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Diskusjon: fjernmåling som arkeologisk registreringsmetode

Em seguida a Tabela 24 mostra a relação entre renda familiar e como os concluintes obtiveram informações sobre o curso de educação física.

Tabela 24

Renda familiar dos concluintes e informações sobre o curso de educação física.

n= número de respostas. Fonte: questionário. Informação Renda Por Jornais Por leitura de revistas

Por amigos que faziam o curso Pela Internet Total Até R$ 2.364 2 2 R$ 2.365 até R$4.728. 4 5 R$ 4.729 até R$ 6.304 1 2 1 3 Acima de R$ 6.305 4 2 6 Total 1 12 3 16

79 Conforme a Tabela 24, verificou-se que a maioria dos concluintes conseguiu informações sobre o curso de educação física com amigos ou conhecidos pertencentes à área ou por meio da internet. Diante disso, com base nos resultados das Tabelas 13, 14 e 24, podemos dizer que a renda familiar não foi determinante para ingressantes e concluintes conseguirem informações sobre o curso de educação física e, ao mesmo tempo, é possível destacar a influência do capital social para obter informações sobre a área.

Para entender essa relação, Bourdieu lembra que a existência de uma rede de relações não é um dado natural, nem mesmo um “dado social”, constituído de uma vez por todas e para sempre por um ato social de instituição (representado, no caso do grupo familiar, pela definição genealógica das relações de parentesco que é característica de uma formação social), mas o produto do trabalho de instauração e de manutenção que é necessário para produzir e reproduzir relações duráveis e úteis, aptas a proporcionar lucros materiais ou simbólicos. (BOURDIEU, 1998)

Outro dado interessante que corrobora com a situação acima descrita são as falas dos concluintes sobre a influência da escola na escolha pelo curso de educação física.

Quadro 22 - Qual é a influência da escola na sua escolha pelo curso de educação física?

A educação física sempre fez parte do meu estilo de vida...

Eu sempre fui atleta e joguei futebol por bastante tempo na minha vida... cheguei a jogar profissionalmente. Então eu acho que foi essa ligação com o esporte que me levou para a educação física, consegui transferir de certa forma o que gostava de fazer para a minha realidade de vida. (Márcia – concluinte pelo sistema universal)

De positivo da escola, eu acho que era o incentivo por parte dos professores de educação física de estar buscando conhecer uma coisa que não é bem reconhecida hoje em dia.

O profissional de educação física é reconhecido só por trabalhar em escolas ou por trabalhar em academia, mas infelizmente não tem valor o nosso conhecimento, então era um incentivo dela de saber que tinha mais alguém que queria fazer aquilo que ela estava fazendo, mas por parte dos outros professores teve professor que meio que fez cara feia quando soube que eu ia fazer educação física. (Isabel – concluinte pelo sistema universal)

Eu acho que teve uma grande influência, mas não só da escola... o ambiente fora da escola também, porque eu sempre fui envolvido com esportes e o que eu mais gostava na escola era a parte de educação física e eu estava sempre jogando e participando do time de futebol da escola... (Igor – concluinte pelo sistema universal)

80 Teve influência, mas por causa da prática de esportes... eu sempre pratiquei bastante esporte e sempre fui aberto a isso... e na educação física tinha futebol, handebol e outros esportes, mas eu discordava de muita coisa da aula de educação física porque era uma aula meio... tipo... que rebaixava um pouco o nível do curso, do que é a educação física...

Eu sempre gostei da educação física e fui mais pelo esporte, pela prática e pelo corpo humano... e ai a faculdade só ampliou e melhorou bastante o meu ponto de vista sobre a educação física. (Joaquim – concluinte pelo sistema universal)

Foi enorme, porque foi a escola que me fez gostar de exercício, de trabalhar em grupo e de praticar esportes.

(Thamires – concluinte pelo sistema universal)

Em relação as falas do Quadro 22 e os resultados da Tabela 24, as análises das respostas e dados permitem apontar a influência do capital social e a presença da escola na escolha pelo curso de educação física. Diante disso, torna-se necessário contextualizar a escola para entender a sua importância na transmissão do capital cultural. Nesse sentido, de acordo com Piotto (2009), nos termos de Bourdieu, ao lado da família, a escola é uma das principais instituições responsáveis pela transmissão do capital cultural e é, também, uma das principais contribuintes para a manutenção e perpetuação da estrutura social.

