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Different proxies for risk

2. Literature review

2.2 Different proxies for risk

Nesse capítulo, realizo análise e discussão dos dados referentes à participação comunitária. A participação comunitária é uma categoria de destaque dentro da discussão trazida nessa pesquisa. Essa categoria, como vimos alhures, pode ser compreendida de diversas formas e com diferentes conotações. O capítulo aborda as discussões realizadas nos círculos de cultura, destacando o modo como os participantes concebem a participação comunitária e como a avaliam no contexto do bairro Terrenos Novos.

Vejamos como se configurou a discussão sobre o tema da participação comunitária junto aos participantes da pesquisa, para que possamos contextualizar a análise, que venho fazendo, com as experiências vividas no bairro Terrenos Novos em Sobral, Ceará. Inicialmente veremos como os participantes expressam suas concepções sobre a participação comunitária para, depois, analisarmos como está a participação comunitária no bairro em que vivem e ou trabalham.

Iniciemos com as concepções dos usuários, lembrando ao leitor que estes são reconhecidas lideranças comunitárias do bairro Terrenos Novos. Passemos à fala abaixo:

Participação é... na comunidade, pra mim é a gente poder né, tá à frente das nossas é... Não só da parte da área saúde, mas também das famílias... a gente tá nesse trabalho é... conhecendo um pouco né, as áreas, as famílias, tentando melhorar mais a nossa comunidade, eu acho assim. O meu conhecimento em comunidade é isso, é lutar para que a nossa comunidade venha melhorar mais né. A gente levando algumas ações, levando reivindicações para os nossos governantes né... os nossos... que podem assim, nos contribuir em termos de melhorar nossa comunidade (usuário 1, cc1,p.3, f.17).

Dessa fala, destacamos que a participação comunitária aponta para um conhecimento sobre as “áreas” do bairro e sobre a realidade das famílias do lugar, em busca de “melhorar mais” a comunidade. A relação com os governantes é também exposta como possibilidade de melhora da comunidade, onde reivindicar é a ação colocada como expectativa de que os governantes possam contribuir. Aqui encontramos a integração entre um agir para transformar que remete a aumento do conhecer a realidade, um compromisso com uma realidade compartilhada. Tais elementos remetem a uma concepção de participação comunitária ligada a uma visão de desenvolvimento local e um diálogo entre agentes internos e externos (governantes). Tal concepção trazida pelo usuário aproxima-se ao que é colocado pela Psicologia Comunitária (Góis, 2005; 2003). Vale destacar, no entanto, que é fundamental que haja uma “integração e relação pedagógica entre agente externo e comunidade, na qual se reconheça o papel e a importância de cada interlocutor na definição do rumo e do modo de desenvolvimento apropriados à realidade sócio-ambiental do lugar” (Góis, 2005, p.66). É

fundamental que a comunidade tenha voz, voto e veto (MONTERO, 2004) em todo o processo desenvolvimento comunitário.

Vejamos outra concepção de participação comunitária exposta no grupo:

O que eu entendo por participação comunitária, é essa questão da capacidade de você se preocupar com pessoas que não tem um vinculo familiar com você. A partir do momento que você pega, então, uma família e que tá necessitada, e eu boto aquilo na minha cabeça e fico angustiado, fico me preocupando, isso é... é assim, é você ter dentro de você esse dom, essa preocupação [...] Assim, a participação comunitária, eu vejo assim, é você ter a capacidade de amar seja lá quem for. Acima de tudo, amar o que você faz [...] Então, eu vejo assim, que participação comunitária é doação. É você acolher também, você ter essa preocupação (usuário 2, cc1, p.6, f.22).

