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Discussion and prospects for future studies

“Os efeitos da chuva”

Pronomes do leitor

Apartes pessoais

Diretivas Perguntas Conhecimento compartilhado “[...] distribuí- las um pouco melhor seria o ideal.” “Envolvem impedir a ocupação – tanto de ricos como de pobres – de áreas de risco, tarefa das mais

difíceis.” “Envolvem obras como contenção de encostas e barragens, que não aparecem para o eleitor – e aparecem tanto menos quanto mais eficientes forem.”

Feitas as demonstrações, passemos a realizar o cruzamento das informações para analisar como ocorre a relação entre o emprego dos marcadores metadiscursivos e os traços prototípicos da sequência argumentativa:

Quadro 19: Modelo do quadro específico de posicionamento nas fases da

sequência argumentativa

QUADRO ESPECÍFICO DE POSICIONAMENTO NAS FASES DA SEQUÊNCIA ARGUMENTATIVA

Carta ao leitor Fases da

sequência Atenuadores Intensificadores Marcadores de atitude Automenção Premissa

Argumento “Não há tecnologia

para evitar as chuvas torrenciais.” Contra- argumento “Envolvem também, é claro, a atuação consciente de cada cidadão.” “[...] distribuí-las um pouco melhor seria o ideal.” “Envolvem também, é claro, a atuação consciente de cada cidadão.”

conclusão “E não é demais esperar que tanto governos como cidadãos estejam mais bem preparados para as próximas chuvas.” [...] “Mas a repercussão do drama de gente como Flávio Larini vai, sim, levar a alguma ação.”

[...] “Mas a repercussão do drama de gente como Flávio Larini vai, sim, levar a alguma ação.”

Quadro 20: Modelo do quadro específico de engajamento nas fases da

sequência argumentativa

QUADRO ESPECÍFICO DE ENGAJAMENTO NAS FASES DA SEQUÊNCIA ARGUMENTATIVA

Carta ao leitor Fases da

sequência Pronomes do leitor Apartes pessoais Diretivas Perguntas Conhecimento compartilhado Premissa

Argumento Contra-

argumento “Envolvem impedir a ocupação – tanto de ricos como de pobres – de áreas de risco, tarefa das mais difíceis.” Conclusão

Não estamos admitindo o pressuposto de que alguns marcadores se organizam nas fases da sequência argumentativa de forma fixa, mas podemos comentar acerca de acertas recorrências nessa organização. Nos argumentos e contra-argumentos, temos a presença mais marcante dos marcadores de atitude e dos intensificadores e atenuadores, que reforçam a argumentação, já que este é o principal momento em que o autor busca reafirmar o ponto de vista defendido, ocorre o processo de exposição de toda teia argumentativa.

Já na conclusão, temos a presença do atenuador, que fecha a argumentação com uma hipótese positiva. Acreditamos que a atenuação surge

por conta da incerteza do autor em relação ao que ocorrerá de fato no futuro, já que ele não tem como confirmar uma atuação da força pública.

Como utilizaremos também a proposta com os intensificadores e atenuadores sugeridos por Cabrera (2004), identificaremos os marcadores encontrados nessas categorias.

Quadro 21: Modelo adaptado dos tipos de intensificadores propostos por

Cabrera.

INTENSIFICADORES

1. Expressões de certeza, de convicção ou de segurança

[...] “Mas a repercussão do drama de gente como Flávio Larini vai, sim, levar a alguma ação.”

3. Expressões de necessidade ou obrigação

4. Expressões de importância Relatar toda a dimensão humana da catástrofe, e apontar o que se deve fazer para diminuir seu impacto, é o que fazemos nesta edição,

5. Expressões de grau máximo

6. Expressões de grau alto “ainda mais”; “das mais difíceis”; “das mais recorrentes”

7. Enfatizadores [...] “a me considerar ainda mais sortudo.”

[...] “são dificuldades enormes.”

mais bem preparados.” [...] “não é apenas um dos lugares mais lindos da ilha é um dos lugares mais lindos do mundo.”

Quadro 22: Modelo adaptado dos tipos de atenuadores propostos por Cabrera.