Vale ainda destacar nas entrevistas realizadas com os concluintes pelo sistema universal as falas dos estudantes sobre as informações que possuíam sobre o curso e a opinião dos discentes sobre a divisão do curso de educação física em duas graduações distintas, licenciatura e bacharelado, ver Quadros 23 e 24.

Quadro 23 - Quais são as informações que você possuía sobre a educação física? Então, quando ingressei eu já conhecia a proposta curricular da Unifesp...

A minha primeira opção era a USP devido a ligação do curso com o esporte... mas, depois de ter ingressado aqui comecei ver a educação física como um meio não medicamentoso de você tratar ou prevenir doenças e promover saúde.

Sobre o curso, eu sabia que o foco da educação física na Unifesp é a saúde e de forma geral utilizar o esporte e a atividade física, através de atividades lúdicas para promover a saúde e o bem-estar. (Márcia – concluinte pelo sistema universal)

Eram mais gerais!

Era de conhecimento das áreas que eu poderia trabalhar, mas depois que eu entrei na faculdade foi outra coisa... descobri muito mais coisa do que eu achava que era!

81 o tanto de coisa que a educação física tinha para oferecer e até acabei descobrindo muita coisa além do que eu achava. (Isabel – concluinte pelo sistema universal)

Bom... eu tinha que era um curso voltado para o aprendizado dos esportes e com o curso eu poderia aprender a montar um treinamento legal para uma pessoa, ser treinador ou professor de educação física e trabalhar com esportes. (Igor – concluinte pelo sistema universal)

Não sabia muita coisa sobre a educação física, eu sabia o popular, assim... fiz musculação um tempo e sempre fiz esporte e também lia sobre o assunto, então eu sabia umas coisas bem básicas... sabia outras coisas erradas que achava que sabia, mas que estava completamente diferente da verdade, mas sabia pouco do curso e procurei saber um pouco quando decidi fazer ENEM e descobri sobre a questão da interdisciplinaridade, de que era um curso integral, de que você tem algumas aulas junto com os outros cursos, mas é isso... sabia o básico. (Joaquim – concluinte pelo sistema universal)

O que eu sabia foi conversando com os meus professores do colégio, lendo na internet e em revistas.

Eu tinha como informação que o curso estudava o corpo humano, como ele funcionava, como o exercício funciona no corpo humano e como melhora. (Thamires – concluinte pelo sistema universal)

Quadro 24 - O que você acha da divisão do curso em licenciatura e bacharelado?

Acho importante, aqui o curso é bacharel voltado para a área da saúde, então tem uma subdivisão digamos assim... a gente tem aspectos pedagógicos, mas é muito pouco comparado com quem faz 2 ou 3 anos de licenciatura. (Márcia – concluinte pelo sistema universal)

Eu acho que tinha que estar tudo junto!

Acho que não tem como separar isso, porque tem muita coisa que a gente aprende na faculdade de parte biológica, só que quando a gente chega no mercado de trabalho falta alguma coisa, falta esse contato com aluno, didática de ensino, talvez seja uma coisa mais da experiência, mas eu acho que a licenciatura também poderia dar um respaldo por parte da faculdade...

Então, eu acho que são duas coisas que tinham que andar juntas, mesmo que o curso fosse para 5 ou 6 anos eu ficaria, por exemplo. (Isabel – concluinte pelo sistema universal)

Eu acho legal ter essa divisão, uma coisa que eu acho é que poderia ser melhor é todas as faculdades ter as duas opções... tipo a Unifesp só tem bacharelado, eu acho que poderia ter licenciatura também, não só bacharelado, porque as vezes você acaba passando só em uma faculdade que tem o bacharelado e você também quer a licenciatura e ai fica complicado, porque você já está numa faculdade e não vai largar mão daquela faculdade porque quer a licenciatura... você tem que fazer depois...

