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1 INTRODUCTION

1.1 Lung Cancer

1.1.3 Diagnosis, staging (TNM) and prognosis

O Rio de Janeiro, por ter sido o antigo Distrito Federal, foi o berço das primeiras empreiteiras brasileiras, em muito beneficiado por ser a sede do poder nacional e o primeiro centro irradiador do sistema rodoviário brasileiro, nomeadamente Rio-São Paulo, Rio-Bahia e Rio-Juiz de Fora. No entanto, apesar desse histórico, com a mudança do Distrito Federal para Brasília a situação mudou, apesar de ter sido, ao lado das mineiras, o grupo de empreiteiras que mais participou das obras do Plano de Metas. A partir da década de 1960, as empreiteiras locais entraram em decadência, abrindo lugar para as paulistas, mineiras e nordestinas. Especialmente pelas recorrentes políticas estaduais cariocas de abrir o mercado local à concorrência de outros estados, a fim de enfraquecer os apoiadores do getulismo (CAMPOS, 2012).

As empreiteiras cariocas e fluminenses apresentam certas peculiaridades frente às dos outros estados, como explicita CAMPOS (2012; p. 81):

“Em primeiro lugar, é a forte presença dessas firmas também no mercado imobiliário, ao contrário de algumas mineiras e paulistas, que preferiram especialização no mercado de obras públicas. A importância do mercado de imóveis do Rio, bem como as viradas e incertezas políticas dos anos 60 e 70 na região, podem ser fatores explicativos dessa tendência. Além do mais, as cariocas e fluminenses foram tardias na criação de um sindicato regional. Enquanto em São Paulo há uma associação de empreiteiros de fins da década de 40, além de um sindicato que é dissidência dessa associação em fins dos 60, e em Minas, o sindicato da construção pesada local foi criado no fim da década de 60, o Rio só viu surgir medida similar em 1975, ano da fusão dos estados do Rio e da Guanabara. Nesse ano, junto com a criação da nova federação, foi criada a Associação dos Empreiteiros do Estado do Rio de Janeiro (AEERJ), que tinha dentre seus objetivos a criação de práticas protecionistas para as empreiteiras locais, o que era política deliberada em Minas, São Paulo e Paraná. Um dos motivos que explica esse aparelho da sociedade civil tardio é o fato de a cidade ser sede do Sinicon, o sindicato nacional do setor, que contava com uma maioria de empreiteiras cariocas, além de outras associações que traziam empreiteiros, como o Clube de Engenharia e o Sinduscon-Rio (ex-AICC).”

São Paulo, devido ao seu rápido crescimento, verificado principalmente a partir da década de 1920, ultrapassando o Rio de Janeiro como centro industrial do país, se tornou o maior demandante de intervenções urbanas no Brasil. Portanto, o vigor do mercado paulista permitiu o surgimento de um setor empreiteiro diversificado, tendo, inclusive, a maior empreiteira do país de 1964 a 1985, a Camargo Corrêa43, que, segundo pesquisa da Cartepillar, chegou a ser a maior do mundo (CAMPOS, 2012).

43“A Camargo Corrêa [a companhia foi criada, em 1938, como limitada e transformada em S.A., em 1946] começou atuando em serviços para empresas ferroviárias e ocupação do espaço urbano, diversificando depois suas atividades na área de engenharia. Teve participação em obras rodoviárias no

“Uma característica do mercado paulista de construção pesada é, para além do grande número de empresas, a sua variedade, contando-se empresas pequenas, médias, grandes e as macro, com alto índice de especialização das companhias em determinados tipos de obra. Outra marca do empresariado paulista da construção é a sua forte e pioneira organização no âmbito da sociedade civil. Trata-se do primeiro estado que teve uma associação apenas composta por empreiteiros, enquanto o Rio e Minas contavam apenas com organismos de engenheiros e construtores em geral. A organização das firmas locais foi elemento importante para a pressão e atuação junto aos órgãos do aparelho de Estado e para a implementação de políticas [em particular protecionistas] que ajudaram a consolidar as empresas locais” (CAMPOS, 2012; p. 88).

