Da análise feita dos seis aglomerados, verifica-se que em todos os lugares, a habitação é a peça chave para toda a configuração e estruturação do aglomerado, que por si actua sobre o território, construindo-o e dando-lhe forma, ocupando de modo agrupado diferentes pontos da paisagem.
Os aglomerados todos eles procuraram assentar nos terrenos menos férteis para a construção deixando os solos aráveis e férteis para a agricultura: as culturas produzidas neste ambiente de serra são comuns entre as aldeias e as brandas. Cultiva-se o milho no vale, e a batata e o centeio nas brandas.
As aldeias tiram partido da posição geográfica de vale e encosta, enquanto as brandas, com excepção da branda de S. Bento do Cando, ocupam os planaltos da serra, a elevadas altitudes, com os campos de cultivo a toda a volta. Os lugares adaptaram a forma do espaço onde se implantaram.
As brandas são um complemento em altitude do lugar da aldeia. As tipologias e as formas de construir bem como os materiais empregues em todas as habitações foram os mesmos. Apenas garantiram uma variedade de formas, na disposição dos vãos ou das coberturas e no comprimento e altura das fachadas, embora a unidade base destas construções tenha sido a planta rectangular.
É privilegiada, em todos os lugares, a directa relação entre os edifícios e os espaços de cultivo. Nenhuma habitação excede os dois pisos, e a todas elas é comum o espaço da cozinha. A cozinha é o local mais importante da habitação. Em todas as cozinhas a lareira é obrigatória, e o espaço onde se reúne a família e confeccionam as refeições.
A divisão das funções habitar e corte para os animais é igual em todas as construções. Em todas elas distribui-se a corte no piso inferior e a habitação no piso superior. As unidades de habitação base apresentam todas elas, o pé direito demasiado baixo, e algumas pela topografia do terreno têm o pavimento abaixo da cota de soleira.
A escada fica encastrada na parede da fachada principal. Os muros que precedem as fachadas das habitações e das parcelas agrícolas são todos construídos com pedras irregulares de diferentes dimensões, desde blocos de granito de grandes
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dimensões até blocos de mais pequenos, mal aparelhados, e sem qualquer recurso a argamassas.
As habitações da branda e da aldeia têm a planta rectangular, com uma compartimentação interior rudimentar e uma qualidade de construção muito pobre. As paredes são feitas em blocos toscos de pedra irregular não aparelhados. As habitações variam entre um piso e os dois pisos. As funções da habitação são as mesmas em todas: função de abrigo dos habitantes e dos animais.
Nas construções de dois pisos, o acesso ao piso superior é feito através da escada de pedra exterior e encostada à fachada. A compartimentação interior é rudimentar, limitando-se à cozinha, quarto e sala, no piso inferior à corte e palheiro.
No que diz respeito à relação com o espaço público, a habitação dá directamente para o espaço público, sem intermediação de quinteiro. A geografia acidentada do território condicionou a criação de quinteiros à frente da habitação, partindo a escada que dá acesso ao piso superior directamente do caminho. A escada fica encastrada na parede da fachada principal e os muros que precedem as fachadas das habitações e das parcelas agrícolas são todos construídos com pedras irregulares de diferentes dimensões, desde blocos de granito de grandes dimensões até blocos de mais pequenos, mal aparelhados, e sem qualquer recurso a argamassas.
Nas habitações com pátio, a relação com o espaço público é conseguida através do portão aberto nos muros de pedra que delimitam a propriedade da habitação. As varandas são de pedra, observando-se umas encerradas, por grandes lajes de granito e por um tabique em madeira, onde foi aberta uma porta também ela em madeira. Nestes casos a varanda passou a ter a função de quarto. Nas varandas abertas, exibem-se pilares em granito que sustentam a estrutura alongada da cobertura. O espaço que fica abaixo da varanda mantém-se aberto para o acesso às cortes, tanto pelo dono da habitação, como pelos animais. A varanda é simultaneamente ponto de comunicação entre todos os compartimentos da habitação, como zona de estar e de trabalho.
Quanto às paredes, o granito foi o material mais utilizado na construção destas, tanto pelo interior como pelo exterior. As paredes junto ao solo foram feitas com pedras de maiores dimensões, que vão diminuindo em tamanho consoante foi crescendo a parede em altura. Às pedras de grandes dimensões sobrepuseram-se outras pedras de diferentes tamanhos alternando pedras miúdas com médias e com as grandes. Aos espaços intersticiais, em vez de argamassas, as juntas completaram-se com a adição de juntouros com a função de travar a parede e substituir qualquer tipo de argamassa.
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Nos aparelhos de pedra regular aparelhada a argamassa utilizada foi sempre a de barro, e os blocos de granito cortados e laminados de modo cuidado e dispostos em fiadas horizontais, sob o barro. As pedras dos lintéis, como as ombreiras, as padieiras e os cunhais são feitos de grandes pedras regulares e são as pedras maiores da construção. O aparelho visto pelo exterior é o mesmo visto pelo interior.
Na mesma parede encontram-se diferentes aparelhos, correspondendo a diferentes fases de construção, que se verificam sobretudo nas ampliações das fachadas. Observa-se em praticamente todas as habitações distintas fases de construção. Alguns foram preenchidos com pedras pequenas, e abertos outros, as paredes continuam depois dos cunhais, e a subida da cobertura com a colocação de novas pedras, de pequenas dimensões sobre os beirados existentes, construindo posteriormente um outro beirado em cima da nova camada de pedras. As coberturas são todas de duas águas, com telha de canudo e chapa de zinco, com guarda-ventos que anteriormente tinham sido construídos para protegerem a estrutura da cobertura de colmo dos ventos dominantes. Todas as coberturas apresentam pouca inclinação, facto que se deve também à colocação do colmo. A inclinação acentua perto do beirado. Observam-se ainda, pedras dispostas sobre as telhas, como forma de as manter seguras face aos ventos e às quedas de neve.