Após identificarmos os marcadores metadiscursivos, tentaremos contextualizar as ocorrências com o intuito de identificar as funções discursivas que desempenham. Defendemos em nossa pesquisa que toda comunicação tem um objetivo que está contextualizado no entorno enunciativo e cada escolha linguística apresenta resultados discursivos. Como nossa análise percorre o uso dos marcadores metadiscursivos, tentaremos mostrar a contextualização dessas escolhas e verificar a adequação nas funções discursivas que propomos no quadro abaixo:

ATENUADORES

1. Expressões aproximativas 2. Expressões epistêmicas 3. Expressões hipotéticas

4. Expressões indeterminadas Mas deve haver modos de tirar as pessoas do caminho do desastre.

5. Negação de intensificadores “não era tão severa. [...] [...] “não é demais esperar.”

Quadro 23: Funções discursivas dos marcadores metadiscursivos.

Funções Discursivas

-Minimizar o comprometimento do autor. - Indicar possibilidades de ponto de vista.

-Hipotetizar pontos de vista para conquistar a concordância do leitor.

-Marcar a convicção do autor sobre o ponto de vista defendido.

-Direcionar a opinião do leitor para um ponto de vista delimitado, apresentado como único naquele contexto enunciativo.

-Ressaltar a importância de um fato.

-Intensificar para o leitor os pontos-chave na argumentação. -Marcar um alto grau de intensidade no ponto de vista

-Destacar a inclusão ou exclusão de algum elemento na construção argumentativa.

-Invocar o leitor a concordar com o ponto de vista do autor. -Assumir a responsabilidade sobre o ponto de vista apresentado. -Mostrar que o leitor deve participar do texto.

-Validar todo o ponto de vista que está sendo construído no texto,

acrescentando opiniões.

-Guiar o raciocínio do leitor para que possa comprovar o que está sendo

proposto pelo autor.

-Levar o leitor a responder reflexivamente

-Forçar a participação do leitor no ponto de vista apresentado.

Antes de começarmos a discussão, é preciso deixar claro que, para construirmos e organizarmos o quadro com as funções, utilizamos como base o conceito de cada marcador metadiscursivo porque tínhamos que ter um direcionamento, uma ordem para essa organização, mas sabemos que as escolhas de determinadas expressões, de acordo com o contexto enunciativo, podem gerar diferentes efeitos de sentido, portanto optamos por não construir um quadro limitado a correspondência unívoca, de uma só função para cada marcador, pois sabemos que é o contexto discursivo que possibilitará a

classificação das funções discursivas. Além disso, já assumimos como pressuposto a ocorrência de sobreposições.

Na carta ao leitor analisada, foram encontradas duas ocorrências de atenuadores: [...] “a Lei Ambiental não era tão severa.”; [...] “não é demais esperar.” Podemos observar que essas ocorrências correspondem à classificação proposta por Cabrera (2004), de negação da intensidade. Propomos como função dessa ocorrência a minimização do comprometimento do autor, entretanto observamos que, no primeiro caso, o autor está, também, expondo a opinião de que a lei é severa atualmente. Ocorre um julgamento do grau de “severidade” da lei. O autor, na verdade, exprime um ponto de vista.

Considerando dessa forma, podemos identificar como função discursiva a tentativa de validar o ponto de vista que está sendo construído no texto. No segundo caso o atenuador também é uma negação da intensidade, mas essa ocorrência tem a função discursiva de hipotetizar pontos de vista, fazendo uma previsão do comportamento social que deve ser adotado

Em relação aos intensificadores, identificamos quatro ocorrências, que podem ser vistas no quadro específico. Classificamos também de acordo com a proposta de Cabrera (2004) como intensificadores de grau alto. Nos casos analisados, podemos reconhecer a função de marcar um alto grau de intensidade no ponto de vista. É válido considerar que no primeiro, terceiro, quarto e sexto casos: “[...] a me considerar ainda mais sortudo [...]; são dificuldades enormes.[...]; tarefas mais difíceis.”, [...] “não é apenas um dos lugares mais lindos da ilha é um dos lugares mais lindos do mundo.”, a expressão da opinião do autor está clara. É um julgamento pessoal do autor.

