Ao tratar de planejamento do turismo, o mesmo é concebido visando estabelecer uma série de ações indispensáveis para o desenvolvimento da atividade. Por intermédio desse processo é que são delimitados os objetivos, as metas almejadas, expectativas, e principalmente, os caminhos que deverão ser conduzidos para alcançar os resultados esperados.
Planejamento é então um “processo ordenado e sistemático de decisão que antecipa o futuro e define ações que viabilizam objetivos que se pretendem alcançar, incorporando e combinando uma dimensão política e uma dimensão técnica, resultando num processo técnico e político” (ARAÚJO, 2000, p.73).
Algumas falhas das políticas nacionais de turismo no Brasil estão atreladas ao fato de não haver claramente no projeto os indicadores que irão conduzir aos objetivos, metas e prioridades, apresentando muitas vezes discrepâncias nos procedimentos metodológicos que deverão nortear as ações. Outro aspecto apontado é a falta de integração com as demais políticas
setoriais que também são necessárias para a atividade turística acontecer (BENI, 2006).
O ato de planejar é uma atitude anterior à tomada de decisão consistindo em uma pré- determinação do curso de atividades que serão executadas posteriormente, ou seja, conjunto de decisões interdependentes que visam produzir no futuro uma situação que foi desejada e idealizada, mas que, no entanto, será alcançada caso executem as estratégias determinadas.
Em relação ao planejamento, Barreto (1991, p.13) discorre que:
Uma atividade, não é algo estático, é um devir, um acontecer de muitos fatores concomitantes, que têm de ser coordenadas para se alcançar um objetivo que está em outro tempo. Sendo um processo dinâmico, é lícita a permanente revisão, a correção de rumos, pois exige um repensar constante, mesmo após a concretização dos objetivos.
Uma realidade comum na atividade turística é o processo acontecendo de maneira inversa, onde a atividade começa com a prática, sendo executado de forma aleatória e não baseado em projetos com teorias pré-formuladas. O reflexo dessa inversão das etapas é observado com os erros que se originaram no início da atividade e mesmo depois de verificados torna-se difícil sua resolução. O resultado disso é que muitos destinos turísticos começam a desenvolver a atividade de forma desordenada, causando mais impactos do que aspectos positivos e como conseqüência, essas destinações tendem a chegar a estagnação em intervalo de tempo mais curto. Inicialmente os autóctones costumam se animar e ficar empolgados com as possibilidades e benefícios que o turismo promove, tais como geração de empregos e renda. No entanto, com o decorrer do tempo pode suscitar um sentimento inverso, em decorrência dos impactos e conseqüências danosas que a atividade pode ocasionar, em função principalmente de fatores como:
falta de um planejamento prévio que contenha os subsídios para ocorrer um envolvimento dos diversos agentes envolvidos com a atividade;
problemas que começam aparecer constantemente em função do aumento do fluxo de visitantes, que interfere diretamente na vida dos residentes, tais como acúmulo de lixo, aumento dos engarrafamentos, escassez de água;
inflação nos preços dos produtos, especulação imobiliária e exclusão dos autóctones; concentração de renda nas mãos de uma minoria;
Os pontos citados fazem despertar na população o sentimento de insatisfação e revolta contra a atividade turística e seus mentores, fazendo com que a população local, muitas vezes, se posicione de forma contrária ao processo.
Corroborando, Rodrigues (1999, p.25) esclarece que o planejamento do turismo é difícil “porque tem de conciliar os interesses de uma população que busca o prazer num local onde outras pessoas vivem e trabalham. Satisfazer a ambas não é tarefa fácil. Neste embate há conflitos freqüentes e inevitáveis, eivados de sentimentos xenofóbicos pelas comunidades anfitriãs”. Não são raros os lugares que desenvolvem uma estrutura turística pautada exclusivamente nas aspirações e desejos dos turistas, deixando de lado, ou mesmo excluída, uma parcela significativa da população. Como reflexo dessas ações, percebe-se que os habitantes do lugar muitas vezes se revoltam e passam a ignorar a presença daqueles que são “de fora”.
Apesar de não ser tarefa simples, os gestores devem preocupar-se de maneira mais ativa com o bem comum, e pensar em ações de forma conjunta, atendendo principalmente as necessidades da população do lugar, para em seguida, poder planejar a localidade como destinação turística.
À medida que o turismo vai se consolidando e adquirindo característica de massa, a população local tende a se excluir e muitas vezes despertando antipatia em relação à atividade que antes era vista com bons olhos.
Mais uma vez vem à tona a relevante necessidade de pensar a atividade turística de forma que sejam previstos os possíveis cenários e assim, procurar atuar de forma estratégica para diminuir os impactos e aproveitar ao máximo o que a atividade pode disponibilizar. O que se faz imprescindível acontecer é um planejamento turístico prévio, portanto, antecedendo a execução da atividade. Mas, infelizmente, são poucos os lugares onde a atividade ocorre de forma planejada e organizada. Na realidade o que se pode constatar é que apenas depois de sua consolidação e aparecimento de impactos visíveis é que o planejamento da atividade passa a ser visto como uma necessidade fundamental.
