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Analytiske sammendrag

4. Analyse

4.2. Analytiske sammendrag

Diante do exposto, parece logicamente estranha a ideia de que duas concepções teóricas distintas e com estruturas contrastantes – a de Mearsheimer e Walt e a de Chomsky, Achcar e Finkelstein – possam ser, ao mesmo tempo, verdadeiras e complementares. Pois, tecnicamente, se uma concepção é comprovada como verdadeira, a outra, se disser o contrário, deve ser falsa.

Nesse contexto, é de suma importância observar que não podemos tratar da mesma maneira um fato histórico e uma concepção teórica acerca desse fato. O primeiro é um dado empírico, que existe, que está lá; independentemente do que se diga a seu respeito, ele é um fato histórico objetivo. O segundo é uma tentativa de compreender o fato e de explicá-lo da maneira mais fiel e total possível, mediante a organização e a conexão causal de informações que são obtidas através de pesquisa. Não se pode tratar as duas coisas como se fossem uma só: fato e interpretação sobre o fato.

Por isso, gostaria de salientar que o que estamos buscando conciliar aqui são as duas visões teóricas sobre os fatos históricos da relação EUA – Israel, mais especificamente da influência do lobby nessa relação.

Já os fatos históricos, por sua vez, independem da relação de complementaridade que estou salientando entre as duas visões teóricas distintas levantadas. É fato que o lobby pró- Israel apresenta um poder de influência muito grande na política dos EUA. Mas também é fato que os EUA se valem de Israel para a concretização de seus interesses no Oriente Médio. Esses são fatos históricos que buscamos explicitar com alguns exemplos ao longo deste trabalho. E eles possuem articulações práticas que ultrapassam as lógicas das teorias que elencamos.

Os fatos estão dados. Mas as construções teóricas a respeito deles estão em um processo constante de confronto e diálogo, de desestruturação e de reestruturação, de reforma e de quebra de paradigmas. Com efeito, buscamos trazer as duas visões levantadas como opostas a um mesmo plano, de tal modo que elas possam ser vistas em conjunto. Isso nos

levou a uma formulação teórico-interpretativa de complementaridade, e não de exclusão, entre as duas visões teóricas sobre o tema.

Mas, então, como é possível harmonizar essas visões teóricas que estão claramente focalizando pontos diferentes, e que por isso parecem contraditórias? Nosso argumento é que, como construções teóricas, essas visões compreendem partes da verdade do fato como um todo. Assim, tais visões, que parecem contraditórias a princípio, podem ser vistas como complementares se ampliarmos nosso foco para olhar a questão de uma maneira mais holística. Em outras palavras, é possível delinear um novo foco de análise ao olharmos para as duas teorias conjuntamente. Separadamente, elas possuem focos distintos, mas, conjuntamente, um novo foco pode ser traçado.

Como bem se sabe, ao estudarmos um fato, é importante, além de atentarmos para o fato em si, observar as diferentes visões dos estudiosos que já trabalharam o fato. Cada um desses estudiosos traz consigo todo um arcabouço de conhecimento, de tal forma que é praticamente impossível chegar a uma análise totalmente idêntica à de outro pesquisador, principalmente nas ciências humanas. O fato que analisam é o mesmo. Mas sua interpretação sobre os fatos pode claramente divergir por darem ênfase em um ou outro aspecto. Com efeito, pode ser que, ao olharmos interpretações que focalizam pontos diferentes, quando colocamo-las em diálogo, obtenhamos, ao invés de desarmonia, uma maior riqueza de pormenores.

Sabendo das limitações de se usar uma ilustração simples para explicar um fato complexo, cremos que nesse ponto podemos nos valer desse instrumento como ferramenta útil para trabalharmos o tema. Vamos a um exemplo: em um curso de desenho, dois alunos enxergam um mesmo objeto. Porém, estão em ângulos diferentes, e, por isso, podem retratar o objeto de uma maneira mais ou menos diferente. Pode ser que os dois alunos, que buscaram retratar fielmente o mesmo objeto, façam desenhos diferentes, por mais métodos e escalas padronizadas que utilizem. Mas ambos não deixam de retratar o mesmo objeto. E o ponto a que queremos chegar é que, colocando esses desenhos lado a lado, podemos conhecer melhor os diversos ângulos do objeto retratado. Assim, ainda que estejamos tratando no âmbito da interpretação teórica do fato, podemos inferir que essa visão conjunta e mais ampla das teorias pode nos ajudar a compreender melhor o fato em análise.

O objeto analisado – a influência do lobby pró-Israel na política dos EUA – não está plenamente esgotado nas duas teorias selecionadas. Mas essas duas concepções sobre esse objeto, quando em conjunto, nos mostram mais fielmente o fato. E, olhando de uma maneira mais ampla, as concepções inicialmente controversas podem ser harmonizadas.

Nessa perspectiva teórica mais ampla, parece ser possível começarmos a entender como, simultaneamente, os EUA se valem de Israel para a promoção de seus interesses na região do Oriente Médio, e, ao mesmo tempo, Israel apresenta grande poder dentro dos EUA através do lobby, de grupos de interesse pró-Israel, e especialmente do AIPAC na política interna e externa estadunidense.

Lembrando que esses fatos não dependem da lógica dos autores; mas a lógica dos autores nos ajuda na busca pela compreensão desses fatos.

5.3 Uma sucinta recapitulação da relação EUA – Israel no tocante ao AIPAC: da Guerra