• No results found

As necessidades especiais de usuários cegos, no que diz respeito à navegação na rede, exigem recursos diferentes daqueles direcionados aos usuários com baixa visão. Segundo Carvalho (2001) e Eberlin (2006), alguns desses recursos para as pessoas com deficiência visual são:

a) Ampliadores de tela de computador, que ampliam as informações disponíveis no computador.

b) Leitores de tela ou sintetizadores de voz, que são softwares que identificam e interpretam as informações exibidas na tela do monitor e repassam essas informações por meio de síntese de voz e que estabelecem um diálogo com o usuário por meio de aplicativos próprios, com voz humana gravada. Mais indicados para cegos.

c) Interfaces com tamanho de texto regulável e em alto contraste de cores.

d) Dispositivos de saída em Braille, indicados para cegos.

e) Reconhecedores de voz, os quais substituem o teclado pelo comando de voz, indicados para cegos.

f) Lupa eletrônica manual, que é um ampliador de vídeo portátil, semelhante a um mouse que transmite o texto ou imagem para a tela do computador.

Os recursos acima citados são produtos de tecnologia assistiva11 que auxiliam

os deficientes visuais no acesso à informação. Os leitores de tela ou sintetizadores

10 Informação disponível em: http://www.acessobrasil.org.br/CMS08/seo-atas-9.htm. Acesso em: 20 abr. 2013.

11

“Tecnologia Assistiva é uma área do conhecimento, de característica interdisciplinar, que engloba produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que dão mais autonomia, independência e qualidade de vida a pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida” Disponível em: http://www.brasil.gov.br/sobre/ciencia-e-tecnologia/desenvolvimento- sustentavel/tecnologia-assistiva. Acesso em: abrr. 2013.

de voz, utilizados por usuários cegos, são muito utilizados para a leitura de textos em meio digital.

Sonza (2008) divide as tecnologias em dois grupos: interfaces para usuários com baixa visão e interfaces para usuários cegos, levando em consideração que as necessidades de cada grupo são distintas.

Segundo a autora, para os usuários com baixa visão, a interface no hardware são a lupa eletrônica para TV ou a lupa eletrônica manual, que amplia imagens, e, no software, o Lentepro, que é um programa ampliador de telas desenvolvido pelo projeto Dosvox e o Magic.

Para os usuários cegos, as interfaces no hardware são as impressoras Braille, que imprime material em Braille, e o Thermoform, que copia material adaptado em alto relevo para que os usuários possam utilizar gráficos, mapas, desenhos. Outros recursos de hardware são: o Braille falado, que é um sistema portátil de armazenamento e processamento da informação, no qual a entrada dos dados é feita através de um teclado Braille de seis pontos e a saída é feita por meio de um sintetizador de voz; o terminal Braille (linha Braille), equipamento eletrônico ligado ao computador; e o Braille lite, assistente pessoal que funciona como um Palm pilot, com um caderno para tomar notas, um calendário e uma agenda. Os recursos de software são os leitores de tela com o Dosvox, que é uma interface especializada que se comunica com o usuário em português por meio de síntese de voz e disponibiliza um sistema completo incluindo edição de textos, jogos, browser para navegação na internet e utilitários. Outros leitores de tela são o Virtual vision, o Jaws, o NVDA (para ambiente Windows), o Orca (para Linux), o Voice Over (para Mac OS). E alguns exemplos de produtos de Tecnologia Assistiva para deficientes visuais são: o Open Book, o Lynx, o Sistema Letra, o Voice mail e o Braille Fácil. Esse último transcreve texto para Braille para posterior impressão (SONZA, 2008).

Segundo Sonza e Santarosa (2003), os programas mais utilizados no Brasil são o Jaws, o Dosvox, o Virtual Vision e o NVDA, e, para pessoas com baixa visão, o Magic e o LentePro.

Segundo as autoras, no mesmo artigo, o Dosvox12 é um sistema para microcomputadores da linha PC que se comunica com o usuário através de síntese de voz, viabilizando, deste modo, o uso de computadores por deficientes visuais,

12 As informações sobre o Dosvox foram retiradas de Sonza e Santarosa (2003) e do site http://intervox.nce.ufrj.br/dosvox/intro.htm, referenciados na lista de referências desta dissertação.

que adquirem, assim, um alto grau de independência no estudo e no trabalho. O sistema realiza a comunicação com o deficiente visual através de síntese de voz em Português, sendo que a síntese de textos pode ser configurada para outros idiomas. O que diferencia o Dosvox de outros sistemas voltados para uso por deficientes visuais é que, no Dosvox, a comunicação homem-máquina é muito mais simples e leva em conta as especificidades e limitações dessas pessoas. Ao invés de simplesmente ler o que está escrito na tela, o Dosvox estabelece um diálogo amigável, através de programas específicos e interfaces adaptativas. Isso o torna insuperável em qualidade e facilidade de uso para os usuários, que vêm no computador um meio de comunicação e acesso que deve ser o mais confortável e amigável possível. Grande parte das mensagens sonoras emitidas pelo Dosvox é feita em voz humana gravada. Isso significa que ele é um sistema com baixo índice de estresse para o usuário, mesmo com uso prolongado.

