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A vitrina é um dos principais recursos da apresentação da externa da loja que mais estimulam consumidores a entrarem no estabelecimento comercial. Assim como outras ferramentas do visual merchandising, as funções das vitrinas evoluíram ao longo dos tempos, segundo Bailey (2014, p. 76):

Em termos históricos, as vitrinas das lojas eram criadas para possibilitar que os clientes vissem o que era oferecido pelo varejista antes de entrar na loja. No varejo moderno, esse espaço de venda, cheiro de conteúdo assume um contexto comercial bastante complexo. Vitrinas de lojas pode divertir, envolver e inspirar os consumidores, ajudando-os a construir uma associação e relação com a marca.

É através da vitrina que lojas e marcas comunicam seu estilo, sua variedade de produtos, seu posicionamento de preços e o perfil do seu público alvo. Além das referidas funções, as vitrinas devem atrair consumidores e despertar sua curiosidade e interesse através de narrativas e, para isso, segundo os autores Guindé et al. (2009, p. 184):

(...) deve se conformar a alguns princípios que visam testar tanto sua visibilidade como sua clareza: estar evidentemente perceptível, rapidamente legível, só apresentar, como em um anúncio publicitário, uma ideia por vez, apenas uma mensagem, prender a atenção do transeunte.

Segundo os autores Bailey (2014, p. 76), é possível identificar diferentes tipos de vitrinas planejadas de acordo com o tipo de varejo e estilo do estabelecimento comercial. Para cada um dos tipos identificados são utilizados recursos específicos de exposição comunicação dos produtos, segundo os referidos autores, são os seguintes tipos:

• Vitrina de fundo aberto: formato que permite uma maior interação dos transeuntes com o interior da loja, assim como dos consumidores com o ambiente externo. Vitrinas e ambiente interno devem apresentar conexão e sintonia com relação ao estilo da loja.

• Vitrina fundo fechado: formado muito utilizado por estabelecimentos comerciais mais tradicionais e por lojas de departamento. Possibilita a construção de narrativas temáticas através do uso de elementos decorativos e iluminação teatral.

• Vitrina de meio-fundo: formato que procura separar o ambiente interno da área de exposição da vitrina através de meias paredes ou elementos gráficos de decorativos.

• Vitrina de esquina: formato que possibilita a percepção da vitrina através de mais de um ângulo, frontal e lateral. A vitrina possui maior área de exposição, portanto dividindo o peso da importância entres as referidas áreas.

• Vitrina arcada: formato comumente percebido em galerias e espaços comerciais mais afastados da rua, “o observador precisa passar pela arcada e há a necessidade de se dar mais ênfase na montagem da visão lateral já que o fluxo de clientes é direcional”.

• Vitrina caixas: formato formado por “caixa display” regularmente utilizado por estabelecimentos comerciais de pequenos produtos como joias e óculos.

• Sem vitrina: formato que extingue a construção de uma vitrina para integrar a entrada do estabelecimento comercial com o ambiente interno comercial. É comum a utilização de alguns espaços estratégicos, do referido ambiente interno, como pontos de exposição de produtos ou vitrinas móveis. Formato comumente percebido em centros comerciais fechados, como os shopping centers.

A vitrina é considerada o cartão de visita de um estabelecimento comercial e tem a função de envolver e chamar a atenção de transeuntes, assim como comunicar sobre o estilo da loja. É importante perceber a vitrina como um meio de comunicação que deve, de forma clara e adequada, possibilitar o reconhecimento da variedade de produtos oferecidos pelo estabelecimento comercial, assim como possibilitar através do seu espaço a divulgação de promoções e de atendimento ao calendário comercial da sua região. As vitrinas são consideradas pelos consumidores importantes ferramentas de divulgação das tendências de comportamento consumo da atualidade, pois com a troca de informações, quase em tempo real, os profissionais de visual merchandising conseguem oferecer ao público alvo as novidades do mercado do varejo.

2.3.4. Apresentação interna da loja: atmosfera da loja

A apresentação interna de uma loja é constituída por um conjunto de alguns elementos, tais como decoração, mobiliário, iluminação, cores, música e outros, todos trabalhados em harmonia e integrados com a linguagem da apresentação externa. Segundo Parente (2000, p. 295):

Enquanto a apresentação externa da loja sinaliza o posicionamento do varejista e procura atrair o consumidor, a apresentação interna deverá envolver os clientes de forma harmônica e estimulante, reforçando os aspectos da atmosfera da loja. A apresentação interna e externa da loja devem, portanto, ser compatíveis e estar em harmonia.

utilização de recursos sensoriais, que buscam motivar as emoções que levam ao consumo são recorrentes na construção de ambientes de compra diferenciados e estimulantes. Conforme Guindé et al. (2009, p. 200), o “(...) princípio fundamental que domina na escolha do espaço do espaço interno da loja é elaborar uma ambientação, à qual se integra a variedade de produtos, destinada a suscitar emoção no consumidor e fazê-lo sonhar”.

É necessário compreender o planejamento de ambientes internos a partir dos aspectos que estimulem emoções e reações de consumo, no público alvo, em sinergia com a identidade da marca. Porém, existem tendências de elementos arquitetônicos e de design de interiores que, por uma questão de enquadramento mercadológico, exercem influência na elaboração de ambientes internos das lojas, buscando atender às expectativas estéticas dos consumidores. Segundo Guindé et al. (2009, p. 201):

(...) Os conceitos hightech em vigor nos anos 1980, por exemplo, se afastaram da ideia de busca da autenticidade, de calor e do desejo de dar segurança, registrada na década seguinte. A chegada do ano 2000 e seu cortejo de fantasmas de modernidade, completado com o retorno à atualidade dos grandes clássicos do design do século XX, trouxe de volta um hightech revisitado.(...)

A intenção de atender às expectativas dos consumidores pode ser percebida também, além comprometimento dos projetos de ambientes externos e internos com as tendências estéticas da atualidade, na construção da atmosfera de uma loja. Os elementos citados na figura XX são trabalhados em harmonia com a finalidade de exercer maior influência sobre o comportamento de consumo do público alvo e de compor a atmosfera da loja.

Com a introdução do conceito de atmosfera por Kotler (1973), os espaços comerciais passaram a ser vistos como ambientes que englobam aspectos tangíveis e intangíveis responsáveis pelo estímulo e manutenção do estado psicológico favorável ao consumo. Parente (2000, p. 294), ratifica o referido conceito apresentado afirmando que a “atmosfera deve ser entendida como o sentimento psicológico que o varejista desenvolve no consumidor quando ele visita a loja. É também entendida como a personalidade da loja (...)”.

O conjunto das ferramentas do visual merchandising presentes nos ambientes externos e internos constituem a atmosfera de um estabelecimento comercial, através da construção de mensagens quase subliminares, e são capazes de influenciar o consumidor de forma que o mesmo sinta-se parte integrante daquele ambiente de consumo.