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Nesta pesquisa, foram controladas quatro variáveis dependentes (contexto tônico  e  e contexto pretônico e ) e dezoito variáveis independentes, sendo dez de ordem linguística para os contextos tônicos  e , doze de ordem linguística para os

contextos pretônicos  e e seis de ordem extralinguística, conforme se observa no quadro sobre a distribuição das variáveis independentes.

Quadro 15 – Distribuição das variáveis independentes

Variáveis dependentes: Quantidade de variáveis linguísticas Quantidade de variáveis extralinguísticas Total fonema // em contexto tônico 10 6 16 fonema // em contexto pretônico 12 6 18 fonema // em contexto tônico 10 6 16 fonema // em contexto pretônico 12 6 18

Controlamos as seguintes variáveis linguísticas, de acordo com:

a) Os fonemas  e  em contexto tônico: prolongamento da vogal, tipo de sílaba, interferência do léxico na pronúncia, tipo de resposta, dimensão do vocábulo, contexto fonológico antecedente quanto ao ponto de articulação, contexto fonológico seguinte quanto ao ponto de articulação, deslocamento da sílaba tônica, silabação e manutenção do número de sílabas;

b) Os fonemas  e  em contexto pretônico: prolongamento da vogal, tipo de sílaba, harmonização vocálica, interferência do léxico na pronúncia, tipo de resposta, dimensão do vocábulo, distância em relação à tônica, contexto fonológico antecedente quanto ao ponto de articulação, contexto fonológico seguinte quanto ao ponto de articulação, deslocamento da sílaba tônica, silabação e manutenção do número de sílabas.

Controlamos as variáveis extralinguísticas, como sexo, nível de proficiência em língua espanhola, nível de escolaridade em língua materna, tipo de teste quanto à produção oral, tipo de informante e conhecimento anterior da LE.

Variáveis linguísticas

Partindo do pressuposto de que o comportamento das vogais médias em contextos tônico e pretônico é condicionado por variáveis linguísticas, sejam as da língua espanhola, sejam as do português do Brasil, foram considerados os seguintes grupos de fatores:

a) Prolongamento da vogal

Esta variável diz respeito ao prolongamento da vogal, ocorrência bastante recorrente na produção dos informantes e é registrada através do símbolo “ : ”. Consideramos a ocorrência ou não do prolongamento:

Ocorre – Ex.: toros [:.] 11:11.0 (I g2YP3 – EIE – Contexto  tônico);

Não ocorre – Ex.: catorce [..] 10:58.0 (I g2YP3 – EIE – Contexto  tônico).

b) Tipo de sílaba

Admitindo que esta variável influencia a variação das médias tônicas e pretônicas, foram controlados os fatores a seguir:

Livre – Ex.: café, croché; Travada – Ex.: celeste, resto.

c) Interferência do léxico na pronúncia

Consideramos que o léxico entre LM e LE pode influenciar na pronúncia das vogais médias. Dessa forma, controlamos os seguintes grupos de fatores:

Pronúncia sempre distinta – quando a pronúncia da vogal média da LM é sempre diferente da pronúncia da LE. Ex.: mejor [.] (LE); [.] (LM);

Pronúncia pode ser distinta – quando a pronúncia da vogal média da LM e da LE admite mais de uma possibilidade de pronúncia. Ex.: fechar [.] (LE); [.] ou [.] (LM);

Pronúncia não existente na LM – quando a palavra da LE não existe na LM. Ex.: cepillo [..] (LE);

Pronúncia igual entre LM e LE – quando a palavra existe na LE e na LM, coincidindo a pronúncia das vogais médias. Ex.: sobre [] (LE e LM); Palavra da LM – quando a palavra só existe na LM. Ex.: geralmente (LM) >

generalmente (LE) [] [...] 2:50.0 (I g2YP4 – EIE –

Contexto  pretônico);

Palavra da IL – quando a palavra não existe na LM nem na LE. Ex.: apresentación (IL) > presentación (LE) [.....] 14:55.0 (I g2YP3 – EIE – Contexto  pretônico).

d) Tipo de resposta

Os informantes foram orientados a fazer a correção da sua produção, caso sentissem necessidade e, no momento da transcrição e codificação, consideramos essa realização. Assim, mantemos, na análise, todas as ocorrências realizadas se o informante emite a primeira eou a segunda produção. Quando o informante tenta emitir a produção de determinada palavra e não consegue da primeira vez por truncá-la, por exemplo, e logo a produz completamente, na segunda ou mais tentativas, consideramos esta produção como segunda resposta. Foram analisados os seguintes fatores:

Primeira – Ex.: novela [..] (I g1YP10EFSContexto  pretônico);

