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Discission of the results

10. Discussion of the results and conclusion

10.1. Discission of the results

Os eventos pertencem ao domínio público na sua totalidade ou apenas em parte (consoante os casos), daí que faça sentido que os objectivos e impactos na comunidade local devam ser tidos em conta. Em muitas situações, os eventos têm um papel fundamental na solidificação e constituição da comunidade local, do mesmo modo que podem constituir uma razão para não sair da área e assim convidar a deixar receitas no

36 destino (que coincide com a área de residência). Por outro lado, os impactos dos eventos atingem as questões da requalificação urbanística, patrimonial e divulgação cultural. São inúmeros os benefícios positivos que os eventos conseguem proporcionar à população local, entre os quais Getz (1997, 2007a, 2007b) e Bowdin et al, (2006) defendem: o aumento do orgulho-próprio da comunidade; o fortalecimento das tradições e valores; a grande participação em desportos, artes ou outras actividades relacionadas com o tema do evento; a adaptação a novos padrões ou formas culturais através da exposição ao evento; o aumento do voluntariado/envolvimento e do grupo de actividade da comunidade; e a interacção cultural e cooperação. Em muitos casos, os eventos são muito apreciados pelas comunidades locais uma vez que nesses destinos foram desenvolvidos predicados que melhor o definem e os tornam apelativos na captação de turistas. Getz (1997) agrupa em termos genéricos, as estratégias temáticas para a realização dos eventos:

 Eventos como atracções principais: Os eventos podem ser tidos como atracções principais tendo em conta a temática, a criação da imagem do destino e a interação com o destino. Estes eventos são apropriados para os destinos que pretendem emergir de acordo com uma temática ou uma marca que os distinga dos restantes. Esta é também uma boa estratégia para destinos rurais.

 Mega eventos: Este tipo de eventos destina-se a locais que pretendem atingir um grande número de públicos. A realização de vários eventos anuais desta natureza, oferece um aumento dos visitantes ao destino. Nestes casos, é necessário um envolvimento governamental, assim como o sector privado deve estar apto a fazer face às necessidades inerentes ao volume turístico que se faz sentir.

 Anos temáticos: Os eventos inseridos numa temática temporal a aplicar ao destino permitem a sua divulgação de uma forma especial, sendo que este tipo de promoção oferece uma grande publicidade do destino e ao que está associado a ele.

 Variedade de eventos na comunidade: Esta estratégia é assente nos eventos já existentes na comunidade e adicionar novos. Tem como base a autenticidade, as características da população local. Apesar de ter custos de produção mais baixos, é necessário um esforço maior na sua promoção através da publicidade, da

Destinos Culturais e Eventos. A Hotelaria em Sintra.

37 inclusão na indústria turística existente, e do envolvimento da comunidade no seu sucesso.

Adicionar valor a atracções e resorts: Esta estratégia é baseada no facto dos eventos serem um complemento às atracções do destino. Desta forma, assumem um papel de lazer e entretenimento do turismo em visita. Assim, conseguem adicionar valor à viagem e à experiência turística que usufruem no local.

 Eventos sob licitação: Esta estratégia assenta no facto de alguma comunidades preferirem eventos únicos onde envolvem um grande valor mediático e são centrados sobretudo no turista. Este tipo de estratégia necessita de um financiamento avultado e de um marketing devidamente desenvolvido em torno do evento.

No caso dos eventos tidos como atracção principal de um destino, são desejáveis aqueles que facilmente remetam para o local, que identifiquem o destino e os eventos Hallmark permitem isso (Getz, 1997). É uma forma de aliar a imagem do evento ao destino, de modo a que se tornem inseparáveis e que mutuamente se reforcem.

Para destinos que procuram uma estratégia que se baseia no crescimento do turismo em grande escala, a realização de inúmeros mega eventos no mesmo ano ou sequenciais podem ser eficazes em captar a atenção e a impulsionar os números dos visitantes (Getz, 1997). Os grandes eventos trazem grandes impactos, sejam eles positivos ou negativos. O sector privado e os residentes locais conseguem suportar um grande evento, mas não muitos se se realizarem com frequência. No entanto, existem destinos e comunidades que têm preferência por atrair eventos de caracter único, com uma grande divulgação por parte dos media, gerando, por isso um grande impacto em termos do número de visitantes. Esta estratégia só é possível de realização caso seja disponibilizado uma verba avultada assim como uma estratégia de marketing bem elaborada. Nos eventos sob licitação há um sério risco de não ser possível conciliar o tema do evento e as condições em que se realiza com a comunidade local, devido aos seus custos e também ao facto do evento estar centrado para o turista, o que remete, de certa, para um certo esquecimento da comunidade como fazendo parte público no evento.

A oferta de serviços turísticos nos destinos permite desenvolver e promover eventos de vários tipos a fim de atingir diversos objectivos: atrair de turistas (especialmente em épocas baixas), o sentido catalisador para a requalificação urbana, infra-estruturas,

38 acessibilidades e comunicação, conservação do património cultural (incluindo todas as suas mais variadas formas de manifestação), aumento da infra-estrutura e a capacidade turística do destino, promoção de uma imagem positiva do destino e contribuição para o marketing do lugar (onde inclui incentivos promocionais tendo em vista o destino como um lugar melhor para viver, trabalhar e investir), e promoção de atracções específicas ou áreas (Babadjanov, 1999 e Getz, 2007a).

Os apreciadores da cultura e das artes ganham um motivo para a deslocação a um evento se o tema satisfizer as suas preferências. O seu carácter de experiência única e incapacidade de repetição são factores de decisão que levam à participação no evento. No entanto, existe um conjunto de impactos negativos que importa focar. São eles a aculturação (como tentativa de agradar quem visita e por isso ignora, de certa forma, os valores culturais do destino que acolhe), sobrecarga das capacidades das infra-estruturas que servem as necessidades da população (estradas, hospitais, entre outros exemplos), e possibilidade de sentimento de exclusão caso não se consiga conciliar os eventos e as políticas do destino com os interesses da população local (Getz, 2007).