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Dilemmaer hos fylkeskommune og skole

65Aos que, em toda a parte onde as distinções entre o sensível e o intelectual

lhes não são correntes, julgam encontrar contradições da crítica da razão pura com ela própria, advirto aqui que quando se fala de meios sensíveis para fo- mentar o intelectual (da pura intenção moral) ou de obstáculos, que os primeiros opõem ao último, este influxo de dois princípios tão heterogéneos nunca se deve pensar como directo. Com efeito, como seres sensíveis, podemos actuar sobre os fenómenos do princípio intelectual, i. e., sobre a determinação das nossas forças físicas pelo livre arbítrio, que se manifesta em acções, contra a lei ou a seu favor; de modo que causa e efeito são representados como efectivamente homogéneos. Mas no tocante ao supra-sensível (o princípio subjectivo da moral- idade em nós, que está encerrado na propriedade inconcebível da liberdade), por exemplo, a disposição de ânimo religiosa pura, de tal nada vemos, afora a sua lei (o que, porém, já é bastante), que tenha a ver com a relação de causa e efeito, ou seja, não podemos explicar a nós mesmos a possibilidade das acções como acontecimentos no mundo sensível, a partir da qualidade moral do homem, en- quanto a ele imputáveis, justamente porque são acções livres e os fundamentos de explicação de todos os acontecimentos se devem ir buscar ao mundo sensível.

Adopto, em primeiro lugar, a proposição seguinte como um princí- pio que não necessita de demonstração alguma: tudo o que o homem, além de uma boa conduta, imagina poder ainda fazer para se tornar agradável a Deus é simples ilusão religiosa e pseudo-serviço de Deus. – Digo o que o homem crê poder fazer; pois não se nega assim que, para lá de tudo o que conseguimos fazer, possa haver nos segredos da suprema sabedoria algo que só Deus con- segue fazer para nos tornar homens agradáveis a Ele. Mas se a Igreja viesse, porventura, a anunciar como revelado semelhante mistério, a opinião segundo a qual crer nessa revelação, como no- la narra a história sagrada, e professá-la (interna ou externamente) seja em si algo com que nos tornamos agradáveis a Deus seria uma perigosa ilusão religiosa. Pois tal fé, enquanto confissão interna do seu assentimento firme, é tão verdadeiramente um fazer forçado pelo temor que um homem sincero poderia aceitar qualquer outra condição em vez desta, porque em todos os outros serviços força- dos faria, em todo o caso, apenas algo de supérfluo, mas aqui re- alizaria algo de antagónico à consciência moral numa declaração de cuja verdade não está convencido. Por isso, a confissão, a cujo propósito se persuade de que ela (como aceitação de um bem que lhe é oferecido) pode por si mesma torná-lo agradável a Deus, é algo que ele imagina poder fazer para lá da boa conduta, na adesão às leis morais a cumprir no mundo, ao virar-se com o seu serviço directamente para Deus.

Quanto à deficiência da nossa própria justiça (que vale diante de Deus), a razão, em primeiro lugar, não nos deixa de todo sem consola-ção. Assere que quem numa intenção verdadeira, votada ao dever, faz tanto quanto está em seu poder para (pelo menos numa aproximação constante ao pleno ajustamento à lei) cumprir a sua obrigação, pode esperar que o que não está em seu poder será de qualquer modo suprido pela suprema sabedoria (que pode tornar imutável a intenção desta aproximação constante), mas sem que a razão presuma determinar e saber em que consiste o modo;

este pode porventura ser tão misterioso que Deus, quando muito, no-lo revelará numa representação simbólica em que só o prático nos é compreensível, ao passo que teoricamente não podemos se- quer compreender o que em si é tal relação de Deus ao homem, e associar-lhe conceitos, ainda que Ele quisesse descobrir-nos semel- hante mistério. – Ora bem, supondo que uma certa Igreja afirma saber determinadamente o modo como Deus supre a deficiência moral no género humano e, ao mesmo tempo, condena à reprovação eterna todos os homens que desconhecem aquele meio de justifi- cação naturalmente ignorado da razão e que, portanto, o não aceitam e professam como princípio de religião, quem é que, em semel- hante caso, é aqui o incrédulo: o que confia sem saber como acon- tecerá o que ele espera, ou aquele que por todos os meios quer saber a índole da redenção do homem do mal e, no caso contrário, renuncia a toda a esperança em tal redenção? – No fundo, ao úl- timo não interessa tanto saber este mistério (pois já a sua razão lhe ensina que lhe é de todo inútil saber algo em vista do qual nada pode fazer), mas unicamente o quer conhecer a fim de se poder fazer (embora tal só interiormente aconteça) da fé, da aceitação, da confissão e glorificação de toda esta revelação, um serviço de Deus que lhe possa assegurar o favor do céu, antes do dispêndio das suas próprias forças em ordem a uma boa conduta, portanto, de modo inteiramente gratuito, serviço de Deus que possa, inclusive, pro- duzir esta boa conduta de modo sobrenatural ou, onde porventura contra ela se actue, possa ao menos reparar a transgressão.

