• No results found

5 DISCUSSION AND SUGGESTIONS FOR TEACHING

5.2 First aim: Research questions and hypothesis

5.2.3 Discussion of common features

Os sedimentos que compõem a Formação Fonseca encontram-se depositados sobre o embasamento granito-gnáissico. A seguir, estão descritas as relações de contato observadas entre as fácies definidas para esta unidade litoestratigráfica.

A fácies conglomerado apresentou um contato abrupto erosivo com a fácies argilito e um contato gradativo com a fácies arenito grosso.

A fácies arenito grosso exibiu um contato gradativo com as fácies arenito fino e conglomerado e abrupto com a fácies argilito.

A relação de contato observada entre a fácies arenito fino e as fácies argilito e arenito grosso ocorre de forma gradativa.

A fácies argilito exibiu um contato abrupto com a fácies arenito grosso e um contato gradativo com a fácies linhito.

7.3.2 – Interpretação

Com base na análise sedimentológica dos depósitos que constituem a Formação Fonseca, foram definidas três associações de fácies cada qual relacionada a um ambiente deposicional.

A associação A (Figura 50a) corresponde ao conjunto de fácies representado na base

por conglomerados (20cm a 30cm de espessura), seguidos por arenitos com granulometria areia média a grossa (50cm a 80cm de espessura) apresentando estratificações cruzadas, provavelmente acanaladas, mal preservadas. Em seguida são observados arenitos de granulometria areia fina a média com estratificações plano-paralelas (20cm a 30cm de espessura) finalizando, no topo, com camadas de argilito (10cm a 15cm de espessura). Em alguns intervalos os conglomerados basais não ocorrem sendo observados na base os arenitos com granulometria areia média a grossa sobrepostos por arenitos finos e argilitos apresentando as mesmas características mencionadas anteriormente (Figuras 50a e 50b).

De acordo com a descrição acima da associação de fácies A é possível observar que esta unidade é constituída, basicamente, por areias e argilas. Segundo Selley (1988) e Einsele (1992) a ocorrência expressiva de sedimentos finos é mais comum em depósitos de rios meandrantes do que em rios que apresentam um padrão braided cujos componentes principais são as areias e os conglomerados. Shanster (1951) e Allen (1965) (in: Selley 1988) propuseram uma classificação hierárquica dos ambientes presentes em sistemas de rios meandrantes, como pode ser observado através do quadro 7.

Quadro 7 – Classificação hierárquica dos subambientes em rios meandrantes proposta por Shanster (1951) e Allen (1965) (in: Selley 1988).

Fundo de canal Barra de canal Ativo Barra em pontal Depósitos de Canal Canal abandonado Diques Crevasse splay Lagoas de cheia Depósitos de Inundação Bacia de inundação Pântanos

Os depósitos de canais ativos são descritos por Selley (1988) como sendo constituídos na base por conglomerados sobrepostos por depósitos de areias apresentando estratificações cruzadas. Para esse autor, os registros recentes e antigos de seqüências associadas à depósitos de barra em pontal apresentam uma diminuição no tamanho dos grãos e na espessura das camadas.

Os depósitos de meandro abandonado são formados por areias finas, siltes e argilas apresentando laminações plano-paralelas e cruzadas, gretas de ressecamento e ocasionalmente podem estar bioturbados por raízes e intercalados com turfas. Embora muito semelhantes, Selley (1988) distingue os depósitos de meandro abandonado dos de planície de inundação baseando-se na geometria dos primeiros que apresentam uma forma de canal além da ocorrência de conglomerados na base.

Einsele (1992) descreve o sistema fluvial meandrante como sendo constituído pelos seguintes depósitos:

• Depósito de fundo de canal – constituído por sedimentos de carga formados por material grosseiro transportado durante os picos de inundação. Estes depósitos podem conter clastos de argila ou blocos erodidos dos bancos.

• Depósito de barra em pontal – as barras em pontal são formadas nas porções internas dos meandros, enquanto que nas porções externas ocorre um processo de erosão. A curvatura do meandro tende a aumentar podendo gerar meandros abandonados. Este depósito freqüentemente apresenta uma seqüência granodecrescente ascendente, com areias depositadas sobre conglomerados. Na base ocorrem estratificações plano-paralelas passando para estratificações cruzadas acanaladas no topo.

• Depósito chute bars – depósito formado por canais que atravessam as barras em pontal durante os períodos de inundação. São constituídos por sedimentos grosseiros na base depositados sobre o topo erodido de uma seqüência de barra em pontal.

• Depósito de meandro abandonado – constituído basicamente por sedimentos finos depositados sobre os depósitos de fundo de canal.

• Depósito de diques e crevasse splay – formado durante os períodos de inundação, sendo constituído por areias e siltes. Localmente, o dique pode ser rompido formando depósitos de crevasse splay sobre a planície de inundação. Podem ocorrer laminações plano- paralelas, ripples cavalgantes e estratificações cruzadas que, normalmente, são destruídas por raízes.

• depósito de planície de inundação – formado, predominantemente, por silte, argila e areia fina, atingindo poucos centímetros de espessura. Podem ocorrer laminações cruzadas.

Na figura 51, estão representadas as principais fácies dos depósitos sedimentares associados ao sistema fluvial meandrante.

