O alto curso do rio Madeira compreende a área do rio Beni-Mamoré à cidade de Porto Velho, e o seu médio curso de Porto Velho à foz do rio Manicoré. Além do próprio curso do rio Madeira foram identificados e pesquisados sítios em diversos afluentes da sua margem direita: rios Ipixuna-Marmelos, Aripuanã-Roosevelt, Ji- paraná e Jamarí.
As ocupações ceramistas no curso do Madeira são representadas pelas fases: Ribeirão, Pederneiras, Curequetê (de contato), Jaci-Paraná e Subtradição Jatuarana, ocupando o baixo alto Madeira e todo o médio curso do rio (mapa 6). A Subtradição Jatuarana é a única que possui cronologias absolutas.
A fase Ribeirão é representada por dois sítios, localizados no alto rio Madeira, junto à Cachoeira do Ribeirão, em ambas as margens (Brasil e Bolívia). A área dos sítios é delimitada por terra preta. A Pederneiras é representada por quatro sítios localizados no alto rio Madeira, junto aos diques marginais, de ambas as margens da Cachoeira das Pederneiras e margem esquerda das Cachoeiras do Paredão e 3 Irmãos. Na bacia do rio Abunã, encontra-se representada por mais dois sítios, no baixo curso do rio Abunã, junto aos diques marginais das margens esquerdas dos 3 Esses e Fortaleza do Abunã. A Curequetê é representada por dois sítios, no alto rio Madeira, pela margem direita, próximo a Cachoeira das Pederneiras, e pela margem esquerda a 3 quilômetros da Cachoeira 3 Irmãos. A fase Jaciparaná foi determinada a partir de 2 sítios arqueológicos, localizados no baixo rio Jaciparaná, nos diques marginais de rios e igarapés
A Subtradição Jatuarana estende-se desde a foz do Ji-paraná até as cachoeiras de Teotônio, já no alto curso do rio. Na porção inferior dos sítios apresenta características da Subtradição Guarita, como a maior popularidade de flanges e presença do acanalado. A decoração plástica, mais comum nos níveis inferiores também muda de freqüência, dando preferência aos tratamentos crômicos de superfície. Ocorre junto aos diques marginais, sobre interflúvios de terra-firme, aplanados, próximos de igarapés, lagos, igapós ou minas d’água, numa altura de 14 a 35 metros acima da estiagem máxima. A camada cultural geralmente apresenta terra preta, e a espessura desta pode oscilar de 55 a 210 centímetros.
As datas mais antigas destas ocupações são de 2.730+-75 AP no sítio RO-JP-01: Teotônio e 2.340+-90 AP no RO-PV-19: Igapó 1.
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Ribeirão areia e mica.
os vasilhames possuem formas simples, de tigelas rasas a vasos
globulares, de fundo arredondado e bordas introvertidas a verticais e
extrovertidas.
apenas um apresenta borda decorada pela técnica do ponteado-
arrastado, com motivos curvilíneos isométricos.
Pederneiras mineral. os vasilhames possuem
formas simples, de tigelas rasas a vasos de
gargalo, globulares e carenados, de pequenos
a médios (8 a 46cm).
incisão, com motivos curvilíneos, entre 4 e 8%.
Curequetê areia fina a
grossa.
os vasilhames apresentam formas simples, de tigelas rasas
a vasos globulares de boca ampla, de fundo arredondado e plano. As dimensões variam de pequenas a médias (12 a 46cm). sem decoração. Subtradição Jatuarana – Tradição Polícroma cariapé e carvão, cariapé, cariapé e caiuixí, cauixí e areia fina.
tigelas de planta simples circular a complexamente curvilíneas, rasas e profundas, contorno simples a composto, entre 10 e 36cm de diâmetro, com bordas
introvertidas ,diretas, extrovertidas e dobradas
tipo “prato”; raros assadores de 30 a 45cm de diâmetro, vasos rasos e profundos de planta circular, simples, globulares, hemisféricos, cilíndricos, carenados e compostos, de 9 a 56cm de diâmetro. E urnas funerárias antropomórficas de até 69cm de altura.
exciso raspado, inciso dupla linha e outros, ponteado, ponteado arrastado, ungulado, pinçado, serrungulado, acanalado fino, estampado, carimbado, com ou sem
engobo, monocromia, policromia, associados ou não a apliques zoomórficos, antropomórficos, flanges, alças, asas e outros. A decoração crômica, alem do engobo vermelho, compreende monocromias
sobre simples em positivo ou negativo, policromias sobre engobo
branco ou não, com as cores preta ou sépia escuro, marrom, magenta, vermelho, laranja, amarelo e creme,
combinadas, misturadas e associadas ou não com decoração
plástica. A decoração apresenta motivos em linhas, faixas e campos
curvilínos, geométricos, zoo e antropomorficos, combinados ou não
entre si.
Jaciparaná cariapé. vasos de formas simples,
com bordas diretas de introvertidas a extrovertidas, de tamanho pequeno a
médio (10 a 53cm)
sem decoração
Ainda existe uma ocorrência de um sítio com características peculiares, não filiado à quaisquer fases já mencionadas aqui. Trata-se do sítio RO-GM-8: Serra da Muralha (fig.8), localizado no alto rio Madeira, a sudoeste-oeste da Cachoeira das Pederneiras, cerca de 9 km pela margem esquerda do rio.
O sítio está situado sobre o alto de um imenso afloramento granítico, que sobressai a floresta em dezenas de metros, ocorrência geológica conhecida como piroca. O sítio consiste em uma muralha de pedra, de traçado circular e diâmetro de 388 m. A altura média da muralha é de 100 a 120 cm a largura do pacote de ocupação com 90 a 100 cm, e no parapeito de 75 a 90 cm. A matéria prima utilizada foram lajotas irregulares com cerca de 8 a 12 cm de espessura e não mais de 40 a 65 cm de eixo maior. Ao centro da área circundada pela muralha existe uma depressão natural, cerca de 7x10m, preenchida de terra arenosa até 1,7m de profundidade. No centro desta área, um corte revelou duas camadas de ocupação: a mais profunda, sem cerâmica e com algum material lítico, situada a 2.275 AP, e a mais recente, composta por cerâmica e lascas, situadas a 1.290 AP.
Fase/Tradição Tempero Formas Decoração
Serra da Muralha areia fina e média
Em oito fragmentos, nenhuma borda ou fundo foram encontrados. Estes representam os restos de um vaso globular de tamanho médio (38 cm).
Sem decoração