Passamos agora a um pequeno recorte histórico da relação entre EUA e Israel que se constituiu em pano de fundo para o surgimento do AIPAC, e que, portanto, se articula com a base teórica exposta acima.
Quando se criou o Estado de Israel o mundo nos olhou [judeus] com admiração e simpatia. Aquilo foi maravilhoso, mas, sob a superfície do que se pode chamar, generalizando, de consciência nacional, instalou-se certa desorientação, um mal- estar. Ali se desintegraram os mecanismos de defesa que sempre mantiveram os judeus orientados no mundo, atentos aos riscos, capazes de sobreviver. Sentiram que algo estava errado, que as pistas que sempre os orientaram ao longo dos caminhos haviam deixado de funcionar. Se não-judeus elogiam judeus, ou dispõem-se a fazer alianças, algo deve estar errado. Deve haver algo de sinistro por trás disso. As coisas não são mais como sempre foram. E isso assusta.
Desde então temos trabalhado febrilmente para restabelecer o que conhecíamos como normalidade. Inconscientemente, fazemos o possível para voltar a ser odiados, para que possamos nos sentir em casa, em um ambiente conhecido.
Se há, pois, alguma conspiração, é nossa conspiração contra nós mesmos. Não vamos sossegar enquanto o mundo não voltar a ser antissemita, e sabemos como fazê-lo. (AVNERY, 2012, p. 54-55).
Nesse excerto pungente, o autor israelense aponta alguns motivos pelos quais Israel passou de bem-quisto, logo após o Holocausto, a odiado, posteriormente. Durante muito tempo, os judeus foram perseguidos na Europa cristã: vítimas de diásporas, confinamentos em guetos, leis discriminatórias e opressivas. Tanto que, com o tempo, os judeus acabaram desenvolvendo mecanismos de defesa mental e física, mecanismos de sobrevivência. Entretanto, após o Holocausto, tudo mudou drasticamente. O mundo passou a olhá-los de outra forma.
Samuel Feldberg (2008) expõe, nesse mesmo sentido, que o início da relação EUA – Israel, durante a administração Truman, foi influenciado por um forte componente
humanitário. O Presidente estadunidense acreditava, assim como exposto por Avnery (2012) acima, que o sofrimento e as perdas do Holocausto deveriam ser, de alguma forma, compensados.
No entanto, Feldberg acrescenta:
Curiosamente, o apoio de Truman à criação do Estado de Israel, baseado no princípio da autodeterminação, implica uma ‘aberração’, já que a maioria da população da Palestina na época era árabe, e o havia sido por vários séculos. Pode-se entender como equilibrador deste componente humanitário a necessidade de compensar o apoio soviético à partilha e a necessidade, percebida pelos EUA, de projetar a imagem de defensor do lado mais fraco na disputa. (FELDBERG, 2008, p. 202).
Por isso, é importante atentarmos agora um pouco para o contexto histórico em que nasceu o AIPAC. Isso nos auxilia a entender sua formação, seus desafios, suas facilidades, sua consolidação. Feldberg (2008) faz um breve resumo histórico objetivo sobre a ação dos EUA com relação a Israel desde a criação deste Estado (1947-1948) até a Guerra do kom Kippur (1973):
Os Estados Unidos tiveram participação vital na criação do Estado de Israel [1947- 1948], afastaram-se por dez anos, foram os responsáveis pela evacuação [do Egito] da península do Sinai em 1957 e se tornaram o principal aliado israelense na disputa com os países árabes alinhados com a União Soviética. A guerra de outubro de 1973 [kom Kippur] levou os Estados Unidos a uma posição preeminente no Oriente Médio, como a potência capaz de manipular as relações entre Israel e Egito, após o afastamento da União Soviética deste último. (FELDBERG, 2008, p. 20-21).
Ainda assim, com esse hiato inicial e algumas oscilações, o mesmo autor aponta para uma certa estabilidade na relação:
Ao longo dos anos abarcados por este estudo [1948-1973], podemos identificar variações extremas na identidade de interesses entre Israel e os Estados Unidos, embora se mantenha constante o compromisso norte-americano com a sobrevivência do estado israelense. (FELDBERG, 2008, p. 22).