Então, eu acho uma divisão legal porque a pessoa pode escolher, mas eu acho que todas as faculdades deveriam ter tanto licenciatura como bacharelado. (Igor – concluinte pelo sistema universal)

82 Então...um pouco complexo, por exemplo, o nosso curso tem uma carga horária absurda, a maior do Brasil e tem curso de licenciatura e bacharelado que tem uma carga horária menor que a nossa, então eu não sei se os outros cursos não tem a carga horária necessária ou o nosso curso que tem demais, mas eu acho que na medida do possível bacharelado junto com licenciatura seria bom ou pelo menos ter uma extensão do curso para 5 ou 6 anos para fazer licenciatura dentro da faculdade ou até 5 anos porque nenhuma faculdade passa de 5 anos...

Então, eu acho que seria um pouco mais enriquecedor e contemplaria a vontade de algumas pessoas que tem vontade de fazer licenciatura e não vai para a Unifesp ou sai no meio da faculdade para outro lugar, mas eu acho que na medida do possível tinha que ter os dois, até porque a faculdade comporta essa carga horária.

(Joaquim – concluinte pelo sistema universal)

Eu acho interessante, mas por só ter bacharelado aqui na Unifesp isso acabou prejudicando um pouco a gente, eu vejo colegas já formados que acabam indo para alguma particular para completar com mais um ano de licenciatura pra conseguir o diploma, então eu acho que seria bom se aqui tivesse mais um ano para sair com os dois diplomas, mas ao mesmo tempo, é bom você poder escolher em qual área você quer seguir, se é bacharelado ou licenciatura. (Thamires – concluinte pelo sistema universal)

No que tange as informações que o estudante possuía sobre o curso de educação física, observou-se nas falas que a maioria dos entrevistados possuía poucas informações ou conhecimento sobre o curso antes do ingresso universitário. Sobre a divisão do curso em licenciatura e bacharelado, os concluintes entrevistados demonstraram insatisfação com a ausência do curso de licenciatura na Universidade Federal de São Paulo e, ao mesmo tempo, ponderaram a importância da presença da licenciatura na Universidade para o estudante obter os dois tipos de diplomas e ampliar as possibilidades de acesso ao mercado de trabalho, ou seja, pautado no conceito de capital cultural no estado institucionalizado, acreditamos que os concluintes entrevistados possuem consciência sobre a importância do diploma de licenciatura no campo de trabalho.

Apesar desta crítica dos concluintes sobre a ausência da licenciatura em educação física na Universidade Federal de São Paulo, também buscou-se descobrir nas entrevistas os motivos da escolha pela Universidade Federal de São Paulo.

Quadro 25 - Por que você escolheu o curso da Unifesp?

Então... é mais uma questão de opção, eu já estava fazendo 2 anos de cursinho e na verdade a minha ultima opção era a Unifesp por ter menos empatia com a grade, como eu já falei, tive uma trajetória bem presente de esporte na minha vida e por isso eu decidi prestar educação física e resolvi fazer na USP por causa da escola de educação física e esporte, mas eu não passei por causa de 1 ponto e para não ter que fazer o terceiro ano de cursinho e como eu tinha passado na Unifesp que ficava na praia e como eu sempre quis

83 morar na praia.

O único problema é que a Unifesp não oferecia alojamento ou moradia como a Ufscar ou a Unicamp, mesmo assim, eu tinha um pouco de vontade de morar em outro lugar e como eu não aguentava mais morar na casa dos meus pais com 21 anos...

Acho que foi mais ou menos isso que me fez escolher a Unifesp. (Márcia – concluinte pelo sistema universal)

Pela qualidade dos profissionais, pela cidade que investe muito em qualidade de vida... você pode ver que Santos é uma cidade que tem um número de pessoas idosas muito grande e mesmo assim você passa na praia a qualquer hora do dia tem gente fazendo exercício, então é um lugar que tem um investimento na área muito grande. (Isabel – concluinte pelo sistema universal)

Por ser uma Universidade federal, um dos lugares onde eu passei e ser fora de casa e como eu já queria morar fora de casa e viver sozinho durante o tempo de faculdade para aprender a me virar sozinho...

