que a atuação do pedagogo no espaço formal, elegendo a escola como campo de estudo, tem sido ressignificada no âmbito das experiências vividas pelos egressos, como: um espaço pedagógico cuja inserção é de fácil acesso e empregabilidade, embora não ofereça aos seus profissionais boas condições de trabalho e reconhecimento.

Em se tratando especificamente da inserção das pedagogas em áreas não escolares, priorizando como campo de estudo o hospital e a saúde mental, as egressas apontaram que essa inserção impõe limites, devido à precariedade e ausência, por parte dessas profissionais, de uma preparação

teórica e prática, na formação inicial oferecida pelo Curso de Pedagogia. Para as entrevistadas, os conhecimentos construídos provêm de suas experiências anteriores em outros projetos de extensão e estágios. Evidencia-se aqui uma modalidade de formação pedagógica que se constitui na experiência, aliada à prática e vivência do pedagogo. Considera-se ainda que a dinâmica do trabalho é permeada de relações sociais construídas coletivamente e que têm como público-alvo grupos diferenciados. Nessas situações de interação e desenvolvimento do trabalho pedagógico, são os educandos que direcionam as atividades e metodologias a serem adotadas, o que ocorre de forma diferenciada na escola, que tem a priori uma estrutura curricular definida.

Um ponto consensual entre as pedagogas que atuavam nos espaços formais e não formais, é que ambas admitiram estar despreparadas para atuar no mercado de trabalho. Ao expressarem suas atitudes, em relação ao processo de inserção nos espaços formais e não formais, as pedagogas afirmaram que esse veio acompanhado por incertezas e dificuldades em lidar com as demandas requeridas. A falta de experiência configura-se como um dos maiores desafios encontrados pelas pedagogas na realização do fazer pedagógico. Para elas, o Curso de Pedagogia deveria valorizar mais a prática e estimular os alunos a terem maior inserção em campos educativos diferenciados.

Para todas as entrevistadas, seja sua atuação em espaços formais e não formais, a experiência, tanto na modalidade da formação inicial (ressaltando a função dos estágios) quanto na modalidade da formação continuada (a prática e a vivência), assume a centralidade na formação do pedagogo. Argumentaram que o curso deveria exigir mais estágios de seus discentes, com maior integração da teoria com a prática. Uma demanda levantada pelas pedagogas que atuavam na educação não formal é a criação de disciplinas optativas que possam proporcionar essa preparação para a entrada nesses campos.

Objetivando compreender também neste estudo sobre as percepções, informações e atitudes das egressas em relação às DCNs, constatou-se em seus argumentos que elas parecem desconhecer as normatizações que

regulam a profissão a que exercem. Há um entendimento por delas de que o Curso de Pedagogia no qual se formaram está indo de encontro à legislação, ao propor a docência como eixo central da sua formação, reduzindo a formação do pedagogo à sala de aula. Há indicativos de que o Curso de Pedagogia no qual se formaram não lhes propiciou discussão sobre esse documento, bem como o seu Projeto Político-Pedagógico. Em face desse contexto, as egressas não deixam de reconhecer que as DCNs se constituem em um marco na história do Curso de Pedagogia, que vem ampliar a formação e atuação de seus profissionais para além dos espaços formais.

Diante das considerações apresentadas pelas entrevistadas, não se pode deixar de caracterizar a etapa do desenvolvimento profissional delas, como um dos elementos balizadores de seus argumentos, uma vez que as egressas apresentavam, em média, um ano de experiência profissional, o que por um lado viabilizou, nesta pesquisa, conhecer as implicações das DCNs na formação do pedagogo, mas que, no entanto, poderia explicar a centralidade atribuída à falta de experiência pelas egressas, no espaço de atuação pedagógica.

A experiência proporciona ao pedagogo o embasamento para atuar na profissão, integrando as situações de trabalho e gerando a identidade profissional. Observa-se que a formação do pedagogo tende, na esfera da formação inicial, a centrar-se na educação formal e na escola como espaço pedagógico de atuação profissional. Como há lacunas no que se refere à formação na modalidade da educação não formal, o pedagogo acaba por desconhecer suas reais possibilidades profissionais nos espaços emergentes do mercado de trabalho.

Enfim, como a sociedade está em constante mudança, os conhecimentos estão a todo o momento sendo construídos e reconstruídos, por isso as atuações e condições de trabalho do pedagogo se ampliam para âmbitos educacionais cada vez maiores. Dessa maneira, as pedagogas explicitaram uma indefinição quanto à sua identidade profissional: Quem é o pedagogo? Qual a sua função nas instituições educativas? Quais são os seus espaços de atuação no âmbito das instituições e organizações?

Através das análises das falas, há indicativos de que as entrevistadas estão passando por uma crise de identidade. No que se refere à formação do pedagogo, essa crise é histórica e pode ser identificada nas políticas educacionais, nos diferentes marcos históricos do curso e também nas Diretrizes Curriculares Nacionais.

Esse conflito de identidade por que estão passando as pedagogas entrevistadas pode ser observado, como visto anteriormente, no desconhecimento das DCNs, dos aportes legais que normatizam e definem a profissionalização do pedagogo e no reconhecimento, por parte das pedagogas, da ausência de uma preparação para atuarem nos diversos espaços pedagógicos, principalmente na escola enquanto espaço legitimado.

Também estão visíveis nas falas elementos sugestivos de que a crise está presente nas próprias funções desempenhadas pelo pedagogo dentro da escola, no argumento de que as atividades que esse profissional desempenha extrapolam suas funções e especificidades pedagógicas da profissão. A crise da identidade profissional do pedagogo parece refletir a procura de seus profissionais por outros espaços de atuação, tendo a escola como uma segunda opção de trabalho. A escolha pelos espaços da educação não formal se dá nem tanto em virtude de melhores condições salariais, mas de forma marcante pelo reconhecimento social.

Assim, evidencia-se que a identidade do pedagogo continua em processo de construção, juntamente com transformações e reconstruções dos Cursos de Pedagogia, confirmando que não há uma única direção na formação desses profissionais. Retoma-se aqui o questionamento sugestivo de Libâneo, com o qual foi iniciada a introdução deste trabalho “Que destino os educadores darão à pedagogia?”.