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Discussion

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2 STUDY GROUP AND SUB-GROUP REPORTS

2.1 Report of the Study Group on Unaccounted Mortality

2.1.1 Discussion

A sociedade atual está cada vez mais sujeita à agitação diária e ao cumprimento de horários cada vez mais extensos. Como consequência disso, o tempo de permanência nos estabelecimentos de ensino, por parte das crianças, torna-se cada vez maior pois, os pais/encarregados de educação têm um horário laboral a cumprir e os estabelecimentos têm que corresponder às exigências homologadas pelo ME, em concordância com os respetivos pais/encarregados de educação: “O horário de funcionamento do estabelecimento de educação pré-escolar é homologado pelo Ministério da Educação, sob proposta da direção pedagógica, ouvidos os pais e encarregados de educação.” ( Lei Quadro da Educação Pré-Escolar, Capítulo IV, Artigo 12º, 3).

Sendo assim, a convivência entre criança e pais/encarregados de educação acontece em poucas horas após a saída do infantário, hora de jantar e pouco antes da hora de dormir. Esta última hora poderá ainda ser prolongada, dado que as crianças tendem, normalmente, a adotar e a adaptar-se ao horário dos pais. Desta forma, acabam por se deitar ou adormecer tarde e acordar cedo, não cumprindo as horas necessárias de sono. Sabendo que estas crianças devem dormir doze horas por dia e visto não conseguirem realizá-las à noite, por se deitarem tarde e levantarem cedo, é essencial a sesta para colmatar a falta de sono.

Segundo Kristell Le Martret (2010), em De olho em Sono: Dormir bem, para crescer bem, “De 20% a 30% das crianças entre 0 e 3 anos de idade dormem mal (acordam frequentemente, choram, têm dificuldade de voltar a dormir, fazem solicitações repetidas etc.)”. Dito isto, é essencial haver uma boa higiene do sono na hora da sesta, de modo a facilitar as dificuldades daí emergentes.

Para uma sesta saudável é essencial ter cuidados específicos tanto com o meio envolvente como com a criança. Isso inclui uma rotina e ritual diários e consistentes pois são importantes para que a criança sinta segurança e conforto. O ambiente envolvente deve estar desprovido de ruído, ter temperatura adequada e estar escurecido. A criança também deve estar tranquila quanto ao dormir. Medo do escuro ou de ter pesadelos, problemas comuns entre crianças desta idade, devem ser amenizados com conversas ou histórias sobre o assunto, recorrendo assim à biblioterapia. Além de tudo isto, deve-se ter em conta o ambiente familiar, preocupações daí advindas e casos de doença que dificultam o relaxamento da criança para adormecer. Juntamente a isto, se acrescenta a higiene, uma alimentação saudável e a atividade física que devem ter o seu

fim um tempo antes da hora da sesta, de modo a evitar que esses estímulos façam com que as crianças ainda estejam excitadas na hora da sesta. Por fim, deve-se fixar uma hora para acordar, para que a rotina não seja descurada. Deve-se ter estes cuidados pois,“Se não forem tratados no início da infância (0 a 5 anos), os problemas de sono persistirão por muito tempo.” (Martret, 2010, p.2).

É na hora da sesta que as crianças descansam e repõem energias mas, para uma sesta reparadora é preciso ter em conta a atividade física realizada anteriormente, tal como as necessidades de descanso de cada criança. Para isso, é necessário que a criança faça pelo menos um ciclo de sono.

Um ciclo de sono é constituído por duas fases. A primeira fase é constituída por quatro estágios e é nestes que o corpo inicia a diminuição de atividades metabólicas e tem uma redução de atividade mental cada vez maior, tornando-se pouco sensível a estímulos exteriores. É também aqui que são produzidas as hormonas de crescimento e dá-se a restauração física do corpo. Ao chegar à segunda fase, ao sono REM, a respiração e a atividade cerebral aumentam, permitindo o relaxamento dos músculos. Esta fase é caraterizada pelo movimento rápido dos olhos, relacionado com os sonhos e atividades mentais como aprendizagem e memória. Este ciclo, se for bem sucedido, costuma demorar cerca de uma hora e meia, dependendo de indivíduo para indivíduo.

À noite, uma pesssoa poderá ter vários ciclos de sono mas, numa sesta apenas se conseguirá atingir um ciclo. Deste modo, tendo uma hora fixa para despertar, se uma criança demora a adormecer poderá não conseguir atingir o sono REM, sonhar e não disfrutar das propriedades reparadoras que este possui.

É necessário durante o sono e o sonho processar uma grande quantidade de informações estocadas após a análise e triagem pelo sistema límbico. Essas informações, que representam nossa memória de "curta duração", devem ser mantidas e depois transferidas para as diferentes áreas afins do neo-córtex para que sejam conservadas. Elas se tornam a memória que subsiste durante a vida toda, a memória de "longa duração". ( Magnin, 1992, p. 83)

No estudo desenvolvido pelas investigadoras norte-americanas Laura Kurdziel, Kasey Duclos e Rebecca M. C. Spencer, feito em quarenta crianças com idades compreendidas entre os três e os cinco anos, concluíu-se que uma sesta após a refeição melhorava a capacidade de memorização e reprodução de atividades nas crianças em cerca de dez por cento, aumentando memórias adquiridas no início do dia em comparação com intervalos equivalentes que passaram acordadas e prolongando-as, não só durante a tarde desse mesmo dia como até à manhã do dia seguinte..

Esta constatação serviu também para alertar os estabelecimentos que duvidam sobre se devem ou não manter o hábito da sesta, ao mesmo tempo que acautela para o aumento do currículo formulado para a educação pré-escolar pois, poderia prejudicar e encurtar o tempo de sesta, diminuindo assim os seus benefícios.

Lacking scientific understanding of the function of naps in early childhood, policy makers may curtail preschool classroom nap opportunities due to increasing curriculum demands. Here we show evidence that classroom naps support learning in preschool children by enhancing memories acquired earlier in the day as compared with equivalent intervals spent awake.

(Kurdziel et al, 2013, p.17267).

Mesmo assim, o facto de uma sesta trazer tais vantagens, não explica as razões de umas crianças dormirem pouco ou nem sequer sentirem necessidade de dormir a sesta após a hora do almoço.

Daniel Marcelli (2005), no manual universitário “Infância e Psicopatologia”, distingue a quantidade de sono total por idades, evidenciando que as crianças com três a cinco anos precisam de doze horas e trinta minutos de sono por dia mas, não descura as “variações interindividuais”. Além disso, ainda explica que a maturidade da criança que se aproxima da idade dos quatro anos, permite o desaparecimento da necessidade da sesta. Daí se justifica, em parte, as dificuldades e recusas por parte das crianças para adormecerem durante o dia.

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