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3. Discussion

3.1 Discussion of the results

Nesse encontro, pela ausência em vários encontros, chegamos à conclusão de que a Carina não voltaria mais para o grupo e como a participação é voluntária, achei por bem respeitar a posição dela, apesar de ter certeza de que ela precisaria muito discutir sobre os direitos e deveres, bem como a participação, o ouvir o outro, etc.

Acabamos de ver o documentário “O lutador”. Ao final, todos se manifestaram dizendo ter gostado muito. Apenas a Marta não assistiu. Ela estava com problemas com o horário do ônibus que usava para vir do município vizinho no qual residia. O Quadro 8 resume as manifestações dos participantes sobre o filme.

Quadro 8: Manifestações sobre o documentário.

Marcelo As pessoas têm que lutar por aquilo que querem. Não podem desistir nunca. Se

desistir, não consegue nada. Se você não desistir, você consegue.

José Eu gostei do filme, a gente tem que ajudar os outros.

Sonia Se a gente batalha, a gente pode conseguir as coisas igual a ele(referindo-se à personagem do filme).

Sueli O importante é não desistir.

Eduardo O importante é não largar o que a gente quer. O importante é ir atrás. Ana Eu achei muito bom. Gostei bastante e acho que vai ser muito bom para nós André É possível.

Carlos Eu achei muito importante. Eu acho que ele é um batalhador porque para deficiente

nada é barreira, tudo o que ele faz a gente também pode a gente batalhar para fazer. Você viu como ele é hoje ? Eu gostei, muito legal. A gente também vai chegar lá um dia. Para Deus nada é impossível, se o deficiente quer tem que batalhar. Não pode falar ‘vou largar’. Tem que ir até o fim.

Marina Eu gostei muito porque ele não desistiu das coisas. Além do professor dele ajudar

ele, o que eu achei muito bonito. Mas o diretor não ajudou e ele vai ver um dia que ele estava errado.

A seguir, foram feitos comentários sobre equipamentos adaptados e as possíveis dificuldades encontradas por eles na utilização e no acesso aos mesmos, sendo levantadas as questões:

♦ Como as coisas poderiam ser colocadas com um pouco mais de facilidade?

♦ Quem é o responsável por estar mostrando a importância dessas coisas (recursos de tecnologia assistiva)?

A Marina respondeu: A gente mesmo. A partir dessa resposta, estabeleceu-se uma discussão interessante, na qual foram sendo colocadas questões por mim (identificada como P) e que foram sendo respondidas pelos participantes. Esse diálogo está descrito no quadro abaixo.

Quadro 9 : Diálogo 1.

P - Eu que não uso equipamentos, tenho condições de julgar a importância de cada um desses equipamentos, eu sozinha?

Resposta com significado unânime: Não, claro que não. Precisa das pessoas que fazem uso desses equipamentos.

P - Até hoje, alguém chegou para vocês e perguntou o que vocês precisam? Resposta unânime: Não.

P - Por que vocês acham que isso acontece? Ana: Ninguém não gosta.

Marina: Ninguém se preocupa.

P - Essa iniciativa de buscar equipamentos e mostrar a necessidade tem que partir de quem?

Eles: Da gente. A gente tem que aprender a buscar coisas no lugar certo.

P - Todos vocês estudaram e estudam em uma escola especial. Vocês acham que teria sido diferente se vocês tivessem estudado em uma escola comum, onde as necessidades surgissem de uma outra forma?

Ana: Seria a mesma coisa.

Marcelo: Eu vou estudar a noite. Vou ter um pouco de dificuldade, mas nada é impossível.

Marcelo: Não tem escadas. É tudo baixinho.

P (dirigindo-se a todos) - Será que se tivesse escadas o Marcelo ia conseguir estudar lá no segundo andar ?

Resposta unânime: Não.

P - O fato de ter escada seria um motivo para ele desistir? Resposta unânime: Não.

P - O que ele teria que fazer?

Resposta com significado unânime: Tentar até conseguir ou mudar a sala para baixo ou colocar rampas.

