1 Innledning
5.3 Dialog mellom Kierkegaard og Hustvedt?
É na observação, na contextualização e na significação do espaço construído que assenta a possibilidade da sua leitura enquanto lugar arquitectónico.
Os lugares que interpretamos, são lugares construídos, são fixados e objectivados, mas também são o resultado de uma configuração de elementos subjacentes à linguagem arquitectónica.
É porque o lugar arquitectónico se encontra fixado pela construção, resultando de um conjunto de elementos heterogéneos, que se abrem múltiplas possibilidades de leitura. Desta forma, na leitura do lugar, existe primeiramente a observação deste, através da sua objectivação (objecto fixado materialmente pela construção) e da sua composição (configuração que quer dizer algo, como por exemplo a função, a forma, a proporção, etc). É a sua constatação.
Posteriormente surge a contextualização, que resulta da validação da objectivação, e que origina a explicação.
Esta contextualização determina uma identificação do objecto observado, com base na relação entre o sujeito e o objecto, permitindo, assim, várias leituras consoante o intérprete. É a significação do espaço.
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DELGADO, João Paulo: “O lugar da arquitectura: notas para uma estética da edificação”, p.262-263 in Geha: revista de história, estética e fenomenologia da arquitectura e do urbanismo, Lisboa, nº 2-3, 1999
121 A significação constitui-se como síntese entre a observação e a contextualização. Resulta da acção do sujeito sobre o espaço, apropriando-o e atribuindo-lhe um sentido.
Como estrutura da leitura do lugar podemos concluir o seguinte diagrama:
Fig.33 Estrutura da leitura do lugar arquitectónico
O lugar resulta de uma configuração específica, do acto de ser pensado e interpretado por determinado indivíduo, e pelo facto de ser apreendido de diferentes maneiras. O lugar arquitectónico só existe quando surge a apropriação, caso contrário não existe acto configurante a ser aplicado.
O poder da significação permite que o lugar se dirija à nossa experiência, tanto a que é concretizada no momento, como as nossas vivências anteriores do espaço, ou seja, a nossa memória. Como a experiência é singular e irrepetível, uma obra permite que cada um a viva de forma diferenciada.
A essência do lugar arquitectónico encontra-se na síntese que é feita através da criação de espaços e na forma como esses espaços se relacionam, e não no resultado do seu somatório. Por isso, os lugares são sempre diferentes mesmo que interpretados com as mesmas regras.
Na obra intitulada House as mirror of self (1995) de Clare Marcus, ela explora as dimensões da experiência «corpo-lugar»:
OBSERVAÇÃO (objectivação do objecto) CONTEXTUALIZAÇÃO (validação da objectivação) SIGNIFICAÇÃO (apropriação da validação)
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“Architecture, through the design of space, creates a virtual community with a certain structure and a certain density. This is what architecture does and can be seen to do, and it may be all that architecture does. If space is designed wrongly, then natural patterns of social co-presence in space are not achieved. In such circumstances, space is at best empty, at worst abused and a source of fear.” 78
No contexto do comportamento ambiental e arquitectónico, Bill Hiller, com a sua obra intitulada Space is the machine (2004) continua a ter um dos contributos mais
marcantes para o entendimento sobre a relação entre as pessoas e o ambiente físico envolvente.
Isto deve-se a um conjunto de fundamentos, nomeadamente, a ligação conclusiva e estabelecida entre o argumento conceptual e a confirmação do mundo real. A relação efectiva entre a teoria e a prática, onde as ideias podem ser traduzidas de imediato na aplicação prática, incluindo a avaliação de um edifício especifico e desenho urbano no sentido dos movimentos e percursos e potenciais encontros interpessoais. A procedimentos quantitativos que emergem do mundo da experiência arquitectónica e ambiental, e que ao contrário de tantos outros métodos quantitativos e retratos, representam a estrutura do mundo da vida real.
A tradução criativa destas medidas quantitativas em gráficos expressivos e cartografia que permite aos não-especialistas percepcionar facilmente e rapidamente padrões e relações espaciais e ambientais.
A demonstração de que o modo central de como o ambiente físico contribui para a vida humana é através de um padrão especial, ao que Hillier denomina «configuração» - o modo como as partes de um todo relaciona espacialmente e ajuda a criar um campo especifico de comportamento espacial e ambiental e determinadas acções em vez de outras.
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123 Se considerarmos os ambientes construídos como sistemas organizados, a sua primeira natureza é configuracional, porque é através de configurações espaciais que os propósitos para o qual o ambiente construído é criado.
Hillier usa a configuração espacial como um princípio para fornecer uma teoria de arquitectura compreensiva.
Ele examina a raiz da arquitectura, que argumenta ser o uso de entendimento informado, para prover um encaixe entre as necessidades humanas e os aspectos não-discursivos do ambiente.
Depois, faz considerações de regularidades não discursivas entre a configuração espacial e a vida humana, analisando, primeiro, a grelha deformada das cidades tradicionais, posteriormente os estados da habitação pós-guerra, e finalmente, o interior do edifícios.
Analisa, também, o modo da configuração espacial de bairros urbanos tradicionais em contraponto com o modo como habitação pública do século XX.
Hillier oferece uma contribuição maior para o entendimento da forma como os mundos físico e humano se suportam mutuamente.
E conclui que o arquitecto, enquanto cientista e teórico, procura estabelecer as regras dos materiais espaciais com que o arquitecto, enquanto, artista compõe.
Neste sentido, Hillier interpreta o contexto físico como uma reflexão e condução de uma estrutura social e de interacções.
Fenomenologicamente, esta forma de exprimir a ligação pessoas/ambiente precisa de ser repensada, não porque o ambiente construído seja comportamento social ou vice versa, mas antes, porque a pessoa é mundo, e o mundo é pessoa. Porque o ambiente é experiência, e a experiência é ambiente no sentido em que um ambiente particular apresenta um contributo e reflecte os mundos particulares humanos manifestando um lugar em particular.
124 Entender o porquê da configuração espacial importa, quando se trata de analisar a experiência dia-a-dia.
Hillier critica o conceito de lugar, que segundo ele, enfatiza demasiadas vezes um localista, perspectiva apenas de um ponto de vista, o que reduz a complexidade multidimensional do lugar urbano a uma coerência visual de edifícios e ruas.
“The current preoccupation with «place» seems no more than the most recent version of the urban designer’s preference for the local and apparently tractable at the expense of the global and intractable in cities. However, both practical experience and research suggest that the preoccupation with local place gets priorities in the wrong order. Places are not local things. They are moments in large-scale things, the large-scale things we call cities. Places do not make cities. It is cities that make places. This distinction is vital. We cannot make places without understanding cities. Once again we find ourselves needing, above all, an understanding of the city as a functioning physical and spatial object.” 79
Existe, actualmente, a necessidade de adoptar o conceito do «fazer um lugar», em oposição ao mero desenho dos seus espaços, e que devia desafiar modos de operar pré-definidos ou tipificados para abraçar uma interacção disciplinar fértil, tanto na definição de princípios teóricos como na realização prática da arquitectura.
O que em arquitectura significa ir além do ambiente físico para enquadrar a dimensão social, organizativa, pedagógica e emocional.