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5 DISCUSSION AND SUGGESTIONS FOR TEACHING

5.2 First aim: Research questions and hypothesis

5.2.2 Discussion of Passage exercises

A bacia de Fonseca ocupa uma região aproximada de 32km2, cujos depósitos sedimentares encontram-se assentados sobre os granitos-gnáissicos pertencentes ao Complexo Santa Bárbara. Esta bacia sedimentar é preenchida, na base, por conglomerados, arenitos, siltitos, argilitos e linhitos (Formação Fonseca) e no topo são observados conglomerados ferruginosos (Formação Chapada de Canga).

Diversos trabalhos foram realizados nesta bacia sedimentar, sendo citados a seguir:

GORCEIX (1884)

Foi o primeiro pesquisador a apresentar um perfil sedimentar dos depósitos que formam a bacia de Fonseca (Figura 48) descrevendo-o da seguinte maneira:

“...1o – Camada de conglomerato ferruginoso.

2o – Leitos de xistos argilosos mui fossilíferos com áreas micáceas (cinco metros). 3o – Massa de areais e argila, algumas vezes compacta e dura (vinte e dois metros). 4o – Xistos betuminosos entremeados de areia argilosa, com nódulos de matéria carbonosa,

1 A 2 3 4 1 - Canga

2 - Schistos argilosos com areias 3 - Areias e argila

4 - Schistos betuminosos A - Gneiss granitoide alterado

Figura 48 – Perfil litológico da bacia de Fonseca confeccionado por Gorceix (1884)

De acordo com Gorceix (1884) as bacias do Gandarela e de Fonseca estariam relacionadas a um ambiente deposicional lacustre profundo alimentado por águas pluviais.

Baseando-se na semelhança existente entre as formas vegetais fossilizadas encontradas nestas duas bacias, Gorceix (1884) considerou-as sincrônicas apresentando uma idade pertencente ao Plioceno ou no máximo ao Neomioceno. Além disso, nesse trabalho foi citada a ocorrência expressiva de impressões foliares fossilizadas de Melastomáceas e Mimosáceas preservadas neste depósito sedimentar, sendo o registro de pteridófitas e palmeiras extremamente raro.

ESTUDOS PALEOBOTÂNICOS

Entre as décadas de 1930 à 1970 diversos trabalhos paleobotânicos foram feitos no sentido de classificar as excelentes impressões foliares encontradas abundantemente na bacia de Fonseca, além da datação deste depósito sedimentar. O quadro 5 representa a síntese destes trabalhos com as propostas de cada autor relacionadas à datação e as famílias paleobotânicas identificadas na bacia de Fonseca.

Quadro 5 – Principais trabalhos paleobotânicos desenvolvidos nos depósitos sedimentares da bacia de Fonseca

AUTOR DATAÇÃO PALEOBOTÂNICA

Duarte (1974) Plioceno Bombacaceae Duarte (1956) Plioceno Melastomataceae Dolianiti (1950) Plioceno Tiliaceae

Dolianiti (1949) Plioceno Menispermaceae

Berry (1935) Plioceno

Musaceae, Polygonaceae, Caesalpiniaceae, Papilionaceae, Rutaceae, Meliaceae, Malpighiaceae, Euphorbiaceae, Sapindaceae, Monimiaceae, Combretaceae, Myrsinaceae, Sapotaceae, Bignoniaceae

MAXWELL (1972)

Este autor descreve a bacia de Fonseca como sendo constituída predominantemente por arenitos, siltitos arenosos, conglomerados e linhitos depositados durante o Plioceno. Segundo com Maxwell (1972) esta bacia sedimentar estaria associada a um ambiente deposicional flúvio-lacustre.

Neste trabalho o autor propõe a criação da unidade litoestratigráfica denominada Formação Fonseca sendo representada pelos depósitos sedimentares terciários localizados no Quadrilátero Ferríferro. A seção-tipo utilizada por Maxwell (1972) encontra-se localizada próxima ao distrito de Fonseca sendo constituída pelas seguintes unidades litológicas (Quadro 6):

Quadro 6 – Descrição da seção-tipo definida por Maxwell (1972) para a Formação Fonseca.

