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Area differences in ORELN (Oseberg, Rannoch, Etive and Lower Ness)- Central Viking Graben

Ao sugerir o diálogo como uma ferramenta para exercitar o olhar para o comportamento do pensamento com o intuito de diminuir as incoerências geradas por sua forma de operar, Bohm (1996c) aponta em seus estudos algumas características necessárias para que o mesmo se efetive.

Como primeira característica, o autor propõe que o diálogo em um grupo seja iniciado com os participantes dispostos em um círculo para facilitar a comunicação direta entre todos e que estes iniciem se conhecendo uns aos outros para a criação do vínculo de confiança, promovendo uma reação baseada na colaboração. Sugere que devemos falar sobre a natureza do diálogo e sobre o seu significado sem, no entanto, nos preocuparmos excessivamente se estamos dialogando ou não, pois isto se constituiria em um obstáculo para a sua efetivação. Recomenda que, nesses primeiros contatos, é

importante esclarecer a origem etimológica da palavra ´diálogo`, que provém do grego dialogos, palavra composta da raiz logos, que significa “palavra” ou “a palavra” e o prefixo dia, que significa “através de”.

Uma segunda característica posta como propícia para o diálogo diz respeito a quantidade de participantes do grupo. Embora possa ser de qualquer número, adverte que o diálogo pode não funcionar muito bem em um grupo muito pequeno, cinco a seis pessoas, uma vez que os participantes tendem a evitar temas conflitivos e tudo o que possa vir a incomodar uns aos outros, buscando um “ajuste cômodo”. Sugere que um grupo a partir de vinte pessoas, o diálogo possa fluir melhor. Além do diálogo em grupo, segundo o mesmo autor, uma única pessoa pode manter um diálogo consigo mesma. Bohm (1996c) alerta que o diálogo grupal não é um mero encontro de pessoas, nem tampouco deve ser confundido com uma terapia em grupo, pois não há a intenção de cura e se isto vier a ocorrer terá sido proveniente de um efeito secundário, uma vez que o diálogo proporciona que as emoções e os enfrentamentos emocionais surjam no grupo, revelando as nossas crenças mais profundas.

Uma terceira característica proposta é que para o exercício do diálogo não deveria haver a presença de um líder, nem tampouco de uma agenda pré-estabelecida. No entanto, sugere que se no início o grupo sentir a necessidade de alguém que sirva de coordenador, que este atue somente com o objetivo de manter o curso da reunião, controle o tempo e, de vez em quando, resuma o que está ocorrendo. Porém, ao longo das reuniões, espera- se que os participantes aprendam a depender cada vez menos desse coordenador.

O diálogo, aqui proposto, não tem o propósito de cumprir atividade útil, voltado para objetivos predeterminados, nem tampouco de tomar decisões, pois desta forma o diálogo se tornaria limitado. Este para Bohm (1996c) é um ponto fundamental. Quando muito, adverte, sejam estabelecidos objetivos pontuais, que o grupo não tenha que se ater a eles, por tempo indefinido.

É essencial que, no diálogo grupal não tenhamos que decidir nada, pois que, de outro modo, não somos livres. [...] Devemos dispor de um espaço vazio, aberto e livre em que não tenhamos a obrigação de fazer nada, de chegar a nenhuma conclusão, de dizer ou deixar de dizer nada. Devemos dispor de um espaço vazio em que caiba qualquer coisa e depois de terminar, voltemos a esvaziá-lo, sem tratar de acumular nada. Esse é um dos pontos fundamentais de um diálogo. [...] Nosso objetivo, se queremos chamá-lo assim, é nos comunicarmos de maneira coerente. (BOHM, 1996c, p. 43).

Como quarta característica, é necessário que o grupo estabeleça uma regularidade dos encontros, seja semanal, quinzenal ou no tempo que escolherem, do contrário, adverte Bohm (1996c), não servirá de nada.

Uma quinta característica, fundamental para a proposição do diálogo, aponta Bohm (1996c), é que ele só é possível quando se faz presente no grupo um significado comum, o qual poderá gerar algo criativo que não se imaginava no inicio do diálogo.