Em segundo lugar, quando o homem se afasta, ainda que só no minimo, da máxima acima mencionada, o pseudo-serviço de Deus (a superstição) não tem doravante limites; pois, para além dela, tudo (o que apenas não contradiga imediatamente a moralidade) é arbitrário. Do sacrifício dos lábios, que pouquíssimo lhe custa, até ao dos bens naturais, que, aliás, se poderiam utilizar melhor em vantagem dos homens, e inclusive até ao sacrifício da sua própria pessoa, ao perder-se (no estado de eremita, de faquir ou de monge,

para o mundo, o homem tudo oferece a Deus, excepto a sua dis- posição de ânimo moral; e quando diz que também lhe oferta o seu coração, não entendo por tal a intenção de uma conduta agradável a Deus, mas um desejo cordial de que aqueles sacrifícios possam ser aceites em pagamento por esta última (natio gratis anhelans, multa agendo nihil agens.Fedro).

Finalmente, se alguma vez se passou à máxima de um suposto serviço por si mesmo agradável a Deus, que, se for necessário, até O reconcilia, mas não puramente racional, então no modo de O servir, por assim dizer, mecanicamente não há nenhuma diferença essencial que dê a preferência a um modo sobre o outro. Todos eles são iguais segundo o seu valor (ou antes, segundo o seu não valor), e é simples afectação, graças à apartação mais subtil do único princípio intelec-tual da genuína veneração de Deus, considerar- se como mais selecto do que os que se tornam culpáveis de um rebaixamento à sensibilidade, supostamente mais grosseiro. Se o devoto intenta o seu caminho, conforme aos estatutos, para a Igreja ou se empreende uma peregrinação aos santuários de Loreto ou da Palestina, se leva ante a autoridade divina a sua fórmula de oração com os lábios ou, como o tibetano (que crê que tais desejos obtêm igualmente o seu fim postos por escrito, contanto que sejam movi- dos por algo, por exemplo, escritos em bandeiras, pelo vento ou, fechados numa caixa, como uma máquina centrífuga, pela mão), o faz por meio de uma roda de oração, ou qualquer que seja o tipo de sucedâneo do serviço moral de Deus, é tudo análogo e de igual valor. – Aqui, não se trata tanto da diferença na forma externa, mas tudo depende da aceitação ou do abandono do princípio único de se tornar agradável a Deus ou só por meio da intenção moral, enquanto esta se apresenta como viva em acções, qual manifes- tação sua, ou mediante pias ocupações e ociosidade66 . Mas não

66 É um fenómeno psicológico que os adeptos de uma confissão em que se

deve crer algo de menos estatutário se sintam por isso, por assim dizer, enobre- cidos e como mais ilustrados, embora dele tenham conservado bastante para não

haverá também uma enganosa ilusão de virtude que, juntamente com a rasteira ilusão religiosa, se poderia incluir na classe univer- sal das automistificações? Não; a disposição de ânimo virtuosa ocupa-se de algo efectivamente real que é por si mesmo agradável a Deus e concorda com o bem do mundo. Pode, decerto, associar- se a tal uma ilusão da vaidade, que consiste em considerar-se como adequado à ideia do seu dever sagrado; mas isto é apenas contin- gente. Estabelecer, porém, na intenção virtuosa o valor supremo não é nenhuma ilusão como, porventura, nas práticas eclesiais de devoção, mas um contributo eficaz ao bem do mundo.

Além disso, há um uso (pelo menos eclesial) que consiste em chamar natureza ao que pode ser feito pelo homem mediante o princípio de virtude, e graça ao que serve apenas para suprir a defi- ciência de todo o seu poder moral e, visto que a sua suficiência é também para nós um dever, pode ser só desejado ou também es- perado e impetrado; e em considerar ambas em simultâneo como causas operantes de uma disposição de ânimo suficiente para uma conduta agradável a Deus, não as distinguindo, porém, apenas uma da outra mas, inclusive, opondo-as entre si.

A convicção de poder distinguir os efeitos da graça dos da na- tureza (da virtude), ou até de conseguir em si produzir os últimos é fanatismo; pois não podemos reconhecer seja onde for um ob- jecto supra-sensível na experiência nem menos ainda ter sobre ele influência para até nós o fazer descer, se bem que por vezes se pro- duzam no ânimo movimentos que actuam sobre o moral, movimen- tos que ninguém a si consegue explicar e a cujo respeito a nossa ignorância é forçada a confessar: "O vento sopra onde quer, mas tu não sabes donde vem", etc. Pretender percepcionar em si in-

estarem autorizados a olhar com desprezo, desde a sua pretensa altura de pureza (como, no entanto, efectivamente fazem), os seus confrades na ilusão eclesial. A causa disso é que se encontram algo chegados, por pouco que seja, à religião moral pura, embora permaneçam aferrados à ilusão de a querer suprir por meio de observâncias pias, nas quais a razão é apenas menos passiva.