5. Belønning i bedriften
5.3 Diskusjon
O conceito de Complexidade traz um avanço no campo das ciências sociais por reconhecer que os fenômenos são dinâmicos e admitem a interação de vários fatores que se influenciam mutuamente. Nenhum processo de desenvolvimento pode ser explicado meramente pelo investimento em um setor, mas pela conjugação de vários fatores que passam pela economia, pela liderança, pelo contexto externo e pela interação entre as pessoas, entre inúmeros outros fatores. A realidade é literalmente muito ‘complexa’ para ser analisada simplesmente numa relação binária de causa e efeito (input-output). São muitas causas e muitos efeitos que interagem o tempo todo. A complexidade é definida em situações em que existe incerteza sobre o que fazer porque tanto o conhecimento é insuficiente quanto os atores chaves estão em conflito considerável. Para Patton, o pensamento e mapeamento sistêmico oferecem uma alternativa para a modelagem linear lógica.
Uma diferença considerável na área de modelar a avaliação é que a avaliação mais complexa busca mapear a dinâmica e as interdependências e identificar as interconexões que surjam. A causalidade é baseada na detecção de padrões construída retrospectivamente a partir de observações. Deve-se esperar o inesperado, relações tanto lineares quanto não lineares, resultados intencionais e não intencionais, previstos e não previstos. Um modelo sistêmico para ele de um programa colocaria todos os elementos interligados, influenciando- se mutuamente. Por exemplo, em um determinado programa, supõe-se que o aumento da renda vai estimular a presença da criança na escola e aumentar as possibilidades de emprego
no futuro. Um modelo sistêmico e complexo considera que o aumento da renda estimula o emprego e o emprego influencia a presença da criança na escola e também o contrário, ou seja, há múltiplas interações que devem ser consideradas e mapeadas no momento de se fazer uma avaliação. Muitas vezes, os formadores de opinião tem muito mais influência no resultado de um programa do que simplesmente a execução das atividades de forma linear e isso precisa ser mapeado e considerado para identificar princípios e relações que possam ser melhoradas. O princípio é de que todos os fatores estão interligados e que indivíduos afetam organizações que afetam os valores de uma sociedade e vice-versa.
O campo da avaliação já vem incorporando conceitos de complexidade. Um obra apropriada para a presente discussão é de Michael Patton (2011), já mencionado anteriormente. Ele escreve um livro onde aplica conceitos de complexidade para aquilo que chama de ‘Avaliação de Desenvolvimento’. Para ele ‘Developmental evaluation’ é diferente de ‘Development evaluation’. O primeiro está associado a avaliação de contextos dinâmicos e mutáveis, onde tudo está mudando sempre e onde o avaliador contribui intensamente para o aperfeiçoamento organizacional. Já Development evaluation é avaliação que se dá de projetos de desenvolvimento em países que necessitam de algum tipo de assistência. Para ele, as abordagens tradicionais não se adequam a ambientes de turbulência, pois visam controlar e predizer. A ´Developmental evaluation´ a qual pode se assemelhar à ´development evaluation´ em termos de princípio de mudança e inovação, aceita a turbulência como a forma em que o mundo da inovação social se abre face à complexidade. Ela se adapta à realidade de uma dinâmica complexa não-linear ao invés de tentar impor ordem e certeza em um mundo desordenado e incerto. A mera transferência de conhecimento de um país a outro já implica em inovação. O negócio da CSS é inovação, é a mudança de realidade. Talvez esta posição seja um pouco extrema e um pouco de ordem seja necessário, mas é certo que modelos lineares e fechados não conseguem abarcar a complexidade das relações e resultados em um projeto de CSS que se dá essencialmente entre países que com frequência são instáveis.
Patton reafirma que não há uma única forma adequada de fazer uma avaliação. O desenho de uma avaliação particular depende das pessoas envolvidas e da situação em particular.
Os conceitos de complexidade que ele utiliza são:
Não-linearidade: diz respeito à sensibilidade às condições iniciais em que pequenas ações podem provocar grandes reações (em função da instabilidade e incerteza inicial). Captura também resultados não previstos e não intencionais.
Emergência: inovadores não podem determinar antes o que vai acontecer, assim, avaliadores não podem determinar com segurança o que medir. Precisam estar observando o que vai acontecer. Este constructo se aplica parcialmente à CSS técnica, onde a transferência de conhecimento é feita com base em experiências já testadas e bem sucedidas. A inovação se dá na transferência a um novo contexto. O constructo é válido para ajuda a capturar o que surge de forma não prevista. Subgrupos que denotam uma cultura própria também devem ser mapeados e observados, pois emergem padrões a partir da interação entre as pessoas.