Já na segunda e na quinta ocorrência: “[...] algumas são mais recorrentes do que seria razoável esperar.”, [...] “cidadãos estejam mais bem preparados.”, as informações parecem um pouco mais generalizadas. Podemos considerar, então, que o grau de comprometimento pode variar, a despeito do uso das mesmas expressões. No caso, temos o mais. O que determina essa diferença é o contexto comunicativo, entretanto, ao analisar os intensificadores, também podemos perceber que ocorre uma sobreposição das funções, já que, além de marcar um alto grau de comprometimento, esses marcadores desempenham as funções de assinalar a convicção do autor sobre o ponto de vista defendido; marcar um alto grau de intensidade no ponto de

vista; validar todo o ponto de vista que está sendo construído no texto, acrescentando opiniões; assumir a responsabilidade sobre o ponto de vista apresentado e invocar o leitor a concordar com o ponto de vista do autor.

Ainda relacionado com os marcadores metadiscursivos de posicionamento, podemos destacar os marcadores de atitude encontrados: “[...] não é apenas um dos lugares mais lindos da ilha[...]; “[...]num trabalho primoroso”; [...]mas algumas são mais recorrentes do que seria razoável esperar;[...] mas deve haver modos de tirar as pessoas do caminho do desastre.” [...] “Mas a repercussão do drama de gente como Flávio Larini vai, sim, levar a alguma ação.”; “Envolvem também, é claro, a atuação consciente de cada cidadão.” No primeiro caso, o autor demonstra uma atitude de concordância parcial, pois amplia a proposição: a beleza da ilha grande ganha uma dimensão mundial. Na segunda ocorrência, também temos a exposição clara da opinião do autor, o que nos leva a considerar como função discursiva desses marcadores metadiscursivos o ato de invocar o leitor a concordar com o ponto de vista do autor. Essa função também é encontrada no terceiro, quarto e quinto marcador discursivo, pois mostram a atitude do autor com a discordância representada pela conjunção “mas” para seguir com a exposição do ponto de vista defendido. Na sexta ocorrência dos marcadores de atitude, temos a função de destacar a inclusão de um elemento na construção argumentativa, já que, além de outras medidas para acabar com os desastres ocasionados pelas chuvas, inclui a de que os cidadãos devem atuar conscientemente.

A automenção ocorre quatro vezes na carta analisada. Nos três primeiros casos aparecem em primeira pessoa do singular: “estive ali [...]”; “ Já me considerava[...]”; “passaria a me considerar[...]”. Propomos, como função discursiva da automenção, o autor assumir a responsabilidade sobre o ponto de vista defendido. No primeiro caso, a defesa não chega a ser com uma opinião, mas com um fato narrado. O autor manifesta-se como participante do fato narrado. No segundo e no terceiro caso, podemos perceber de forma clara o posicionamento do autor. Já na quarta ocorrência, temos a voz da revista: está na primeira pessoa do plural porque o papel dos jornalistas na reportagem comentada será destacada.

Em relação ao engajamento, verificamos a ocorrência de três apartes pessoais: “[...] distribuí-las um pouco melhor seria o ideal.” “Envolvem impedir a ocupação – tanto de ricos como de pobres – de áreas de risco, tarefa das mais difíceis.”; “Envolvem obras como contenção de encostas e barragens, que não aparecem para o eleitor – e aparecem tanto menos quanto mais eficientes forem.”. Nesses casos, percebemos a ocorrência da função discursiva proposta, que é validar o ponto de vista que está sendo construído no texto acrescentando opiniões.

O outro marcador metadiscursivo presente é o apelo ao conhecimento compartilhado: “Tragédias, dos mais variados tipos, acontecem em todo lugar.” Observamos que essa ocorrência está na premissa do texto, busca uma adesão com a função discursiva de forçar a participação do leitor no ponto de vista apresentado. Esse apoio do leitor é necessário por iniciar uma base argumentativa.

Exemplo 2

Istoé N° Edição: 2095 06/01/2010

"A Gastança Pública"

Carlos José Marques, diretor editorial

O calcanhar de Aquiles da economia neste ano de 2010 que começa é a gastança do setor público, que, em anos eleitorais como este, passa de todos os limites razoáveis. A julgar pelos sinais que já vêm sendo emitidos do Planalto, os controles não serão tão rígidos. Para o PAC, o programa que deve se converter na principal máquina de arrecadação de votos federal, virão mais R$ 7 bilhões em recursos adicionais. É o maior volume orçamentário já previsto, desde a sua criação em 2007. O saco de bondades – cuja conta, naturalmente, deverá ser paga pelo sucessor – não para por aí. Uma medida provisória vai fixar em mais de 6% o reajuste de pensões e aposentadorias do INSS superiores ao salário mínimo. O valor já passa a vigorar a partir de janeiro e corresponde ao total da inflação de 2009 mais 50% da variação do

