4.3 RQ3: Impact of AI
4.3.3 Differences in use of AI between the market segments
A implantação das colônias deu-se a partir de núcleos planejados por companhias subvencionadas pelo governo brasileiro, como a Kaigai Kogyo Kabushiki Kaisha (KKKK), ou formado pelos imigrantes em torno de uma liderança após passar pelo trabalho nas fazendas de café, ou através da aquisição de terras de particulares.83
Companhias japonesas de emigração como KKKK tiveram um importante papel para a fixação de colonos. A partir de 1916, os lotes foram destinados a imigrantes que já estavam no Brasil e por imigrantes vindos diretamente do Japão. A possibilidade de adquirir as pequenas propriedades propiciou o término do sistema de colonato das fazendas de café e o plantio de outras culturas, como frutas, verduras e legumes.
82 Dos 781 trabalhadores que chegaram a bordo do primeiro navio, apenas 191 permaneceram nas fazendas ao final de dois anos. ( SAKURAI , 2008, p.19)
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De 1908 a 1914, foi subvencionada a vinda de 3.734 famílias no total de 14.886 pessoas. Em 1914, o governo paulista resolveu rescindir o contrato, alegando a difícil fixação dos colonos japoneses em comparação com os europeus. Em 1916 ocorreu a união das empresas Toyo Imin Kaisha, Morioka Imin Kaisha e Takemura Shokan Kaisha, esta sucessora da Nambei Shokumin Kaisha, formando a Brasil Imin Kumiai (Sociedade de Emigração para o Brasil), que pleiteou novo contrato junto ao governo paulista, que teve que conceder devido à dificuldade de trazer europeus ao Brasil em função da Guerra. O contrato foi retomado em 1917, quando é fundada a Kaigai Kogyo Kabushiki Kaisha (KKKK) com participação de Toyo-Imin e Nambei-Imin, que passa a
deter o monopólio sobre os serviços de emigração.84
Em 1921, o Estado de São Paulo decide não mais financiar a vinda dos imigrantes japoneses. A partir de 1924 o governo japonês passou a subsidiar inteiramente a vinda dos imigrantes, sendo o Brasil praticamente o único destino dos migrantes japoneses. De acordo
com Kaori Kodama e Célia Sakurai85, 141.732 imigrantes entraram no Brasil entre 1924 a 1935.
Segundo Rogério Dezem86, a emigração para os trabalhadores tinha caráter temporário,
contrariando o governo japonês, que pretendia enviar trabalhadores ao Brasil e fazer com que eles se fixassem indeterminadamente, para assim consolidar uma economia ultramar. Um fato que evidencia as intenções do governo são referências formais sobre as instalações dos imigrantes e os espaços a serem construídos em terras brasileiras.
De acordo com Handa87, o governo japonês impôs como obrigações às companhias de
emigração: as construções de privadas em locais onde elas inexistiam; o fornecimento de madeiras para a construção de camas, mesas e cadeiras e a instalação de água potável. As habitações dos primeiros imigrantes que foram para as fazendas de café eram casas de madeira ou alvenaria, com pisos revestidos por tijolos ou em chão batido, enfileiradas. Em geral, eram destinadas para duas ou três famílias.
Os imigrantes, que adquiriram suas terras, tiveram que derrubar a mata fechada para se estabelecer no local. A primeira moradia era precária, feita normalmente de pau-a-pique, coberta por troncos de coqueiros partidos ao meio ou cascas de árvores.
84 SAITO, 1961, p. 32
85 KODAMA, Kaori; SAKURAI, Célia. Episódios da imigração: um balanço de 100 anos. In: SAKURAI, Célia; COELHO, Magda Prates. Resistência & integração: 100 anos de imigração japonesa no Brasil. Rio de Janeiro: IBGE, pp.17-29, 2008. 86 DEZEM, 2008.
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Casa de colonos, construída com palmeira jiçara Fonte: HANDA, 1987, p. 351
Onde havia madeira de boa qualidade, tábuas de 20x40 cm de cedro fixas com arame podiam ser utilizadas como telhas. As portas eram cortadas com machado. As aberturas das janelas eram vedadas com caixas vazias ou sacos de juta. Eram necessárias as primeiras colheitas para a construção de uma casa mais confortável. Handa relata que os colonos que moraram inicialmente em fazendas, construíam moradias assemelhadas às casas dos fazendeiros, porém, com áreas mais reduzidas.88
Casa de dois pavimentos, na colônia de Registro Fonte: HANDA, 1987, p. 340
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Casa de imigrantes em Sete Barras. Fonte: HANDA, 1987, p. 355
Há, ainda, documentos dos anos de 1920 a 1930 com orientações técnicas e estilísticas para as construções a serem edificadas no Brasil pelos imigrantes japoneses. Trata-se de relatos de viajantes, recomendações e manuais de associações e órgãos oficiais pesquisados e traduzidos pelo arquiteto e professor Humberto Yamaki a partir dos originais japoneses. Há recomendações para a construção dos abrigos provisórios dos imigrantes e das moradias definitivas.
