3. Plan estratégico para los próximos 5 años
3.6. Diseño, reforma y acondicionamiento del establecimiento
Terceiro Andrada a ter esse nome, Antônio Carlos68 nasceu a 5 de setembro de 1870, em Barbacena (MG), onde fez seus estudos primários e secundários — no primeiro caso, na escola pública de instrução primária que o governo provincial mantinha na cidade desde a primeira metade do século XIX; no segundo caso, no colégio Abílio do Rio de Janeiro, escola modelo da época instalada em Barbacena em 1881 (segundo Pereira,69 essa escola introduziu métodos pedagógicos que aboliram os castigos corporais em prol da crença de que, pela persuasão e pelo apelo à dignidade, seria possível plasmar cidadãos dignos de uma pátria
68 Seu pai se chamava Antônio Carlos Ribeiro de Andrada; sua mãe, Adelaide Feliciana de Lima Duarte. Casou-
se em 30 de outubro de 1899, com Julieta de Araujo Lima Guimarães, com quem teve cinco filhos — dois homens, três mulheres. Faleceu em 1º de janeiro de 1946.
69 Cf. P E R E I R A, Lígia Maria Leite; F A R I A, Maria Auxiliadora de. Presidente Antônio Carlos: um Andrada da
livre). No dizer de Pereira,70 à época Antônio Carlos já formava sua base democrática liberalista; mas foi na faculdade de Direito de São Paulo que desabrocharam sua vocação e seu desejo de participar da vida política até seus últimos. Nesse momento, a propaganda do movimento republicano era intensa, e Andrada — entusiasmado — entregou-se a seus ideais, participando ativamente do clube republicano acadêmico.
Foi promotor em Ubá (MG), secretário de Finanças do governo, secretário interino do Interior, da Agricultura e de Obras Públicas, bem como ministro da Fazenda, além de ter tidos vários mandatos como vereador, prefeito, senador estadual, deputado federal, deputado estadual, presidente de Minas Gerais e constituinte. Fora do âmbito político propriamente dito, trabalhou como jornalista, professor e advogado.
Sua família incluía pessoas de grande representatividade política, que se diziam imbuídas do ideal liberalista e democrático.
Antônio Carlos herdou nome ilustre de seus antepassados, tradição que tem raízes na Independência, se firma no Império e prossegue na República. Pelo lado paterno, Andrada, símbolo de liberdade: José Bonifácio de Andrada e Silva, o patriarca, que urdiu a trama da Independência, seu bisavô e tio-avô, ao lado dos irmãos, Antônio Carlos, o orador, e Martin Francisco, o tribuno e o financista da Independência. Pela linha materna descendia de José Aires Gomes, um dos participantes da Inconfidência Mineira.71
Ele não fugiu à tradição familiar, e seu nome — à época em que era vivo e até após sua morte — ecoou como o de um defensor do liberalismo, da política e do incentivo à cultura e educação. Eis o que diz Pereira:
Antônio Carlos abraçou com profunda convicção os princípios da liberal- democracia, próprios da elite do país em seu tempo. Pouco consensual entre os estudiosos quanto a sua definição, o liberalismo pode ser entendido como um sistema de pensamento fundado nos direitos e liberdades individuais: a liberdade política, de pensamento, de religião, de imprensa, de reunião. O liberalismo de Antônio Carlos acreditava no poder da opinião pública, aceitava o pluralismo de valores como algo positivo para toda a sociedade e afirma a importância da divergência, do debate e da crítica, rejeitando assim o ideal político de uniformidade, próprio do absolutismo. E tinha na participação como livre expressão e resultado das liberdades individuais o fundamento do ideal democrático.72
Como professor, manifestou preocupação com a educação (própria da sociedade republicana de então). Como político, começou a prestigiar a educação quando foi agente
70P E R E I R A; F A R I A, 1998. 71 Ibidem, p. 1.
executivo de Juiz de Fora, cuja gestão melhorou a educação da cidade com a criação de escolas; ele também participou da fundação, em 26 de janeiro de 1912, da Escola de Direito do Grambery, primeira da cidade e núcleo criador da Faculdade de Direito, além de se destacar na instalação da escola normal e na criação da Academia Mineira de Letras, em Juiz de Fora. Como candidato a presidência de Minas Gerais em 1926, apresentou seu plano de governo em Belo Horizonte, onde — diz Pereira73 — defendeu, tanto quanto possível, os princípios do liberalismo clássico, bem ao gosto da elite da época, e mostrou sua preocupação com o ensino escolar, dentre outras questões. Seu compromisso com a educação em todos os níveis era, decididamente, um dos temas mais expressivos de seu programa de governo.
Seu discurso foi considerado, a época, altamente modernizante. E nem era para menos. Antônio Carlos falava, entre outras coisas, da importância do voto livre e secreto e afirmava em termos de instrução pública o estado não deveria se contentar, em seus cursos, a ensinar a escrever, ler e contar. Era preciso mais. Nem que para isto tivesse de mudar os parâmetros pedagógicos e metodológicos que vigoravam nas escolas de Minas.74
Ao assumir o governo, demonstrou conhecimento da situação educacional precária. Então propôs melhorias, sobretudo nos níveis primário e normal. Como dissemos no capítulo 1, para Antônio Carlos o aprimoramento do ensino primário se relacionava diretamente com o progresso social e econômico; e desse princípio comungava seu secretário do Interior, Francisco Campos, encarregado desde logo de reformar o sistema educacional. O ápice desse governo no quesito mudanças na educação mineira foi a reforma educacional conhecida como Francisco Campos, em referência a seu responsável direto e mentor intelectual. No discurso dito liberal e modernizante de Andrada, a reforma mereceu destaque porque foi tida como inovadora; e seu pioneirismo foi sacramentado por dois regulamentos do ensino: um relativo ao primário; outro, às escolas normais — ambos aprovados pelos decretos 8.162, de 20 de janeiro de 1928, e 7.970–A, de 15 de outubro de 1927, respectivamente (vide QUADRO 8, p. 28). Esse projeto mostrava ser uma afirmação do discurso liberal de Andrada e Campos cujos pressupostos advinham do pensamento de John Dewey; pensador da educação para quem a maneira mais eficaz de romper o processo de crise seria reformular o ensino e formar novos agentes sociais aptos a respeitar — e fazer respeitar — os direitos individuais.
73P E R E I R A; F A R I A, 1998. 74 Ibidem, p. 264.
F I G U R A 1 – Fotografia oficial de Antônio Carlos de quando era
presidente de Minas Gerais75
Andrada se consolidou na presidência de Minas, mais claramente como líder da Aliança Liberal (AL) e da revolução de 1930. Mas seu governo não poderia ter sido tão expressivo sem a companhia de seu secretário do Interior e grande amigo, Francisco Campos.