No início da Guerra Fria, a URSS vinha ganhando forças; por seu aparato militar, era capaz de conquistar a Europa Ocidental – exceto a Inglaterra – e o Oriente Médio. Os EUA, por sua vez, poderiam investir contra os soviéticos nesses territórios; porém, os custos seriam muito maiores do que os benefícios. No tocante à Ásia, a situação se torna ainda mais difícil para os EUA, e, portanto, favorável à URSS (FELDBERG, 2008, p. 32). Em Berlim, o bloqueio da URSS, com o objetivo de pressionar o Ocidente a envolvê-la nas negociações sobre o controle da Alemanha Ocidental, força os EUA a tomarem uma posição mais clara e
negociar, pois, se não se posicionassem firmemente e não dialogassem, perderiam a Alemanha por completo. No ano de 1949, a Alemanha, junto com sua capital Berlim, ficou dividida entre República Federal da Alemanha (RFA) e República Democrática Alemã (RDA); esta, com capital em Berlim Oriental, sob o regime comunista da URSS, e aquela, com capital em Berlim Ocidental, como zona de influência dos EUA e aliados capitalistas (A DIVISÃO..., 2013).
Diversos acontecimentos mundiais nesse início de Guerra Fria “[...] levaram ao surgimento de uma atmosfera de crise nos Estados Unidos e à percepção de que o Ocidente estava perdendo sua batalha contra a ameaça comunista.” (FELDBERG, 2008, p. 34). As tensões que culminaram na Guerra da Coreia (1950-1953) a dividiram em duas, sendo a do sul apoiada pelos EUA e aliados, e a do norte, pela URSS e pela China. Na China sob Chiang Kai-shek, a fragmentação e a descentralização do poder central, e o consequente fortalecimento das autoridades provinciais, acabaram levando ao domínio comunista. Na Ásia, o Vietnã foi o “[...] principal foco de penetração soviética [...]” (FELDBERG, 2008, p. 33). A URSS apoiava o nacionalismo nativo, o que ocasionava o declínio do domínio do Ocidente e o impedimento a seu acesso aos recursos estratégicos na região, e, por conseguinte, impulsionava a expansão da influência comunista. A negociação se tornava cada vez mais difícil para os EUA. A URSS avançava em sua influência em países fora da chamada “cortina de ferro”, isto é, fora de sua área de influência mais contígua, adjacente. Mesmo a Europa Ocidental e o Oriente Médio se viam suscetíveis à influência soviética. Países-chave como Alemanha, Itália, França e Grécia eram alvos da URSS. Nesse contexto, os EUA criam a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), em 1949, no intuito de proteger a Europa Ocidental de uma invasão soviética (FELDBERG, 2008, p. 33-34).
É nesse contexto de tensões da Guerra Fria brevemente descrito que emerge nosso objeto principal: o AIPAC. É verdade que nem sempre o AIPAC foi a organização multimilionária e tão bem sucedida que é hoje. Isaiah Kenen – fundador e primeiro Diretor Executivo do AIPAC –, recebia, em 1954 – ano em que surgiu o AZCPA, o braço do AZC que foi o precursor do AIPAC –, um salário anual de US$ 13 mil. Isso era algo em torno de 20% do orçamento anual do AIPAC, que era então de cerca de US$ 65 mil (SOLOMON, 1993).
Algumas razões que dificultaram as finanças do AIPAC em seus primeiros anos foram: 1) que o AIPAC, para poder fazer lobby de acordo com a lei, não possui um status como isento de impostos, tendo que arcar com tais despesas; 2) os indivíduos abastados da comunidade judaica estadunidense optavam por apoiar outras organizações que eram isentas
de impostos e já mais consolidadas e confiáveis; e 3) os judeus estadunidenses acreditavam inicialmente que Israel é quem deveria subsidiar o AIPAC, já que a organização advoga diretamente os interesses desse país (SOLOMON, 1993).
No entanto, essa postura começou a mudar, de acordo com o contexto internacional histórico explicitado no início deste trabalho. O cenário da Guerra Fria no Oriente Médio, e mais especificamente o conflito árabe-israelense que ficou conhecido como Guerra dos Seis Dias (1967), foi o gatilho que impulsionou a mudança na visão da comunidade de judeus e outros cidadãos estadunidenses sobre Israel, e, consequentemente, sobre o AIPAC. Nesse conflito divisor de águas, a atitude para com o AIPAC mudou completamente. O apoio a Israel no governo e na sociedade dos EUA cresceu então de maneira bastante significativa, como foi explicitado no decorrer do trabalho.
Isso chegou a se reverter de tal forma que, atualmente, alguns judeus estadunidenses chegam até a enviar contribuições em dinheiro para os candidatos em Israel. É verdade que as eleições em Israel são diferentes das estadunidenses. Nos EUA, são empreitadas multimilionárias; enquanto em Israel, se dá um processo mais enxuto e regulamentado. Nos EUA, as maiores despesas que os candidatos enfrentam são as de divulgação na mídia. Já em Israel, o espaço dado na mídia é fornecido gratuitamente, em conformidade com o tamanho do Partido na eleição geral anterior. No contexto israelense, os Partidos são proibidos de utilizar seus próprios fundos para adquirir qualquer tempo adicional; e os fundos fornecidos pelo Estado para a campanha são usados também para quitar grande parte das demais despesas, ocasionando campanhas bem menos estrondosas (GUTTMAN, 2015).