A estrutura do telhado é comum a todas as habitações. Estrutura em ripas horizontais e verticais de madeira que assentam sobre vigas também em madeira, e por peças em pedrada própria cobertura, como as cápeas e os beirados. Na maioria das habitações observam-se dois guarda-ventos por cobertura, colocados sob as cápeas das empenas.
Os pavimentos dos quartos e da sala são em tabuado de madeira disposto sobre vigas de madeira encastradas nas paredes no sentido contrário do tabuado. Na maioria das habitações, o vigamento dispõe-se ao longo do comprimento da fachada, isto é, as vigas assumem toda a distância da fachada mais comprida, enquanto ao tabuado corresponde a distância da largura paredes laterais. Na cozinha o pavimento é feito com grandes lajes de granito, ou é também em madeira, mas com a lareira elevada da cota do pavimento, sobre uma estrutura em granito. Nas cortes o pavimento é de terra batida, coberto muitas vezes por palha, que serve de cama para os animais e para fazer o estrume. Quanto às varandas, quando existentes, o pavimento destas é também ele em lajes de granito, podendo, no caso das encerradas o espaço de quarto ser pavimentado em soalho de madeira.
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Os vãos apresentam-se pelo modo tradicional de construir e feitos com os materiais locais. As portas e as janelas são todas em madeira de carvalho e dispensam qualquer material metálico. O caixilho movimenta-se com a ajuda de couços, e o fecho também dispensa fechaduras e trincos metálicos. As janelas encerram-se através de portadas de madeira e com dispensa do trinco. As portas são de um só batente, todas em madeira, emoldurado no lado externo pelo aparelho mais cuidado das ombreiras e padieiras e as molduras das janelas têm a mesma estrutura que a das portas. As janelas são simples portadas de madeira sem qualquer vidraça.
Os moinhos apresentam-se idênticos às habitações, embora de planta quadrada e de um único piso dividido pelo sistema de moagem e do rodizio.
As paredes dos moinhos, foram construídas pelo mesmo método que as paredes das habitações. São feitas em blocos de pedras irregulares, sobrepostas umas sobre as outras. Na implantação os moinhos tiram partido dos grandes rochedos nos cursos de água, para a base da construção. A cobertura é de duas águas, em telha de canudo ou chapa de zinco, com cápeas e guarda-ventos. Apresentam pouca inclinação, juntamente com as habitações.
A estrutura do telhado é feita sob as mesmas técnicas e material que das habitações e com uma estrutura armada em vigas e ripas horizontais e verticais, também em madeira. Observam-se dois guarda-ventos, um em cada extremidade, colocados sob as cápeas das empenas.
O pavimento varia entre um tabuado de madeira, nos casos dos moinhos que foram construídos sobre a água, encastrado sobre vigas no sentido perpendicular ao ripado, e em lajes de granito, nos moinhos construídos a partir do caminho. O único vão que existe nestas construções é a porta que empareda com o caminho. Em madeira com uma única folha e batente, movimenta-se através dos couços encaixados na ombreira. No interior, o único compartimento, é de reduzidas dimensões onde está instalada a mó e todo o sistema de moagem. A um canto dispõe-se a maceira e a pá que apanha a farinha que cai de entre as mós. Abaixo do pavimento, em contacto com água, encontra-se a roda horizontal, à qual se chama rodizio, composta por conjunto de palas dispostas radialmente, as quais recebem a impulsão do jacto de água que nelas bate, vindo da levada, construída no exterior em granito, que desvia a água do rio ou do ribeiro, para o interior do moinho.
Este tipo de construção só se pode edificar próximo às linhas de água, mantendo uma certa distância com o aglomerado.
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Os espigueiros são em planta rectangular, com o corpo alongado e estreito, elevados do nível do chão, sobre pés e lajes de granito. Os espigueiros nos dois lugares são inteiramente construídos em madeira e granito, com a excepção de dois na Gavieira, construídos inteiramente em granito. Construções com grande cuidado construtivo, visível no trabalho da pedra e nos detalhes.
A cobertura é também em duas águas, com telha de canudo, dispostas sobre uma estrutura de madeira que sobressai para fora do beirado, enquanto noutros espigueiros, a telha assenta numa estrutura em madeira mas que não ultrapassa os limites do beirado. Nestes casos os beirados prolongam-se com o telhado. Nos espigueiros, inteiramente em granito, a cobertura é feita por grandes placas, alisadas e bem cortadas, que encaixam umas nas outras e o remate é feito na cumeeira, que as une e prende-as. O beirado é saliente para que as lajes encaixem correctamente e sem oscilarem.
Os pavimentos dos espigueiros variam entre tabuado em madeira e lajes de granito, que pousam sobre o lastro, feito em padieiras laterais de granito e soleiras de topo. Os vãos são preenchidos por painéis de ripas de madeira postas verticalmente, travadas por uma vida, também em madeira pregada na horizontal e a todo o comprimento do vão. A madeira das laterais em alguns espigueiros de Rouças e da Gavieira apresentam à vista, blocos de tijolo furado. A porta foi instalada num dos topos do espigueiro, por norma a fachada com menor dimensão, visto as laterais, serem as únicas que variam em comprimento e não em largura.
O corpo do espigueiro é todo em pedra, assente em colunas e esteios em granito alinhados aos pares, e rematados por mós de variadas dimensões, e em mesas – blocos transversais em granito, que assentam sobre pilares e rematam em cornija, salientes ao lastro.
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7.2. Correlação segundo os indicadores especificados na metodologia e na