Minas Gerais conseguiu se consolidar como o segundo maior estado de procedência das empreiteiras brasileiras. É interessante notar que o pioneirismo do Governo Estadual em implementar certas medidas desenvolvimentistas, cujo o seu maior símbolo é o Binômio Energia e Transporte, gerou um mercado interno estadual em expansão para as pequenas construtoras mineiras. A esse cenário devem-se somar as políticas protecionistas das agências contratantes do estado, que permitiram que as firmas ganhassem experiência e se capitalizassem. Portanto, com a ascensão de Juscelino Kubitschek à Presidência da República, as empreiteiras mineiras tiveram acesso ao mercado nacional, transformando-se em grandes empresas como as paulistas, tendo como principais expoentes a Andrade e Gutierrez44 e a Mendes Júnior45.

estado de São Paulo desde o final dos anos 30 e, em nível nacional, após a criação do FRN. Não perdeu a oportunidade de fazer parte das obras de Brasília e dos empreendimentos rodoviários de JK. No entanto, seu maior trunfo acabou sendo a construção de hidrelétricas. Depois de ter obtido tecnologia com a norueguesa Noreno na construção de três usinas da Cherp, a empresa passou a atuar na maior parte das hidrelétricas paulistas, sendo um marco a usina de Jupiá, maior do Brasil então” (CAMPOS, 2012; p. 97). 44“[...] firma criada em 1948, pelos irmãos Gabriel e Roberto Andrade, além de Flávio Gutierrez, em Belo Horizonte. A empresa foi outra muito ligada a Juscelino e às obras rodoviárias implementadas pelo governo de Minas e pelo DNER, na época de JK como presidente. Começando com pequenos serviços de urbanização na capital mineira, a empresa passou a fazer suas primeiras obras rodoviárias na gestão de Kubitschek no governo estadual, conseguindo seu primeiro contrato fora do estado no período de JK como presidente da República, com as obras da BR-3, que ligava o Rio a Belo Horizonte. A AG foi uma das primeiras ‘estrangeiras’ a fazer obra no estado de São Paulo, conseguindo trecho da rodovia Castello Branco e chamando atenção por novidades criativas introduzidas na obra. Ao contrário da Rabello, a empresa conseguiu se adaptar à nova configuração política nacional pós-64 e realizou na ditadura obras como as rodovias Manaus-Porto Velho, Bandeirantes, Pedro I, dos Trabalhadores, o complexo de Carajás, Itaipu, os metropolitanos urbanos do Rio e de São Paulo, a Ferrovia do Aço, o aeroporto de Confins – com a Mendes Júnior – e a hidrelétrica de Salto Osório. Isso fez com que a empresa constasse sempre entre as quatro maiores do país desde 1972, [...]” (CAMPOS, 2012; p. 105-106).

45“O fundador da empresa, José Mendes Júnior, nasceu em Juiz de Fora e formou-se em Engenharia na universidade local, em 1921. Trabalhou na Estrada de Ferro Central do Brasil, indo em 1926 para a Secretaria de Agricultura e Viação de Minas. O trânsito aparelho de Estado-empresa marcou a trajetória de José Mendes Jr., que pouco depois, deixava o emprego público para constituir firma particular de construção de estradas, tendo executado diversos serviços para o governo estadual. A companhia fundada foi a Construtora de Estradas Ltda., datada de 1942 e que, desmembrada em duas, deu origem à construtora José Mendes Júnior Ltda, de 1953, que se tornou sociedade anônima dois anos depois. A construtora foi liderada inicialmente pelo fundador, mas, já então seu filho Murillo Mendes trabalhava nela e tomou as rédeas do negócio, sendo o responsável pela mesma ao longo da ditadura. A nova empresa participou de diversas obras do DER-MG e, três anos mais tarde, empenhava-se na construção da

“A história da indústria da construção pesada em Minas tem como marco fundamental o governo estadual Juscelino Kubitschek e a formação do consórcio Ajax para a viabilização do programa de 3.000 quilômetros de rodovias construídas em cinco anos. Como as empreiteiras mineiras não tinham o equipamento necessário e como eram muitas obras, o governo estadual criou consórcio que usava equipamentos da paulista CCBE e as empreiteiras mineiras não precisavam disputar concorrências, recebendo cada uma contratos para trecho rodoviário. O consórcio era liderado pela empresa do diamantense Ajax Rabello, dado como amigo pessoal do também diamantense JK e que era tio de Marco Paulo Rabello” (CAMPOS, 2012; p. 102).