É comum perceber no poder público, que grande parte dos gestores relacionados ao turismo não possuem qualificação técnica para atuar no cargo. Porém, em muitos casos os interesses e favores políticos são os responsáveis por permitirem tal situação. Em decorrência disso, percebem-se inúmeras incongruências que ocorrem no planejamento e execução da atividade.
O planejamento é contínuo, precisando estar constantemente em avaliação, e, quando necessário, ser submetido a modificações e alterações para se adaptar às novas exigências, com o intuito de alcançar o que se propôs inicialmente, sendo indispensável a participação de pessoas capacitadas para atuar à frente desse processo.
De acordo com Hall (2001, p.109) “o âmbito da política e do planejamento turístico é considerado altamente complexo com múltiplos grupos de relacionamentos. Dentro desse contexto, os planejadores de turismo desenvolvem procedimentos e os planos deles resultantes”. Quando existem comunicação e envolvimento nas etapas referentes ao planejamento, tem-se maiores chances de sucesso em sua implementação. Os planejadores da atividade turística devem procurar a inclusão e a colaboração das várias partes interessadas no planejamento, por isso o processo deve ser interativo e colaborativo.
Sachs (1986) defende a necessidade de um desenvolvimento endógeno com base na participação cidadã, influenciando nas decisões sobre o turismo de acordo com as necessidades da sociedade. No planejamento turístico é importante estar sempre atento para a relação do turismo com a comunidade, tendo em mente a necessidade de suas inter-relações.
Beni (2006, p.37) coloca as três dimensões que fazem parte do desenvolvimento endógeno, que são:
econômica: um sistema específico de produção capaz de assegurar aos empresários locais o uso eficiente dos fatores produtivos e a melhoria dos níveis de produtividade, o que lhes possibilita ampliar a competitividade;
sociocultural: os atores econômicos e sociais se integram às instituições locais e formam um denso sistema de relações que incorpora os valores da sociedade ao processo de desenvolvimento;
política: materializa-se em iniciativas locais, possibilitando a criação de um entorno capaz de incentivar a produção e que favorece o desenvolvimento sustentável.
É imprescindível levar em consideração no planejamento a integração entre o poder público, a iniciativa privado e a população autóctone. É a partir dessa influência mútua que os planos, programas e projetos devem ser idealizados, visando alcançar as reais aspirações dos atores concomitantemente.
econômica; diminuir desigualdades de renda e também territoriais; ampliar as possibilidades de obter receitas; oferecer oportunidades de trabalho de qualidade; dispor de melhor qualidade de vida para a população”.
Tendo em vista a necessidade de desenvolver o turismo de forma apropriada, o planejamento deve ser executado objetivando conduzir a atividade pelos caminhos adequados, deixando claro que as técnicas e métodos adotados no planejamento podem sofrer modificações na fase de implementação, caso não consigam ser aplicados como previsto, passando por mudanças que melhor se ajustem a situação.
As etapas que fazem parte da composição das políticas públicas para o setor turístico devem ser respeitadas e consideradas em todo o processo, a fim de conseguir obter os resultados almejados com sua implantação.
Os planejadores e gestores do turismo no Seridó precisam alertar para os vários impactos que o turismo pode causar, e, por isso, necessitam se preocupar de forma intensa com os mecanismos de planejamento que deverão ser adotados para os rumos turísticos do Seridó, tendo em vista que a atividade nessa região ainda está em fase inicial, sendo possível trabalhar adequadamente buscando assim, evitar possíveis impactos futuros.
É através do Plano de Desenvolvimento Integrado do Turismo Sustentável (PDITS) que se observa qual dimensão do turismo pode ser pensada para a região do Seridó, pois é por meio desse instrumento que os caminhos são traçados para alcançar as metas formuladas, embora nem sempre se efetive da melhor maneira, isto é, favorecendo sobretudo a população do lugar.
Por intermédio do PDITS, outras estratégias estão sendo idealizadas para impulsionar o turismo, como por exemplo, a estruturação dos sítios arqueológicos, com investimentos do PRODETUR Nacional. Os idealizadores dessa proposta pretendem diferenciar a oferta turística e explorar os nichos de mercado disponíveis, a fim de ampliar as vantagens competitivas.
Esses direcionamentos são indispensáveis na tentativa de desenvolver o turismo no Seridó tendo como base suas capacidades, limites e aspirações. No entanto, a falta de preocupação com os recursos naturais e sua exploração desordenada pode conduzir a atividade no sentido contrário ao desejado. Por isso, as políticas públicas com recursos destinados ao turismo na região devem ser formuladas e executadas levando em consideração suas necessidades e anseios.