[...] uma corrente de significado que flui entre, dentro e através dos implicados. [...] Este significado compartilhado é o “aglutinante”, o “cimento” que sustenta os vínculos entre as pessoas e entre as sociedades. (BOHM, 1996c, p. 30).

O autor chama a atenção para a diferenciação entre o que ele propõe acerca do diálogo e o que comumente as pessoas denominam de diálogo, assemelhando-se muito mais a uma discussão entre partes, que não se dispõem a questionar suas crenças fundamentais, mas apenas negociar questões secundárias acerca do assunto em pauta, gerando ao final os

ganhadores e os perdedores. Ao contrário, para Bohm (1996c), o diálogo se constitui como um jogo em que não há ganhadores e perdedores como em uma discussão. O exercício do diálogo, por ele proposto, permite que todos os participantes sejam a um só tempo ganhadores.

No diálogo não se trata de obter mais pontos nem de fazer prevalecer uma determinada perspectiva porque quando se descobre um erro, todo mundo sai ganhando. O diálogo é um jogo em que poderíamos qualificar como “ganhar ou ganhar” (a diferença do que ocorre na discussão, um jogo do tipo “eu ganho tu perdes”). Com efeito, o diálogo é algo mais que uma participação comum em que não estamos jogando contra os demais senão com eles. (BOHM, 1996c, p. 30).

As nossas crenças ou opiniões são o resultado do pensamento guardado em nossa memória, como já mencionado anteriormente. Como aquelas são construídas a partir de nossas experiências sociais, ao longo da vida, nós nos identificamos com elas e passamos a defendê-las como se fossem verdades absolutas e incontestáveis, embora não tenhamos, na maioria das vezes, uma intenção consciente desse processo.

[...] as crenças e as opiniões são como programas de computador na mente das pessoas, programas que têm suas próprias intenções e que podem assumir uma direção oposta à melhor de nossas intenções. (BOHM, 1996c, p. 38).

Assim, Bohm (1989) aponta uma sexta característica necessária à fluência do diálogo: a suspensão de nossas crenças e opiniões para possibilitar a escuta das opiniões dos demais membros do grupo, uma vez que cada participante traz suas crenças e interesses diversos. “Não se trata de evitá-las nem suprimi-las – nem crer nem deixar de crer nelas, nem julgá-las como boas ou más – mas somente pô-las em suspenso.” (BOHM, 1996c, p. 47).

Ressalta ser necessário que, ao sentirmos as nossas reações internas aflorarem no momento do diálogo, aprendamos a pô-las em suspenso,

para que nos distanciando delas, possamos observá-las para descobrirmos o seu significado, observando assim as nossas ações a partir da escuta e das ações do outro à semelhança do reflexo de um espelho. “Nós servimos de espelho aos demais e eles se convertem no nosso.” (BOHM, 1996c, p. 47-48). Esse processo aponta para a relação intrínseca entre os pensamentos, as sensações corporais e as emoções que se mostram durante o exercício do diálogo. Tal processo de suspensão das nossas crenças para a observação de nossas ações permite que nos familiarizemos com o modo em que opera nosso pensamento.

Por este motivo, propõe o autor, que talvez seja necessário, na fase inicial do diálogo, proceder a algumas negociações, ao que ele denomina de “um estágio preliminar do diálogo” (BOHM, 1996c, p. 44). Adverte, no entanto, que a negociação não é o fim do diálogo, mas o seu princípio, pois se não ultrapassamos esse estágio, o diálogo não avança.

O objetivo do diálogo não consiste em analisar as coisas, impor um determinado argumento ou modificar as opiniões dos demais, senão em suspender as próprias crenças e observá- las, escutar todas as opiniões, pô-las em suspenso e nos darmos conta de seu significado. Porque quando nos demos conta do significado de nossas opiniões, seremos capazes de compartilhar um conteúdo comum, até quando não estamos completamente de acordo. (BOHM, 1996c, p. 55).