Croquis de rancho provisório utilizando o palmito jiçara como matéria-prima Fonte: YAMAKI, 2008, p.34-36
Para se edificar uma “casa saudável”, o Tratado Prático de Higiene no Brasil (1927), do Ministério de Assuntos da Colonização e Sociedade Japonesa de Beneficência no Brasil recomendou: “a escolha do local, a estrutura da moradia, a higiene do interior da moradia,
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cuidados com o entorno da casa, banheiro e furo”89. O Movimento GAT – Goza a Terra, criado
em 1934 com a finalidade de conscientizar os imigrantes para aumento da renda e importância do cooperativismo, juntamente com a Bratac (Sociedade Colonizadora do Brasil) elaborou um
almanaque, de onde foram extraídas notas sobre a moradia dos colonos, transcritas abaixo90:
1. Implantação em lugar alto com uma boa vista, local aprazível,
2. Distanciar pelo menos 500 a 600 metros dos rios e alagados, não deixar mata nativa a menos de 120 metros das construções,
3. A área da moradia é variável, porém os quartos devem ser amplos com cerca de 5m² por pessoa, sendo que aos solteiros deve ser destinado quarto individual,
4. A moradia deve ser orientada ao Norte ou Nordeste, sendo as paredes voltadas para Oeste mais espessas, para manter amena a temperatura, 5. Beirais grandes e se possível calhas. O alicerce deve ser elevado do chão evitando a entrada da água da chuva, e pé-direito de mais de 3 metros, se possível,
6. Caiar a parede de branco tornando o ambiente agradável e salubre, 7. Abrir grandes janelas para iluminação e ventilação, a área de janela com cerca de ¼ da área, evitar excesso de pequenas janelas que dificultam a utilização interna das paredes.
Também de 1934, é o Tratado de Arquitetura em Taipa, com ilustrações das estruturas de madeira e medidas equivalentes aos padrões japoneses.
Fonte: YAMAKI, 2008, p.40
89 YAMAKI, Humberto. Lições de arquitetura: manuais e recomendações aos imigrantes japoneses nos anos 20-30. Londrina (PR): Edições Humanidades, 2008, pp 18-22
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O tratado apresenta recomendações sobre a estrutura de cobertura a ser utilizada: “nos locais onde existem carpinteiros japoneses, pode-se utilizar a tesoura tradicional nipônica. Porém em grandes vãos a necessidade de utilização de peças de grandes dimensões, torna-a antieconômica.”91
Fonte: YAMAKI, 2008, p.43
O tratado apresenta observações sobre o trabalho dos pedreiros, no que se refere aos cuidados com o preparo e aplicação da taipa, que segundo a orientação apresentada, é a melhor opção para um país quente como o Brasil, pois refresca a casa, além de ter baixo custo e um bom acabamento. Há, ainda, detalhamentos sobre a feitura e instalação das esquadrias, além de pintura com óleo de linhaça, secante e pigmento.92
Existem plantas baixas pertencentes ao acervo do Museu Histórico da Imigração Japonesa em São Paulo, referentes a concursos de arquitetura, realizados no início da década de 1930, organizados pela Bratac. O memorial descritivo para o projeto, traduzido pelo professor Yamaki, traz informações sobre a moradia ideal para os colonos. Segundo o memorial, o projeto deveria ser de fácil execução, além de econômico, higiênico e de ter preocupações estéticas93.
Segundo Saito, o primeiro núcleo de colonização agrícola, ou seja, de imigrantes proprietários, surgiu em 1913 no Vale do Ribeira com a criação da Colônia de Registro. Em 1919, a colônia desmembrou-se com a criação de Sete Barras, sob a administração da KKKK. A
91 Ibidem, p.43 92 Ibidem pp 45-49. 93 Ibidem pp 52-57.
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ausência de sistema de transporte e comunicação eficiente restringiu a produção da região apenas à subsistência. A prosperidade das colônias tornou-se possível com a posterior introdução da cultura do chá, do bicho da seda e avicultura 94