Ana: Na rua tem buraco, a árvore da frente da escola.34

Carlos relatou as dificuldades que encontrou para consultar um oculista, cujo consultório ficava no 2º andar de um prédio, o que o obrigava a pedir ajuda para subir no colo de outra pessoa. Ele contou que uma policial da guarda municipal que fazia a vigilância do prédio o ajudava, uma vez que a mãe já não conseguia, tendo inclusive já acontecido um acidente. Vitor é grande, um homem, pesado e tem consciência do perigo e da humilhação de ser carregado no colo.

A partir dessas discussões, foram feitos alguns esclarecimentos sobre as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas, especialmente no que diz respeito à obrigatoriedade de rampas e construções adaptadas. Todos ouviram com muita atenção, profundamente interessados nas informações, concordando ou discordando.

Foi colocada a questão: caso não houvesse a necessidade, as pessoas iriam

34 Nas calçadas que circundam a escola especial estão plantadas várias árvores que produzem

sementes no formato de bolinhas que caem no chão e ficam espalhadas. Muitos falaram que já caíram ao pisar na semente, que já levaram bolinhas na cabeça .

perceber a importância desses equipamentos e adaptações?

Eduardo questionou o fato de alguns alunos da instituição, usuários de cadeiras de rodas e com grande comprometimento físico terem ido para uma escola regular. Questionou a validade e a necessidade desse processo, bem como sua evolução.

A partir do que ele colocou, procurou-se mostrar o caminhar dessa inclusão escolar, informando as modificações que esses alunos trouxeram para a escola em termos de modificar o ambiente. O quadro abaixo descreve essa passagem.

Quadro 10 : Diálogo 2.

P - Se eles nunca tivessem ido, será que essas modificações iriam acontecer naquela escola?.

Marina: Não.

Eduardo: Mas como na escola especial já tem tudo adaptado, não é melhor trazer a escola lá de fora aqui para dentro ?

A pergunta foi colocada para o grupo. Eduardo ainda acrescentou: a escola

especial deveria ser como a escola regular, isto é, ter os equipamentos especiais, mas ter o ensino igual ao de lá – de 1ª a 8ª série e o colegial. Então, ao invés de sair, as pessoas ficariam, mas teriam as mesmas oportunidades de estudo.

Marina: Eu não concordo, porque se a gente não for, as pessoas não vão saber o que nós precisamos.

Eduardo: Mas lá é mais difícil.

José: O importante é divulgar o trabalho, para as pessoas conhecerem.

P - Será que não seria melhor que ambas as escolas estivessem preparadas e que a própria pessoa pudesse escolher?

Eduardo disse que tentou o ensino lá fora, mas que não deu certo e eu questionei o que havia faltado.

A resposta veio da Marina, que concluiu que falta o deficiente falar para preparar a escola.

Quadro 11 : Diálogo 3.

Sonia disse: A gente vem para a escola para estudar, não para trabalhar. Eu

acho errado isso.

Alguns ainda questionaram:

Ana: Se a gente não for lá (na escola regular), as pessoas não conhecem. Eu fui para a escola regular. Eu não gostei de ficar na escola sem fazer nada.

Carlos: Se a gente não for lá ninguém conhece.

Fizemos uma avaliação de quanto tempo cada um deles estava na instituição sem conseguir um resultado mais efetivo no que tange à escolaridade. Parece que isso fica muito pesado para todos, pois têm plena consciência do tempo que “perderam” na instituição. Fica uma grande dúvida: será que se estivessem no ensino regular os resultados teriam sido diferentes ?

Houve um depoimento muito sério do Eduardo quanto a essa questão quando disse: Perdi 22 anos da minha vida. Eduardo, com 31 anos, freqüenta a escola especial desde os 9 anos, o que perfaz um total de 22 anos. Esse depoimento talvez reflita a importância e o papel social da escola, seja ela especializada ou regular, no que tange à aquisição dos conhecimentos ditos “acadêmicos”.

Comentários sobre o quinto encontro:

estejam melhor colocados, tanto na escolarização quanto na profissionalização, guardados dentro das paredes da escola especial, sem efetivar oportunidades de uma inclusão social mais ampla. Pergunto: será que transformar a escola especial em um espaço voltado para a profissionalização, realizando uma atividade complementar importante, não seria um caminho para a efetivação do conhecimento “útil” ? Será que ainda interessa a alguém a manutenção do espaço segregado, seja esse alguém um técnico, um familiar ou um usuário ?

6º ENCONTRO - TEMA: DIREITO AO TRANSPORTE ADAPTADO E AO