E também, eu acho que comparado aos outros currículos o fato da Unifesp ser voltada para a área da saúde é uma coisa muito nova na comparação com as outras faculdades e isso te abre outras oportunidades, além das que as outras faculdades já te oferecem. (Igor – concluinte pelo sistema universal)

Então... eu não queria fazer uma faculdade particular, porque eu achei que tinha que fazer uma coisa diferente...

Eu gosto de educação física, mas não para trabalhar em academia ou ficar fazendo uma coisa banal que um curso técnico possibilitaria e como hoje o nicho de academia é muito forte e como eu não sou muito fã disso e como eu queria fazer uma coisa diferente... ai, eu pensei... para ser diferente tem que ser uma pública e como tinha uma pública aqui em Santos...

E também, se fosse particular eu não faria educação física, porque eu queria uma coisa diferente, mesmo! Me formar em uma coisa um pouco diferente do comum e ai foi mais nesse sentido... além da qualidade ser diferente, a proposta da Unifesp também é um pouco diferente. (Joaquim – concluinte pelo sistema universal)

Eu passei em duas, aqui na Unifesp e na Ufscar, mas acabei optando pela Unifesp pelo que eu li que o curso era da área da saúde e não era só exercício físico em si ou modalidades esportivas, a Unifesp era a que oferecia uma atenção maior para a área da saúde. (Thamires – concluinte pelo sistema universal)

A partir das entrevistas realizadas, conforme Quadro 25, verificamos que a escolha pela Universidade Federal de São Paulo parece estar relacionada ao capital cultural incorporado e institucionalizado destes concluintes. Para entender essa escolha, é interessante retomar Bourdieu para explicar que a escolha pelo ensino, principalmente o ensino superior, possui relação com a necessidade de ascensão ou manutenção das posições econômicas, sociais e culturais alcançadas. Desse modo, busca-se com a utilização do conceito de capital cultural explicar como a origem familiar, trajetória social, educacional e bens culturais interferem nessa decisão. (BOURDIEU, 1998)

Sobre o capital cultural incorporado e institucionalizado. Segundo Bonamino et al. (2010), pautado na teoria de Bourdieu, o capital cultural, no seu estado incorporado, constitui o componente do contexto familiar que atua de forma mais marcante na definição do futuro

84 escolar da prole, uma vez que as referências culturais, os conhecimentos considerados apropriados e legítimos e o domínio maior ou menor da língua culta trazida de casa (herança familiar) facilitam o aprendizado dos conteúdos e dos códigos escolares, funcionando como uma ponte entre o mundo da família e o da escola e o capital cultural institucionalizado está relacionado com o grau de investimento na carreira escolar e ao retorno provável que se pode obter com o título escolar, notadamente no mercado de trabalho.

É preciso também ponderar nas análises das respostas a possibilidade de relacionar a escolha pela Universidade Federal de São Paulo com a busca por uma nova classificação ou reclassificação social. A partir das falas dos concluintes, acreditamos que a escolha pela Universidade Federal de São Paulo fundamenta-se no volume de capital cultural incorporado e institucionalizado e na busca por uma nova classificação ou reclassificação social, pois a maioria dos entrevistados justificaram a escolha pelo curso com base no reconhecimento acadêmico da Universidade.

Na Tabela 25, buscou-se relacionar a renda familiar dos concluintes com as suas perspectivas profissionais após terminar o curso de educação física.

Tabela 25

Renda familiar dos concluintes pelo sistema universal e a perspectiva profissional após terminar o curso de educação física.

Escolarização Renda Área saúde Área acadêmica Área esportes Área lutas Área dança Fazer licenciatura Não sabe Total Até R$ 2.364 1 1 1 3 R$ 2.365 até R$4.728. 4 1 1 1 7 R$ 4.729 até R$ 6.304 1 1 1 3 Acima de R$ 6.305 3 2 1 6 Total 4 8 2 1 1 1 2 19

nota: 3 sujeitos apresentaram interesses por três áreas distintas: (área de esportes/acadêmica); (área de dança/acadêmica) e (área da licenciatura/acadêmica).

n = número de respostas Fonte: questionário

Com base nos dados socioeconômicos analisados, conforme Tabela 25, verificou-se na maioria dos concluintes como perspectiva profissional o interesse pela área acadêmica. Ainda nesse contexto, em menor número encontramos o interesse pela área da saúde, pela área de esportes e pela área de dança ou lutas. Concordando com as informações acima mencionadas, nas entrevistas com concluintes, destaca-se, novamente, o interesse pela carreira acadêmica.