Segunda ou mais – Ex.: bordado [..][..] (I g1YP10 – EFS – Contexto  pretônico); Ex.: croché [] [.::] (I g2YP4– EFS – Contexto  pretônico); Ex.: zocar [.] [ .:] (I g2YP5 – EFS – Contexto  pretônico).

e) Dimensão do vocábulo

Esta variável diz respeito à quantidade de sílabas da palavra. Foram analisados os seguintes fatores:

Duas sílabas – Ex.: café, cheque, leve, guerra, resto, croché, regla, peces, cepa, cella;

Três ou mais sílabas – Ex.: México, celeste.

f) Contexto fonológico antecedente quanto ao ponto de articulação

Acredita-se que as vogais médias tônicas e pretônicas sofram influência dos segmentos vocálicos e consonânticos. Consideramos os fonemas e variantes da língua espanhola e da língua portuguesa. Em razão disso, os fonemas que sucedem as tônicas e as pretônicas  e  em estudo foram classificadas de acordo com o ponto de articulação:

Bilabiais [, , , ] – Ex.: México [..], peces [.];

Dento-alveolares [, , , , ] [, , , , , , ] – Ex.: leve [.], celeste [..], resto [.], regla [.];

Interdentais [, ] – Ex.: cepa [.], cella [.]; Labiodentais [, ] – Ex.: café [.];

Palatais [, , , , , , , ] – Ex.: cheque [.]; cheque [.:] (I g2YP4 – EFP – Contexto  tônico); croché [.]; floja [:.- ] (I g2YP5 – EFP – Contexto  tônico); llora [.:] (I g2YP3 – EFS – Contexto  tônico);

Velares [, , , , ] – Ex.: guerra [.];

Glotais [, ] – Ex.: geralmente (LM) > generalmente (LE) [] [...] 2:50.0 (I g2YP4 – EIE – Contexto  pretônico);

Pausa – Ex.: ...español [..] 5:07.0 (I g3YP1 – EIE – Contexto  pretônico);

Vogal; Semivogal.

g) Contexto fonológico seguinte quanto ao ponto de articulação

Os fonemas que sucedem as tônicas e as pretônicas  e  em estudo foram classificados segundo o ponto de articulação:

Bilabiais [, , , ] – Ex.: leve [.], cepa [.];

Dento-alveolares [, , , ] [, , , , ] – Ex.: guerra [.] (I g2YP4 – EFP – Contexto  tônico); celeste [..], resto [.];

Interdentais [, ] – Ex.: peces [.];

Labiodentais [,] – Ex.: leve [.] (I g2YP4 – EFP – Contexto  tônico);

Palatais [, , , , , , ]: cella [.da] (I g3YP1 – EFP – Contexto  tônico);

Velares [, , , , ] – Ex.: cheque [.], México [..], regla [.]

Glotais [, ] – Ex.: México [..:] (I g3YP1– EFP – Contexto  tônico);

Pausa – Ex.: café... [....], croché.... [....];

Vogal – Ex.: leía [.] 6:59.0 (I g1YP7 – EIE – Contexto  pretônico); Semivogal.

As mesmas considerações para o grupo de fatores contexto fonológico antecedente são retomadas para esta variável.

h) Deslocamento da sílaba tônica

Esta variável foi controlada pelo fato de o deslocamento da sílaba tônica ser recorrente no corpus. O deslocamento ocorre quando o informante desloca a sílaba tônica da palavra; quando ele a mantém, registramos “não ocorre”. A marcação da sílaba tônica é registrada colocando o símbolo “  ” antes da sílaba tônica.

Ocorre – Ex.: llora [.] (I g1YP7 – EFP – Contexto  tônico); Não ocorre – Ex.: floja [.:] (I g1YP10 – EFP – Contexto  tônico).

i) Silabação

A silabação acontece quando o aluno diz sílaba por sílaba de uma palavra e ocorre uma pausa entre uma sílaba e outra. Consideramos esta variável por ser recorrente no corpus. A silabação foi registrada sempre que ocorria na palavra e o símbolo utilizado para registrá-la foi este “ -- ”. Seguem os fatores analisados:

Ocorre – Ex.: rosa [:-.] (I g1YP10 – EFP – Contexto  tônico); Não ocorre – Ex.: dólar [.] (I g1YP10 – EFP – Contexto 

tônico).

j) Manutenção do número de sílabas

Os informantes, algumas vezes, mantinham o número de sílabas das palavras, mas, outras vezes, alteravam: aumentando ou diminuindo. Consideramos os fatores abaixo:

Mantém – Ex.: novela [.:.] (I g2YP4 – EFS – Contexto pretônico);

Não mantém – Ex.: formación [...] (I g2YP4 – EFS – Contexto  pretônico); Ex.: fósforo [.] (I G1ZR1 – EFP – Contexto  tônico).