Porém, um fato importante sobre Israel é que, assim como nos EUA, cidadãos estrangeiros não podem fazer doações em dinheiro a Partidos políticos. Desse modo, os cidadãos estadunidenses que almejem fazer doações a candidatos israelenses, só o podem fazer a candidatos específicos individualmente e nas eleições primárias – as eleições que ocorrem dentro do próprio Partido para ver quem vai concorrer na eleição geral –. Isso, para os poucos Partidos que fazem eleições primárias. Nessas eleições, os candidatos individuais lutam de todas as maneiras para conseguir o máximo de votos dos membros de seu Partido, para alcançar assim uma classificação alta na lista de candidatos que seu Partido envia para a eleição geral. Com efeito, a ascensão de um determinado candidato ao Knesset48 é decidida
48 Knesset é o nome dado ao parlamento israelense. Ele é constituído de apenas uma câmara legislativa, isto é, é unicameral, e, portanto, diferente do sistema bicameral dos EUA e do Brasil. Ele conta com 120 parlamentares eleitos para um mandato de quatro anos, e elege o governo e o presidente do país. Como característico do sistema parlamentarista, o presidente é o chefe de Estado, um cargo mais simbólico, e o primeiro-ministro é o chefe de governo, quem realmente toma as decisões. Porém, o primeiro-ministro não é eleito diretamente pelo cidadão, embora tenha se tentado fazer dessa forma algumas vezes – 1996, 1999 e 2001 –, sem muito sucesso.
por quantos assentos o Partido desse candidato ganha nas eleições gerais, e de quanto mais no topo da lista de seu Partidos tal candidato está (GUTTMAN, 2015).
Retomando, pois, um pouco do pano de fundo histórico, a relação entre EUA e Israel foi então se consolidando durante a segunda metade do século XX, no contexto da Guerra Fria. No âmbito econômico, um dos setores mais importantes dessa aliança, “A relação financeira entre Estados Unidos e Israel se tornou progressivamente integrada desde o Acordo de Livre-Comércio (ALC) bilateral de 1985, o primeiro ALC assinado pelos Estados Unidos.” (KOPP, 2014, tradução nossa; UNITED STATES OF AMERICA, 2015).
Um outro fato digno de nota na história do AIPAC, é que essa organização chegou a ser investigada pelo Federal Bureau of Investigation (FBI) [Serviço Federal de Investigação] nesse mesmo período, entre os anos de 1984 e 1987. A questão era a posse de documentos confidenciais do Office of the United States Trade Representative (USTR) [Câmara de Comércio dos Estados Unidos]49 por parte do AIPAC (FEDERAL BUREAU OF INVESTIGATION, 1986; SMITH, 2010; WEISS, 2015a).
Esses, dentre outros fatos, vistos no contexto histórico aclarado, nos ajudam a enxergar um pouco melhor o amplo escopo do poder de influência e da atuação do AIPAC na política estadunidense.
Com o fim da Guerra Fria, a aliança EUA – Israel, mesmo com algumas inflexões, parece continuar firme. Sobre essa aliança no período mais contemporâneo, Feldberg (2008) delineia o seguinte cenário:
A discussão está longe de esgotar-se; muitos alegam que a luta contra o terrorismo substituirá a contenção dos aliados radicais da URSS, mantendo a importância de Israel como aliado. Por outro lado, não faltam os que acreditam que Israel deveria adotar uma postura atômica declarada. O estrategista israelense Shai Feldman acredita que Israel deveria retirar-se dos territórios ocupados, declarando ao mesmo tempo sua capacidade nuclear e estabelecendo a fronteira de 1967 como seu ‘gatilho’ (FELDMAN50, 1997, p. 95). Enquanto isso não acontece, é provável que a política norte-americana até agora adotada, de garantir a supremacia militar
A eleição direta do primeiro-ministro não gerava governos estáveis, por nem sempre eleger alguém dos partidos que tinham maioria no parlamento. O primeiro-ministro é, então, indicado pelo presidente após consulta aos partidos políticos representados no Knesset. Geralmente, mas nem sempre, o primeiro-ministro pertence ao partido que possui o maior número de assentos no parlamento. É analisado se esse partido e candidato são os que têm mais chance de construir um governo estável. Se aprovado, tal partido recebe o mandato do presidente para formar um gabinete. Se esse partido consegue compor um gabinete que ganha confiança do Knesset, o chefe desse gabinete é eleito primeiro-ministro.
