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Diagnosis, treatment and prognosis

5. BACKGROUND

5.1 Oral squamous cell carcinoma

6.1.5 Diagnosis, treatment and prognosis

Há quarenta anos, a produção de mandioca e feitio da farinha era, em grande parte, direcionada à venda na Vila de Itaúnas e na cidade de Conceição da Barra, onde muitas famílias vendiam também parte do que cultivavam geralmente no centro de Conceição da Barra. Muitos relatos resgatam da memória as idas à cidade com o burro carregado de alimento e de farinha.

O que que seu pai..seu pai tinha roça, né? Além de criação?

Benedito: Tinha..tinha também. Mas ele plantava mais era mandioca, era cana..mas mandioca pra fazer farinha mesmo.. que vendia né..toda semana assim, ele levava 10 sacos, 8 pra...de 15 em 15 dias mais ou menos, ele vendia na Barra, né.

-Em feira ou em mercado?

B: Não, entregava em mercado mesmo, mercado. A gente levava pra lá. Nas costas de burro. 4, 5 burros, tudo cheio de farinha e a gente na anca, a gente era pequeno (...) mas a gente montava ainda nesses capoerão, mata pura, que naquele tempo era mata mesmo..aí a gente andava por aí, mas..mas era muita fartura (48 anos, entrevista concedida a autora em outubro/2013).

Atualmente, ainda há venda da farinha e também do beiju, restrita a butecos, feiras e encomendas pessoais. Isso porque os mercados que antigamente compravam essas farinhas, passaram a adotar outro sistema baseado na lógica industrial, com embalagens a vácuo, além das restrições e exigências legais como a emissão de nota fiscal, como afirmam os moradores.

114 Anagildo: (...) nós fazia muito farinha..aí nós paramos de fazer farinha por que?...de primeiro aqui, em Conceição da Barra, a gente chegava ali (...) chega lá, Carlinho, eu vou fazer tanto saco de farinha pra pegar tal dia..diz então tá bom...quando você for fazer, você me avisa que eu não compro em outro canto..aí levava 60, 70, 100 sacos de farinha, chegava lá, entregava tudo a ele. E chegava, pegava a farinha, pagava. Aí depois voltou que supermercado só compra ensacolado..empacotado. Aí pronto, aí nós desiste de vender a farinha.

Luzia: Afundou a farinha

Anagildo: Aí pronto, todo mundo que fazia farinha, muita farinha pra levar pra supermercado..parou, num leva mais, porque num vende, eles num compram. Aí você vende no buteco. Aí você vende hoje, um, dois, três sacos de farinha pra receber daqui a 30 dias. Você tá na roça, tá morrendo, vai esperar 30 dias ainda...mas assim mesmo, nós fazia...aí nós fazia o seguinte, nós fazia uma parcela, entregava pra lá..aí com 30 dias, recebia e entregava outro..aí ficava assim..30 em 30 recebendo, sabe...mas aí..muitos butequeros, num guenta mesmo, quebra e a caba, né...aí parei com farinha, parei com farinha (73 anos, entrevista concedida a autora em julho/2013).

Pedrão: (...)é o plantio que o pessoal sempre viveu aqui [mandioca], o agricultor sempre, né..viveu daqui, os grandes, os pequenos, né...na época que a farinha mesmo era mais a economia da região, aqui mesmo de Itaúnas..aqui no ano de de..nos anos 1960 aí, aqui saía três, quatro caminhão de farinha todo final de semana..eu mesmo já cansei de ver nessa estrada aqui..carregar lá do outro lado pra cá, atravessava numa canoa, né...tinha canoa aí que pegava 50 sacos de farinha.(...) quer dizer, num era tão difícil, porque hoje, se você fazer, hoje até que você vende, mas tem aquela burocracia, né. (...). É, aí entrou a indústria, né, e tem que o supermercado já prefere pegar embalado, de dois em dois quilo, de quilo em quilo, né...aí atrapalhou a venda da farinha (54 anos, entrevista concedida a autora em outubro/2013).

A venda da farinha e do beiju funciona, muitas vezes, como complemento à renda, e não é uma prática estável e periódica, mas obedece às oportunidades e contextos favoráveis. Em outros casos, ela se constitui na principal fonte de renda, mesmo com a baixa valorização nos preços, sendo vendida na feira, de porta em porta ou ainda por encomendas que são constantes.

3.4.3. “Roças” e criação de animais: autoconsumo e venda

A “fazeção” de farinha e de beiju está diretamente ligada ao plantio de mandioca, que continua sendo o principal cultivo da comunidade. Ela resiste às adversidades naturais, como por exemplo, a falta de água, e se insere como principal referência da prática alimentar do Sapê. Praticamente todas as famílias têm roça de

115 mandioca, que consiste na cultura mais comum e presente em maior quantidade, sendo então uma forte expressão da resistência física86 e cultural.

Além da mandioca, a maioria das famílias apresenta roças voltadas ao autoconsumo que atualmente, segundo relatos, está mais viabilizada na área da retoma. Abaixo, vemos o uso dessa área para o cultivo de alimentos.

Imagem 7: Roça de alimento na área de retoma

Fonte: Trabalho de campo. Autoria: Isabela Pasini.

Imagem 8: Colheita na área da retoma

Fonte: Trabalho de campo. Autoria: Isabela Pasini.

86 A mandioca é conhecida popularmente pela sua resistência às condições adversas de seca, infertilidade do solo, demandando cuidado apenas em sua fase inicial.

116 A segunda geração, que não tem espaço para plantar, principalmente no núcleo Batista-Silvares, está usufruindo da área da retoma para plantios de autoconsumo e algumas vezes para venda. Essas vendas são ora eventuais, ora em pequena escala, e dependem também das condições ambientais para a produção durante o ano.

Dentina: (...) tem vez, quando a estação corre bem, que colhe mais, vende..quando não colher, num vende é nada, só faz é comprar..sai daqui pra comprar milho na feira pra galinha (65 anos, entrevista concedida a autora em outubro/2013).

A criação de animais de pequeno porte também é bastante comum e principalmente voltada para a alimentação, que, no entanto, é eventual. Isso porque a quantidade de animais é pequena. Uma estratégia relatada por várias famílias é que a venda deles constitui-se num recurso em momentos aonde “as coisas apertam”.

Miro: É.. Sempre criamo um porquinho

Zirinha: Mas tem hora que a gente aperta, né..aí a gente vende, né..aí vai ficando mais pouco (78 anos).

-Vocês tinham mais antigamente?

Miro: Não ..antigamente nóis tinha mais ou menos uma 25, 20 cabeças, mais ou menos..depois nóis fomos baixando..foi apertando e vendendo, né..aí tem bem pouquinho agora..aí sempre aperta e vende (51 anos, entrevistas concedidas a autora em outubro/2013).