Adaptabilidade: elementos e agentes que interagem se adaptam uns aos outros e ao ambiente em que estão; então o que surge é uma função da adaptação tanto entre os elementos que interagem e a resposta destes elementos dinâmicos ao meio.
Incerteza: a incerteza vem da turbulência no ambiente e os limites do conhecimento. Se há conhecimento suficiente sobre uma medida (e.g. eficácia de uma vacina), é muito mais fácil prever os resultados, mas se ambiente é instável e são muitos fatores afetando os resultados, a incerteza é parte do cenário.
Processo co-evolucionário: está relacionado ao resultado da co-participação entre avaliador, gestores do projeto e entre os membros da equipe entre si e com todos os envolvidos no sistema. O foco está na interação entre os atores relevantes que ´co- criam´ a realidade.
Não existe uma única metodologia associada a ´developmental evaluation´. A metodologia depende dos objetivos, do contexto, dos recursos disponíveis, dos atores envolvidos, enfim, de cada avaliação. Existe uma série de metodologias que podem servir de inspiração para uma determinada avaliação, mas elas terão sempre que ser adaptadas. A ´developmental evaluation´ é guiada por propósitos e relacionamentos e não por metodologias. Para Patton, é importante saber fazer perguntas. Algumas perguntas associadas à ´Developmental Evaluation´ são:
Qual é o entendimento inicial da situação?
Qual é a visão e os valores que vão guiar a inovação?
Quais são as condições iniciais e a natureza do ambiente em que a ação vai ocorrer?
O que é considerado que ´está funcionando´ e ´não está funcionando´ quando a iniciativa é desenvolvida e a inovação é aplicada?
Que critérios emergem para dizer qual é a diferença entre o que está funcionando e o que não está funcionando?
Que processos e resultados geram entusiasmo? Por que?
O que é inaceitável na medida em que as coisas acontecem?
Como o programa impacto o sistema afetado por sistemas maiores?
O que pode ser controlado e não controlado, previsto e não previsto, medido e não medido e como os inovadores respondem e ase adaptam ao que não pode ser controlado, previsto e medido?
Que inovações emergem que merecem mais implementação formal como programas pilotos prontos para avaliação formativa?
Para além destas perguntas mais gerais, existe uma metodologia que pode ser especialmente útil para a Cooperação Sul-Sul e que é o Outcome Mapping ou Mapeamento de Resultados, que tem por finalidade identificar a participação e a contribuição de cada ator. Como na CSS, as relações entre os atores são fundamentais para a promoção de um desenvolvimento mais sistêmico e parcerias mais estratégicas, o Outcome Mapping pode ser especialmente relevante.
Existem muitas formas de se levantar a contribuição de cada um, mas Patton menciona a ´Transformational Collaboration`. Existe todo um continuum de colaboração que parte desde ´networking´ (compartilhamento de informação e ideias), cooperação (ajudando membros distintos a atingir seus objetivos individuais e separados), coordenação (trabalhando separadamente para objetivos partilhados), colaboração (trabalhando juntos para um objetivo comum, mas mantendo recursos e responsabilidades separadas) a parceria (objetivos partilhados, decisões comuns, recursos comuns dentro de uma única entidade). Patton menciona Tom Wolff (2004) quando identifica 6 fatores de colaborações efetivas que deveriam ser monitorados: 1) Engajar um amplo espectro da comunidade; 2) Incentivar colaboração verdadeira como forma de troca; 3) Praticar democracia e promover cidadania e empoderamento ativo; 4) Empregar uma abordagem ecológica que constrói em cima dos aspectos fortes da comunidade; 5) Tomar ação ao abordar questões de mudança social e poder; 6) Alinhar os objetivos com o processo. Estas são questões especialmente relevantes para a CSS e especialmente no caso que se vai estudar da Cooperação entre Brasil e Guiné- Bissau na área de Registro Civil.
Outcome mapping foca em pessoas e organizações, desloca o foco da avaliação em produtos de um programa para mudanças em comportamentos, relações, ações e/ou atividades das pessoas e das organizações em que um programa de desenvolvimento ocorre (IDRC, 2011). Este conceito será mais explorado como uma forma de agregar valor à avaliação da CSS.