• No results found

A computação em nuvem pode ser entendida como uma mudança de paradigma da forma como a TI é pensada, gerenciada e estruturada (XU, 2011; BUYA et al., 2009; CARR, 2005, VERAS, 2012). Nesse sentido, alguns estudos procuraram elucidar as principais vantagens ou benefícios na utilização ou na migração para este novo paradigma. O primeiro benefício apresentado é a redução dos investimentos em infraestrutura de TI, apresentado por vários autores.

No entanto, entender como esses aspectos positivos podem se concretizar na prática é fundamental. Kim (2009) apresenta as seguintes vantagens: o provedor detém e gere todos os recursos, como servidores, storage, aplicações e rede, além de toda a energia elétrica para poder prestar os serviços; os usuários podem aumentar ou diminuir o uso dos recursos e serviços de forma fácil e flexível; os usuários tendem

a pagar menos pelos serviços, visto que só pagam pelo uso; e o uso pode ser em qualquer hora e em qualquer lugar.

Armbrust et al. (2009) apresentam uma análise do modelo econômico, ou seja a possibilidade de migração de uma TI tradicional para nuvem. Eles argumentam que isto faz sentido a longo prazo, especialmente em se tratando da elasticidade da nuvem. Alertam que mesmo reduzindo os custos de hardware, podem ser incluídas outras despesas, e, ao migrar para a nuvem, deve-se ter consciência sobre a variação dos recursos de TI utilizados, pois podem ter custos diferenciados em função do ambiente de nuvem escolhido.

Marston et al. (2011) destacam as seguintes vantagens da computação em nuvem:

 Reduz o custo de entrada para as pequenas empresas. Representa uma grande oportunidade para muitos países do terceiro mundo que têm sido deixados para trás na revolução da TI. É o que alguns provedores de CN têm feito, inserindo-se em países com menos recursos para altos investimentos em TI;

 Provê acesso rápido a recursos de hardware, sem necessitar de investimentos de capital (CAPEX). Também ajuda a reduzir os custos iniciais da TI das organizações;

 A nuvem se torna uma infraestrutura adaptável, que pode ser compartilhada pelos usuários finais diferentes, cada um dos quais pode usá-la de maneiras muito diferentes;

 Pode reduzir barreiras de TI à inovação, como pode ser testemunhado nas muitas empresas iniciantes (startups), a partir das aplicações on-line tais como Facebook e Youtube;

 Torna mais fácil para as empresas expandirem seus serviços - que são cada vez mais dependentes de informações precisas - de acordo com a demanda do cliente. Uma vez que os recursos de computação são gerenciados através de software, novas funcionalidades podem ser implantadas de forma muito mais rápida. Na verdade, o objetivo da computação em nuvem é dimensionar dinamicamente os recursos, aumentando-os ou diminuindo-os, através de API15s de software,

dependendo da carga ou demanda do cliente, com o mínimo de interação do prestador de serviços;

 Torna possíveis novas classes de aplicações e oferece serviços, cuja prestação não era possível antes, como Internet das coisas e big data.

De forma objetiva, Goscinski e Brock (2010, p. 947) apresentam como vantagem direta a redução dos custos dos serviços de TI. Para os autores, isto é possibilitado pelo processamento sob demanda, a redução do tempo de processamento, o aumento da confiabilidade, disponibilidade e flexibilidade.

López, Albanese e Sanchez (2011, p. 3) resgatam como benefício mais significativo “a eficiência alcançada pela terceirização de parte da gestão da informação e operações de TI”. “Assim, os membros de empresas podem tratar de questões estratégicas, melhoria dos processos, aumentando a produtividade e inovar, enquanto o provedor de nuvem é responsável pelas atividades operacionais de TI de forma mais inteligente, rápida e econômica (ISACA , 2009, apud LÓPEZ, ALBANESE; SANCHEZ, 2011, p. 3).

15 API - Application Programming Interface ou Interface de programação de aplicações é É um conjunto de

rotinas e funções pré-compiladas e prontas que realizam uma tarefa comum que normalmente não ficam evidentes para os usuários (PINTO; BRAGA, 2005).

Outro benefício apresentado pelas autoras diz respeito às respostas apresentadas ao backup e recuperação de desastres por meio da redundância de aplicações e armazenamento. O terceiro benefício seria a segurança e disponibilidade de recursos, em função dos altos investimentos feitos pelos provedores.