49 O USTR é um órgão criado, na estrutura do Poder Executivo, que funciona como um mediador entre interesses competidores no que tange a política comercial dos EUA, tanto no âmbito interno – entre o governo (burocracias) e instituições privadas ou indivíduos – quanto no internacional – entre países (CINTRA; PEREIRA, 2009, p. 154).
50 FELDMAN, Shai. Nuclear Proliferation and Arms Control in the Middle East. Cambridge, Mass.: MIT Press, 1997.
convencional israelense, continuará a contribuir para manter intacta a capacidade de dissuasão de Israel. (FELDBERG, 2008, p. 209).
Em outras palavras, Israel ainda continua sendo visto pelos EUA como um aliado estratégico no Oriente Médio, mesmo com a postura política menos conciliadora e mais irredutível de seu Primeiro-Ministro. E, nesse contexto, alguns estrategistas israelenses, como Feldman (1997 apud FELDBERG, 2008), advogam que Israel deveria, ao mesmo tempo em que retira-se dos territórios da Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental – os territórios ocupados –, asseverar sua capacidade nuclear como um “gatilho”, um instrumento de dissuasão contra qualquer investida que buscasse ameaçar suas fronteiras oficiais de antes da Guerra dos Seis Dias (1967).
Bem recentemente, no mês de dezembro de 2014, passaram no Congresso dos EUA duas leis que explicitam que a aliança entre EUA e Israel permanece forte – mesmo com as últimas turbulências entre Obama e Netanyahu –, bem como a influência do AIPAC na política externa estadunidense (AIPAC, 2014c).
A primeira dessas leis foi aprovada no Congresso no dia 3 de dezembro de 2014, e ficou conhecida como United States-Israel Strategic Partnership Act of 2014 [Ato de Parceria Estratégica entre Estados Unidos e Israel de 2014] (UNITED STATES OF AMERICA, 2013). A proposta foi introduzida pela Representante Republicana Ileana Ros-Lehtinen51, do estado da Flórida, em 4 de março de 2013. A maioria dos que votaram a favor são, como Ros- Lehtinen, Republicanos, que são atualmente – 2014-2015 – a maioria na Câmara dos Representantes. Foram 223 Republicanos e 187 Democratas a favor. Sete Republicanos e doze Democratas se abstiveram. E houve apenas um voto contrário. E foi de um Republicano: Thomas Massie52, do estado de Kentucky (UNITED STATES OF AMERICA, 2014i).
Essa lei figura entre as iniciativas mais amplas e decisivas que o lobby pró-Israel apoiou no biênio 2013-2014. Dentro desse lobby, o AIPAC foi o principal grupo responsável por incentivar e aclamar publicamente esse ato entre os congressistas, e a encorajar que os cidadãos exercessem uma pressão em seus congressistas para assinarem esse documento.
Nesse documento, Israel é formalmente reconhecido como um “importante parceiro estratégico” pelos EUA; reconhecimento esse, não concedido em lei a nenhum outro país. As
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Ros-Lehtinen teve presença confirmada para discursar na conferência política anual do AIPAC que se deu nos três primeiros dias de março de 2015 (AIPAC, 2015b). Essa Representante apresenta um histórico de várias ações pró-Israel no Congresso e de grandes contribuições financeiras recebidas de PACs pró-Israel.
52 Massie já tem algumas outras posturas que contrariam a maioria dos outros congressistas. Por exemplo, votou contra a proposta presidencial de intervenção dos EUA na Síria, no armamento e treinamento de insurgentes contra o governo sírio. Ele afirmou que, na luta contra o “Estado Islâmico” – grupo que surgiu no Iraque, mas tem também atuado de maneira pungente na Síria –, atacar o governo do país, teria poucos efeitos positivos (CONGRESSMAN THOMAS MASSIE, 2014).
três principais medidas decididas nessa proposta são: 1) autorização do desenvolvimento de equipamentos militares estadunidenses adicionais em Israel para serem usados em tempos de crises; 2) israelenses não necessitam mais de visto para viajarem aos EUA (Visa Waiver Program); e 3) criação de um quadro para expandir a cooperação em setores estratégicos como energia, segurança cibernética, agricultura, água e segurança nacional.