Penso que aqui temos colocados vários elementos para pensar a participação comunitária como uma capacidade humana de solidarizar-se com o outro. Aqui a liderança comunitária, pautado na sua experiência, destaca a participação comunitária como uma “capacidade de você se preocupar” com pessoas que não fazem parte de sua família. Essa “preocupação” também é colocada como “angústia” frente a uma realidade à sua frente, que lhe chama para o envolvimento, como no caso de uma família que “tá necessitada”. Ele nos convida a pensar em sua história de vivência num bairro marcado pela pobreza econômica e exclusão social, onde a solidariedade, muitas vezes, pode ser a saída para a sobrevivência ou para a superação de desafios pessoais e comunitários. O participante também coloca uma dimensão bastante significativa da participação comunitária, em sua concepção: a dimensão do amor. Em sua opinião, a participação comunitária é uma prática de amor ao outro “seja lá quem for” e, “acima de tudo, amar o que você faz”. Novamente, como vimos no capítulo anterior na discussão do como deve ser um bom trabalho de PSF, a “doação” aparece como constituinte da participação comunitária. “Amar o que se faz”, entendo como amar e assumir as escolhas que se faz, envolvendo-se com a realidade comunitária ao seu redor.

Cabe aqui fazermos uma ponte do que foi colocado com o que a Psicologia Comunitária coloca como próprio da atividade comunitária (onde se constrói a participação comunitária). É fundamental destacar que a participação se potencializa quando constituída em elementos ligados aos motivos comunitários e pessoais, a uma ação cooperativa e uma transformação solidária da realidade (Góis, 2005).

O mesmo participante desenvolve suas idéias e contribui para as discussões no grupo, ao falar:

É... e assim, acho que todo mundo tem, dentro de si, esse espírito de participação e aí cabe-nos, assim, não deixar que isso morra[...] Tem algumas coisas que tem e desanimam a gente? Tem, mas assim, tem gente, que elas desistem muito fácil. No primeiro obstáculo, ela: ‘puxa’... e dali já desanima, mas todo mundo assim... eu vejo que muita gente, muitas pessoas tem esse espírito de cooperação, de

participação, mas que diante das dificuldades que são muitas aí vai e desiste (usuário 2, cc1, p.7, f.24).

Para ele, o “participar” aparece como inerente aos processos humanos. Destaca que “esse espírito de participação”, esse “espírito de cooperação” está dentro de todos, é algo que todos têm. No entanto, também destaca o caráter de construção desse processo, o qual precisa ser cuidado para “não deixar que isso morra” dentro de cada um. Pelo colocado em sua fala, a realidade impõe obstáculos e dificuldades para a participação e isso, pela sua experiência, desanima muitas pessoas, que acabam desistindo de participar, de cooperar. Uma fala de outro usuário vem corroborar com essa idéia:

Então participação comunitária, no meu entendimento, é isso, né. É do envolvimento e da doação. E se isso não é alimentado, se isso não é cuidado né, as pessoas vão perdendo o encantamento né, dessa participação. E vai “não, isso é desse jeito mesmo” e ai a gente vai cansando. E é esse o sentimento que eu tenho hoje (usuário 3, cc1, p.4, f.20).

Tomando pelo já discutido até aqui, posso inferir que a participação comunitária é uma possibilidade inerente a todos os moradores, capaz de gerar redes de solidariedade, conhecimentos sobre a realidade do lugar e das famílias, mas que não se constitui como um processo fácil de ser construído em Terrenos Novos. É um processo que precisa ser alimentado e “cultivado” cotidianamente, para que não se caia no fatalismo (MARTÍN- BARÓ, 1998) e na aceitação passiva da realidade comunitária.

O caráter dialético da relação do indivíduo com a sociedade e com o mundo é destacado aqui. Numa perspectiva interacionista dialética, própria da Psicologia Comunitária cearense (NEPOMUCENO et al, 2008b ; GÓIS, 2003, 2005), podemos ver integrados aqui elementos próprios do ser humano, mas que somente se desenvolvem a partir de sua ação no mundo, revelando que o desenvolvimento do humano se dá por processos interativos de ação no mundo, em um contexto histórico-cultural. O fenômeno psicológico “só é compreensível quando analisado na sua condição social, mas sem se reduzir a ela” (SAWAIA apud SOLON, 2003, p.11). Para compreender a participação comunitária, enquanto fenômeno psicológico, no contexto de Terrenos Novos, podemos nos remeter à relação entre atividade comunitária e consciência, algo que é possível de ser pensado a partir das concepções de participação comunitária expostas aqui.