Para Wang et al. (2011), existem os seguintes benefícios da computação em nuvem:

 Agilidade na contratação de infraestrutura necessária para rodar projeto, sem a preocupação com compra de hardware e de software, com implementação e com manutenção;

 Ao terceirizar os serviços na nuvem, tem-se a redução de gastos relacionados à energia e à manutenção dos centros de processamento de dados;

 Com a sazonalidade da elasticidade de demanda, será possível ao usuário aumentar ou reduzir a quantidade de recursos contratados;

 Facilidade de acesso remoto de profissionais dispersos;

 Redução de custos diretamente relacionada à não necessidade de investimento inicial em infraestrutura ou em licenças, as quais passam a ser totalmente geridas e fornecidas pelo provedor do serviço;

 Simplificação na gestão de TI, que transfere a responsabilidade pela manutenção de parte dos recursos de tecnologia para os fornecedores de computação em nuvem.

Zissis e Lekkas (2011), por sua vez, trazem como vantagens a economia de escala, onde o provedor tende a se instalar em locais com custos de energia e de propriedade dos imóveis mais baratos; a sustentabilidade, proporcionada por uma

melhor utilização de recursos, sistemas mais eficientes e redução da emissão de carbono; estímulo ao uso de software livre, em decorrência da necessidade de muitas licenças de software; e, por fim, tecnologias de segurança avançadas, em função da arquitetura universal e centralização dos dados.

É possível citar ainda como vantagem a eficiência nas operações e a agilidade (KIM, 2009), além da otimização dos custos operacionais, oferta de recursos infinitos (aparente, segundo Armbrust et al., 2009), o autosserviço, a agilidade e a possibilidade de focar as operações da empresa no core business (SANTOS; AMELOTTI e VILLAR, 2012).

Kundra (2011) apresenta algumas vantagens na adoção da nuvem pelo governo norte-americano, baseando-se nos pilares da eficiência, agilidade e inovação, considerando o contexto atual e possíveis benefícios com a CN. Os principais benefícios seriam de melhoria da eficiência, melhor utilização dos ativos de TI, redução da duplicação, redução do número de datacenters, aumento da produtividade, entre outros apresentados na figura 7.

Figura 7 – Benefícios da computação em nuvem para o governo norte-americano

Os benefícios tratados pelos diversos autores neste tópico possuem algumas semelhanças, embora estejam utilizados com uma terminologia diferente. No quadro 5 está apresentado de forma sintética os benefícios mais frequentes na literatura.

Quadro 5 – Benefícios no uso da CN

Benefícios Autores

Acesso a novos serviços Marston et al. (2011); Aumenta eficiência e agilidade Kim (2009); Kundra (2011);

Aumenta segurança e

disponibilidade López; Albanese; Sanchez (2011); Zissis; Lekkas (2011); Dispensa investimentos elevados de

capital Marston et al. (2011); Wang et al. (2011);

Economia de Escala Zissis; Lekkas (2011); Veras (2012); Favorece o crescimento das

organizações Marston et al. (2011);

Foco no core business Marston et al. (2011); Santos; Amelotti; Villar (2012);

Melhora backup e recuperação de

desastres López; Albanese; Sanchez (2011);

Redução dos custos de hardware e

dos serviços de TI (operacionais) Armbrust et al. (2009); Marston et al. (2011); Goscinski; Brock (2010); Wang et al. (2011); Santos; Amelotti; Villar (2012).

Reduz barreiras à inovação Marston et al. (2011); Kundra (2011).

Sustentabilidade Zissis; Lekkas (2011);

Terceirização da Gestão das

operações de TI Kim (2009); López; Albanese; Sanchez (2011); Wang et al. (2011); Usuário só paga pelo que usar Kim (2009).

Fonte: Elaboração própria, 2013.

Os benefícios apresentados devem estar presentes (pelo menos em parte) na avaliação da possibilidade de uma organização migrar ou não migrar para a nuvem, especialmente em se tratando de organizações públicas.

Entretanto, alguns aspectos desfavoráveis ao uso da computação em nuvem também estão presentes na literatura. Cabe então enumerar os aspectos que limitam o seu uso.