As empreiteiras nordestinas, ao contrário das de outras regiões, se beneficiavam da atuação de autarquias e empresas públicas federais na região (DNOCS, Chesf, BNB, PETROBRÁS e SUDENE), que priorizavam a contratação de empresas locais por estar presente nas diretrizes dessas organizações ações que fortalecessem e desenvolvessem o Nordeste, sendo a Odebrecht46 a empresa que mais se aproveitou dessa política, que apesar de não ter participado das obras do Plano de Metas, teve grande atuação nas contratações da SUDENE47.

“Como exemplo dessa orientação geral por parte dessas instituições, podemos citar o caso da Petrobrás e de suas primeiras atividades. O engenheiro Percy Louzada de Abreu assim se refere à escolha da Bahia como sede do primeiro pólo petroquímico nacional: ‘Foi uma decisão estratégica apoiada em vários argumentos técnicos, mas principalmente políticos’. Naquele momento, início dos anos sessenta, 90% da produção nacional de petróleo se dava no estado nordestino, que era responsável, no entanto, por apenas 10% da demanda nacional por produtos da indústria petroquímica. O engenheiro, empenhado nas obras do pólo industrial, destaca que a decisão pelo seu local era justificada pelo objetivo de desconcentração industrial, ‘[n]o entanto, deve ter

nova capital federal. Tendo forte presença junto ao quadro técnico da Cemig, a MJ foi convidada pela estatal mineira para fazer a barragem de Pium-í, no rio Grande e conseguiu participar do processo de construção de Furnas [...] A forte atuação junto ao aparelho de Estado mineiro permitiu à empresa uma inserção na Cemig e em Furnas. Assim, a Mendes Júnior foi responsável por diversas usinas realizadas pelas duas estatais e, com isso, tornou-se a segunda construtora de hidrelétrica do país na ditadura, sendo uma das responsáveis por Itaipu. Essa especialização no mais complexo tipo de obra da construção pesada a colocou como uma das maiores empreiteiras do país durante a ditadura [...]” (CAMPOS, 2012; p. 107-108).

46“[...] o principal caso de empreiteira nordestina que começou sua trajetória impulsionada pelas obras na região é o da Norberto Odebrecht. Descendente de família prussiana que chegou ao Brasil em meados do século XIX e que se estabeleceu em Blumenau, Norberto Odebrecht era um engenheiro pernambucano formado na Escola Politécnica de Salvador que viu o pai falir no ramo da construção durante a Segunda Guerra Mundial. Ele fundou sua própria empresa, a construtora Norberto Odebrecht (NO), na Bahia em 1944, e teve, em princípio, o governo baiano e as empresas e instituições federais sediadas no Nordeste como principais clientes. Fazendo edifícios urbanos e obras portuárias no rio São Francisco, a Odebrecht passou a ter um cliente especial após 1953, a Petrobrás. Sob a presidência do baiano Juracy Magalhães, a empreiteira foi contratada para implementação de várias obras da estatal na região. Assim, vieram o oleoduto Catu-Candeias, em 1953, a refinaria Landulpho Alves, em 1957, o edifício central da Petrobrás em Salvador, em 1960, o edifício da Companhia Pernambucana de Borracha Sintética (Coperbo), em 1965 e, depois, fora da região Nordeste, o edifício-sede da BR no Rio de Janeiro, em 1972, além de plataformas marítimas, nos anos 80. A atuação junto à Petrobrás pela empreiteira baiana condicionou a sua ramificação desde fins dos anos 70” (CAMPOS, 2012; p. 113).

47“Foi com os incentivos da superintendência que a empreiteira realizou as fábricas da Willys, da Rhodia e das Tintas Coral, além de ter feito o próprio edifício-sede da Sudene, em Recife” (CAMPOS, 2012; p. 114).

pesado o fato de boa parte dos técnicos de maior hierarquia da Petrobrás serem baianos natos ou com grande afinidade com aquele estado’” (CAMPOS, 2012; p. 111).