DESCRIÇÃO DA SEÇÃO-TIPO ESPESSURA

Canga constituída por fragmentos de itabirito, quartzito e filito envoltos por cimento 1,0

Solo apresentando fragmentos de rochas (siltitos) 10,0

Argila maciça, concreções nodulares e delgadas camadas de siltitos e arenitos 20,0

Arenito amarelado à branco intercalado com argilito maciço 12,0

Argilito amarelado maciço com delgadas camadas intercaladas de siltito e argilito arenoso 17,0

Delgadas camadas de siltito e argilito acinzentado. Siltito arenoso amarelado. Delgadas 8,5

Intervalo encoberto 3,0

Camadas espessas de argilito amarelado, avermelhado e violáceo. 8,5

Arenito argiloso esbranquiçado 0,7

SANT’ANNA (1994)

Neste trabalho foi realizado um estudo mineralógico para definir os argilo-minerais presentes nos sedimentos da Formação Fonseca. Os resultados obtidos revelaram um predomínio de argilo-minerais pertencentes aos grupos da caulinita, mica e, secundariamente, da esmectita. Com base nesta análise a autora associou estes argilo-minerais à climas quentes e úmidos que vigoraram durante toda a sedimentação da Formação Fonseca. Neste mesmo trabalho a autora redefiniu a Formação Fonseca (Maxwell 1972) posicionando-a no Eoceno, baseando-se na análise palinológica realizada por Lima & Salard-Cheboldaeff (1981). De acordo com Sant’anna (1994) .o ambiente deposicional da Formação Fonseca estaria vinculado a um sistema fluvial meandrante com a instalação de planícies de inundação. Sobreposta à esta formação foi descrita uma unidade sedimentar constituída por ortoconglomerados oligomíticos contendo seixos de itabirito e matriz ferruginosa fina associados à depósitos de leques aluviais. A partir desses dados a autora propôs a criação de uma nova unidade litoestratigráfica denominada Formação Chapada de Canga.

A análise estrutural revelou a ocorrência de falhamentos predominantemente normais nos sedimentos da Formação Fonseca indicando a atuação de eventos trativos NE-SW e NW- SE pós-sedimentares, não sendo encontrado nenhum elemento sugerindo eventos tectônicos sin-sedimentares. Após a sedimentação dos conglomerados da Formação Chapada de Canga, Sant’anna (1994) define um novo evento tectônico trativo que gerou o falhamento de todo depósito sedimentar segundo as direções N-S e E-W.

CASTRO & FERREIRA (1997)

Neste trabalho foi desenvolvida a análise estratigráfica e estrutural dos depósitos sedimentares cenozóicos localizados na borda leste do Quadrilátero Ferrífero. Estes autores descreveram a Formação Fonseca como sendo constituída, basicamente, por: arenitos, folhelhos negros, siltitos e argilitos depositados em um ambiente flúvio-lacustre. Além desta unidade litoestratigráfica estes autores definiram uma nova unidade designada Formação Cata Preta, sendo constituída por arenitos maciços de coloração avermelhada e diamictitos apresentando seixos subangulosos a subarredondados de filitos, quartzitos ferruginosos, quartzo e magnetita envolvidos por uma matriz argilosa. A seção-tipo da Formação Cata Preta encontra-se localizada no distrito de Santa Rita Durão, município de Mariana, próximo a cava

encontra-se sobreposta pelos conglomerados laterizados da Formação Chapada de Canga, sendo atribuída uma provável idade terciária para esta nova unidade litoestratigráfica.

MAIZATTO et al. (2000c)

Neste trabalho os autores descreveram a ocorrência de cinco fácies sendo agrupadas em duas associações relacionadas a dois ambientes deposicionais distintos. A associação de fácies A formada pelas fácies siltito, arenito e conglomerado e a associação de fácies B constituída pelas fácies linhito e argilito. Baseando-se nestas associações, estes autores definiram dois ambientes deposicionais, um fluvial meandrante (associação A) e o outro relacionado à depósitos de meandro abandonado (associação B).