Chute bars Acreção lateral Barra em pontal Crevasse splay Pântano Meandro abandonado preenchido Antigo depósito de acreção lateral Depósitos de fundo de canal Depósitos de planície de inundação Dique Climbing ripples deformadas Sr Sh Sp 0,2 - 0,6 m F E D Concreções Turfa Silte e argila laminados 2 -15 m Dique Sh+St, (sm) raízes Raízes Crevasse splay Sh, St, sm Argila e silte laminados C Chute bar Porção inferior da barra em pontal Topo da barra em pontal Sp B Sh St Sp St, sm Seqüência ideal

de barra em pontal Barra em pontal com

chute bar

Planície de inundação Canal abandonado

A

Figura 51 – Sistema de rio meandrante. A) Ambientes observados no sistema de rio meandrante; B-F) seções verticais de cada ambiente. Símbolos: sm – pequena escala; Sh – areia estratificada horizontalmente; St – areia com estratificações cruzadas acanaladas; Sp – areia com estratificações cruzadas tabulares; Sr – ripples e estratificações cruzadas de pequena escala (baseado em Walker 1984; Miall 1985).

Miall (1996) descreve os sedimentos que compõem os depósitos de barra em pontal como sendo predominantemente arenosos, embora seja comum a ocorrência de conglomerados na base do canal.

Analisando o conjunto de informações atribuídas à associação de fácies A, e comparando-a com os modelos propostos acima, foi possível determinar uma compatibilidade com os registros de canais ativos de sistemas fluviais meandrantes, segundo a classificação de Shanster (1951) e Allen (1965) (in: Selley 1988), e com os modelos de Einsele (1992) e Miall (1996) para os depósitos de barra em pontal.

A associação B foi reconhecida apenas no afloramento 1 (Figura 50A),

correspondendo ao conjunto de fácies representado na base por conglomerado (30cm de espessura aproximadamente) seguido por arenitos finos com estratificações plano-paralelas (80cm de espessura) trapeados por uma camada de argilito com espessura de 10cm. Este argilito encontra-se sobreposto por uma camada de linhito com 1,10m de espessura apresentando laminações plano-paralelas e grande quantidade de impressões foliares carbonizadas. Esta associação termina com uma camada de argilito apresentando laminações plano-paralelas bem desenvolvidas (1,20m de espessura).

Comparando o conjunto de fácies que formam esta associação, foi possível observar uma estreita relação genética com as descrições de depósitos de meandro abandonado sugeridas por Selley (1988) e Einsele (1992).

Mclane (1995) relata que após os meandros serem abandonados é comum a ocorrência de águas estagnadas nestes ambientes. Este fato foi confirmado na bacia de Fonseca através da presença expressiva, em lâmina, da microalga clorofícea Botryococcus braunii que segundo Cookson (1953) e Guy-Ohlson (1992) se desenvolvem, preferencialmente, em ambientes com águas rasas e tranqüilas.

Walker (1984) ao analisar os depósitos de meandros abandonados concluiu que estes meandros poderiam ser abandonados gradualmente (chutecut-off) ou abruptamente (neckcut- off). Segundo este autor durante o chutecut-off o rio gradualmente vai migrando sobre antigas planícies de inundação gerando uma diminuição na energia do fluxo no canal principal. Esta gradual diminuição na energia da corrente poderá se refletir nos sedimentos através do desenvolvimento de uma fácies espessa apresentando estruturas sedimentares unidirecionais do regime de fluxo inferior, essencialmente laminações cruzadas (Figura 52A). Após o completo abandono do meandro a sedimentação ficará restrita à granulometria fina (silte e argilas) introduzida no meandro durante os períodos de extravasamento das águas do canal principal. O neckcut-off refere-se ao abandono do meandro de forma abrupta gerando o rápido

isolamento das extremidades do meandro com areia. Neste contexto a energia da corrente chega a zero, resultando em depósitos dominados por silte e argilas (Figura 52B) transportados para o meandro abandonado durante os períodos de inundação.

Chutecut-off Neckcut-off I II III I II III A B

Figura 52 – A) Seqüência de fácies de um meandro abandonado gradualmente (Chutecut-off); B) Seqüência de fácies de um meandro abandonado abruptamente (Neckcut-off). I – depósitos de canal ativo com estratificações cruzadas acanaladas, II – areias finas com laminações cruzadas, III – depósitos formados por acreção vertical durante os períodos de cheia. (Fonte: Walker 1984)

Comparando o perfil sedimentar apresentado pela associação B (Figura 50A) e as seqüências de fácies representadas através da figura 52, foi possível determinar uma relação muito próxima desta associação com os depósitos do tipo neckcut-off, indicando que o meandro teria sido abandonado de maneira abrupta .

E, finalmente, a associação C sendo constituída na base pela fácies arenito grosso apresentando laminações cruzadas, provavelmente acanaladas, (Foto 18) (2cm a 10cm de espessura) sobreposto por argilito (espessura entre 2cm a 10cm ) e linhito (espessura entre 4cm a 30cm). Esta associação encontra-se representada através das figuras 35B e 35C e pelas fotos 24 e 25.

As características litológicas da associação C apresentaram semelhanças com os depósitos de bacia de inundação descritos por Selley (1988) e Einsele (1992). De acordo com estes autores, os depósitos de planície de inundação seriam constituídos por camadas intercaladas de areia, argila e silte, atingindo poucos centímetros de espessura, podendo apresentar laminações cruzadas e gretas de ressecamento. Os depósitos de bacia de inundação,

freqüentemente, encontram-se bioturbados por raízes e nas áreas alagadas (lagoas de cheia) observam-se a formação de turfas .

Dessa forma, a associação de fácies C pode ser interpretada como sendo depósitos de lagoas de cheia, corroborada pela presença, nos intervalos de linhito, de grande quantidade de Botryococcus braunii. Como já mencionado anteriormente estas microalgas são indicadoras de ambientes de águas rasas e tranqüilas.