5. Metode
5.6 Diskusjon, valg av kriterier
A análise da atividade foi realizada por meio da utilização seqüencial de observações, questionário e grupo de confrontação.
3.3.3.1 Observações
As observações foram uma continuidade das que foram realizadas durante a análise da demanda e tarefa, contudo, com uma maior familiarização ao contexto e mais diálogo com os montadores. Os diálogos ocorreram de dois modos: primeiro por iniciativa do observador ao buscar o entendimento das ações, e segundo por iniciativa dos trabalhadores.
Cumpre salientar a importância da observação como um aprofundamento gradativo da comunicação com os sujeitos. Neste momento da pesquisa, houve uma forte iniciativa dos montadores em mostrar determinadas atividades.
As observações continuaram até que, novamente, todas as fases do ciclo de produção pudessem ser parcialmente observadas. O ciclo de produção, na ocasião, era de aproximadamente vinte e dois dias, dois turnos por dia.
Após o cumprimento das observações, com entendimento e registro fotográfico das atividades, os chapeadores montadores estruturais dos dois turnos foram reunidos, sendo-lhes detalhado o contexto e objetivo da etapa seguinte do estudo. Na reunião foram estabelecidas as bases para o procedimento de aplicação dos questionários e estabelecimento do grupo de confrontação.
3.3.3.2 Questionário
Foi aplicado um questionário a todos o montadores dos tanques frontais, totalizando 10 montadores (Apêndice 1). Foram considerados apenas os montadores
efetivamente alocados na unidade, trabalhadores ocasionalmente alocados não foram incluídos.
O questionário aplicado foi baseado em procedimento de avaliação e questionário de percepção utilizado por Bernardino et alii (1999). Foi avaliada ainda a percepção de desconforto e dor a partir de modelo utilizado por Corlett e Bishop (1976), representada em diagrama corporal com 26 regiões. A partir das ferramentas supra mencionadas, Secchin et alii. (2002) fizeram uma adequação ao contexto de montagem estrutural com inclusão de atividades próprias e ajuste de entendimento. O desconforto foi classificado quanto ao tipo em quatro dimensões de qualidade: sensação de peso, formigamento, agulhada e dor e, ainda, quanto à intensidade segundo escala analógico- visual. Foi indagado, qual era a atividade causadora do desconforto, o horário e a duração do desconforto.
O amplo entendimento da situação proporcionado por todo o processo de observação, caracterização e análise do posto de trabalho fundaram as condições para que o questionário fosse situado no contexto dependente. Um dos elementos personalizados foi uma ampla lista das tarefas reais executadas naquele grupo de produção específico. Este procedimento se fez importante por dois aspectos: permitiu uma associação entre contexto e desconforto e, acredita-se ter provido maior adesão pelo fato dos sujeitos identificarem um interlocutor que entende minimamente do contexto. As atividades foram relacionadas com diferentes variáveis como percepção como fisicamente cansativas ou fontes de tensão e nervosismo, associação com erros e acidentes, correlacionando com agravantes e atenuantes.
O trabalho no grupo de montagem foi interrompido para a explicação do estudo, do questionário e grupo de confrontação. Neste evento houve a participação de sujeitos dos dois turnos. Após a apresentação, todos sujeitos concordaram em participar do estudo e assinaram termo de consentimento livre e esclarecido. Os questionários foram preenchidos na presença do pesquisador. Eventualmente foram dadas explicações adicionais para esclarecimento.
Para Bernardino (2000) o critério de escolha da amostra não é numérico, pois a força da amostragem está mais presente no aprofundamento e abrangência da
compreensão da representação de um grupo social do que na generalização das informações. A validade da amostragem está na capacidade de focar o objeto em todas as suas dimensões. Para a autora, novas práticas que ensejem formas mais abrangentes e totalizadoras de aproximar-se da realidade devem estabelecer interfaces entre diversos corpos conceituais e metodológicos, numa perspectiva em que o quantitativo não se opõe ao qualitativo e os determinantes imediatos não são descontextualizados dos gerais e o saber teórico dos técnicos é disponibilizado para o conhecimento formado no cotidiano dos trabalhadores.
3.3.3.3 Grupo de confrontação
Os procedimentos para o grupo de confrontação foram objeto de discussão e pactuação com os sujeitos. Durante a reunião de aplicação do questionário, foi apresentado o propósito de formar um grupo para confrontação e validação dos dados até então coletados. Foi pactuada a forma de participação no grupo de confrontação, sendo escolhido o processo de eleição a ser realizado em outro momento, conduzido pelos sujeitos, sem a presença de quaisquer outros envolvidos.
Os dados obtidos nas etapas anteriores foram apresentados e discutidos com os representantes do chapeadores, deste modo a caracterização do processo produtivo, a organização do trabalho, a demanda posta, a AEPT, os resultados dos questionários foram confrontados com a representação construída pelos sujeitos. Esta abordagem foi semelhante à auto confrontação preconizada por Clot et alii. (2000), com a distinção de que neste estudo não foram utilizadas filmagens e sim os dados das etapas anteriores, como descrições, documentos e fotografias de contextos críticos identificados pelo ergonomista.
Ocorreram reuniões até que todas as temáticas surgidas tivessem sido alvo de debates e registro. Ao todo ocorreram três reuniões no período vespertino. As reuniões foram gravadas em meio magnético e posteriormente transcritas. Todo o procedimento foi pactuado e os representantes tiveram a liberdade de interferir no andamento dos trabalhos, inserir temas que julgassem pertinentes, suspender a gravação a qualquer momento e
retificar o material transcrito. Não foi solicitada suspensão da gravação ou retificação de teor.
As falas dos sujeitos foram transcritas, literalmente, por uma bolsista membro do grupo de pesquisa, as transcrições foram conferidas e eventualmente corrigidas pelo pesquisador. Em seguida foram classificadas de acordo com o tema abordado e sistematizadas segundo análise temática e Discurso do Sujeito Coletivo, nos termos propostos por Brandão (2002) e Lefrévre, Lefrévre, e Teixeira (2000). O resultado do grupo de confrontação foi restituído aos sujeitos para validação do construto final. Ocorreram erros de transcrição acarretados por variação na qualidade do áudio, os mesmos foram retificados.
O tratamento das falas requer do pesquisador um importante conhecimento e familiaridade com a situação e com os sujeitos, posto que, ao dizer de Thiolent (1997) o principal aspecto da alocação de trechos e temas não reside no procedimento técnico em si, mas sobretudo na qualidade da interpretação dos discursos. Os dados foram organizados segundo as figuras metodológicas de idéia central, expressões-chave e Discurso do Sujeito Coletivo -DSC (LEFRÉVRE, LEFRÉVRE, e TEIXEIRA, 2000).
A idéia central é uma afirmação que explicite o elemento essencial do conteúdo discursivo explicitado pelos sujeitos em seus depoimentos.
As expressões-chave são transcrições literais de trechos dos depoimentos que externem o conteúdo discursivo apreendido. Deste modo o leitor dispõe de fato discursivo-empírico que sustenta a pertinência da idéia central relacionada.
O discurso do sujeito coletivo é um discurso síntese, formado pela junção de idéias centrais e expressões-chave. A produção de um DSC tem início na extração de cada uma das idéias centrais e expressões-chave presentes em um discurso. Em seguida as idéias e expressões complementares são agrupadas em discurso síntese, o DSC.