A atividade comunitária remete a uma atividade pessoal e coletiva, socialmente significativa, que responde às demandas da comunidade e dos indivíduos. Revela-se como uma unidade de ação instrumental-comunicativa nascida do contexto comunitário. Enquanto atividade humana, apresenta uma dimensão externa e uma interna. Revela o elo indissolúvel entre mundo externo e interno, entre objetividade e subjetividade; tem em um dos pólos o

objeto da atividade e no outro o sujeito. É um processo pelo qual se realizam as transformações recíprocas entre sujeito e objeto (GÓIS, 2005).

Nas palavras de Góis:

Para nós a atividade comunitária revela de imediato a unidade instrumento- comunicação e sua força realizadora da consciência e da comunidade, pois sabemos que o operar juntos (cooperar) e o diálogo são manifestações complexas da vida consciente e são essenciais à vida social (GÓIS, 2005, p.89)

A participação comunitária, portanto, revela-se como algo que se constrói na atividade comunitária. Sua força transformadora dos sujeitos e da realidade depende de como se configuram os processos comunicativos e intrumentais, do desenvolvimento do diálogo e da cooperação. Depende de como essa atividade comunitária se configura como processo subjetivo.

Prossigamos com outras falas no intuito de ampliar a concepção sobre participação comunitária a partir da experiência e saber dos participantes:

Se a gente realmente tem vivido o termo comunidade, do que é comum. É que, a meu ver, só há participação comunitária se, de fato, a gente vivenciar o sentimento de estar numa comunidade. De viver o que é comum [...] E vinha dizendo que, a meu ver, a participação comunitária é o envolvimento e o comprometimento com o que é comum, né. Qual é os sonhos comuns dessa comunidade? [...] Então essa participação, ela parte disso, de uma opção pessoal, de uma dedicação pessoal (usuário 3, cc1, p.3-4, f.20).

Outros elementos, portanto, vêm contribuir para a discussão realizada no grupo. O participante começa sua fala questionando até que ponto se vive o termo comunidade e destaca a relação entre esse “viver o que é comum”, “vivenciar o sentimento de estar numa comunidade”, com a participação comunitária. Ele destaca que a participação comunitária parte da pessoa, da pessoa que compartilha a vida em comunidade, que se envolve e que se compromete com o que é comum, pois se sente partícipe dessa coletividade. A participação comunitária constitui-se a partir da “opção pessoal” e requer uma dedicação das pessoas. O participante indaga ainda quais “os sonhos comuns dessa comunidade” e nos convida a pensar que a participação comunitária nasce de uma realidade de vida compartilhada e de vontades coletivas de mudança de um lugar comunidade. E, ao mesmo tempo, a participação comunitária nasce desse processo de ter sonhos comuns a buscar e é, a partir dela, que se constroem os mesmos sonhos.

O mesmo participante traz novos elementos para pensarmos a participação comunitária. Continuando a mesma fala ele conclui: “no meu entendimento, é esse compromisso, é essa dedicação, é essa luta [...] Então participação comunitária é missão, é compromisso, é projeto de vida”(usuário 3, cc1, p.5, f.20). As palavras “missão”, “luta” e

“projeto de vida” falam de um posicionamento político dos indivíduos perante o mundo e a sociedade, um posicionar-se permanente, uma disposição para superar os desafios e construir a vida. Quanto a esse caráter permanente e longitudinal da participação comunitária, o mesmo participante destaca: “a participação comunitária não tem horário, não tem tempo, não é? Ela não determina tempo, a enchente não determina tempo, ela vem de madrugada e você tem que tá posto” (usuário 3, cc1, p.21, f.100). Aqui ele refere-se à realidade, já vivida no bairro, do enfrentamento das enchentes do açude Mucambinho, para exemplificar esse posicionamento permanente que é próprio da participação comunitária.

Aqui os sentidos (pessoais) colocados sobre a participação comunitária (significado), para os participantes usuários, trazem bastante a idéia de doação, compromisso, dedicação, luta e projeto de vida.

Cabe esclarecermos um pouco o que estamos chamando de significados e sentidos, pois estes são fundamentais para compreender a participação comunitária enquanto fenômeno psicológico. A partir de uma leitura de Vigotsky, Marta Kohl de Oliveira (1992) destaca que existem dois componentes do significado da palavra: o significado, que se configura como sistema de relações objetivas que se formou no processo de desenvolvimento da palavra, que é compartilhado socialmente e tem certa estabilidade; e o sentido, que é o significado da palavra para cada indivíduo, composto a partir das relações construídas no contexto de uso da palavra e vivências afetivas do indivíduo. Nas palavras da autora: “O sentido da palavra liga o seu significado objetivo ao contexto de uso da língua e aos motivos afetivos e pessoais dos seus usuários. Relaciona-se com o fato de que a experiência individual é sempre mais complexa que a generalização contida nos signos” (KOHL DE OLIVEIRA,1992, p.81).

