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Para a estimação da perigosidade e risco para a saúde humana derivada à contaminação dos solos foram calculados, em cada ponto amostrado, os valores de risco cancerígeno e de perigosidade, para os cenários de uso descritos em 2.3.2.

O software utilizado para a estimação do risco e perigosidade para a saúde humana foi o

RiskWorkbench (RISCWorkBench, 2001).

Os valores obtidos foram transformados em variável indicatriz e estimadas as áreas de risco/perigosidade, através do software Geoms, pelo método geoestatístico da krigagem da indicatriz.

4.2.3.4. Cálculo da probabilidade de perigosidade (KI)

Efectuou-se a estimação da variável risco cancerígeno (RC) através da Krigagem da Indicatriz que deu origem a mapas de probabilidade e mapas binários de risco cancerígeno e mapas de probabilidade e mapas binários de perigosidade.

A variável F1 do nível C é a única que não apresenta um único valor acima dos limites de referência e por isso não foi criado qualquer mapa.

Os teores estimados das 4 variáveis em estudo foram transformados em índices de risco (intake cancer) e índices de perigosidade (intake hazard), de acordo com as equações do LADD e do CADD. Os valores de perigosidade dizem respeito aos valores que se encontram cima dos limites de referência (RfD), assumindo o valor de 1, e os valores de risco cancerígeno (RC) referem-se aqueles que excedem 10-6, de acordo com as 3 vias de exposição em causa (inalação, ingestão de vegetais e contacto dérmico).

Da Figura 4.50 à Figura 4.61 encontram-se representados os mapas de probabilidades de perigosidade para os compostos químicos de interesse para os 3 níveis. Ou seja, todos os valores que se encontrem acima dos limites de referência baseados no “Guideline for Use at

Contaminated Sites in Ontario” são considerados perigosos para o ser humano. Nível A

Figura 4.51 - Amostras com perigosidade em F1 e F2 (Nível A) – Krigagem da Indicatriz (KI)

Figura 4.53 - Amostras com perigosidade em F3 e F4 (Nível A) – Krigagem da Indicatriz (KI)

Nível B

Figura 4.55 - Amostras com perigosidade em F1 e F2 (Nível B) – Krigagem da Indicatriz (KI)

Figura 4.57 - Amostras com perigosidade em F3 e F4 (Nível B) – Krigagem da Indicatriz (KI)

Nível C

Figura 4.59 - Amostras com perigosidade em F2 e F3 (Nível C) – Krigagem da Indicatriz (KI)

Figura 4.61 - Amostras com perigosidade em F4 (Nível C) – Krigagem da Indicatriz (KI)

As manchas a vermelho correspondem às zonas de maior perigosidade, enquanto que as manchas azuis representam as zonas de menor perigosidade, ou seja, encontram-se abaixo dos limites de referência.

Na Tabela 4.9 apresenta-se uma síntese das áreas e volume de solos com perigo em F1, F2, F3 e F4, para os três níveis amostrados.

Tabela 4.9 - Síntese das áreas e volumes dos solos com perigosidade (HQ)

Nível Espessura (m) Área Perigo (m2) Volume solos Perigosidade (m3)

Tonelagem solo Perigo (ton) A 2 7025 14050 26695 B 2 9375 18750 35625 C 4 9375 37500 71250 Total 8 25775 70300 133570

Pela leitura da tabela 4.9 pode dizer-se que, o nível dos terrenos que apresenta maior volume de solos com perigo é o nível C, em primeira análise, pelo facto de ter sido considerado que a espessura deste horizonte é o dobro (cerca de 4 metros) da espessura considerada para os níveis anteriores (níveis A e B) onde a espessura de solos é de cerca de 2 metros. Caso se considera-se para este nível uma espessura equivalente aos níveis anteriores, o horizonte que apresenta uma maior extensão em termos de solos com perigosidade é o nível A.

Comparativamente aos solos contaminados, o volume e a tonelagem de solos com perigosidade representa 55,2% do total.