Variáveis exclusivas para os contextos pretônicos:

k) Harmonização vocálica

Consideramos nos contextos pretônicos a harmonização ou não harmonização na realização das vogais pelos informantes. Desta forma, testamos os seguintes fatores:

Harmoniza [] - []; [] – quando o fonema pretônico [] harmoniza com a tônica [] ou []. Ex.: semestre [..] 5:36.0 (I g3YP1– EIE – Contexto  pretônico);

Harmoniza [] - []; []; [] – quando o fonema pretônico [] harmoniza com a tônica [] ou [] ou []. Ex.: internet [..:.] 11:00.0 (I g1YP2 –

EIE – Contexto  pretônico); mejorar [..:Ø] 5:29.0 (I g2YP4 – EIE – Contexto  pretônico);

Harmoniza [] - []; [] – quando o fonema pretônico [] harmoniza com a tônica []; ou []. Ex.: escucho [.:.:] 5:26.0 (I g2YP4 – EIE – Contexto  pretônico);

Harmoniza [] - []; [] – quando o fonema pretônico [] harmoniza com a tônica [] ou []. Ex.: español [..:] 1:25.0 (I g1YP2 – EIE – Contexto  pretônico);

Harmoniza [] - [] – quando o fonema pretônico [] harmoniza com a tônica []. Ex.: hermanas [..] 2:19.0 (I g2YP4 – EIE – Contexto  pretônico);

Harmoniza [] - []; [] – quando o fonema pretônico [] harmoniza com a tônica [] ou []. Ex.: destruindo > destruyendo [..:.:] 6:33.0 (I g1YQ1– EIE – Contexto  pretônico);

Não harmoniza – quando não ocorre harmonização vocálica. Ex.: parecido [...] 5:10.0 (I g3YP1– EIE – Contexto  pretônico).

l) Distância em relação à tônica

Consideramos a distância dos fonemas pretônicos  e  em relação à sílaba tônica quando se distanciava uma sílaba ou duas ou mais sílabas. Apresentamos os fatores analisados:

Uma sílaba – Ex.: celeste [.:.] (I g3YP1– EFP – Contexto  tônico);

Duas ou mais sílabas – Ex.: elegir [..Ø] (I g3YP1 – EFP – Contexto  tônico).

Variáveis extralinguísticas

Admitindo-se que as variáveis extralinguísticas interferem na produção oral de brasileiros cearenses aprendizes de espanhol, iremos controlar os seguintes grupos de fatores:

a) Sexo

Decidimos verificar, neste estudo, se há variações significativas no uso das vogais médias entre homens e mulheres através dos fatores:

Masculino; Feminino.

b) Nível de proficiência na língua espanhola

O nível de proficiência na língua espanhola está relacionado ao tempo de estudo dos nossos grupos em estudo. O objetivo é verificar se há diferenças consideráveis no uso das vogais médias por alunos de semestre inicial, intermediário ou avançado. O espaçamento de um grupo para outro é de três semestres, exatamente um ano e meio. O fatores considerados foram:

Semestre II; Semestre VI; Semestre X.

c) Nível de escolaridade na LM

Nos grupos de informantes selecionados, verificamos que há alunos que estão fazendo sua graduação pela primeira vez, mas alguns informantes já possuíam nível superior e estavam fazendo sua segunda graduação. Sendo assim, consideramos os fatores abaixo:

Graduandos em espanhol; Graduados.

Decidimos aplicar três testes de produção em estilos diferentes. Os de estilo formal são mais controlados, uma vez que foram elaborados por nós, e o de estilo informal é menos controlado, posto que a produção oral do informante é não prevista e não preparada antecipadamente. Controlamos os seguintes fatores com relação a esta variável:

Estilo formal ou de laboratório (palavras); Estilo formal ou de laboratório (sentenças); Estilo informal ou espontâneo (entrevista).

e) Tipo de informante

Decidimos controlar cada informante. Os fatores para este grupo são: Informante número 1; Informante número 2; Informante número 3; Informante número 4; Informante número 5; Informante número 6; Informante número 7; Informante número 8; Informante número 9; Informante número 10. f) Conhecimento anterior da LE

Observamos, ao analisar a FQI, que alguns dos informantes já tinham conhecimento anterior da língua espanhola, e outros nunca a tinham estudado antes, sendo a graduação na LE a primeira oportunidade de estudo do idioma. Como trabalhamos com diversificados níveis de aprendizagem da LE pelos informantes, desde o semestre inicial, passando pelo intermediário, até o nível avançado, acreditamos que o conhecimento da LE fora da universidade pode interferir na produção oral do aluno. Decidimos controlar essa variação da seguinte forma: conhecimento da LE por menos de um ano, por um ano ou por dois ou mais anos. Apresentamos os fatores:

Sim – por 1 ano;

Sim – por 2 ou mais anos; Não.