Ele é compatível com a maior parte dos sintetizadores de voz existentes, pois usa a interface padronizada SAPI (Speech Application Programming Interface), desenvolvida pela Microsoft, que permite a utilização do reconhecimento de voz (Speech Recognition) e a síntese de voz (Text To Speech – TTS) nas aplicações do Windows. Isso garante que o usuário pode adquirir no mercado os sistemas de síntese de fala mais modernos e mais próximos à voz humana, os quais emprestarão ao Dosvox uma excelente qualidade de leitura. O Dosvox também convive bem com outros programas de acesso para deficientes visuais (como Virtual Vision, Jaws, Window Bridge, Window-Eyes, ampliadores de tela, etc) que porventura estejam instalados na máquina do usuário.

Uma das importantes características desse sistema é que ele foi desenvolvido com tecnologia totalmente nacional, sendo o primeiro sistema comercial a sintetizar vocalmente textos genéricos na língua portuguesa. Tanto o software quanto o hardware são projetos originais, de baixa complexidade, e adequados a nossa realidade.

O Dosvox vem sendo desenvolvido desde 1993 pelo NCE - Núcleo de Computação Eletrônica da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) sob a coordenação do professor José Antônio dos Santos Borges. A idéia de desenvolver tal programa evoluiu a partir do trabalho de um aluno com deficiência visual, Marcelo Pimentel, que hoje é programador do NCE, que trabalha sob a orientação do Professor José Antônio Borges. Esse programa tem como limitação o fato de não ler

figuras, gráficos, tabelas, assim como todos os programas de voz que têm sido utilizados pelos deficientes visuais (UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO, 2002).

O Virtual Vision foi desenvolvido pela Micropower (empresa de Ribeirão Preto – SP). A primeira versão foi lançada em janeiro de 1998 e, em setembro de 1999, a versão 2.0. Sua última versão é a 7.0 de 2011. É uma aplicação da tecnologia de síntese de voz, um "leitor de telas" capaz de informar aos usuários quais os controles (botão, lista, menu,...) estão ativos em determinado momento. Pode ser adaptado em qualquer programa do Windows e ser utilizado inclusive para navegar na internet 13.

O Jaws (Job Access With Speech) é um Programa desenvolvido pela empresa norte-americana Henter-Joyce, pertencente ao grupo Freedom Scientific. O Jaws para Windows é um leitor de telas que permite facilmente o acesso ao computador a pessoas cegas ou amblíopes. Com o Jaws, qualquer usuário deficiente visual pode trabalhar tão ou mais rapidamente do que uma pessoa que veja normalmente, utilizando teclas de atalho. Estima-se que atualmente a quantidade de usuários deste programa esteja em torno de 50.000, espalhados por vários países. É um software de fácil utilização, eficiente, e a velocidade pode ser ajustável conforme o nível de cada usuário.

O Jaws trabalha em ambiente Windows, nas versões 95, 98, ME, NT, XP e 2000. Após sua instalação, que também é digitalizada, possibilita o uso da grande maioria dos aplicativos existentes para o ambiente Windows, como Office, internet Explorer, E-mail, Chat, Instant Messaging, entre outros, sem qualquer dificuldade. Adaptar-se é uma característica muito importante do Jaws para Windows, pois é um software versátil e que se adéqua a várias situações (SONZA; SANTAROSA, 2003).

Outro leitor de tela também muito utilizado é o NVDA, Non visual Desktop Access. Trata-se de um leitor que, por ser gratuito, facilita a sua disponibilidade. O acesso é aberto, sem custos adicionais e exorbitantes, e é licenciado de forma que qualquer pessoa pode contribuir para a melhoria e aperfeiçoamento deste, sendo possível adaptá-lo às necessidades específicas e redistribuí-lo, se for o caso (ULIANA, 2008).

Para pessoas com baixa visão, existem os ampliadores de tela Magic e o Lentepro. O Lentepro foi desenvolvido por meio do projeto Dosvox pelo NCE - Núcleo de Computação Eletrônica da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) para que pessoas com baixa visão possam utilizar o computador com conforto. O que aparece na tela é ampliado em uma janela, como se fosse uma lupa. O programa é simples de ser utilizado, tem várias alternativas de configuração e ocupa pouco espaço de memória. O Magic é um software ampliador de tela desenvolvido pela empresa Freedom Scientific (USA). Esse programa tem uma capacidade de ampliação de 2 a 16 vezes para ambiente Windows e todos os aplicativos compatíveis. Suas ferramentas permitem alteração de cores e contrastes, rastreamento do cursor ou do mouse, localização do foco do documento e personalização da área de tela antes e depois da ampliação. Permite leitura de tela pelo sintetizador de voz (SONZA; SANTAROSA, 2005).

Esses recursos estão ligados diretamente à usabilidade, à acessibilidade, à comunicabilidade e ao design emocional da informação, que são essenciais no acesso à informação, em meio digital, pelos usuários com deficiência visual.

Essa nova demanda desse grupo de usuários cria nas bibliotecas, digitais ou tradicionais, novos serviços e a necessidade de adaptação dos profissionais da informação para que estejam preparados para esses novos desafios.

3 CONTEXTO DA PESQUISA

O contexto dessa pesquisa se deu em uma biblioteca digital, a Biblioteca Digital e Sonora (BDS), destinada ao atendimento de pessoas com deficiência visual. A BDS foi criada pela Biblioteca Central da UnB em parceria com o Programa de Apoio às Pessoas com Necessidades Especiais (PPNE) e o Laboratório de Apoio ao Deficiente Visual (LDV), órgãos responsáveis pelo processo de inclusão na UnB.

Devido à relevância desses órgãos, serão descrits seu histórico e função na inclusão dos alunos com deficiência Universidade de Brasília.

3.1 PROGRAMA DE APOIO ÀS PESSOAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS