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Discussion and Conclusion

In document Aluminium packaging flows in Norway (sider 26-29)

No âmbito da pesquisa do campo, sobretudo durante a realização de entrevistas, procuramos colher as propostas dos professores para o melhoramento do ensino de Filosofia no ensino secundário do 2º ciclo em Moçambique. Para o efeito, foram registadas propostas de professores de filosofia, de história e da língua portuguesa.

Os professores apresentam várias propostas sobre o futuro do ensino de Filosofia em Moçambique, sobre as possibilidades da extensão como potência para aprendizagem significativa. Há propostas que coincidem com a posição dos alunos manifestada na pergunta nº 4 do roteiro de entrevistas com os alunos, onde são instados a exteriorizar a sua opinião sobre o que deve ser o ensino de filosofia, a proposta deles sobre os possíveis temas a incluir no programa da disciplina de Filosofia.

As propostas dos professores de história são de capital importância devido à relação existente entre as disciplinas de filosofia e da história, contudo as propostas apontam mais para a necessidade de planificação conjunta em algumas unidades didácticas. Esta posição foi igualmente manifestada pelos professore da língua portuguesa.

O trabalho com os professores da língua portuguesa começou com algumas dificuldades que iam desde a disponibilidade até à falta de visão da possibilidade de a disciplina de filosofia se relacionar com a língua portuguesa. A recolha de propostas dos professores deste grupo de disciplina foi mais difícil nas escolas secundárias 1 e 2, onde os professores não têm uma formação

adequada para leccionarem aquele nível e de uma forma defensiva não se puseram à disposição para a conversa exploratória. Enquanto que na escola secundária nº 3, um dos dois professores é licenciado em ensino da língua portuguesa pela Universidade Pedagógica e durante a sua formação estudou a filosofia como disciplina geral, por isso tem alguma visão.

As propostas dos professores foram disseminadas pelos grupos de disciplinas com os respectivos comentários e apreciação crítica.

5.5.1. Propostas dos professores da língua portuguesa:

A língua portuguesa aparece como veículo de transmissão da cultura moçambicana de uma geração para outra dentro do mesmo círculo cultural e de um povo para outro.

Os professores da língua portuguesa começaram por marcar a diferença na elaboração do discurso pelos alunos entre aqueles que têm filosofia e aqueles que não a têm no seu currículo, isto é, os alunos de grupo A apresentam uma visão clara na elaboração de qualquer discurso oral.

Os professores acham que o nível de informação e a capacidade de argumentação seja provavelmente o resultado da acção de filosofia. Por esta razão, propõem que a filosofia seja extensiva para os outros grupos, por exemplo, para os chamados grupos de ciências duras. Os professores apontam que os alunos do grupo A têm muitos conhecimentos sobre a cultura da humanidade, sabem muito da história da evolução das línguas e culturas de povos e das ciências humanas.

A outra proposta dos professores de português aponta para a necessidade de troca constante de experiência entre os grupos de disciplinas para a concertação de posições na leccionação de conteúdos uns próximos de outros tais como a filosofia da linguagem, a análise de textos, as dimensões do discurso comunicativo etc.

5.5.2. Propostas dos professores de História

Os professores de história acham que a filosofia ajuda os alunos a compreender e interpretar criticamente e de modo reflexivo os factos que a história explora no seu dia a dia. A filosofia torna o aluno mais crítico e problematizador dos conteúdos da história, daí a necessidade de uma relação consciente e planificada entre o ensino de história e o ensino de filosofia. Nesta perspectiva os professores propõem que haja intercâmbio institucionalizada entre professores de filosofia e de história de modo que alguns conteúdos de história sejam consolidação de conteúdos de filosofia vice-versa.

Os professores da escola secundária nº3 deram como argumento a relação entre a UD 1 da história da 12ª classe com a UD 3 da filosofia 11ª classe. Como as duas disciplinas estão no mesmo grupo teriam esta relação como obrigatória, por isso, propõem que a UD 1 da história seja introduzida como revisão da 11ª classe disciplina de filosofia. Por seu lado, a filosofia política que aborda na UD 6 a filosofia dos movimentos de Libertação Nacional na 12ª classe, conteúdos tratados na UD 3 da história da 11ª classe.

Os professores de história propõem também que a filosofia seja ensinada nos outros grupos como forma de manter o equilíbrio entre os alunos do mesmo ciclo. São ainda da opinião que a filosofia inicie no primeiro ciclo com noções elementares que iriam ser continuadas no II ciclo.

5.5.3 Propostas de professores de filosofia

Os professores de filosofia apresentam diferentes visões sobre o ensino de filosofia em relação à oficialização institucional da relação necessária e natural entre a filosofia e outras disciplinas do currículo (a interdisciplinaridade obrigatória).

Propõem que o Ministério de Educação abandone a sua prática de dosificação rigorosa e fechada para o ensino e muito especialmente para a filosofia, pois, a filosofia é diferente das outras disciplinas, e essa diferença não

pode resultar apenas do discurso, mas da prática lectiva do dia-a-dia. Pensam também que haja uma reserva suficiente de tempo no programa para abordagem de temas de actualidade e transversais.

Os professores propõem que o Ministério de Educação alargue através de concursos públicos a produção dos manuais de filosofia, pois, até agora só existe um único manual, A Emergência de Filosofar, que só representa o ponto de vista de grupo de autores, e quando diversificada a produção dos manuais haveria ainda um grande esforço em melhorá-lo constantemente.

Esta posição coincide com a sugestão dos alunos e dos professores de história. Os professores propõem ainda que no primeiro ciclo seja ensinada a história de filosofia em forma de um funil invertido31.

Breve comentário:

As propostas dos professores em relação ao ensino da disciplina de filosofia no 2º ciclo mostram a necessidade da institucionalização da interdisciplinaridade no Sistema Nacional de Educação como algo obrigatório.

Os diferentes grupos de disciplinas são fortemente marcados pelo compartimentalismo, faltando lhes oportunidades de abertura para, através de uma certa disciplina do ensino, ver e saber o que está noutra disciplina.

Os professores propõem, justamente, de uma forma coincidente, que o ensino de filosofia seja iniciado mais cedo ainda. Esta proposta tem as suas implicações económicas que ultrapassam o nível deste trabalho. Mas é, por outro lado, legítima, considerando que a 10 ª classe é um nível de saída para o mercado do trabalho e havendo uma necessidade de uma forte educação para

31 Funil invertido seria iniciar a história de filosofia de uma forma muito simples e à

medida do possível ir se abrindo a visão e tornando mais complexa a matéria a tratar e quando se chegar ao 2º ciclo abandonar-se ia a abordagem histórica e passar se para abordagem temática como está acontecendo agora.

uma atitude positiva, crítica e reflexiva perante o trabalho e perante os desafios do combate contra a pobreza e doenças endémicas, é justo que a filosofia inicie antes para fornecer estes elementos aos finalistas deste nível.

Algumas propostas feitas, quer pelos professores tanto como pelos alunos ao longo das entrevistas constituem uma antecipação das recomendações gerais e específicas deste trabalho.

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