PIB de 2008.Na mesma linha, o salário mínimo que entra em vigor passa a apresentar seu maior patamar, em valores reais, dos últimos 24 anos. Pelas contas do Dieese, os R$ 510 previstos equivalem em dólar ao salário mínimo de 1986, quando o Plano Cruzado introduziu o congelamento de preços e segurou temporariamente a inflação. Essa última concessão do governo Lula aos trabalhadores cobre uma massa salarial de mais de 46 milhões de pessoas da chamada População Economicamente Ativa (PEA), cujo mínimo atua como referência.

Em relação à cesta básica, o mínimo de R$ 510 apresenta a relação mais favorável desde 1979. Na ponta do lápis, corresponde a 2,17 cestas básicas em 2010. Em outras palavras, está turbinado exponencialmente o poder de compra dos brasileiros na chamada camada mais pobre da população. O lado positivo da equação é que esse incremento de renda promove reflexos positivos por vários setores, embora possa comprometer as metas orçamentárias da máquina. Um mero detalhe. Afinal, as autoridades não parecem mesmo muito preocupadas com limitações de verbas. Para atender ao entusiasmo consumista, até desonerações de vários segmentos entraram na ordem do dia. Créditos de IPI passaram a valer para a compra de produtos com material reciclado. A renúncia fiscal nesse caso é de mais de R$ 100 milhões. É preciso ver como o País vai fechar a conta depois.

Na carta ao leitor da revista Istoé exemplificada, o texto apresenta de forma direta a organização argumentativa com a premissa já no título. Além disso, podemos perceber o uso do intensificador que enfatiza o ponto de vista defendido através da expressão “gastança”. Vale ressaltar que o autor optou por uma expressão informal, que faz com que haja uma maior proximidade com o leitor. Podemos, inclusive, nos antecipar e ilustrar as funções discursivas desempenhadas pelo marcador metadiscursivo em destaque, como marcar um alto grau de intensidade no ponto de vista. Neste caso, o ponto de vista é explicitado pela própria informalidade da expressão “gastança”, que também exerce as seguintes funções mais evidenciadas: invocar o leitor a concordar com o ponto de vista do autor; assumir a responsabilidade sobre o ponto de vista apresentado. Como expressamos anteriormente, o marcador

metadiscursivo pode apresentar mais de um tipo de função e pode ainda apresentar graus de maior ou menor proximidade com essas funções.

Mesmo realizando uma pesquisa de cunho qualitativo, tentamos enquadrar a análise, por isso decidimos mostrar as funções mais evidentes, embora sabendo que esse leque pode ser ampliado dependendo da visão do analista. Para esclarecermos melhor nosso pensamento, poderíamos identificar também no intensificador “gastança” a função discursiva de guiar o raciocínio do leitor para que possa comprovar o que está sendo proposto pelo autor. Esta função pode ser verificada indiretamente, já que há um posicionamento na expressão “gastança”, entretanto, o termo não aponta para um direcionamento de leitura, ou de reflexão, geralmente marcado pelo verbo no imperativo: “veja; olhe...”. Em nossa análise, precisamos sempre recorrer a essas reflexões para não verificarmos todas as funções discursivas em um mesmo marcador, e nem deixarmos de destacar as funções discursivas evidentes.

Com essa ilustração inicial, passemos a identificar as partes da sequência argumentativa. A premissa é iniciada no título e segue para a primeira oração do texto em que o autor expõe que o país terá problemas econômicos no ano de 2010 “O calcanhar de aquiles da economia neste ano de 2010 que começa é a gastança do setor público, que, em anos eleitorais como este, passa de todos os limites razoáveis.” Assim como o título, a premissa é marcada pela exposição incisiva do ponto de vista do redator, que utiliza intensificadores “gastança do setor público”; “passa de todos os limites razoáveis” e marcadores de atitude “a gastança do setor público”; “o calcanhar de Aquiles”.