85 Quadro 26 - Quais são as suas expectativas após terminar o curso?

Então... os estágios que eu fiz aqui na Universidade me levaram para uma área mais educacional, assim trabalhar com crianças e ai entra um pouco da pedagogia que é a licenciatura que aqui não tem.

Penso em fazer mestrado ou uma pós em licenciatura ou até fazer a própria licenciatura em outra Universidade ou mesmo trabalhar nas instituições que faço estágio atualmente, isso me agrada bastante. Sei que em academia tradicional é uma das coisas que não gostaria de trabalhar, não é uma coisa que chama a minha atenção, mas mesmo assim pode ser uma possibilidade...(rs) (Márcia - concluinte pelo sistema universal)

Eu quero trabalhar na área, mas eu ainda não sei como... foi um leque tão grande para mim que me fez gostar de tanta coisa que eu nem decidi o que vou fazer do meu TCC.

Então... eu não sei se quero ir para o mestrado fazer pesquisa, se eu quero entrar no mercado de trabalho, não sei para onde eu quero ir...

Eu ainda estou passando por várias coisas para tentar descobrir alguma coisa que eu queira mais... (Isabel – concluinte pelo sistema universal)

Espero conseguir trabalhar na área, eu conheço gente que fez educação física e não trabalha com educação física... espero trabalhar na área e especialmente na área que eu quero que é futsal e treinamento de goleiros... Espero ser bem feliz trabalhando assim, fazendo mais cursos e pós-graduação. (Igor – concluinte pelo sistema universal)

Então... eu pretendo continuar estudando, aprendi a gostar de estudar, aprendi a gostar de pesquisar dentro da Universidade e por isso pretendo fazer inglês, viajar depois daqui e voltar para o mestrado. (Joaquim – concluinte pelo sistema universal)

Eu pretendo fazer mestrado ou trabalhar mesmo, mas quero mesmo é seguir para a área acadêmica.

(Thamires – concluinte pelo sistema universal)

Em relação à predominância do interesse pela carreira acadêmica, podemos apontar alguns pontos como possíveis responsáveis por essa estratégia. Primeiramente, parece que essa escolha possui relação com a busca por uma área com retorno financeiro e prestigio social. Nesse sentido, segundo Bourdieu (2013a):

Entre as informações constitutivas do capital cultural herdado, uma das mais precisas é o conhecimento prático ou erudito das flutuações desse mercado, ou seja, o sentido do investimento permite obter o melhor rendimento, no mercado escolar, do capital cultural herdado ou, no mercado de trabalho, do capital escolar; nesse caso, convém ter argucia para abandonar a tempo, por exemplo, os ramos de ensino ou as carreiras desvalorizadas para se orientar em direção aos ramos de ensino ou carreiras do futuro, em vez de agarrar-se aos valores escolares que, em um estado anterior do mercado, proporcionavam os mais elevados lucros. (p. 134)

86 Ainda de acordo com Bourdieu (1998), o agente toma suas decisões em função de um cálculo de lucros passíveis de serem assegurados pelos diferentes mercados, as práticas de uma classe determinada de agentes dependem não apenas da estrutura das chances teóricas médias de lucro, mas das chances especificamente ligadas a essa classe, isto é, da relação, em um momento dado do tempo, entre essa estrutura objetiva (cientificamente calculável) e a estrutura da distribuição das diferentes espécies de capital (capital econômico, capital cultural, capital social) entendidas, sob o prisma ora considerado, como instrumento de apropriação dessas chances.

Outro possível fator responsável por essa escolha é a influência do contato social e educacional construído durante a graduação. Nesse ponto, acreditamos que o concluinte, ao longo da trajetória universitária, pode ter modificado o seu volume de capital social e capital cultural, por meio de professores, amigos ou conhecidos e direcionou as suas perspectivas para a área acadêmica. E finalmente, o fato dos concluintes possuírem uma renda familiar média superior a R$ 4.728,00 também poderia explicar o interesse pela carreira acadêmica