No tocante à segunda medida pró-Israel aprovada no Congresso nesse mesmo mês, no dia 13 de dezembro de 2014, dez dias após a primeira, foi aprovado o Annual Spending Bill [Relatório de Despesas Anuais]. Esse documento visa estreitar ainda mais a relação entre os dois países e nele constam itens como:
a) US$ 3,1 bilhões em assistência dos EUA para a segurança nacional de Israel. Essa é a quantia total prometida em um documento de agosto de 2007 – Memorandum of Understanding [Memorando de Entendimento], que visava a auxiliar Israel a lidar com as eventuais ameaças à sua segurança (MEMORANDUM..., 2007)53;
b) US$ 619 milhões para o programa de defesa anti-mísseis dos EUA e de Israel, incluindo o Iron Dome [Cúpula de Ferro], The Arrow e Arrow II [A Seta ou A Flecha I e II], e David’s Sling [Funda de Davi];
c) fica requerido à administração submeter relatórios mensais ao Congresso das negociações sobre o Irã no âmbito do chamado P5+154, no intuito de fiscalizar o programa nuclear do Irã; e
d) fica restrito o fluxo de dinheiro à ANP, se essa continuar a recorrer à ONU para se tornar um Estado, e continuar sua aliança com o Hamas e seus incitamentos contra Israel (AIPAC, 2014c).
Bruck (2014) afirma que o AIPAC tem apresentado atualmente um decréscimo em seu poder de influência na política dos EUA. E isso pode ser constatado mais claramente no que tange à relação dos EUA com o Irã. O AIPAC tem buscado influenciar o Congresso dos EUA a intervir militarmente no Irã para deter seus avanços na tecnologia que pode ser usada para armamentos nucleares. Nesse mesmo contexto, o AIPAC busca esfriar as relações diplomáticas entre Washington e Teerã, ainda que sem grandes sucessos.
Nem tudo o que o AIPAC – como principal representante do lobby pró-Israel, e associado aos PACs pró-Israel – tentou, ele conseguiu. Citemos um exemplo de 2010: nas
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Para uma análise mais detalhada, conferir: SHARP, Jeremy M. U.S. Foreign AID to Israel. Congressional Research Service, Apr. 11th 2014. Disponível em: <http://www.fas.org/sgp/crs/mideast/RL33222.pdf>. Acesso em: 22 dez. 2014.
54 P5+1 é o grupo formado em 2006 pelos cinco países membros do Conselho de Segurança da ONU (EUA, China, França, Rússia, Reino Unido), adicionada a Alemanha, com o objetivo de efetuar negociações, estudos e fiscalizações sobre o programa nuclear do Irã.
eleições do Senado no estado de Kentucky, o último candidato que eles queriam que fosse eleito era Rand Paul. Esse candidato, apesar de algumas vezes formular projetos de lei que vão a favor de Israel, ele não o faz de maneira incondicional, isto é, a despeito da conduta de Israel estar equivocada e prejudicando a outros. Por isso, Paul tem sido visto pelo AIPAC como um político não tão vantajoso em ser apoiado. Olhando para alguns números, os PACs pró-Israel contribuíram com US$ 33.500 a Trey Grayson, oponente de Paul nas eleições primárias do Partido Republicano em Kentcky. Mesmo assim, Paul venceu as primárias. Não satisfeitos, os PACs pró-Israel contribuíram com US$ 16.250 ao candidato Democrata Jack Conway, que concorreu com Paul nas eleições gerais ao Senado por Kentucky. As contribuições desses PACs aos adversários de Paul chegaram a um total de quase US$ 50 mil, somando primárias e gerais. Paul, por sua vez, recebeu apenas US$ 2 mil de PACs pró-Israel, mas ainda assim venceu as eleições (McMAHON, 2014).55
Walt, contudo, afirmou em uma entrevista recente que o AIPAC, mesmo com esse declínio de influência, não pode ser negligenciado. O autor destaca que há outros grupos importantes que influenciam a política dos EUA para Israel, mas continua asseverando a proeminência do AIPAC. Walt cita um fato do presente para exemplificar essa influência que continua clara:
Apesar das diferenças e tensões – às vezes públicas – entre John Kerry e Benjamin Netanyahu, o apoio dos EUA a Israel nunca foi questionado. Nenhum político americano sonharia, por exemplo, ameaçar cortar os fundos disponibilizados anualmente para o governo de Israel (cerca de três bilhões de dólares), com o intuito de pressionar o país, e o que recebe em troca é uma atitude diferente por parte de Netanyahu. (MUCCI, 2014, tradução nossa).
De acordo Walt (MUCCI, 2014), duas mudanças principais ocorreram desde que ele e Mearsheimer escreveram seu polêmico artigo em 2006. A primeira é no que tange às críticas