6. Interview Analysis
6.7 Discussing AM and its Green Aspects
“O critério determinante no sucesso da utilização ou na viabilidade de qualquer colecção é o acesso” (Nunes, M.B.: 2002, 62)
Pelas características que o fundo local detém podemos aferir que deve ter um local de destaque na Biblioteca, bem à vista dos utilizadores, por forma a que todos dele se apercebam e se sintam tentados a consultá-lo, como afirma Cardoso “o Fundo Local deve estar visível deve ocupar um lugar nobre da Biblioteca” (Cardoso: 2010, 4). Porquanto a necessidade de uma boa e cativante sinalética poderá concorrer em prol deste objectivo. “Reconhecido o prestígio, considera-se que, em regra, o fundo local deverá evidenciar-se em área de leitura geral, contudo, ponderado o valor dos documentos que o constituem, poderá distinguir-se administrativamente e espacialmente e localizar-se numa área de acesso reservado e protegido, uma vez que pode conter verdadeiras preciosidades patrimoniais” (Silva: 2012, 27). Uma sinalética apelativa ditará o sucesso deste feliz encontro entre usuários e o fundo local, afirmando-se essencial no processo comunicacional entre uns e outros, despertando num primeiro momento a curiosidade pela descoberta. “Esta facilidade no acesso, quer físico, quer através de um catálogo eficiente, será essencial, por outro lado, e como parte do fundo local pode apenas ser passível de ser consultado na Biblioteca, este deve apresentar em livre acesso, o maior número possível de documentos” (Nunes, H. B.: 1996, 136). Essencial é também que os funcionários e ou Bibliotecários conheçam muito bem o fundo para poderem orientar na sua pesquisa os utilizadores interessados, daí que se o espólio
39 Incentivar a comunidade local a contribuir para o enriquecimento da sua História material do fundo
local como fotografia, postais, recortes de jornais, revistas, panfletos, cartazes etc. Todo este material (não livro) configura-se enquanto importante testemunho das comunidades locais e transmite pontos de vista, orientações sociais, politicas e económicas de um determinado tempo “terem um carácter efémero, uma circulação meramente restrita, têm um interesse meramente factual, mas um dia serão memória, podem ajudar a fazer história. (Nunes, H. B.:1996, 134)
estiver estrategicamente colocado e for visível da zona de atendimento, mais eficaz será prestar qualquer esclarecimento ou orientação. “O centro de documentação local não tem, nem pode possuir a guarda física de todos os documentos de carácter local, mas deve possibilitar a sua localização”(Nunes, M.B.: 2002, 61). Dado que não pretendemos aqui problematizar ou questionar a legitimidade custodial ou princípios de proveniência, referimos apenas que, do ponto de vista colaborativo, é cada vez mais importante e útil elencar documentos que embora fisicamente não estejam à guarda da Biblioteca da comunidade que o produziu ou que os viram produzir, mesmo assim, seria útil que fosse garantido o acesso informacional a todos os interessados. Se nos restringirmos a falar sobre a instituição à qual cabe a responsabilidade da guarda de tais materiais, o que mais verdadeiramente pode determinar o destino de um documento não são as suas características intrínsecas de forma e/ou conteúdo, mas o seu uso, ou seja (…) o seu carácter funcional e a relação com o público a que se destina (Nunes, M.B.: 2002, 62). Nesta linha e por forma a informar o mais exaustivamente possível os utilizadores sobre as colecções do fundo local, é conveniente a elaboração de bibliografias e catálogos ou listagens impressas referentes a este, ou elaborar bibliografias (comentadas) índices de documentos existentes noutras bibliotecas/arquivos/centros de documentação sobre a temática.
“O tratamento do Fundo Local obedece às regras de catalogação e de descrição bibliográfica normalizada que se aplicam aos outros fundos da biblioteca” (Nunes, H. B.: 1988, 18). O processo de catalogação, deve ser o mais completo possível tentando antecipar as potenciais necessidades e as pesquisas dos utilizadores (Silva: 2012, 82). A existência de catálogos completos e bem organizados determinam o sucesso da pesquisa, o entusiasmo que pode implicar a reincidência ou a desistência de um utilizador, ou de um simples curioso.
Como é evidente, a biblioteca disporá dos catálogos habituais podendo dispor de um especial para o Fundo Local para informar mais exaustivamente o que possui. De grande utilidade será também a informação regular sobre, por exemplo, novas aquisições, ou incorporações, mantendo desta forma sempre actualizado o catálogo do Fundo e os utilizadores interessados. A dinamização do fundo local depende também da adequada divulgação da sua existência aos seus potenciais utilizadores, ou seja,à comunidade local. Segundo Nunes “para começar deve ser feita uma boa publicidade sobre a sua existência e possibilidade de utilização, o que se consegue através da edição de desdobráveis ou cartazes amplamente distribuídos” (1988, 19), ou através da realização de actividades com os materiais que o formam, constituindo assim uma forma subtil de apresentação.
Por isso, planificar e executar actividades educativas e culturais intrinsecamente ligadas à comunidade local, na (pela) Biblioteca terá tanto mais êxito quanto melhor se conhecerem os utilizadores para ser mais fácil ir ao seu encontro e das suas aspirações. Nesta lógica de sistema aberto e actuante estão a organização de actividades que possam promover a biblioteca, apresentá-la aos cidadãos, bem como às suas colecções e fundos de forma cativante, sem imperativos e exigências.
Estas acções podem ser um poderoso cartão de visita àquela casa que deve ser de todos pese embora alguns bibliotecários continuem sonhando – “por ingénuo desejo de status e prestigio institucional – com leitores eruditos e bem vestidos, quando deveriam rejubilar-se com a visita acanhada do lavrador maltrapilho que indaga sobre princípios de puericultura” (Miranda António:1978, 69-75). Falamos desde simples exposições de curta duração onde a comunidade local se possa ver retratada numa abordagem a um simples tema festivo ou de interesse comunitário, às tertúlias temáticas, aos encontros de escritores (da terra), às compilações e publicações para as quais o fundo local concorre, e com as quais o fundo local pode ficar mais rico.
À biblioteca enquanto lugar de memória (Nora: 1984) cabe recolher, preservar e divulgar as memórias da comunidade que serve, através do fundo local, tal como diz Lage, ele é “uma das razões de ser das bibliotecas municipais e arquivos municipais, constituindo mesmo para algumas delas o elemento fundador, matriz da sua identidade e fermento de identidade da própria localidade/região consideradas como colectividades históricas e vivas e, na medida em que se trata de colecções que compõem a memória local, permitem conhecer-lhe de modo mais preciso e próximo a história, a cultura, a língua, os costumes, favorecendo pois o sentimento de pertença das populações à comunidade local e/ou regional” (2002, 61).