A palavra participação comunitária, nesta pesquisa, aparece prenhe de sentidos que me levam a pensar em experiências pessoais vividas em um contexto histórico-cultural, onde as atividades socialmente significativas aparecem envoltas por lutas para concretizar sonhos de uma comunidade melhor, por sentimentos de viver o que é comum e pela construção de projetos de vida numa perspectiva solidária.

Aqui vale resgatar novamente o termo libertação como fundamental para pensarmos as concepções de participação comunitária expostas pelos participantes. Libertação, como dito alhures, é uma práxis coletiva ligado à luta por autonomia dos sujeitos, ao desabrochar das virtudes populares, ao processo de facilitação da conscientização individual e grupal advindo da organização e fortalecimento dos grupos (MARTÍN-BARÓ, 1998) e uma negação da negação dos indivíduos e coletivos de serem mais (GÓIS, 2008; NEPOMUCENO et al, 2008b). “A negação da negação constitui-se na afirmação da exterioridade do oprimido, sua

potência humana, seu saber e poder criativo na construção de si mesmo e da coletividade em que se insere” (NEPOMUCENO et al, 2008b, p.461). Nas falas trazidas pelos participantes podemos ver a potencia dos processos coletivos vivenciados pelos participantes, o que nos possibilita a pensar na relevância da organização dos grupos comunitários no fomento aos processos de participação comunitária. A partir das falas dos usuários e da perspectiva da Psicologia Comunitária trazida aqui, entendo que a participação comunitária se fortalece quando situada em processos de libertação, onde a transformação social aponta para a superação das situações de opressão e para a construção da autonomia dos partícipes.

Até o momento, tenho trazido as concepções dos usuários participantes do grupo da pesquisa. Convido o leitor a prosseguirmos com as concepções expostas pelos profissionais:

a participação comunitária é essa. É eu fazer com que as famílias elas se sintam responsáveis, que elas têm uma parcela de contribuição pra melhorar o quadro do nosso bairro [...] Então participação comunitária, pra mim, é essa. É você... O nome já diz tudo, é você participar na comunidade, mostrando o que ela tem de bom, não somente o que ela tem de ruim (profissional 1, cc1, p.5-6, f.21).

Aqui o profissional revela uma intencionalidade de sua ação sanitária que envolve a participação comunitária, que é instigar a responsabilidade das famílias na melhoria do bairro. Aqui ele revela sua vontade de contribuir para que elas “se sintam responsáveis”. Logo em seguida, numa frase um pouco confusa, o profissional diz que “participar na comunidade” traz nesse processo a expressão de potenciais da comunidade, “o que ela tem de bom” e “não somente o que ela tem de ruim”. Aqui o profissional falava da experiência recente de realização da I Feira de Negócios e Artes de Terrenos Novos (FENATEN) da qual o CSF foi um grande articulador, e se referia às potencialidades que ali estavam expostas. No contexto em que falava, vinha criticar que, muitas vezes, apenas se destacavam os aspectos negativos da comunidade. A partir dessa fala, penso que uma dimensão que a participação comunitária tem é a tendência de revelação da força do trabalho, de criação cultural da comunidade e modos de enfrentamento e superação criativa dos dilemas da vida.

Passemos para outra fala de profissional sobre participação comunitária:

a participação comunitária envolve o conhecer, ou seja, a comunidade precisa saber o que existe dentro do seu bairro é..., seja na saúde, na educação, na política, na religião e, diante desse conhecimento, se envolver, buscar se envolver, participar na melhoria, se é que precisa... melhorar, se é que algo não anda bem [...] a participação comunitária é de extrema importância na... na... pra que se vá se alcançar realmente um nível mais elevado, vamos dizer de... sei lá, de qualidade de vida né... ou o que queiram... o que queiram classificar como melhoria [...] Eu entendo que a participação comunitária está envolvida em todos os segmentos de uma comunidade, sem a qual não haverá ascensão, não haverá melhorias se forem tratados individualmente, ou por determinados grupos, por determinados segmentos (profissional 3, cc1, p.7-8, f.29).

