• No results found

Paper 1 and 2

8. DISCUSSION

Variáveis Caracterização Geral Pontos Fortes em Portugal Pontos Fracos em Portugal Desafios / gap a preencher Cenário Competitividade /

Produtividade

São fundamentais a resposta rápida, a variedade, a qualidade e a flexibilidade, a

atenção aos movimentos da moda e o conhecimento das preferências e gostos dos

consumidores finais.

Sector globalmente competitivo, com particular destaque para o subsector do

Calçado.

A produtividade média do trabalho é a mais baixa da indústria transformadora (medida através do VAB, segundo o Balanço Social do

Ministério do Trabalho e da Solidariedade).

Concorrência

Os artigos de maior qualidade produzem-se na Europa (Couro e Calçado) e na América do Norte (Couro), mas os países asiáticos (sobretudo China) tornaram-se os maiores fornecedores e produtores de Artigos de

Couro, com preços menores, mas de qualidade inferior.

Aparecimento da concorrência dos países do Leste Europeu.

Existência de materiais substitutos do couro.

Produtos portugueses em competição directa com os italianos, os espanhóis e

os franceses.

Procura / Mercados / Comercialização

O consumo de Couro tem crescido nos países asiáticos.

O forte potencial de consumo para o Calçado de Couro encontra-se no centro-

norte e norte europeu.

Grande vertente exportadora das empresas portuguesas. Desenvolvimento das funções de comercialização nas empresas mais

competitivas do sector.

Forte dependência do sector relativamente ao mercado intra- comunitário e dos produtores de peles curtidas face aos produtores

nacionais de calçado. Postura passiva de grande parte das

empresas de Calçado, estando subcontratadas a grandes marcas.

Necessidade de diversificar os mercados de destino dos produtos

nacionais.

Os novos mercados em crescimento, como os dos países do

Leste, serão alvos preferenciais. Ausência de exportação directa nos

Curtumes. O sector fica amplamente dependente das empresas “portas

de saída”, as quais são empresas competitivas internacionalmente.

Estrutura Produtiva / Tecido Empresarial / Clusterização

Tendência para a deslocalização da produção para os países em vias de desenvolvimento (em particular do Sudeste

Asiático).

Importância de fenómenos de clusterização em mercados mais competitivos (por ex.,

modelo italiano).

Existência de programas e entidades mobilizadoras e de apoio ao sector.

As empresas de Calçado são relativamente jovens, procuram diversas

formas de internacionalização e apresentam uma boa capacidade de

autofinanciamento. Fileira produtiva completa. Existência de clusters locais e de condições para a criação de um cluster

do couro a nível nacional.

Desinvestimento progressivo das multinacionais estrangeiras no país.

As empresas do sector são essencialmente micro e pequenas empresas, de base familiar, onde o poder de decisão está centralizado

na figura do proprietário. Falta de cooperação entre empresas

(quando existe é feita entre empresas não concorrentes), assim como entre fornecedores e clientes

e outras entidades (p.e., universidades).

As acções de internacionalização privilegiarão a cooperação entre grandes empresas, de modo a ter uma posição no circuito intermédio

de comercialização. Algumas empresas irão ressentir-se

com a subida dos preços da pele, devendo verificar-se algumas

Variáveis Caracterização Geral Pontos Fortes em Portugal Pontos Fracos em Portugal Desafios / gap a preencher Cenário

Inovação

Importância da moda, do design, da estética e da construção de conceitos (signos/símbolos com relevância social ou

grupal), ao nível do Calçado, e da investigação ao nível das características do

produto, nos Curtumes. Aparecimento de nichos de mercado (ex.

Calçado Profissional) e da produção em pequenas séries.

Carácter altamente poluente da indústria e possibilidade de aparecimento de um rótulo

ecológico.

Importância crescente da qualidade, sobretudo para os intermediários

comerciais.

Alterações nos processos de curtimenta e uso de novas peles (ovino e caprino) e diversificação dos produtos no Calçado.

Desenvolvimento das funções I&D nas empresas mais competitivas. Existência de uma grande marca portuguesa com implantação externa

relevante e de modalidades de

franchising de origem nacional.

Introdução de novas tecnologias e processos de produção no sector. Crescente preocupação com os impactos

ambientais (CTIC). Produtos portugueses com qualidade e

fiabilidade reconhecidas.

No Calçado não se inovou muito em termos de utilização de novos materiais e na criação de produtos próprios, com design interno. Na Marroquinaria mantém-se uma

linha característica e pouco mutável, preferindo alargar-se a gama de produtos a alterar os que

já existem.

Afirmação muito tímida das marcas de origem portuguesa. Portugal parece estar ainda longe

da implementação de um rótulo ecológico.

Os sistemas de qualidade têm vindo a ser implementados muito lentamente, embora os produtos obedeçam a critérios de qualidade

impostos pelo cliente.

Necessidade de reforçar áreas de desenvolvimento e concepção do

produto.

A descoberta de novos materiais, alternativos à pele será relativamente bem sucedida.

No Calçado assistir-se-á à eliminação dos modelos menos estéticos em favor de formas com

maior design, quase sempre imitadas a partir de modelos italianos ou espanhóis.

As iniciativas de internacionalização associadas aos

segmentos de moda tenderão a falhar por falta de consistência e apoios financeiros/institucionais.

Organização do Trabalho

Nas empresas mais competitivas do Calçado e da Marroquinaria verificam-se

práticas de alargamento e enriquecimento de tarefas, rotação entre

postos de trabalho similares, células de produção e trabalho em grupo.

Grande parte das empresas continua a agir de acordo com

modelos tradicionais de organização do trabalho

(tayloristas).

Necessidade de apostar em estruturas mais flexíveis e em novas formas de

organização do trabalho (células de produção ou equipas multifuncionais,

autonomia, responsabilidade e poder de decisão)

Políticas de RH

Crescimento progressivo de práticas avançadas de GRH. A formação profissional é a política de recursos humanos mais desenvolvida e com maior importância (sobretudo no

posto de trabalho)

Em grande parte das empresas, é ao proprietário que cabe a responsabilidade da GRH, sendo

esta sobretudo de carácter administrativo, não existindo uma

política formal de formação profissional.

Necessidade de desenvolver uma política de RH que permita atrair e reter profissionais qualificados para o

sector (pouco atractivo socialmente, com trabalhos pesados e sujos e

baixos salários)

Melhoria da qualidade do emprego.

RH

Existência de um défice de habilitações na generalidade do

sector.

Sistema Educativo

Os conteúdos da formação contínua são adequados e existe grande variedade de áreas com acções de formação, incluindo

as funções a montante e a jusante da produção.

Não existe formação inicial vocacionada para o sector.

Na formação contínua, as modalidades de actualização e reciclagem detêm um peso muito

reduzido.

Necessidade de incentivar uma política consistente de formação profissional através da aposta em perfis profissionais de banda mais alargada, de forma a manter uma renovação e actualização das competências dos indivíduos.

Variáveis Caracterização Geral Pontos Fortes em Portugal Pontos Fracos em Portugal Desafios / gap a preencher Cenário Dinâmica /

Variações quantitativas do

emprego

Carências de mão-de-obra em todo o sector.

Potencial diminuição do emprego pelo encerramento de empresas e

pela deslocalização de multinacionais. Esta mão-de-obra

será absorvida pelas empresas nacionais a baixo custo. Fonte: Ana Cláudia Valente (coord.) (2001), Curtumes, Calçado e Marroquinaria em Portugal, Lisboa: INOFOR.