4.2.3.5. Cálculo da probabilidade de Risco Cancerígeno

Na Figura 4.62 e Figura 4.65 encontram-se representados os mapas de probabilidades de risco cancerígeno para os compostos químicos de interesse, para o nível A e B respectivamente. Ou seja, todos os valores que se sejam >= 10-6 representam risco cancerígeno para o ser humano. As zonas a vermelho referem-se ás zonas de risco cancerígeno.

Na Figura 4.63, Figura 4.64 e Figura 4.66 encontram-se representados os mapas de risco cancerígeno. Apenas foi detectado risco para o nível A (variáveis F1 e F3), e para o nível B (variável F3).

Nível A

Figura 4.63 - Risco cancerígeno F1 e F3 (Nível A) – Krigagem da Indicatriz (KI)

Nível B

Figura 4.65 - Probabilidades de risco cancerígeno F3 (Nível B) – Krigagem da Indicatriz (KI)

Na Tabela 4.10 apresentam um quadro resumo das áreas e volume de solos contaminados que apresentam risco ou perigosidade, para os três níveis de amostragem considerados.

Tabela 4.10 - Síntese das áreas e volumes dos solos com risco cancerígeno (RC)

Nível Espessura (m) Área Risco (m(F1 e F3) 2) Volume solos Risco (m3) Tonelagem solo Risco (ton)

A 2 2750 5500 10450

B 2 1375 2750 5225

C 4 0 0 0

Total 8 4125 8250 15675

Pela leitura da tabela 4.10 pode dizer-se que, o nível dos terrenos que apresenta maior volume de solos com risco é o nível A, em primeira análise, pelo facto de ter 2 variáveis que apresentam risco, nomeadamente F1 e F3. No nível B também existe contaminação, embora se verifique apenas na variável F3, logo o volume de solos com risco é menor. Já o nível C, apesar de se encontrar contaminado não apresenta qualquer tipo de risco.

Comparativamente aos solos contaminados, o volume e a tonelagem dos solos que apresentam risco são de 6,47%.

4.2.5.1. Valores de concentração máxima admissíveis (SSTL)

Com base nos resultados da análise de risco e com base nos valores dos teores acima dos limites de referência, dever-se-á ter em conta não só a descontaminação nos locais que apresentam risco mas também todos os que se apresentam contaminados (com perigosidade).

Os valores residuais admissíveis para o local (SSTL - Site-Specific Target Levels) foram calculados, individualmente para cada contaminante observado e cumulativamente, para o conjunto de contaminantes considerados. Na Tabela 4.11 apresentam-se os valores SSTL calculados.

Tabela 4.11 - Resumo concentrações máximas e SSTL calculados Nível A TPH F1(C5-C10) F2 (C10-C16) F3 (C16-C34) SSTL (mg/kg) 1100 95000 13000 Concentração máxima on site (mg/kg) 1300 8000 67700 Nível B TPH F1(C5-C10) F2 (C10-C16) F3 (C16-C34) SSTL (mg/kg) 1100 95000 13000 Concentração máxima on site (mg/kg) 270 2120 24910 Nível C TPH F1(C5-C10) F2 (C10-C16) F3 (C16-C34) SSTL (mg/kg) 1100 95000 13000 Concentração máxima on site (mg/kg) 15 810 5760

Estes valores (SSTL) correspondem às concentrações máximas admissíveis no site para que este não apresente risco ou perigosidade, pelo que deverão ser estes os valores alvo a adoptar nos trabalhos de remediação.

Pela leitura da tabela anterior pode observar-se o seguinte:

 Nível A – apenas o F1 e o F3 apresentam concentração acima dos valores-alvo admissíveis (SSTL), sendo que para o F3 a intervenção ambiental a realizar deverá reduzir a(s) concentrações das cadeias de hidrocarbonetos F3 para cerca de 1/5 da concentração observada on-site;

 Nível B – apenas o F3 apresenta concentração acima dos valores-alvo admissíveis (SSTL), sendo que a intervenção ambiental a realizar deverá reduzir a(s) concentrações das cadeias de hidrocarbonetos F3 para cerca de 1/2 da concentração observada on-site;

 Nível C – nenhuma das fracções apresenta valores acima dos valores-alvo admissíveis (SSTL), não necessitando de nenhuma intervenção ambiental.