Novamente a participação comunitária está associada à construção de um conhecimento sobre o lugar comunidade, bem como um envolvimento e uma busca por melhorias para a comunidade.

O conhecimento sobre é a realidade é um dos resultados do processo de apropriação inerentes à atividade humana. A apropriação remete à interiorização da realidade como um processo ativo e de significação – remete ao ato de dar significado às coisas-, onde o indivíduo se apropria da realidade transformada e a reconstrói internamente de modo singular (GÓIS, 2005).

“Vygotski compreendia a interiorização como processo ativo, da ação à consciência, que parte da atividade e que se realiza por meio de dois momentos chaves: um primeiro, que é externo, interpessoal (social); e um segundo, que é interno, intrapessoal (psicológico). Para ele, as ferramentas e a comunicação são decisivas na reconstrução interna particular da realidade externa” (GÓIS, 2005, p. 85)

Dessa forma a experiência de participação comunitária liga a atividade externa, com o uso de instrumentos e da linguagem, ao processo de aprofundamento da consciência sobre a realidade onde a ação se desenvolve.

Na fala anterior, o profissional destaca que a participação comunitária busca uma mudança qualitativa na vida dos moradores e esta terá mais potencial de mudança se contar com uma diversidade de segmentos ou grupos de uma comunidade. Nessa concepção, participação comunitária leva a uma apropriação dos caminhos para a construção da saúde comunitária, destacando a potencia de integração de diversos atores sociais da comunidade.

Algumas falas dos participantes trouxeram exemplos de experiências com a participação comunitária e tais exemplos foram importantes para o desenvolvimento das discussões do tema. Vejamos:

Vou falar aqui um pouco sobre da experiência com relação à Feira (I Feira de

Negócios e Artes de Terrenos Novos), que foi um projeto que eu me doei bastante e

quando via tudo pronto eu me sentia feliz e realizado. Não algo pessoal, né, que a gente sabe que tem algumas pessoas que tem suas pretensões pessoais. Mas eu me senti realizado porque eu estava contribuindo para alguns dos moradores do bairro mostrassem seus talentos, as coisas boas que eles têm. A questão do artesanato, a questão da alimentação, né, e aí participação comunitária é essa. É tanto que uma pessoa chegou pra mim e me perguntou se eu estava recebendo dinheiro em troca daquilo e eu disse “não, não estou recebendo nenhum dinheiro, o que eu estou recebendo é a satisfação de ter contribuído pra que esse momento acontecesse e, também, ver na cara das pessoas esse... esta satisfação”... , que o que acontecia era isso, todos estavam satisfeitos com o momento que estavam vivendo, né, e elas se sentiam até fortalecidas porque estavam meio desanimados quando começaram e, quando viram o negócio acontecendo, elas acreditaram (profissional 1, cc1, p.5-6, f.21).

Aqui o profissional relata sua experiência satisfatória com a realização da I FENATEN. Como já abordamos acima, ele destaca a Feira como experiência de participação

comunitária e mostra de potencialidades ou “coisas boas” que alguns moradores do bairro têm. É interessante como ele manifesta sua satisfação em estar contribuindo para a realização dessa ação, fazendo questão de destacar que não o fez por dinheiro e sim para receber a “satisfação de ter contribuído para que esse momento acontecesse”. Um dos motivos de sua satisfação é ter visto “na cara dos moradores” a satisfação com a Feira. Vejamos outra experiência relatada no grupo:

Eu vinha dizendo isso há alguns dias, que: ‘eu já dei a minha parte, já fiz a minha parte’. E depois fui refletir se é... se é esse o discurso que eu quero reafirmar, que a minha contribuição terminou [...] E eu acho que não é isso. Não dá pra ser assim né? [...]essa semana eu descobri de 18 famílias do Boqueirão (uma outra comunidade de

Sobral), que tão sendo colocadas pra fora. Que moram lá há 51 anos. Os roçados

dessas famílias foram destruídos todos. Então as famílias estavam amedrontadas. E