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Conclusion and alternative hypotheses of scent marking

Em nossa pesquisa procuramos, além de identificar os marcadores metadiscursivos da carta ao leitor, analisar como funcionam na organização da sequência argumentativa e, principalmente, descrever as funções discursivas que essas escolhas podem desempenhar.

Sabemos que, em toda produção, existe uma atuação consciente do redator em decidir quais as expressões que serão utilizadas para conquistar a adesão do leitor, já que se trata de revistas de circulação nacional com credibilidade no meio social por tratar de temas como economia, política, educação.

A presença dos marcadores metadiscursivos percorreu toda a análise com um grande número de ocorrências principalmente pelo fato de tratar-se de um texto opinativo, em que o ponto de vista do redator aparece de forma clara.

Fizemos uma breve exposição do gênero analisado com base em estudos anteriores sobre o editorial, gênero mais próximo, já que não encontramos um estudo de descrição da carta ao leitor. Temos consciência de que é uma análise incipiente, mas pode influenciar futuras pesquisas de gênero que caracterizem a carta ao leitor.

Identificamos a ocorrência de marcadores metadiscursivos de posicionamento e de engajamento de maneira indistinta, ou seja, não percebemos preferência por uma das classificações e acreditamos que isso ocorreu porque em um texto opinativo tanto o posicionamento do autor como o processo de engajamento do leitor é necessário para dar credibilidade ao assunto. O que encontramos foi a presença de algumas sobreposições, como no caso do atenuador funcionando como intensificador, do marcador de atitude sendo considerado intensificador ou aparte pessoal, a automenção, em raros casos, confundindo-se com o pronome do leitor, e o apelo ao conhecimento compartilhado também sendo identificado como um marcador de atitude. Em casos dessa natureza tentamos deixar a análise explicada evidenciando a sobreposição.

Essa organização nos faz identificar que existe uma relação entre o uso desses marcadores metadiscursivos e a forma composicional da sequência argumentativa de Bronckart (2007). Isso mostra que a organização da sequência contribui para a escolha de determinadas expressões

metadiscursivas como podemos observar com o uso de algumas relações mais recorrentes, como o apelo ao conhecimento compartilhado na premissa, os intensificadores e marcadores de atitude nos argumentos e contra-argumentos e os apartes pessoais na conclusão. Ao tentarmos analisar essa relação, podemos pensar que o uso do apelo ao conhecimento compartilhado na premissa serve para o leitor ambientar-se com o assunto que será discutido. Muitas vezes, como leitores, não temos um conhecimento aprofundado do que será discutido, mas, se o autor compartilhar do assunto, nos aproximamos mais do texto, por isso esta é uma estratégia metadiscursiva, assim como o uso dos intensificadores e marcadores de atitude na argumentação, que dá mais força ao texto, os pontos de vista ficam mais incisivos, mostrando a convicção do autor na abordagem do tema.

Por fim, a recorrência dos apartes pessoais na conclusão nos faz refletir sobre o objetivo de concluir o texto com a exposição do pensamento da revista. O redator fecha o texto com total comprometimento do tema trabalhado. Não identificamos uma relação específica dos demais marcadores metadiscursivos com as fases da sequência argumentativa. Precisamos deixar claro, mais uma vez, que não existe uma relação biunívoca entre os marcadores metadiscursivos discutidos e essas fases, por isso o que fizemos foi uma avaliação das relações mais recorrentes.

A principal contribuição de nossa pesquisa é a proposta das funções discursivas. Com nossa análise, podemos perceber inicialmente que ocorre, como já havia sido previsto, uma sobreposição das funções propostas. Construímos o quadro com a proposta das funções relacionando com cada marcador metadiscursivo, mas verificamos que, no contexto enunciativo, um mesmo marcador pode desempenhar funções diferentes da proposta ou até desempenhar mais uma função. Identificamos também uma função que engloba as demais. Se formos pensar, todos os marcadores metadiscursivos exercem a função discursiva de invocar o leitor a concordar com o ponto de vista do autor. Isso se deve ao caráter argumentativo do gênero e ao fato de a opinião do redator ser ponto-chave na organização das opiniões da revista.

As funções que merecem destaque por estarem presentes em praticamente todas as cartas são: Marcar a convicção do autor sobre o ponto de vista defendido; ressaltar a importância de um fato; intensificar para o leitor os

pontos-chave na argumentação; marcar um alto grau de intensidade no ponto de vista; assumir a responsabilidade sobre o ponto de vista apresentado; validar todo o ponto de vista que está sendo construído no texto, acrescentando opiniões; incentivar a participação do leitor no ponto de vista apresentado. Algumas funções não foram evidenciadas na análise, mas preferimos deixar no quadro porque acreditamos serem adequadas ao gênero, podendo emergir em outras cartas ao leitor. Acreditamos que, em futuras pesquisas, exista a possibilidade de reorganização do quadro com a exclusão ou acréscimo de mais funções.

Acreditamos que as possibilidades de pesquisas que acompanhem nossa proposta sejam recorrentes devido aos pontos trabalhados. O primeiro deles é o estudo do gênero carta ao leitor, que não é explanado na literatura e tem aspectos únicos possíveis de serem explorados nas pesquisas de gênero. Outra proposta relevante que pode ser ampliada é a análise dos marcadores metadiscursivos em gêneros que não sejam acadêmicos, como propôs Hyland (2005), acreditamos ainda na possibilidade de redimensionamento do quadro do autor para se adequar a esses gêneros. A associação da análise de marcadores metadiscursivos com as sequências textuais também possibilita análises consistentes na Linguística Textual. Em relação a nossa maior contribuição na pesquisa, que foi a criação e adequação do quadro de funções discursivas, acreditamos na possibilidade de ampliações, novas discussões e modificações que se direcionem aos propósitos de futuras análises.

Por fim, entendemos também que nosso trabalho pode dar um suporte no ensino tanto em processos de leitura e compreensão como na produção textual. Isso porque o aluno será capaz de identificar as escolhas lexicais mais marcadas no intuito chamar atenção do leitor e invocá-lo a concordar com o que será abordado. Nesse caso é importante os alunos terem consciência de que um texto é escrito para um público leitor e não apenas para o professor fazer a correção, pois sabemos que isso é que determinará a escolha dos marcadores metadiscursivos. Os trabalhos com esse assunto podem fazer o aluno pensar tanto na decisão dos autores por determinadas expressões auxiliando na compreensão do texto, como em suas próprias escolhas metadiscursivas no momento da construção do texto.

REFERÊNCIAS

ADAM, Les textes: types et prototypes. Paris: Nathan, 1992.

BAKHTIN, M. A Estética da Criação Verbal. São Paulo: Martins Fontes, 1992. BELTRÃO. Luiz. Jornalismo opinativo. Porto Alegre: Sulina, 1980

BERNARDINO, Gadelha Cibele.

O metadiscurso interpessoal em artigos