Podemos perceber a ocorrência da expressão “gastança do setor público” servindo para dois marcadores. Isso ocorre porque a expressão gastança tem a função discursiva de marcar um alto grau de intensidade no ponto de vista, já que está no aumentativo, não é só um gasto do governo, mas um gasto exagerado. Também consideramos um marcador de atitude, com a função discursiva de marcar a convicção do autor sobre o ponto de vista defendido. O autor utiliza a intensidade não apenas para dizer que é um grande gasto, mas um gasto exagerado, desnecessário, o que expressa a opinião, funcionado como um marcador de atitude. Nos marcadores metadiscursivos apresentados na premissa, podemos verificar, além das funções discursivas

apresentadas, outras como invocar o leitor a concordar com o ponto de vista do autor e assumir a responsabilidade sobre o ponto de vista apresentado. Isso porque a intensidade das opiniões apresentadas pelo autor é gerada com seu próprio pensamento, o autor que se assume como responsável pelo conteúdo apresentado, buscando a adesão do leitor.

A parte seguinte corresponde aos argumentos que abrangem o texto quase por completo. O autor aproveita esse momento para elencar os motivos que o fazem acreditar na decadência econômica do país. Nessa fase, temos a presença mais marcante de intensificadores como “saco de bondades”, “cobre uma massa salarial de mais de 46 milhões de pessoas” entre outros que, como este, enfatizam os números “ mais de 7 bilhões em recursos adicionais” . Ocorre a presença de dois atenuantes: “um mero detalhe”, que na realidade tem um papel de intensificador, já que é uma marca irônica do autor, após dizer que o processo de gasto pode prejudicar a meta orçamentária; e “ as autoridades não parecem mesmo muito preocupadas com as limitações de verbas”. Também neste caso temos um atenuante que enfatiza os problemas relatados.

É interessante observar que na fase argumentativa, com o uso dos intensificadores e atenuadores, as funções discursivas mais fortes são as que validam o ponto de vista do autor; podemos destacar algumas: marcar a convicção do autor sobre o ponto de vista defendido; ressaltar a importância de um fato; intensificar para o leitor os pontos-chave na argumentação; marcar um alto grau de intensidade no ponto de vista; invocar o leitor a concordar com o ponto de vista do autor; assumir a responsabilidade sobre o ponto de vista apresentado; guiar o raciocínio do leitor para que possa comprovar o que está sendo proposto pelo autor; validar todo o ponto de vista que está sendo construído no texto, acrescentando opiniões.

Essa ocorrência é perfeitamente compreensível porque é nesse momento que o autor trabalha toda a marca de convencimento, visando à adesão do leitor, direcionando-o para a provável conclusão.

Ainda em relação aos argumentos, temos a presença de apartes pessoais, como “o programa deve se converter na principal máquina de arrecadação de votos federais”, que neste caso, exerce a função proposta: a de validar todo o ponto de vista que está sendo construído no texto,

acrescentando opiniões. Temos a opinião do autor exposta de forma clara ao relacionar o PAC com os votos federais, já que isso pode ser uma consequência, mas não é divulgada de forma explícita pelos políticos que apoiam o programa de aceleração do crescimento.

A outra fase apresentada no texto é a conclusão: “Em outras palavras, está turbinado exponencialmente o poder de compra dos brasileiros na chamada camada mais pobre da população. O lado positivo da equação é que esse incremento de renda promove reflexos positivos por vários setores;” “É preciso ver como o País vai fechar a conta depois.” Nesta fase, temos a presença do intensificador “turbinando exponencialmente o poder de compra dos brasileiros”, enfatizando que, mesmo com os benefícios do poder de compra, a consequência financeira será difícil, uma vez que os gastos devem ser repostos. É interessante que, no processo de conclusão, mesmo não existindo um marcador metadiscursivo composto por pergunta, existe a função discursiva de levar o leitor a responder reflexivamente. Isso ocorre pelo jogo de crítica, desenvolvido em todo o texto, e pela exposição do lado positivo desse processo. É uma vantagem para a população ter o poder de compra elevado, mas, ao mesmo tempo, é preciso pensar na desvantagem posterior.

Exemplo 3

VejaN° Edição: 2146 06/01/2010

“O TCU merece respeito”

É próprio das democracias manter instâncias fiscalizadoras do uso do dinheiro público. Ou seja, do nosso dinheiro, transferido via impostos diretos e indiretos para os cofres estatais. Nos últimos tempos, uma dessas instâncias, o Tribunal de Contas da União (TCU), órgão consultivo do Congresso, entrou na mira do Palácio do Planalto, sob a acusação de atraso nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com o qual o governo federal pretende